sábado, 11 de junho de 2011

Namorados...





Nunca diga não pra mim
eu não vou poder trabalhar, conversar, descansar sem o teu sim

seja sempre assim
por favor me dê um sinal
um cartão postal, um aval dizendo assim

‘não, não é o fim, dure o tempo que você gostar de mim
entre o não e o sim, só me deixe quando o lado bom for menor do que o ruim’

Nunca se esconda assim
eu não vou saber te falar, te explicar que eu também me assusto muito
você nunca vê que eu sou só um menino destes tais
que pensam demais
logo mais, vou correr atrás de ti.

‘não, não é o fim, dure o tempo que você gostar de mim
entre o não e o sim, só me deixe quando o lado bom for menor do que o ruim’



terça-feira, 7 de junho de 2011

Resistir até cair!

E o que caiu?

A única coisa que caiu até agora foi a reivindicação do passe livre! Cadê ela?

Não há batalha ganha sem vitória parcial, e não há vitória parcial sem que pontos da pauta de reivindicação sejam parcialmente atendidos. E qual foi até agora? Nenhum.

A única coisa feita foi retirar da pauta um ponto que talvez fosse o mais emblemático. E aquele que talvez desse mais dor de cabeça ao governo. E olhem que estamos falando de um governo da "Esquerda", de uma aliança entre o Partido Socialista Brasileiro e o Partido dos Trabalhadores.

Mas vamos aguardar...

Hoje você tira uma reivindicação, amanhã você tira outra, e daqui a pouco não tem nenhuma reivindicação. E no final, quando não tiver mais nenhuma, e que nenhuma também for atendida. Bingo! Alcançamos a vitória! E derrotamos o governo! Não pedimos nada, e não conseguimos nada!

É sempre curioso ver que quando entra em ação o movimento organizado sai de cena o movimento espontâneo...

Alguns acabam olhando para trás e se perguntando por que os anos 60, 70 ou 80 não voltam mais. Aquelas grandes mobilizações e enfrentamentos. As grandes greves, assembléias, o Fora Collor de 1992, ou a mobilização pela passagem de 2005 em Vitória.

Não há nada genético nas pessoas que tenham feito elas mudarem. A questão relevante está nas circunstâncias. Por exemplo, a grande mobilização de sexta, foi reflexo dos acontecimentos de quinta-feira. A repressão de quinta serviu como catalisador para a sexta-feira. Mas não dá para ficar procurando enfrentamento com a polícia sempre.

Se você olhar até o Fora Collor, um elemento importante que mobilizava e criava uma identidade importante era a inflação. Não é à toa que aconteceu uma greve geral importante em Vitória em 1989. A cidade ficou sitiada praticamente, com a segunda ponte fechada e o acesso da Serra.

Você não consegue artificializar um movimento. Os trabalhadores, em sua maoria, utilizam vale transporte. O reajuste não afeta o bolso deles, pois só pode ser descontado até 6% no salário. E quanto aos pais das crianças pobres, entre perder um dia de serviço e lutar pela redução do passe escolar dos filhos delas, não há dúvida que ele irá ao trabalho. Sem trabalho ele não compra passe.

Por isto que a população no ônibus aplaude, apóia, sorri, mas ela mesma não vai para a rua. Estão ocupadas demais pensando em como sobreviver. "Ah! Então temos de lutar contra o sistema!". Vai lá! Lute! Mas se você não entende porque as pessoas não lutam pela redução da passagem e prefere chamá-los de alienados, quero ver convencer alguém a lutar contra algo intangível como o "Sistema"!

As mobilização de rua são importantes, a história passada e atual mostra isto. Basta olhar os conflitos atuais, seja na Europa ou no mundo árabe. Mas isto não quer dizer que qualquer um que coloque o pé na rua esteja revestido de um manto sagrado ou imune a críticas.

sábado, 4 de junho de 2011

Personagens esquecidos



Cenas de um filme: confronto entre estudantes e policiais.

