quinta-feira, 29 de maio de 2008

Porcos Capitalistas

Pessoal, estamos lançando mais um blog capixaba sobre economia - Os Porcos Capitalistas.

Convido-os a participarem lendo, comentando e colaborando. Era uma idéia "antiga", mas que só agora saiu do papel e foi pra internet. A reativação do Blog do curso nos serviu de inspiração também.

Estamos reunindo alguns amigos que queiram ser colaboradores. Os que já participam são ex-alunos e alunos do curso de economia da UFES. Aqueles que se identificarem conosco (leia nosso primeiro post Nota do PigMaster, n° 1) fiquem à vontade pois o chiqueiro é de vocês. Já os que discordarem também são bem-vindos e, por favor, não se acanhem de nos chamar de porcos capitalistas!

Continuaremos participando do Blog do curso, que é uma iniciativa louvável. Seremos “Blogs irmãos”, mas o curso merece um espaço democrático para que os alunos possam publicar suas idéias “plurais”. Já nosso blog deve abranger um público maior, menos restrito à Ufes, mas seguirá uma linha de raciocínio mais ortodoxo.

Espero que participem e quando tiverem uma opinião reacionária libertária burguesa podem usar os porcos hehehehe Abraço.
Vinícius Barcelos
Visite >>>> http://porcoscapitalistas.blogspot.com

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Políticas de emprego podem ser ineficazes para os mais pobres

Retirado do IPEA - www.ipea.gov.br

O estudo investiga quais mudanças no mercado de trabalho brasileiro impactam na probabilidade de as famílias deixarem a condição de pobreza. Ana Machado e Rafael Ribas também mostram que os cronicamente pobres precisam de qualificação para entrar no mundo competitivo de trabalho, senão permanecem excluídos.
Machado e Ribas se baseiam em dados da Pesquisa Mensal de Emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (PME/IBGE), de 2002 a 2007. Quanto mais uma família fica na pobreza, mais difícil é escapar desta condição. O aumento no salário médio dos empregados no setor formal, por sua vez, favorece que famílias pobres continuem pobres - provavelmente, na competição por vagas que ofereçam salários mais altos, os indivíduos mais pobres sejam preteridos, posto serem profissionalmente menos qualificados.
A pesquisa revela ainda que famílias extremamente pobres não são, de fato, os pobres mais crônicos, pois apresentam maior probabilidade de sair da pobreza. A presença de idoso no domicílio é outro fator positivo para a não-permanência na pobreza. Certamente, a existência de aposentadorias e pensões como renda adicional no domicílio ameniza a situação, provendo maior bem-estar às famílias.
No Brasil, um enorme contingente de indivíduos em idade ativa praticamente não participa do mercado de trabalho, em especial no setor formal da economia. "Para esta população, políticas de geração de emprego podem ser ineficazes para a retirada da pobreza", informa o texto, que faz uma triste constatação: o aumento na remuneração média dos trabalhadores formais até mesmo dificulta ainda mais sua inserção.
O estudo conclui que políticas de redução da pobreza devem transpor o mercado de trabalho. O importante, segundo Machado e Ribas, é criar as condições suficientes para que haja sustento digno e condições para reverter a situação no longo prazo por intermédio da qualificação.

Blogosfera

Quem participa de um blog, geralmente gosta também de outros blogs, pensando nisso decidi colocar aqui uma lista de blogs que acho interessantes. Todos são atualizados pelo menos 2 vezes na semana.

Blogs de Economia
Gustibus (o blog de economia brasileiro mais antigo e famoso, professor do Ibmec-MG)
Blog do Adolfo (Professor da UCB)
Metamorfose (Mestrando da UFMG)
Raciocínios Espúrios (professor de econometria em finanças do Ibmec-SP)

Blogs em Inglês
Marginal Revolution (o blog de economia mais visitado do mundo)
Blog do Mankiw (esse dispensa apresentações, né)

Outros sites
Claudio Humberto (Blog diário de política)
Olavo de Carvalho (Filósofo conservador brasileiro)
Vetta Labs (Blog sobre tecnologias inteligentes)

Update: Acrescentado as sugestões
Stumbling and Mumbling
Wired
Slate
Porcos Capitalistas
Preço do Sistema
www.ted.com
Mão Visível

sábado, 24 de maio de 2008

De olho nas BEES!


Ontem as ações ordinárias do banco Nossa Caixa subiram 31,52%, devido ao anúncio feito pelo BB sobre as negociações quanto à incorporação do banco de Sampa.


Mas, como quase todo capixaba já deve estar sabendo, o BB também está de olho no Banestes, e boatos rolam de que não deve demorar muito para que fato semelhante aconteça com o nosso banco estadual...

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Curso de Iniciação e Estratégias Gráficas

Participe!
Curso de Iniciação e Estratégias Gráficas

A E.um investimentos realizará com o apoio da CJA mais um curso sobre bolsa de valores. Este curso será AVANÇADO! Abordará sobre teorias da análise gráfica como Candlesticks, Fibonacci, Pivots, e várias estratégias de mercado.
As inscrições serão feitas na CJA.
Valor: R$300,00
Vagas limitadas.


