quarta-feira, 30 de abril de 2008

Que nota você daria para o Fed?



Traduzido por Carlos Cinelli do Blog de Greg Mankiw


Por Greg Mankiw,

Que nota você daria para as atuais políticas do Fed?

Aqui vai uma resposta de um eminente economista e historiador do Banco Central Americano, Allan Meltzer.

Por Allan Meltzer,

Eu daria ao Fed algo como um C ou um C-; isso seria uma média de uma nota boa (A, por exemplo) e de uma nota ruim (E)

O Fed tem duas responsabilidades: a política monetária deve ser conduzida para manter as estabilidades econômica e de preços. Assim, de um lado, isso pede por mudanças, no tempo certo, nas taxas de juros de curto-prazo. Por outro, ações de crédito ou empréstimos-de-última-instância devem manter a solvência e a estabilidade do sistema; e isso requer que o Fed empreste reservas para o mercado quando há falta de ativos líquidos que possam ser usados para ajustar reivindicações.

Contudo, a política monetária está muito frouxa no presente. O Fed fez muito para prevenir uma possível recessão e muito pouco para prevenir uma outra rodada de inflação. Seus erros vieram ao ceder à pressão do congresso e do mercado financeiro. O Fed sacrificou sua independência ao se render a essa pressão. Resultado: as taxas reais de juros de curto-prazo estão negativas. Emprestadores estão pagando para emprestar. Taxas reais negativas foram uma causa do atual problema; elas não são a cura. E, agora, o Fed precisa aumentar as taxas de juros para prevenir a inflação.

Por outro lado, a política de crédito do Fed tem sido boa. Ele tem estado alerta para os problemas de pagamento e estabilidade do sistema. Bancos e instituições financeiras estão incertos quanto à solvência de outras instituições, então eles preferem guardar dinheiro a emprestar. A maneira tradicional de resolver problemas desse tipo é prover tanto dinheiro quanto o mercado necessite. E, certamente, o Fed inventou novas maneiras de injetar reservas e ativos líquidos (Notas do Tesouro) no mercado. Isso ajudou a prevenir uma genuína crise de mercado – pelo menos até agora. Não podemos dizer que o Fed “afiançou” o Bear Stearns (obs.: termo no original - “to bail out” – termo usado para quando o governo injeta liquidez em uma instituição prestes a falir, que possui ativos suficientes para honrar sua dívida, mas seus ativos não são líquidos). Ele arranjou uma venda que substituiu a gerência da instituição sem ter que fechá-la.

O único erro do Fed foi garantir $30 bilhões do portfolio da Bear Stearns. Essa ação transferiu potenciais perdas do mercado para os contribuintes. Eu não acredito que o sistema atual consiga se sustentar se os banqueiros ganham os lucros e os contribuintes socializam os prejuízos.

terça-feira, 29 de abril de 2008

Gincana





Pois bem, hoje ocorreu a atividade de integração com os calouros (vulgarmente conhecida como "gincana") - ressalte-se que não houve trote, porque trote é proibido na UFES.

Porém, como sou analfabeto em edição de vídeos, e preguiçoso, não editei nada. Então segue aí, nua e crua, a parte mais importante da atividade de integração: o juramento!

Assista e comente!

ANEXO I - SOBRE O JURAMENTO

Breve histórico e conceituação teórica


O juramento do curso foi implementado no ritual de passagem dos calouros, por General e Jeremias, há aproximadamente 3 gerações atrás.

Durante o juramento, os calouros comprometem-se a seguir com as tradições da Economia UFES, bem como honrar a profissão do economista, além de comprometerem-se a arrecadar haveres monetários para a amortização da dívida adquirida junto ao curso no momento de seu ingresso. Como garantia da dívida, o calouro (devedor pignoratício) penhora sua mochila e outros bens que traz consigo, que ficam devidamente guardados até o saldamento. Atualmente o valor da dívida está na ordem de R$50,00, porém este valor pode ser modificado segundo mudanças de expectativas em relação as variáveis da conjuntura alcoeconômica. O dinheiro é totalmente destinado a investimentos líquidos para consumo futuro em evento com finalidade de entretenimento.