Quem são os mocinhos? Os estudantes e a sua causa nobre do passe livre e redução da passagem.

Quem são os vilões? A polícia, que usa da repressão para garantir os interesses do Estado e dos grandes empresários.

E é muito nobre lutar por interesses que beneficiam a coletividade. Não há interesse pessoal ou lucro nesta causa nobre. Malvados são os policiais e os grandes empresários.

Mas nesta história há personagens esquecidos. São aqueles que pagam a conta. Aqueles que ficaram presos no trânsito ou pagam seus impostos para subsidiar a causa nobre dos estudantes.

Mas não devemos nos preocupar com estes, pois a luta é para garantir o melhor para eles, mesmo que eles não saibam disto. Pois esta luta, feita em nome deles, sabe melhor do que eles o que é melhor para eles.

E como se chamam os regimes onde uma parte decide em nome de todos o que é melhor para todos? Com certeza não é democracia...

"Mas protestar é melhor do ficar em casa". "Passividade não traz mudança". "Quem critica a luta é alienado".

E aqui é uma tentativa de colocar quem discorda contra a parede. Se você não faz nada, é porque concorda com tudo o que aí está! E agora? Que sinuca de bico!

Mas aqui vemos que a contradição não é de quem critica o protesto, mas sim de quem faz. E sabem por que?

Peguem aquelas três mil pessoas que estavam na terceira ponte e convidem para um protesto em um bairro pobre qualquer da Grande Vitória para exigir saúde, segurança, educação e saneamento nestes mesmos bairros. E depois contem para mim quantas pessoas foram.

E aí veremos quem são os alienados ou os passivos. Pois eu acho que dos três mil não irão quarenta.

Ah! Mas cada um com os seus problemas! Os moradores do bairro que lutem por seus problemas. Mas a questão não é qual é a luta de quem. Vejam, quem não é alienado, é porque tem a visão do todo e sabe que todas a lutas são importantes. Mas se ele só luta pelo passe livre, é porque ainda não tem a visão da totalidade da realidade, e se ele não tem a visão da totalidade da realidade ele ainda não deixou de ser alienado...

É o típico movimento pequeno burguês, que acha que entende melhor que a sociedade os problemas da própria sociedade. Então é tarefa deste movimento dar consciência às pessoas. Apesar de todo o discurso da dialética e relatividade, o que importa é que a verdade deles prevaleça. É como aquele cara que dá uma esmola no sinal ou faz uma doação para o Criança Esperança e fica meses falando da boa ação que fez e acha que isto mudou o mundo.

Mas esta luta é pelo que?

Passe livre para os estudantes e redução do preço da passagem para reduzir o lucro dos empresários que exploram o serviço público.

Mas já mostramos que, independente do valor da passagem pago na roleta, os empresários tem sua receita garantida. Então o que você vai decidir é quantos reais o Estado vai gastar para subsidiar o transporte público na Grande Vitória. Só isto.

Estamos discutindo subsídio e não o efetivo valor da tarifa. Hoje a tarifa técnica recebida pelas empresas de ônibus é de R$ 2,46. Se a passagem custar R$ 1,00 ou R$ 2,00 para elas não faz diferença, pois quem paga a diferença é o cidadão comum através dos seus impostos.

Então o que está em debate é o quanto que quem não usa ônibus e não mora na Grande Vitória irá pagar para quem mora na Grande Vitória poder pagar menos na sua passagem. Só isto.

E depois disto me pergunto quem é o alienado.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Guerras cambiais e a impossível Trindade

Tentar conter a valorização do Real pode provocar mais pressões inflacionárias, este é o recado do Paul Krugman. Não é à toa que o governo já jogou a toalha na batalha para conter a valorização do Real diante do dólar, pois está mais preocupada agora com a inflação e possibilidade de isto facilitar a vida da oposição ao governo Dilma.


Aliás, o governo não só afrouxou a política de contenção à valorização ao Real como também disse que o principal instrumento de combate à inflação é a taxa de juros.