terça-feira, 20 de maio de 2008

Bob Fields e o Milagre

Determinantes do “Milagre” Econômico Brasileiro (1968/73): Uma Análise Empírica

Resumo:
O objetivo deste estudo é quantificar, através de uma metodologia de regressão de
crescimento com dados de painel, a importância de possíveis determinantes do “milagre”
econômico brasileiro de 1968/73. Em particular, verificamos em que medida o “milagre”
decorreu da situação externa favorável, do desempenho de variáveis de política
econômica no período 1968/73 e o papel das reformas institucionais do PAEG de
1964/66. Com esse objetivo, estimamos regressões de crescimento com dados de painel
para o período entre 1962 e 1997. Os resultados mostram que tanto o ambiente externo
como as variáveis de política econômica explicam uma parcela relativamente pequena da
aceleração do crescimento observada entre 1962/67 e 1968/73. Quando consideramos o
período 1964/73 como um todo, verificamos que as variáveis associadas à política de
estabilização e às reformas institucionais do PAEG foram de grande importância para
explicar a aceleração do crescimento econômico brasileiro nesse período.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Nota de conjuntura: grau de investimento e Fundo Soberano

Pessoal,

Saiu hoje a edição de Maio do BIF - Boletim de Informações da FIPE, publicação eletrônica mensal, cujos colaboradores são professores do Departamento de Economia da FEA/USP, pesquisadores da FIPE e alunos dos programas de mestrado e doutorado do IPE/USP.

Segue abaixo a Nota de Conjuntura, escrita pelo Professor Carlos Eduardo Gonçalves, do Departamento de Economia da FEA-USP. Nela, o professor manifesta suas preocupações acerca da concessão do grau de investimento, no sentido de se evitar o potencial “Moral Hazard” que a nova nota pode acarretar, e da criação do “exótico e confuso” Fundo Soberano, destacando que o governo incorre novamente no erro de escolher vencedores no momento de injetar recursos em empresas nacionais, “prática que no passado só serviu para desperdiçar dinheiro de impostos em empresas pouco competitivas”.

Em outras palavras, Roberto Campos, em artigo de 1997, aqui postado na semana passada, já ironizava: “Os entusiastas da política industrial têm uma qualidade em comum com os políticos e os amantes: o esquecimento das experiências passadas.”

Para quem tiver interesse na publicação completa, o download pode ser feito clicando no seguinte link:

http://www.fipe.org.br/Publicacoes/downloads/bif/2008/5_bif332.pdf

Abraços a todos. Comentem!!!


Nota de conjuntura: grau de investimento e Fundo Soberano1

Carlos Eduardo Gonçalves - Professor do Departamento de Economia da FEA-USP e Economista do Grupo de Conjuntura da Fipe.
(E-mail: cesg@usp.br
)

Há pouco mais de 20 anos, era extinta a famigerada Conta Movimento, a qual, ligando de modo espúrio o Banco Central ao Banco do Brasil, desvirtuava a política monetária colocando-a a serviço da farra fiscal. Ali, na alvorada da democracia, começava a reestruturação da economia brasileira, que seguiu se aprimorando institucionalmente com os adventos da abertura econômica, estabilização inflacionária, implementação da LRF e do sistema de Metas com câmbio flutuante, para citar algumas das mudanças mais significativas. Como prêmio a esta seqüência de decisões acertadas, recebemos, há poucos dias, o título de Grau de Investimento, segundo a classificação da Standard & Poor’s, o que abre as portas para maior entrada de investimentos estrangeiros no Brasil.

Preocupa-me, contudo, que o carimbo, ou selo de credibilidade que nos foi acordado, termine afetando adversamente os incentivos políticos no sentido de retardar ainda mais o encaminhamento e aprovação da miríade de reformas pró-desenvolvimento econômico que nos fariam crescer mais rápido e distribuir melhor a renda. Complacência, ou Moral Hazard no jargão do economista, é o que mais precisamos evitar neste momento.

Sob a óptica “do fazer a fama para deitar na cama”, a promoção não poderia ter vindo em pior hora. Os sinais de deterioração da política fiscal abundam e o superávit primário ainda não caiu apenas por conta de uma arrecadação que não pára de bater recordes. Vale lembrar que vivemos em um mundo permeado de riscos ao crescimento, e se este desacelerar, perderemos arrecadação, mas ficaremos com o ônus dos gastos permanentemente mais altos. Deveríamos estar aproveitando o boom de arrecadação para diminuir substancialmente o endividamento público, preparando-nos, assim, para mares mais revoltos. Mas estamos aproveitando-o para satisfazer o voraz apetite por mais gasto. Afinal, para que aumentar a prudência se agora somos Grau de Investimento? Dá-lhe Moral Hazard!

Nesta toada, pouco após virarmos Grau de Investimento, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou a criação do Fundo Soberano. Este tipo de Fundo é comum em países com grandes quantidades de algum importante recurso natural, e sua existência visa: (i) evitar que a apreciação cambial expressiva que advém da exportação de grandes volumes de um único recurso (cobre, no Chile; petróleo, na Noruega) destrua a competitividade dos outros produtores de bens comercializáveis, e (ii) levar para as gerações futuras os benefícios do esgotável recurso natural presente. Porém, as exportações brasileiras são extremamente diversificadas e, portanto, não nos enquadramos no grupo de países que se beneficiam deste tipo de instituição econômica.

Mantega disse querer usar os recursos fiscais do Fundo para investir em empresas brasileiras no exterior. De novo a história do Estado escolhendo vencedores, prática que no passado só serviu para desperdiçar dinheiro de impostos em empresas pouco competitivas.

Fica a pergunta: para que emprestar dinheiro barato para empresários de sucesso em país tão cheio de carências? Por fim, se o objetivo for buscar maior remuneração para certa parcela das reservas, não há necessidade de se criar para isto um pomposo Fundo Soberano.

Será que se ainda estivéssemos lutando para chegar ao Grau de Investimento, o governo não estaria usando o “excesso” de arrecadação para reduzir a dívida, em vez de criar um exótico e confuso Fundo Soberano?