O juramento é embasado teoricamente por 2 autores fundamentais - Gil Brother e Galter, pensadores cuja contribuição para o entendimento da acefalogia dos calouros foi crucial no desenrolar histórico dos rituais de passagem.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Iniciativa e Acabativa

Por Stephen Kanitz*

Isto é um teste de personalidade que poderá alterar a sua vida. Portanto, preste muita atenção.
Iniciativa é a capacidade que todos nós temos de criar, iniciar projetos e conceber novas idéias. Algumas pessoas têm muita iniciativa e outras têm pouca.

Acabativa é um neologismo que significa a capacidade que algumas pessoas possuem de terminar aquilo que iniciaram ou concluir o que outros começaram. É a capacidade de colocar em prática uma idéia e levá-la até o fim.

Os seres humanos podem ser divididos em três grupos, dependendo do grau de iniciativa e acabativa de cada um: os empreendedores, os iniciativos e os acabativos - sem contar os burocratas.

· Empreendedores são aqueles que têm iniciativa e acabativa. Um seleto grupo que não se contenta em ficar na idéia e vai a campo implantá-la.

· Iniciativos são criativos, têm mil idéias, mas abominam a rotina necessária para colocá-las em prática. São filósofos, cientistas, professores, intelectuais e a maioria dos economistas. São famosas as histórias de economistas que nunca assinaram uma promissória. Acabativa é o ponto fraco desse grupo.

· Acabativos são aqueles que gostam de implantar projetos. Sua atenção vai mais para o detalhe do que para a teoria. Não se preocupam com o imenso tédio da repetição do dia-a-dia e não desanimam com as inúmeras frustrações da implantação. Nesse grupo está a maioria dos executivos, empresários, administradores e engenheiros.

Essa singela classificação explica muitas das contradições do mundo moderno.

Empresários descobrem rapidamente que ficar implantando suas próprias idéias é coisa de empreendedor egoísta. Limita o crescimento. Existem mais pessoas com excelentes idéias do que pessoas capazes de implantá-las. É por isso que empresários ficam ricos e intelectuais, professores - entre os quais me incluo - morrem pobres.

Se Bill Gates tivesse se restringido a implantar suas próprias idéias teria parado no Visual Basic. Ele fez fortuna porque foi hábil em implantar as idéias dos outros - dizem as más línguas que até copiou algumas.

Essa classificação explica porque intelectual normalmente odeia empresário, e vice-versa. Há uma enorme injustiça na medida em que os lucros fluem para quem implantou uma idéia, e não para quem a teve. Uma idéia somente no papel é letra morta, inútil para a sociedade como um todo.

Um dos problemas do Brasil é justamente a eterna predominância, em cargos de ministérios, de professores brilhantes e com iniciativa, mas com pouca ou nenhuma acabativa. Para o Brasil começar a dar certo, precisamos procurar valorizar mais os brasileiros com a capacidade de implantar nossas idéias. Tendemos a encarar o acabativo, o administrador, o executivo, o empresário como sendo parte do problema, quando na realidade eles são parte da solução.
Iniciativo almeja ser famoso, acabativo quer ser útil.

Mas a verdade é que a maioria dos intelectuais e iniciativos não tem o estômago para devotar uma vida inteira para fazer dia após dia, digamos bicicletas. O iniciativo vive mudando, testando, procurando coisas novas, e acaba tendo uma vida muito mais rica, mesmo que seja menos rentável.

Por isso, a esquerda intelectual e a direita neoliberal conviverão as turras, quando deveriam unir-se.

Se você tem iniciativa, mas não tem acabativa, faça correndo um curso de administração ou tenha como sócio um acabativo. Há um ditado chinês, "Quem sabe e não faz, no fundo, não sabe" - muito apropriado para os dias de hoje.

Se você tem acabativa mas não tem iniciativa, faça um curso de criatividade, estude um pouco de teoria. Empresário que se vangloria de nunca ter estudado não serve de modelo. No fundo, a esquerda precisa da acabativa da direita, e a direita precisa das iniciativas da esquerda.