Abaixo o artigo do Paul Krugman comentando que um país deve escolher entre controlar o câmbio, ter uma política cambial independente ou livre movimentação de capitais. No caso do Brasil, estamos tentando controlar o câmbio, ter uma política monetária independente e livre movimentação de capitais. Estamos vendo que isto não funciona...

Rogoff e a crise da macroeconomia



Mas apesar dele dizer que há a necessidade de se ter uma nova forma de pensar a macroeconomia, isto não quer dizer que se deva fazer política econômica de qualquer jeito, basta ver o último parágrafo em que ele comenta sobre o Brasil.
Mas esta entrevista deve ser vista com cuidado, pois é apenas uma visão. Hoje é mais forte a visão de que a crise atual não foi  uma falha da teoria econômica convencional, e sim falhas de política e regulação econômica. E hoje dá muito espaço na mídia atacar a ortodoxia...



"Inflação de serviços é inflação de demanda"

Em matéria divulgada hoje no Estadão, comenta-se que o perfil da inflação está mudando no Brasil e que a alta de preços sentida no varejo vem do setor de serviços e não da alta do preço dos alimentos.

A matéria pode ser lida aqui.


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sábado, 7 de maio de 2011

Ah! O amor! O que é e para quê serve?

Para a tarde de sábado ou outro dia qualquer de melancolia, arroubos ou efusões...


quinta-feira, 5 de maio de 2011

Qual é o preço que a sociedade paga por um carregador de papel?

Quando há um entrada de dólares no Brasil, o que temos é uma oferta de dólares na economia. Se esta oferta for maior que a demanda por dólar, dada a lei da oferta e demanda, teremos uma valorização do Real diante do dólar.

Para conter a valorização do Real o Banco Central atua comprando uma parte do excesso de oferta de dólares no mercado. Mas o Banco Central não consegue fazer esta intervenção numa magnitude que permitisse conter esta valorização do Real. E entender o funcionamento e os limites desta política de intervenção é algo extremamente importante.

Vamos esquematizar:

1 - o Banco Central compra dólares dos ofertantes (exportadores\investidores estrangeiros\captações no exterior)

2 - esta compra é feita via emissão de moeda

3 - a emissão de moeda reduz os juros e também eleva a demanda, e isto pressiona a inflação

4 - para manter tanto a inflação quanto a selic na meta, o Banco Central retira o excesso de moeda através da venda de títulos do Governo que estão na carteira do Banco Central

5 - agentes econômicos entregam reais ao Banco Central em troca de títulos públicos

6 - após a troca de moeda por títulos públicos, o Banco Central retira do mercado o excesso de moeda que ele emitiu para comprar dólares. Isto estabiliza os juros e a inflação.

Esta sequência é chamada de intervenção esterilizada, pois o Banco Central atua para anular ou esterilizar os efeitos da oferta de moeda utilizada para comprar dólares. Esta esterilização é importante para conter a inflação.

E temos de lembrar que temos uma meta tanto para a inflação quanto para a Selic.

A questão relevante é entendermos por que o Banco Central não consegue fazer uma intervenção ou compra de dólares maior que permitisse conter ou diminuir a valorização do Real.

Primeiro, se para comprar dólares ele emite reais e para retirar o excesso de reais emitidos o Bacen vende títulos na sua carteira, temos aqui um primeiro limite, que é o volume de compras de títulos públicos pelo mercado.

Se houvesse um volume de compra maior do títulos públicos, o volume da intervenção do Bacen poderia ser maior. E quem poderiam ser estes compradores? O principal comprador poderia ser próprio governo.

Hoje o Governo apresente déficit nominal, ou seja, o que ele arrecada não é suficiente para pagar todas as despesas, incluindo juros da dívida. Na rolagem da dívida o Governo é um demandante de recursos no mercado, ou seja, ele também vende títulos públicos. Podemos dizer que ele concorre com o Bacen na captação de reais no mercado.