1 As opiniões contidas nesta nota são de responsabilidade do autor, mas também expressam as opiniões apresentadas nas reuniões do Grupo de Conjuntura da FIPE.

domingo, 18 de maio de 2008

Dinheiro Público, Corrupção e Desigualdade


É clichê falar da alta carga tributária brasileira. Ninguém mais dá tanta atenção. Ou porque já escutou a mídia falar sobre isso incessantemente, ou porque já desistiu de lutar por um setor público mais eficiente e mais barato e foi cuidar da sua vida, ou porque acredita que não tem como fugir: não há espaço para redução.

Mas mesmo sendo clichê, como os efeitos perversos dessa carga não são tão aparentes, ninguém vê o quanto o rei está nu.

Seguem duas notícias que podem trazer alguma reflexão sobre o assunto.

A primeira mostra um dado interessante: em pleno dirigismo estatal, no milagre econômico, trabalhávamos 2 meses e 16 dias para sustentar a máquina pública.

Hoje trabalhamos o dobro... isso em termos relativos, não em termos absolutos. Ou seja, será que o setor público oferece à população o dobro, em termos relativos, do que oferecia há 38 anos atrás? Com mais eficiência e mais qualidade?

A outra trata da desigualdade de renda no país, e como a carga tributária contribui para tanto. Os mais pobres pagam 10% a mais de sua renda do que os ricos.

Abraços, comentem!




Em 2008, os brasileiros terão que trabalhar durante quatro meses e 28 dias só para pagar impostos, segundo um estudo divulgado nesta segunda-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT).

De acordo com o trabalho, em 2008 um trabalhador no país terá que usar 148 de seus dias para pagar tributos exigidos pelos governos federal, estadual e municipal, em média. Isso corresponde a uma mordida de 40,51% de seu rendimento bruto.

Pior ainda: durante a década de 1970, em média esse tempo era de 76 dias, equivalentes a dois meses e 16 dias. Ou seja, hoje se trabalha o dobro do que na década de 1970 para se pagar os impostos.

Se serve de consolo, um trabalhador sueco tem que trabalhar ainda mais – 185 dias – para pagar suas taxas. Em outros países, como França e Espanha, o número é próximo do brasileiro: 149 e 137 dias, respectivamente. Em compensação, um mexicano só perde 91 de seus dias de trabalho pagando imposto.



Três quartos da riqueza existente no Brasil está concentrada nas mãos de apenas 10% da população. A informação consta do estudo "Justiça Tributária: Iniqüidade e Desafios", divulgado nesta quinta-feira (15) pelo presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann, durante seminário sobre reforma tributária, promovido pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES).

De acordo com o estudo, o índice de Gini, que mede a desigualdade social de uma população, foi de 0,56 no Brasil em 2006 - o índice varia de 0 a 1, sendo 0 a perfeita igualdade e 1 a completa desigualdade. Segundo Pochmann, isso significa que a desigualdade social diminuiu no Brasil em 2006, mas ainda está no patamar do período militar e em nível pior do que antes do golpe de 1964.

Carga tributária

Para Pochmann, "é evidente que o sistema tributário que temos aprofunda a desigualdade". Ele destacou que no grupo dos 10% mais pobres, a tributação representa 32,8% da renda. Já nos 10% mais ricos, a tributação total é referente a 22,7% da renda. "Quem é pobre no Brasil está condenado a pagar mais impostos", afirmou.

O presidente do Ipea mostrou que desde 1995 tem havido aumento na carga tributária, determinado basicamente pelo governo federal. Ressaltou, porém, que há uma grande desigualdade na arrecadação entre os Estados brasileiros. Ele mostrou que houve um aumento na participação da carga tributária brasileira nos impostos sobre renda, propriedade e patrimônio, no período de 1995 até 2007, que passaram de 21,1% para 29%.

Pochmann defendeu que o Imposto de Renda para a pessoa física tenha mais alíquotas de tributação e assim avance na questão da redução da desigualdade social. Para Pochmann, o sistema atual com duas alíquotas reduz o potencial do imposto de renda como fator de redução da desigualdade.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Principles of Economics, Translated



Olá, meu nome é André, sou baiano, to cursando o mestrado da Ufes e trabalho no Governo do Estado. Este é meu primeiro post, e apesar de não saber colocar o vídeo na barra lateral e ele estar em inglês, o vídeo é muito engraçado, vcs vão gostar. Abraços.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Sobre mulheres e economia

O que você faz quando precisa escolher alunos brilhantes dentre inúmeros alunos excelentes?

Oxford e Cambridge começaram a fazer perguntas bizarras - pelo menos num primeiro momento - nos seus exames de admissão. Quer estudar em Oxford? Responde aí embaixo! Essa pergunta foi feita aos estudantes interessados em estudar Política, Economia ou Filosofia.


Imagine que na sua frente estão lado a lado três mulheres lindas. Imaginou? ótimo, agora imagine-as nuas. Já foi? legal. Agora me responda isto:

Qual das três você escolheria? E isso tem alguma relevância para a economia?


Lembrando que não existem respostas certas. Todas as respostas dependem de análises conjecturais.

link pra matéria de dois anos atrás da TimesOnLine aqui.