Finalmente, se você não tem iniciativa nem tampouco acabativa, só podemos lhe dizer uma coisa: meus pêsames.

* Stephen Kanitz é administrador por Harvard (www.kanitz.com.br)

domingo, 27 de abril de 2008

Capitalismo


Essa pintura é bem velha.
Mas e hoje, essa visão sobre o capitalismo ainda vale ou trata-se de um anacronismo?
Fica a reflexão...

sábado, 26 de abril de 2008

Primeiros tropeços da lebre

É, parece que a "lebre" está começando a dar seus tropeços.
Segundo a maioria dos economistas, a inflação real da Argentina já chegou a bater 30% ao ano.
Na quinta-feira passada, o ex-ministro da economia renunciou ao cargo, porque as medidas de contenção de inflação que propôs também conteriam o consumo e os gastos públicos - tudo o que o governo argentino não quer.
Agora o problema ficou para Carlos Fernández... Incubiram o sujeito de acabar com a inflação argentina, mas sem utilizar recursos que reduzam o consumo ou gastos públicos. (Como se nível de preços fosse dado por varinha de condão!)
Pois é, mas a não ser que esse cara seja mágico, ou que toda a teoria econômica produzida esteja bem errada, parece que a Argentina vai começar a colher o que plantou.
Ou será que vão ancorar sua inflação na taxa de câmbio? Mas, e aí, onde fica o superávit que a presidenta tanto quer?

A Lebre e a Tartaruga

The Economist

Tradução Livre: Carlos Cinelli

Pegue duas economias vizinhas, ambas muito dependentes dos preços das commodities para obter bons resultados na balança comercial. Dê a uma delas uma política monetária ortodoxa e veja ela acolher investidores estrangeiros e adotar câmbio flutuante. Entregue a outra economia à empreendedores que recorreram à fixação de preços, proibição ou taxação sobre alguns de seus próprios produtos e mentiram descaradamente sobre a taxa de inflação. O resultado? Os travessos – a Argentina – continuam crescendo à taxa expressiva de 9%, enquanto que, por contraste, o Brasil bem-comportado caminha vagarosamente. .. É tempo de reescreverem- se os livros-textos de economia? A Argentina gostaria de achar que sim. Mas há sinais de que o Brasil poderá, ainda, chegar na frente.

Os dois países, recentemente, apresentaram números surpreendentemente fortes para o PIB. No último trimestre de 2007, o Brasil cresceu a uma taxa anualizada de 6,4% e a Argentina a uma taxa de 8%. Mas a reação a esses números, bem diferente nos dois países, é esclarecedora. Enquanto o governo brasileiro demonstrou preocupação, a Argentina recebeu a notícia como uma confirmação de seu conhecimento heterodoxo.

No Brasil, Guido Mantega, o Ministro da Fazenda, anunciou imposto de 1,5% sobre a compra de títulos públicos feita por estrangeiros, para diminuir a entrada de capital no país e arrefecer a contínua apreciação do Real. Ele afirmou que pretende se prevenir de um grande déficit em conta-corrente. Mas Henrique Meirelles, presidente do Banco Central do Brasil, afirmou que sua preocupação principal ainda é a inflação (que importações baratas ajudam a controlar). O presidente Lula concordou, descrevendo a inflação, há muito tempo o bicho-papão da economia brasileira, como uma “doença degradante”. Tanto Mantega como o Presidente afirmam, comumente, que preferem uma taxa contínua de crescimento a 5% por 15 anos do que um caminho mais rápido, porém mais truncado, para a riqueza.

Na Argentina, tal cautela soa como fraqueza. Seus políticos parecem determinados a demonstrar que tudo de que a América Latina precisa para crescer tão rápido quanto a China é livrar-se da camisa-de-força do neoliberalismo e seus principais patrocinadores – aqueles monstruosos detentores de títulos e o FMI. Eles alegremente apontam que as previsões para a Argentina, para os últimos cinco anos, eram de uma desaceleração. “Aqueles economistas estiveram errados muitas vezes, talvez seja hora de achar novos”, diz um informante de Cristina Fernández, a presidenta, e seu marido e predecessor, Néstor Kirchner, sobre os que previram o desaquecimento da economia.