A rolagem da dívida é um fator de pressão dos juros também, pois é uma demanda por recursos na economia e isto eleva juros. Se houvesse uma maior poupança na economia teríamos espaço para reduzir os juros e também alívio na valorização do Real. E principal fonte de poupança poderia ser a própria redução do gasto do Governo.

A criação de um maior superavit do Governo significaria que ele demandaria menos bens e serviços, o que ajudaria no controle da inflação, e que ele também demandaria menos recursos, o que pressionaria menos os juros. E com uma poupança maior na economia, o câmbio real poderia se desvalorizar.

E também reduz o próprio custo fiscal das reservas internacionais. Pois elas estão aplicadas em ativos com juros baixos, mas o seu custo de captação é dado pela Selic.

Caso o Governo fizesse um superavit primário maior, esta economia permitiria a ele comprar títulos da sua dívida que estão no mercado. Se o Governo não está demandando recursos, os juros tendem a cair e também o interesse em manter títulos do Governo na carteira dos agentes privados.

Esta compra de títulos feitas pelo próprio Governo para reduzir a sua dívida permite que o Bacen possa intervir num volume maior no mercado cambial. Mas o próprio efeito da redução do gasto público sobre a poupança interna, juros e inflação já atenua bastante o efeito da valorização do Real.

E quando há a emissão de moeda, isto cria expansão na demanda. Maior demanda eleva juros e inflação. E quando o Bacen retira a moeda emitida da economia, isto também eleva juros. Temos duas forças atuando sobre a taxa de juros neste momento. Primeiro a expansão da demanda causada pela oferta de moeda, e segundo, a própria retirada deste excesso de moeda. O resultado é que o Bacen não consegue, devido à elevação da taxa de juros, retirar toda a moeda ofertada.

O efeito real disto é expansão da demanda e pressão sobre a inflação. Este é outro limite.

Há uma confusão enorme quando se diz em redução dos gastos públicos. Reduzir gastos não significa cortar gastos sociais ou reduzir investimentos. Mas rever políticas de gasto do Governo que permitam à economia ter uma trajetória mais estável.

Associado a um maior gasto público há um custos e benefícios. E a sociedade deve avaliar e debater isto.

Os gastos públicos são apresentados apenas como tendo efeitos benéficos e sem custo nenhum. Mas há custos envolvidos. Cada um centavo a mais gasto  pelo governo é um centavo a menos à disposição para mim ou para você. A cada um milímetro que o Estado avança, sobra menos espaço para mim ou para você. E como cada vez mais sobra menos espaço para a iniciativa privada, todos acabam querendo ir para os braços de quem está mais confortável.

E aí todos querem concurso público, contratos e parcerias com o Estado, indicações para cargos comissionados. Bolsas, pensões e benefícios.

Mas e o custo disto? Não só em termos de impostos, mas de talentos e oportunidades perdidas? Cada vez que uma pessoa capaz vai para um cargo público para ser apenas um assessor administrativo, a sociedade perde uma pessoa capaz de criar novas oportunidades de negócios e empreendimentos.

Mas esta questão é sempre vista pela lógica invertida: vou para o Estado pois não encontro boas oportunidades no mercado. Mas não se percebe que é próprio crescimento do Estado quem limita estas oportunidades. É o crescimento do Estado que limita a iniciativa privada. E isto faz sobrar menos oportunidades.

E iniciativa privada não é a mesma coisa que o grande capital, mas é a condição que eu, você ou qualquer outro possamos nos lançar diante de qualquer oportunidade e aceitar o risco necessário para obtermos algum retorno e sucesso.

Quando o Estado cresce, cresce junto o custo em termos de despesas (juros, inflação e câmbio até), e a economia também perde em eficiência e produtividade. Pois os melhores, bem, os melhores vão carregar papel no setor público.