Nasdaróvia,

Um pouco de essência num dia chuvoso... chuva essencial que nos permite ficar molhados

(…) é primeiramente a música que desperta o sentido musical do homem; para o ouvido não musical a mais bela música não tem sentido algum, não é objeto, porque meu objeto só pode ser a confirmação de uma de minhas forças essenciais, isto é, só é para mim na medida em que minha força essencial é para si, como capacidade subjetiva, porque o sentido do objeto para mim (somente tem um sentido a ele correspondente) chega justamente até onde chega meu sentido; (…) É somente graças à riqueza objetivamente desenvolvida da essência humana que a riqueza da sensibilidade humana subjetiva é cultivada, e é em parte criada, que o ouvido torna-se musical, que o olho percebe a beleza da forma, em resumo, que os sentidos tornam-se capazes de gozo humano, tornam-se sentidos que se confirmam como forças essenciais humanas. Pois não só os cinco sentidos, como também os chamados sentidos espirituais, os sentidos práticos (vontade, amor, etc.), em uma palavra, o sentido humano, a humanidade dos sentidos, constituem-se unicamente mediante o modo de existência de seu objeto, mediante a natureza humanizada. (…) O sentido que é prisioneiro da grosseira necessidade prática tem apenas um sentido limitado. Para o homem que morre de fome não existe a forma humana da comida, mas apenas seu modo de existência abstrato de comida; esta bem poderia apresentar-se na sua forma mais grosseira, e seria impossível dizer então em que se distingue esta atividade para alimentar-se da atividade animal para alimentar-se. O homem necessitado, carregado de preocupações, não tem senso para o mais belo espetáculo. O comerciante de minerais não vê senão seu valor comercial, e não sua beleza ou a natureza peculiar do mineral; não tem senso mineralógico. A objetivação da essência humana, tanto no aspecto teórico como no aspecto prático, é pois, necessária, tanto para tornar humano o sentido do homem, como para criar o sentido humano correspondente à riqueza plena da essência humana e natural. (Marx, 1978, p. 12).

terça-feira, 13 de maio de 2008

Política Industrial

Ontem, Lula anunciou o Plano de Desenvolvimento Produtivo, que, a grosso modo, trata-se de uma nova "política industrial" para o país.

Contudo, felizmente, apesar de alguns pecados, o teor dessa política industrial parece ser diferente das que se faziam antigamente: a desoneração tributária tem grande peso e a "substituição de importação" é meio que às avessas - ao invés de se proibir a importação para estimular o produtor nacional, estimula-se o investidor estrangeiro a colocar seu capital no país.

Veja aqui as pincipais medidas do plano.

Como devem ter notado, à direita, no blog, há vídeos da participação do Roberto Campos (diplomata, ex-ministro do planejamento) no programa Roda Viva. Não deixem de assistir. O programa conta com a participação de nomes de peso, como, além do Bob Fields, Maílson da Nóbrega (ex-ministro da fazenda) e Marco Aurélio Garcia (Petista, professor da Unicamp, atualmente assessor especial do Lula).

Segue abaixo um texto antigo (de 1997) de Roberto Campos, sobre política industrial, que parece caber bem à situação.

Será que o Brasil está começando a aprender a (não) fazer política industrial? A aprender que "a melhor política industrial é ambiental: desregulamentar monopólios, simplificar o fisco e reduzir o o custo Brasil"?



Abraços!



Comentem.



O mito da política industrial
Roberto Campos
5/1/97

"A melhor política industrial é ambiental: desregulamentar monopólios, simplificar o fisco e reduzir o 'o custo Brasil'." Embaixador Oscar Lorenzo Fernandes

Sinto frio na espinha todas as vezes que ouço falar na necessidade de termos uma "política industrial". Acredito no que dizia o velho presidente Reagan, que Nelson Rodrigues certamente definiria como um "falso idiota": "A melhor política industrial para os Estados Unidos é não ter uma política industrial". (A agudeza profética de Reagan tem sido aliás subestimada. Conta-se que, em seus dias finais de governador da Califórnia, respondeu a um jornalista que falava do "decadentismo" americano e da eventual supremacia industrial japonesa: "Não há perigo. A razão é que os Estados Unidos estão cheios de japoneses, e o Japão, vazio de americanos" (exceto os soldados que ganham soldo e não produzem nada).

Acreditar no governo "motor de desenvolvimento e benfeitor social" foi uma das minhas doenças da juventude. Tive várias. Escapei da gonorréia, só fabriquei dois poemas, superei breve ataque de socialismo romântico, mas caí na boçalidade de achar que o governo devia "planejar" a industrialização do país. Baseava-me em duas premissas, ambas falsas. A primeira é que só o governo pode pensar no depois de amanhã, pois, sob ameaças à sobrevivência, a empresa privada só se preocupa com o amanhã. A segunda é que o governo é uma bacia de acumulação de recursos investíveis, podendo correr o risco de grandes projetos.

Hoje penso exatamente o contrário. Os governos só pensam no curto prazo do mandato. Refazem ou desfazem os planos dos antecessores, preocupando-se mais com a próxima eleição do que com a próxima geração. A empresa privada, precisamente porque tem de garantir sua sobrevivência, é que planeja a longo prazo. E os governos não são bacias de acumulação de recursos; despoupam ao invés de poupar e são peneiras por onde vazam desperdícios. Peneiras e bacias só se parecem na forma circular. A falência financeira dos Estados é um fenômeno mundial. No Brasil, os governos não podem mais construir a infra-estrutura. Cabe ao leitor privado reconstruí-la.

Os que recomendam uma "política industrial" ativista laboram no equívoco de que o buro-tecnocrata e não o empresário é o grande "descobridor de oportunidades". Os liberais austríacos pensam exatamente o contrário. A essência da vida empresarial é a aceitação do risco e a busca de oportunidades. A essência da burocracia é o gozo do monopólio e a distribuição dos recursos alheios. E, não correndo risco, não é obrigada a processar a massa de informações de que o empresário necessita para sobreviver no mercado.