Para entender como dois auto-intitulados líderes de esquerda vieram a abraçar políticas tão diferentes, é necessário olhar como seus países responderam à problemas econômicos em 2001-2002. A Argentina, após vários anos de quedas bruscas, abandonou o câmbio fixo, desvalorizando o peso e dando moratória em sua dívida pública. O Brasil, que tem câmbio flutuante desde 1999, respondeu à turbulência em seus mercados de câmbio e de dívida apertando as políticas fiscal e monetária.

Oficiais da Argentina estão, desde então, determinados a manter o peso desvalorizado, principalmente para proteger a indústria local. A desvalorização funcionou: a economia voltou à vida. Mas, em 2005, a maior parte da capacidade ociosa já estava de volta à ação, e novos investimentos foram insuficientes para sustentar um crescimento rápido. Kirchner afrouxou as contas do governo, aumentando salários e pensões. O crescimento continuou, mas a inflação pulou para cerca de 20% este ano. Ninguém sabe o valor exato, uma vez que o governo o “maquia”. “Eventualmente, [o país] vai perder as pistas de onde, em que nível, está a inflação”, diz Carola Sandy do Credit Suisse, um banco de investimento. “É aí que a coisa fica complicada, porque as pessoas vão começar a pensar duas vezes antes de deixar dinheiro no banco.”

Por outro lado, o Banco Central do Brasil busca uma meta para a inflação, ao invés de uma taxa de câmbio. O real tem valorizado por conta dos recordes nos preços das commodities, arrancando resmungos dos industrialistas. Mas o BACEN tem mantido sua taxa básica em 11,25% desde setembro e mesmo assim, a demanda doméstica segue forte. Com a elevação das importações, a economia é capaz de apresentar um pequeno déficit em conta-corrente pela primeira vez desde 2002.

O casal presidencial da Argentina não perde uma oportunidade para tomar crédito pelo crescimento da economia. Mas, segundo Daniel Volberg do Morgan Stanley, outro banco de investimento, o crescente aumento do preço da soja pode ter tido mais a ver com o crescimento do que as receitas econômicas dos Kirchner. Tivesse o PIB mundial e o preço das commodities crescido segundo as previsões de 2003, Volberg calcula que a Argentina cresceria apenas 3,7% ao ano. Por sua vez, o Brasil perderia apenas 1,6 ponto percentual da sua taxa de crescimento.

Então, embora ambos os países tenham se beneficiado do cenário externo favorável, o Brasil está melhor do que aparenta. Por causa da baixa inflação, em termos reais, o crescimento da renda brasileira tem começado a alcançar a Argentina. Contudo, o Brasil tem muito mais espaço de manobra caso um cenário desfavorável apareça: há espaço para a queda de juros ou aumento dos gastos governamentais. A Argentina, contrariamente, preparou-se para uma “aterrissagem pesada”. Qualquer redução nas receitas de exportação prejudicaria a base fiscal e o Banco Central argentino dificilmente poderia imprimir mais dinheiro que já imprime.

A Argentina tem certamente demonstrado que um país pode, sacrificando a estabilidade, crescer mais do que os opositores previram. Mas, eventualmente, como em qualquer país do mundo, a quantidade e a produtividade do investimento irá determinar o desempenho da economia. Com a inflação crescendo cada vez mais rápido – e ficando cada vez mais difícil de calcular – aquele investimento vai se tornar cada vez mais escassos. O investimento direto estrangeiro na Argentina cresceu apenas 12% no ano passado, enquanto que no Brasil cresceu 84% (um recorde de $35 bilhões).

Os Brasileiros podem ser perdoados por sentimentos ocasionais de inveja quanto aos vizinhos, porém coisas boas vêm para aqueles que esperam.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Um dia no Mercado de Ações

Charge de 1989.

SEXTA-BÁSICA

Hoje, antes do rock de engenharia da UFES, vai rolar a famosa sexta-básica no Centro Acadêmico de economia!

Estão todos convocados a comparecer.

ATENÇÃO: Leve o que for beber, comer ou fumar, afinal, não existe almoço grátis!