A pergunta relevante é sempre quais são os custos e os benefícios? Quem ganha e quem perde? Viver na aparência é achar que não há custos e que todos ganham. Pois há quem ganhe  menos ou perca mais...

segunda-feira, 2 de maio de 2011

A inflação como um imposto

Na economia, o governo tem o monopólio de emitir dinheiro. E isto é bom para o Governo pois ele pode ter receita com isto de duas formas. Uma se chama senhoriagem, e se deve ao próprio valor do dinheiro. Uma ilustração exagerada é pensar que se o Governo tem um custo de 1 real para fazer uma nota de 10 reais, a receita que ele tem emitindo dinheiro é de 9 reais. Bom né?

A outra forma é através da inflação, pois ela causa perda no poder de compra do dinheiro. Com os preços subindo, o dinheiro compra cada vez menos. Mas como o Governo pode emitir dinheiro, ele é o primeiro a poder fazer compras com o dinheiro que ele mesmo emite.

Por exemplo, se hoje 10 reais podem comprar 10 laranjas e amanhã, por causa de uma inflação de 10%, 10 reais podem comprar só 9 laranjas, o Governo emite 10 reais hoje e compra as 10 laranjas primeiro que você. E os 10 reais que ele emitiu só chegam na sua mão amanhã, e você poderá comprar só 9 laranjas.

Ou seja, a inflação é uma forma de imposto, pois há uma perda de renda em favor do governo.

Pensando em termo de teoria da conspiração, agora você entende porque o Governo não deixa ninguém emitir dinheiro. Só ele pode...

Mas vamos ver como isto funciona.

Seja M o total de dinheiro na economia, P o nível de preços e dM a variação na quantidade de dinheiro, podemos definir a senhoriagem s como:

s=dM/P

dividindo e multiplicando por M

s=(dM/P)(M/M)=(dM/M)(M/P)

M/P é importante pois se trata do poder de compra real da moeda, descontando a inflação. É aquilo que você pode comprar efetivamente com a moeda. E chamando dM/M por h, que é variação efetiva na quantidade de dinheiro, e M/P por m, temos a receita de senhoriagem:

s=h*m

Chamando a inflação de i, a receita do imposto inflacionário t é igual ao produto da inflação pelo poder de compra real do dinheiro (exemplo das laranjas):

t=i*m

Aí com uma nova manipulação temos que:

s=h*m + i*m -i*m

colocando em m evidência, temos que

s= m(h - i) + i*m

Qual é a conclusão? Aquilo que você perde com a inflação é o ganho do governo. E se toda a expansão do dinheiro criar inflação, h=i, a receita de senhoriagem será igual ao imposto inflacionário.

Então devemos tomar cuidado com a inflação, pois a sua perda é o ganho de alguém. E no caso da inflação, é um ganho sem esforço. Então quem se beneficia não tem muito estímulo a parar de arrecadar com ela...

domingo, 1 de maio de 2011

A teoria quantitativa e o debate sobre moeda e inflação


Segundo a equação da teoria quantitaviva da moeda, temos que M*V=P*Q, onde M é a oferta de moeda, V é a velocidade de circulação da moeda, P é o nível de preços e Q é a quantidade do produto.
Com base nesta equação, e supondo V constante, com um aumento na oferta de moeda, o nível de preços deve se elevar para manter a igualdade.
Ou seja, uma variação de M afeta P diretamente. Mas isto só vale se supormos V constante. Mas uma oferta maior de moeda afeta também a taxa de juros. E se as taxas de juros caem, a velocidade da moeda também cai, pois as pessoas não irão perder rendimento se não deixarem o seu dinheiro nos bancos. O custo de reter moeda fica menor.
E um aumento de M, implica numa queda de V, pela redução da taxa de juros, o efeito de M sobre P não é tão direto.
Ou seja, podemos ter um aumento na oferta de moeda sem que isto implique necessariamente em inflação (mesmo que o aumento da emissão de moeda não seja a política mais adequada).
Vejam o gráfico com dados dos EUA:



E num post do Krugman recente sobre a questão envolvendo a oferta de moeda e inflação, lá ele comenta sobre o que seria o conceito de dinheiro e os agregados monetários a serem utilizados hoje para entender a dinâmica da relação entre inflação e moeda.
E ele posta um gráfico para mostrar que a teoria quantitativa da moeda teria dificuldade para explicar o que ocorre hoje nos EUA, já que a enorme oferta de moeda não está implicando em inflação elevada.
Aqui no Brasil um debate sobre isto ocorreu em alguns blogs importantes de economia. O Adolfo Sachsida fez dois comentários sobre a questão (aqui e aqui). Onde ele afirma sobre o caráter monetário da inflação  e questiona a visão apresentada pelo Krugman.
No blog Mão Visivel houve um post comentando sobre a teoria quantitativa da moeda e um artigo recente do Thomas Sargent e Paolo Surico, onde é mostrado que a teoria quantitativa teve validade por um curto período de tempo, ou seja, não vale como uma teoria geral.
Vale a pena conferir o debate. 



quinta-feira, 28 de abril de 2011

Por que as expectativas importam?

Alguns questionam se a melhor forma de reduzir o desemprego é através do regime de metas de inflação.

Com a crise, muitos dizem que a macroeconomia mudou. Mas estes mesmos esquecem de contextualizar cada cenário. Não há uma política macroeconômica geral, mas cada cenário exige uma política econômica diferente. Tentar repetir no Brasil políticas utilizadas em países que estão com elevado desemprego não trará outra coisa que mais inflação e desemprego no futuro.

A economia brasileira hoje está crescendo e não se prepara para um cenário de reversão, onde o hoje favorável fluxo de capitais pode deixar de existir e sermos pegos numa situação muito frágil.

Mas pensemos porque é mais eficiente para reduzir o desemprego termos uma meta de redução de inflação e não de redução do desemprego.

Consideremos uma curva de Phillips na seguinte forma:



onde  é a inflação,  a inflação esperada,  a taxa de desemprego e  a taxa de desemprego natural.


Se em cada momento o Banco Central consegue fazer com que a inflação  seja igual à inflação esperada, ou seja, que a meta de inflação  seja alcançada sempre, teremos que:



Então a curva de Phillips pode ser reescrita como:



Resolvendo, temos que






O resultado é que teremos a taxa de desemprego igual à taxa de desemprego natural. Ou seja, quanto mais eficiente o regime de metas de inflação, menor o nível de desemprego.

Mas o que acontece quando o Banco Central não prioriza alinhar as expectativas de inflação do agentes econômicos no mercado? Se o Banco Central não tenta alinhar as expectativas, o mercado acaba definindo e o Banco Central perde o controle sobre elas.


E podemos pensar um pouco sobre isto utilizando o modelo abaixo:

Seja   a taxa de desemprego,  a taxa de desemprego natural,  a inflação atual,  a inflação esperada e  a meta de inflação.

Utilizando uma curva de Phillips como esta abaixo:



E considerando a seguinte função de perda social:



Observem que neste modelo, o objetivo é ter uma taxa de desemprego menor que a taxa natural, ou seja, a prioridade é o combate ao desemprego e não o controle da inflação.

Considerando que o Banco Central toma a inflação depois que o mercado define suas expectativas (), o problema consiste em:

Minimizar



sujeito a


Substituindo a restrição, temos que minimizar:




O que resulta na condição de primeira ordem:




Se no ótimo, o governo trabalha com a inflação esperada dada pelas expectativas já formadas pelos agentes, podemos fazer  . Então temos que:



Mas aplicando o valor esperado, encontramos que:






E substituindo na curva de Philips, temos que



Ou seja, a economia está com o nível de desemprego igual à taxa natural, mas a inflação esperada será superior à meta de inflação.

Não teremos ganho na redução do desemprego, mas terminaremos com um nível mais elevado de inflação.



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Agora o tatame vai tremer! O "figth" continua...

Saiu a nova sequência do debate entre Keynes e Hayek. É bem interessante para entender as diferentes visões e como se dão os ciclos econômicos.