Os entusiastas da política industrial têm uma qualidade em comum com os políticos e os amantes: o esquecimento das experiências passadas. Relembremos alguns desastres de política industrial, concentrados sobretudo no período Geisel, que foi o apogeu do intervencionismo industrial: o programa nuclear com a Alemanha, a política de informática e a substituição forçada de bens de equipamento pela produção local. Passados 21 anos, nenhum só quilowatt foi gerado sob o acordo nuclear de 1975. O domínio do ciclo completo do processamento de urânio foi interrompido por falta de verbas. Sobrevive o programa nuclear da Marinha, que, coitada, não só carece de verbas como ainda não encontrou inimigos credíveis para seu submarino nuclear. Num momento de paranóia, compramos a Nuclep, uma fábrica especializada em reatores nucleares, como se houvesse um mercado regular para esses perigosos monstrengos.

Num outro exemplo de política industrial, plantamos a árvore às avessas, enterrando galhos e folhas e deixando no ar as raízes. É o caso da política de informática: as raízes seriam o software, a importação maciça de hardware para criar mercado e a microeletrônica. A difusão do uso do computador era muito mais importante que a produção local de computadores. Concentramo-nos entretanto nesse último aspecto, restringindo importações e vedando o ingresso de investidores estrangeiros. O resultado foram altos custos de produção, mercado comprimido e próspero contrabando.

Vetamos os projetos de dois gigantes da microeletrônica, a Texas Instruments e a Motorola, e garantimos reserva de mercado para três empresas locais, nenhuma das quais ultrapassou a puberdade na microeletrônica. E perdemos a corrida para países que antes inexistiam na paisagem informática e que hoje têm expressão maior que nós no comércio internacional de alta tecnologia: Taiwan, Coréia, Cingapura, Tailândia, Malásia e até mesmo as Filipinas.

Como nossa memória é curta, parece que o Itamaraty e o Ministério da Indústria, Comércio e Turismo estão ocupadíssimos preparando nosso próximo erro: recusar a adesão do Brasil ao recente Acordo de Cingapura para liberalização do comércio internacional de alta tecnologia até o ano 2000. Será um segundo suicídio tecnológico. Países que representam 85% do comércio mundial desses produtos já aderiram, e o acordo entrará em vigor quando se atingir, em breve, o patamar de 90%. Se insistirmos em manter tarifas obscenas de mais de 30% sobre a importação de bens de informática, para sustentar indústrias parasitárias, ficaremos atrasados na batalha da produtividade e aumentaremos a atratividade de competidores mais liberais para os investidores em tecnologia de ponta.

O terceiro exemplo de política industrial mal direcionada foram os exagerados subsídios à indústria de máquinas e ferramentas, acopladas a restrições de importação. Racionalmente, num programa de industrialização substitutiva de importações, as máquinas e equipamentos seriam os últimos itens da agenda, simplesmente porque são indispensáveis à atualização tecnológica, além de trazer embutidos generosos financiamentos. Estimular artificialmente sua produção local é encarecer os custos de toda a indústria de transformação, com perigo de desatualização tecnológica e elevados custos financeiros para os compradores. Não mais que duas ou três empresas lograram se estruturar sólida e competitivamente, ficando as demais devedoras insolventes do BNDES.

O embaixador Lorenzo Fernandes tem toda a razão ao dizer que a melhor política industrial é a ambiental: o governo deve criar um ambiente propício à industrialização, sem ditar-lhe rumos. Isso significa essencialmente abolir monopólios e reservas de mercado, simplificar o fisco e a legislação trabalhista e aplicar os recursos da privatização na redução da dívida pública para abater os juros asfixiantes do setor privado.

Há toda uma mitologia sobre o milagre dirigista de tecnocratas japoneses e coreanos, como heróis da industrialização. Trocadas as coisas em miúdo, como o fez recentemente o Banco Mundial, verifica-se que o MITI japonês errou mais do que acertou em seu dirigismo, e que as indústrias bem-sucedidas não foram as privilegiadas pelos tecnocratas, e sim as mais adequadas aos recursos humanos e materiais dos respectivos países. A explicação do sucesso se encontra muito mais na educação básica, no direcionamento adequado de crédito barato e na ênfase sobre exportações do que na descoberta de oportunidades por tecnocratas iluminados.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Aprenda a Investir na Bolsa!



Quer aprender sobre Bolsa de Valores?


Só por R$ 30,00!? (até 12/05, depois R$40,00. )

Aqui está o primeiro passo para quem quer começar a investir!

Curso introdutório ao mercado de ações com uma linguagem simples.
Uma parceria da CJA com e.um, corretora de São Paulo que acabou de abrir escritório em Vitória!

O curso é dividido em 6 módulos:

Módulo 1 – Entenda o Mercado (o que é uma ação, o que é a Bolsa, a importância das Bolsas, porque empresas abrem o capital, CLBC/CVM, custos operacionais / tributos, dividendos e juros e BM&F)

Módulo 2 – Operando na Bolsa (como comprar uma ação, formas de operar, Home Broker x Plataformas e ferramentas para investir)

Módulo 3 – Tomada de Decisão (investir ou especular, vivendo da Bolsa, longo x curto prazo, operações de day-trade, renda fixa x variável e quando comprar e vender)

Módulo 4 – Fator Psicológico (emocional x racional, assimilando as notícias, administrando o risco, a importância do STOP e dicas importantes)

Módulo 5 – Análises (analise técnica x analise fundamentalista)

Módulo 6 – E.UM (produtos e.um, clube de investimento, carteira administrada e contato)

INSCRIÇÕES:

Por telefone: 4009.2619

Ou por e-mail: cja@cjaufes.com

REALIZAÇÃO:

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Dicas para o aspirante a economista

Especialmente para os calouros! Seguem abaixo dicas do prof. Mankiw, autor de um dos manuais de economia mais vendidos, para quem almeja ser economista.
Por Greg Mankiw
Um estudante de fora me enviou um e-mail com a seguinte pergunta:

“Você tem algumas dicas para mim, de como me tornar um bom economista?”