BLOG! DE VOLTA DAS CINZAS!

Era uma vez um Blog de economia que nem tinha nascido direito (em março de 2007) e 3 meses depois já tinha morrido... e todo mundo ficou tristinho, sem blog.


Mas... depois de várias tentivas, 9 meses de espera, ele voltou! E com cara nova, com superpoderes e mil e uma novidades!


NOVIDADES


Vídeos: não deixe de assistir aos vídeos da semana. Nessa semana, estrelando Milton, O Guardião Universal: porque o elemento "bate na mulher, bate nos filhos".


Tem sugestão de vídeo? Dê a sua para a próxima semana!


Outra novidade são as enquetes: vote no seu professor preferido, na data do churrasco de corredor e no calouro que merece ser o mais VIP na "atividade de integração"!


Mais uma novidade é a área de notícias relevantes: veja as notícias mais atuais sobre economia, política, cerveja e câmbio.


Além disso, é claro, temos o tradicional espaço para as postagens, para discutirmos a economia e a geopolítica nacional, transnacional e internacional.


Para dar um empurrão inicial postei um texto do "The Economist" que traduzi livremente.

Ele está aí, logo abaixo desse texto que você está lendo agora. Sinta-se à vontade para comentar contra os famigerados impostos no Brasil e o monstruoso peso do estado no empresariado nacional!


E, lembre-se, precisamos de mais colaboradores! Já temos 11! Só falta você.


Abraços para todos.

O Problema do Brasil são os Juros?

Traduzido por Carlos Cinelli, da revista "The Economist".

Acomode-se em um dos “sushi bars” de São Paulo e logo você escutará conversas sobre negócios recém começados ou alguma outra idéia brilhante para os crescentes membros da classe média brasileira aplicarem sua renda extra.

Um simples “estudo de campo” desse tipo deixa bastante claro o seguinte: não faltam empreendedores no Brasil.

Contudo, segundo uma pesquisa mais abrangente feita pela International Finance Corporation (IFC), uma organização “irmã” do banco mundial, empreendedores brasileiros são de uma raça bem diferente da de seus colegas da Rússia e China.

No geral, 82% dos empreendedores, nos três países, vieram de famílias com pelo menos outro empreendedor. Nos três países, eles também eram mais altos do que a média da população. Mas, as similitudes acabam aqui. Em particular, os empreendedores brasileiros demonstraram ter uma aversão ao risco muito maior do que os demais.

Os pesquisadores mediram isso oferecendo aos entrevistados apostas hipotéticas variando retorno e risco e oferecendo uma escolha entre dinheiro agora ou mais dinheiro depois. Os empreendedores brasileiros da amostra tiveram uma aversão ao risco igual aos dos brasileiros comuns e, também, tendiam mais para a aposentadoria, quando tivessem bastante dinheiro, do que seus colegas empreendedores de outros países.

Talvez, essa falta de vontade de acumulação, na aposentadoria, seja porque há tantas coisas mais interessantes para se fazer no Brasil do que trabalhar. Mas, e quanto à aversão ao risco? Por que os brasileiros têm tanto medo do risco? Simeon Djankov, um dos autores do estudo, conjectura que, na vida real, os empreendedores brasileiros enfrentam muito mais riscos do que os de qualquer outro lugar. Iniciar um negócio demora 152 dias e requer 18 procedimentos diferentes. São necessárias cerca de 2.600 horas de trabalho para que, um negócio de tamanho médio, no Brasil, mantenha-se em dia com seus impostos. O mesmo negócio pagaria 69% do lucro do seu segundo ano de funcionamento em impostos.

Empreendedores brasileiros mostram uma não surpreendente vontade de burlar a lei. “Essencialmente, o que determina um bom empreendedorismo no Brasil é a habilidade de navegar em torno da burocracia”, afirma Djankov. Eduardo Giannetti, um economista, concorda: “Se Bill Gates tivesse iniciado a Microsoft numa garagem no Brasil, ela ainda estaria na garagem”. Logo, o mais difícil de explicar não é por que os empreendedores brasileiros são como são, mas sim como eles ainda existem.