E quem quiser entender um pouco da visão austríaca da macroeconomia, vejam esta apresentação aqui do Roger Garinson.



Inovação "bolivariana"

Enquanto o Brasil discute sobre o inviável Trem Bala, o Bolívia mostra como o "bolivarianismo chavista" pode ser inovador e criativo.

Conheçam o "trem ônibus" (via Leonardo Monastério)

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Estes economistas e suas incríveis máquinas de calcular...

Já que o Igor postou sobre o Moniac, vejam este artigo sobre  Modelos mecânicos em economia de 1950.

E vejam também o modelo de uma superfície de consumo, utilizada pelo Irving Fisher usava nas suas aulas, e ele também desenvolveu um modelo de computador hidráulico. Via Blog do Leonardo Monasterio

A economia do Spam


Alguns acham que a solução para o problema do Spam seria a proibição. Mas seria a melhor maneira ou a mais eficiente? E não abriria a porta para um controle maior do Estado sobre a internet?
O Spam tem um custo muito baixo, e por isto é enviado em grandes quantidades. Basta você ter um computador, um software próprio e um bom provedor, uma lista de emails e pronto! Você pode enviar milhões de email’s. E assim, o envio de um email a mais é feito a custo quase zero.
Como estamos no mercado, isto gera receita para quem envia o spam, mas cria oportunidades para quem tenta evitar. Surgem empresas e software para tratar o problema. Isto é o mercado atuando.
Proibir não é a melhor solução. Seria importante atuar sobre os custos, o que reduziria o incentivo ao envio do Spam.
Para ver melhor sobre isto, e de como soluções via mercado seriam mais interessantes, leia o artigo “A economia do Spam” no site Ordem Livre.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Um rosto na multidão

Achei a foto abaixo bem marcante e emblemática.

Mulheres indo às ruas, com seus filhos, e enfrentando franco atiradores do Governo iemenita. Mas e a burca? Uma coisa de cada vez?

Menina reza junto a manifestantes anti-governo durante protesto exigindo a renúncia do presidente Ali Abdullah Saleh, em Sanaa (Iêmen)

 Muhammed Muheisen/AP
http://noticias.uol.com.br/album/110425olho_album.jhtm?abrefoto=13#fotoNav=1

A política fiscal nos EUA fracassou ou não foi usada?

O Paul Krugman sempre faz algumas observações interessantes, mesmo que ás vezes polêmicas ou equivocadas, e recentemente ele usou um gráfico para sustentar o seguinte:
apesar da elevação dos gastos do governo federal nos EUA, os governos estaduais e municipais cortaram gastos, e isto implicou em anulação dos efeitos dos gastos federais. Pois enquanto um elevou os seus gastos, o outro reduziu.
E aí ele posta o gráfico abaixo e pergunta se é possível dizer que houve um maciço estímulo fiscal. O artigo pode ser lido aqui. A questão dele é que a política fiscal não fracassou, ele não foi nem usada.






Cantando com o Google


Sabem aquela moça do tradutor do Google?
Ela também canta…

domingo, 24 de abril de 2011

Você tem habilidade com alguma coisa?

Paco de Lucia ("Entre dos Aguas" - 1976)





Antes que você diga que ele nasceu com "dom" para isto, tente saber quantas horas por dia ele treinava. E tente passar pelo menos a metade deste tempo estudando ou treinando alguma coisa que goste. Aí você descobrirá que tem um "dom" também.

Não basta achar que sabe, tem que mostrar que sabe. Não basta querer fazer, tem que fazer. Para tristeza ou alegria, não sei, somos avaliados por resultados e não por nossas intenções ou opiniões sobre nós mesmos.

"Somos o que fazemos repetidamente. Por isso o mérito não está na ação e sim no hábito. " ( Aristóteles )


[Sim! Eu sei que ficou com cara de livro de auto ajuda]

sexta-feira, 22 de abril de 2011

O que sobrou das boas intenções?


Às vezes lemos algumas coisas que nos levam a conclusões que quando são confrontadas com a realidade são absurdas.