Aqui vão algumas dicas para quem estiver pensando em seguir a carreira de economista.

1. Pegue tantas matérias de matemática e estatística quantas você conseguir agüentar.

2. Escolha as matérias de economia cujos professores sejam apaixonados pelo campo de estudo que estão ensinando. Não se importe sobre os tópicos em particular ao escolher a matéria. Todas as partes da economia podem ser bem interessantes, ou bem tediosas, dependendo do professor.

3. Use suas férias para experimentar a economia de perspectivas diferentes. Passe uma como ajudante de pesquisa de um professor, outra num estágio no governo, e outra estagiando no setor privado.

4. Leia sobre economia, por prazer, no seu tempo livre. Para começar, aqui segue uma lista para leitura.

5. Acompanhe o noticiário econômico. O melhor semanal é o “The Economist”. Já o melhor diário é o “The Wall Street Journal”.

6. Se você está numa universidade que pesquisa, vá aos seminários de sua universidade. Você poderá não entender as discussões de início, porque elas parecerão técnicas ou teóricas demais, mas você entenderá mais do que imagina, e eventualmente começará a dar seminários também.

7. Acesse o Blog do seu curso. Leia, comente e publique coisas interessantes sobre economia!

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Direita Vs Esquerda


Greg Mankiw está de volta, colaborando com o nosso blog! Dessa vez ele me pediu que traduzisse o seguinte resumo de sua aula de introdução à economia, que trata das diferenças entre esquerda e direita, mesmo quando essas compartilham o mesmo arcabouço teórico para análise.


Abraços! Comentem.


Por Greg Mankiw


Na aula de hoje, eu discuti um número de razões pelas quais economistas que tendem para a direita e para a esquerda diferem-se no que tange à política econômica, muito embora compartilhem o mesmo quadro intelectual para a análise. Eis uma síntese:

1) A direita enxerga um grande ônus na eficiência econômica (“perdas de peso-morto”) associado aos impostos e, portanto, preocupa-se com o crescimento do governo na economia. A esquerda enxerga elasticidades de oferta e demanda menores e, portanto, preocupa-se menos com a distorção causada pelos impostos.

2) A direita enxerga as externalidades como uma ocasional falha do mercado que pede por uma intervenção do governo, mas vê isso como algo relativamente raro quando comparado à regra geral de que o mercado leva a alocações eficientes. A esquerda vê as externalidades como algo mais presente.

3) A direita enxerga a competição como uma característica imanente à economia e vê o poder de mercado como tipicamente limitado tanto pela magnitude quanto pela duração. A esquerda vê grandes corporações com graus substanciais de poder de monopólio que precisam ser controlados por políticas antitruste ativas.

4) A direita vê as pessoas como majoritariamente racionais, fazendo o melhor que podem, dadas as restrições que enfrentam. A esquerda enxerga pessoas que cometem erros sistemáticos e acredita que é papel do governo proteger as pessoas de seus próprios erros.

5) A direita enxerga o governo como um mecanismo terrivelmente ineficiente na alocação de recursos, sujeito aos interesses pessoais de políticos e, principalmente, sujeito à corrupção. A esquerda vê o governo como a instituição principal que pode contrabalançar os efeitos do todo-poderoso mercado.

6) Há um último problema que divide a direita da esquerda. – talvez o mais importante. É o que concerne à distribuição de renda. Seria a distribuição de renda do mercado justa ou injusta? E se injusta, o que o governo deveria fazer? Essa questão é tão ampla que dedicarei a próxima aula inteira a isso.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

O valor da fórmula secreta da Coca-Cola

O texto é de julho de 2006, mas vale a pena a leitura, principalmente para aqueles que não vêem tanta ligação entre os manuais de microeconomia e a "vida real".
___________________



Do freakonomics.com: o valor da fórmula secreta da Coca-Cola

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt

Quanto a Pepsi pagaria para obter a fórmula secreta da Coca-Cola?

Alguns funcionários pusilânimes da Coca-Cola foram pegos recentemente
tentando vender segredos corporativos da sua companhia para a Pepsi. A Pepsi entregou os vilões, e cooperou na operação para prendê-los.

Teriam os executivos da Pepsi desperdiçado a chance de obter grandes lucros a fim de "fazer a coisa certa"?

Eu almocei com o meu amigo Kevin Murphy um dia desses, e ele fez uma
observação interessante: conhecer a fórmula secreta da Coca é algo que
provavelmente não teria o menor valor para a Pepsi. Eis aqui a lógica desse raciocínio: digamos que a Pepsi conhecesse a fórmula secreta da Coca e fosse capaz de publicá-la, de forma que todo mundo fosse capaz de fabricar uma bebida que tivesse o mesmo sabor da Coca-Cola. Isso seria algo muito parecido com o que ocorre com os medicamentos vendidos sob prescrição médica quando as suas patentes expiram, e as companhias de medicamentos genéricos entram em cena. O impacto seria a queda acentuada do preço da Coca real (provavelmente o preço não chegaria ao nível daqueles das "cocas genéricas"). Isso seria obviamente terrível para a Coca. E provavelmente também seria ruim para a Pepsi. Com a Coca bem mais barata, as pessoas trocariam a Pepsi pela Coca. Os lucros da Pepsi provavelmente diminuiriam.

Assim, se a Pepsi obtivesse a fórmula secreta da Coca, a empresa não
desejaria fornecê-la a ninguém mais. E se eles guardassem o segredo para si e fizessem a sua própria bebida com o sabor exato da Coca? Se eles fossem realmente capazes de convencer a população de que a sua bebida fosse idêntica à Coca, a nova versão da Coca feita pela Pepsi e a Coca-Cola real seriam aquilo que os economistas chamam de "substitutos perfeitos". Quando dois produtos são perfeitamente intercambiáveis nas mentes dos consumidores, isso tende a gerar uma acirrada competição por preços, resultando em lucros muito baixos.

Como conseqüência, nem o produto da Coca nem o da Pepsi seriam muito
lucrativos. Assim que a Coca-Cola se tornasse mais barata, os consumidores se afastariam da Pepsi original e passariam a consumir ou a Coca-Cola, ou a Coca fabricada pela Pepsi, que, de qualquer forma, seriam menos lucrativas do que a Pepsi original.

No final das contas, tanto a Coca quanto a Pepsi provavelmente estariam em pior situação caso a Pepsi obtivesse a fórmula secreta da Coca e tentasse tirar proveito disso.

Assim, talvez os executivos da Pepsi tenham agido de forma moralmente
louvável ao entregarem os criminosos que roubaram os segredos da Coca.

Ou talvez eles sejam apenas bons economistas.

Steven D. Levitt

sábado, 3 de maio de 2008

Colação de grau


Ainda sobre a elevação do Brasil à categoria de grau de investimento (investment grade), aí está um texto de Sérgio Malbergier no Folha Online.

Aproveito pra deixar o link do site do Fato em Foco, um especial da CBN que aborda diversas questões, mas que no último sábado abordou a polêmica da alta dos alimentos e neste sábado o assunto foi a importância dos chamados "países em desenvolvimento".

Gostando ou não, comentem !
Marco Antonio


Colação de grau
01/05/2008

Melhor do que receber o grau de investimento, foi recebê-lo em meio a uma crise financeira internacional que em outros tempos teria devastado a economia brasileira.

Melhor ainda foi obtê-lo com nosso primeiro presidente, vá lá, de esquerda, o que em nossos vizinhos sul-americanos trouxe devastação.

Lula é muito melhor do que eles, pois se é tolerante com a nefasta prática política brasileira que o forjou presidente, enxergou o óbvio na economia: o imperativo de jogar dentro das regras do mercado, não desafiá-lo primariamente como seus contemporâneos esquerdistas, os Chávez, Kirchners e Morales.

Lula e o Brasil temos todos os motivos para festejarmos a colação de grau da economia brasileira, mas é preciso não deixar a festa e os recordes da Bovespa ofuscarem os enormes defeitos e desafios do país.

A chancela de bom pagador que recebemos significa basicamente que, na visão de uma (desmoralizada) agência de avaliação de risco americana, o país tem condições de pagar sua dívida.

Com ela, enormes fundos de investimento estrangeiros, antes impedidos de investir em papéis brasileiros, poderão fazê-lo, elevando nossa capacidade de atrair capital. E é com capital que o capitalismo avança.

Mas países como o Chile já têm esse selo. E, com todo respeito a eles, é prova de que recebê-lo não resolve a vida de ninguém.

Falta ao Brasil fazer a parte mais difícil, como sanear a política, passar as reformas urgentes há décadas, ter um Judiciário eficaz, educação de qualidade, combater a corrupção e a violência urbana... a lista é enorme. A economia saiu na frente, como sempre, mas o resto do país e suas instituições precisam segui-la.

Estamos como um aluno promissor que colou grau numa boa faculdade, cheio de planos e esperanças na estrada do futuro.

Tudo pode dar errado. É preciso pé no chão e mão na massa para tornar o potencial brasileiro no Brasil potência. O diploma já temos, falta todo o resto.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Standard & Poor`s eleva Brasil a categoria de grau de investimento

Já não é mais novidade para ninguém: somos investment grade! Seguem três notas interessantes a respeito da inclusão do Brasil no grupo de países com baixo risco, extraídas do site Valor Econômico.
Abs,
Mariana.

Standard & Poor`s eleva Brasil a categoria de grau de investimento

Valor Online
30/04/2008 15:55


SÃO PAULO - A agência de classificação de risco Standard & Poor`s elevou há pouco a nota de crédito (rating) da dívida externa e de longo prazo do Brasil de BB+ para BBB-. Com a elevação, o país entra para o grupo de países considerados de baixo risco, chamado de grau de investimento, ou investment grade.

Aguardada há alguns anos pelo governo e por agentes do mercado financeiro, a notícia foi vista com surpresa pelo mercado, já que não era esperada ainda neste primeiro semestre.

O principal benefício de o país se tornar investment grade é atrair grandes investidores institucionais de países desenvolvidos que, por regras dos seus estatutos, só podem investir em ativos considerados de baixo risco.

(Valor Online)

Amadurecimento de instituições, pragmatismo e endividamento menor garantiram investment grade

Valor Online
30/04/2008 17:04


SÃO PAULO - A tão esperada inclusão do Brasil no grupo dos países com baixo risco de crédito pela agência de classificação de risco Standard & Poor´s ocorreu devido ao amadurecimento das instituições e das políticas públicas, que resultou na diminuição da carga da dívida externa e interna e melhorou a tendência de crescimento econômico. A S & P elevou a nota soberana dos títulos de longo prazo em moeda estrangeira de "BB+" para "BBB-" e, em moeda local, de "BBB" para "BBB+". Também melhorou o rating de curto prazo em moeda estrangeira de "B" para "A-3" e o de moeda local de "A-3" para "A-2".

A perspectiva para as notas, que representam a concessão de investment grade para o Brasil, é estável. Segundo a agência, essa perspectiva reflete a existência de um elevado endividamento público, mas também a expectativa de crescimento econômico e uma menor dívida externa.

De acordo com a analista Lisa Schineller, a política econômica pragmática adotada pelo Brasil sustenta um crescimento do PIB de 4% a 4,5% ao ano. Outros fatores citados pela S & P para justificar a melhora na nota de crédito são o amplo mercado consumidor, o crescimento do mercado de capitais e boas perspectivas de investimento. A agência lembra que, apesar das condições mais apertadas de crédito global, o Brasil continua a atrair investimentos diretos diversificados. A S & P estima que o fluxo desses investimentos seja suficiente para compensar o déficit nas transações correntes, estimado em US$ 20 bilhões neste ano. Já a dívida externa líquida do Brasil, diz a S & P, caiu "dramaticamente" e pode ter um aumento apenas "modesto" com a piora dos resultados nas contas externas. O governo promoveu uma recompra de títulos da dívida e um alongamento de prazos que permitiu essa redução no endividamento.

A analista comenta que a inflação subiu no país, para uma taxa anualizada de 4,7% em março, em decorrência de pressões de custos de alimentos e petróleo, mas também por causa da demanda aquecida. "O banco central do Brasil iniciou um ciclo prospectivo de aperto monetário em abril, para assegurar que os benefícios duramente conseguidos associados com a inflação baixa sejam mantidos", acrescentou.

O panorama fiscal é a principal fraqueza no perfil de crédito do Brasil na análise da agência. No fim de 2007, a dívida líquida do setor público somou 47% do PIB (incluindo 7% do PIB de operações compromissadas do Banco Central), taxa maior do que a média de 20% dos demais países classificados com a nota BBB. Ainda assim, a S & P diz que o governo está preparado para absorver a perda da CPMF e atingir a meta de superávit primário de 3,8% do PIB neste ano. "A dívida líquida permanece maior do que em muitos BBB, mas os registros corretamente previsíveis das políticas fiscal e de administração da dívida diminuem esses riscos", afirma Lisa Schineller em nota.

"Ações para reduzir o nível e a rigidez dos gastos públicos fortaleceriam a posição fiscal do Brasil e facilitariam o declínio nas taxas de juros reais, com implicações positivas para o investimento e o crescimento e um declínio mais rápido da dívida pública", resumiu Lisa. Ela também notou que a aprovação de reformas tributária e previdenciária ("o que a S & P não espera dentro do horizonte do rating") seria positivo para a análise de crédito. "Se o compromisso deste ou de um futuro governo com o pragmatismo da política fiscal e monetária enfraquecer, se as políticas criarem empecilhos para o clima de investimento, ou se o governo falhar em responder adequadamente a choques imprevistos, a nota de crédito pode ficar sob pressão de queda", concluiu a analista.

(Valor Online)

Para economistas, lado fiscal e independência do BC foram fundamentais para o grau de investimento

Valor Online
30/04/2008 20:32


SÃO PAULO - O grau de investimento atribuído ao Brasil hoje pela agência de classificação de risco Standard & Poor´s surpreendeu os analistas brasileiros. Boa parte deles esperava essa classificação para o próximo trimestre ou mesmo para o começo do ano que vem.

A avaliação de muitos deles agora, depois da decisão, é que a independência demonstrada pelo Banco Central na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), quando elevou a Selic em 0,50 ponto percentual, e o resultado do superávit fiscal divulgado hoje foram determinantes para a conquista da avaliação.

Alexandre Póvoa, diretor da Modal Asset, projetava o grau do investimento para o Brasil na segunda metade do ano, mas acredita que já havia razões suficientes para elevar a nota do país. "Do ponto de vista de solvência o Brasil já é um país bastante confiável e solvência é um item essencial para obter essa classificação", diz.

O aumento das reservas internacionais e o conservadorismo do Banco Central em relação à política monetária também foram elementos determinantes para a notícia de hoje. "Embora o BC não tenha independência de direito, tem de fato", lembrou, acrescentando que o superávit fiscal e a redução da relação entre dívida pública e PIB foram importantes também para obter o grau de investimento.

Newton Rosa, economista-chefe da Sul América Investimentos, concorda com a avaliação e acredita que a decisão da S & P veio em boa hora. A crise americana havia instaurado a idéia entre os agentes de que o grau de investimento seria postergado em função da instabilidade global.

"Mas os últimos números de superávit nominal e da relação dívida/PIB foram muito expressivos", diz. As contas públicas consolidadas apresentaram superávit nominal (contando juros) de R$ 3,99 bilhões em março, como resultado de superávit primário (receitas menos despesas) de R$ 15,403 bilhões. A dívida líquida total do setor público recuou para R$ 1,141 trilhão no final de março, correspondente a 41,2% do Produto Interno Bruto (PIB).

Para Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da Gradual Corretora, a elevação da nota brasileira se deve principalmente ao comportamento do Banco Central. Silveira esperava que a decisão viesse apenas no primeiro trimestre de 2009. "Ficou clara (na última reunião) a independência e a visão de que as instituições brasileiras estão consolidadas."

(Bianca Ribeiro Valor Online)