E talvez por isto a heterodoxia tenha tanta restrição à matemática, pois a matemática exige lógica, e quando tentamos escrever matemáticamente certas idéias, veremos que há uma enorme contradição entre o discurso e as conclusões práticas das idéias.

Alguns economistas heterodoxos, que se dizem progressistas e defensores da redução da desigualdade social, e que querem dar uma formação "crítica" aos seus alunos, costumam defender algumas idéias como estas aqui: reduzir a selic, elevar a meta de inflação, desvalorizar o câmbio e elevar o gasto público. Estas medidas permitiriam à economia crescer mais e amenizar questões sociais.

Vamos ver o que acontece quando tentamos pensar logicamente nestas questões?

Vemos que muitos defendem uma maior participação do Estado na economia. Mas pensemos numa coisa simples. Quem gasta melhor o seu dinheiro: você ou o Estado? É você mesmo. Então toda a vez que o Estado cresce seu tamanho na economia, cresce junto a ineficiência na economia.

E basta pensar que deve ter uma pessoa para planejar como arrecadar (Receita Federal), alguém para pensar como gastar (ministérios, deputados e senadores), alguém para fiscalizar os gastos (Tribunal de Contas, Polícia Federal, etc). Ou seja, a decisão de uma pessoas comprar feijão preto ou vermelho quando é feita pelo pelo Estado envolve um custo enorme (isto é sem considerar a corrupção).

Por isto o Estado não deve ser grande demais e nem crescer em qualquer direção, apenas naquilo que é essencial. Quando o Estado tributa você, ele diminui a sua renda e reduz sua capacidade de escolha. Isto não é democrático.

Mas podemos ver uma outra questão simples, que é sobre quem se beneficia com o crescimento dos gastos do Estado. Pois muita gente por aí diz que isto é feito para beneficiar os mais pobres.

Considerando um modelo como aquele dos esquemas de reprodução do Marx ou do Kalecki, que divide a economia em bens de consumo dos capitalistas e dos trabalhadores, podemos pensar no seguinte:

em equilíbrio, a oferta (O) é igual à demanda (D)

O = D

e a demanda na economia é formada pelos bens demandados pelos trabalhadores (Cw), pelos bens demandados pelos capitalistas (Ck), pelos bens demandados para investimento (I) e pelos bens demandados pelo governo (G):

D= Cw + Ck + I + G

e a oferta é dada pelos salários (W), lucros dos capitalistas (L) e pelos impostos (T)

O = W + L + T

Se, no equilíbrio, a oferta é igual à demanda, temos que

O = D

W + L + T = Cw + Ck + I + G

Na visão heterodoxa, os trabalhadores gastam tudo o que ganham e não poupam (dado os baixos salários, tudo vai para consumo), então

W = Cw
W - Cw = 0

rearranjando os termos

L = Ck + I + (G - T)

O lucro dos capitalistas (L) é dado pelo consumo dos capitalista (Ck), investimento (I) e gastos do governo (G - T).

Olhando para esta equação, qual é a nossa conclusão? Que quanto mais o governo gastar (G-T>0), maior será o lucro dos capitalistas. Quem mais se beneficia com o aumento dos gastos do governo não são os trabalhadores ou mais pobres, e sim os capitalistas. E se olharmos para o financiamento do déficit público, fica mais interessante.

A poupança nesta economia, que é igual à poupança dos capitalistas, é dada pela diferença entre os seus lucros e os seus gastos de consumo (L - Ck), então temos que:

L = Ck + I + (G - T)

L - Ck = I + (G - T)

S = I + (G - T)

O que isto quer dizer? Que a poupança dos capitalistas pode ir para bens de investimento ou para títulos públicos que financiam o déficit público. Outra forma de você aumentar o lucro dos capitalistas, sem que eles tenham que investir, é elevar o déficit público. Ou seja, um maior gasto público facilita a vida dos capitalistas.

Outra questão é o controle da inflação, que alguns acham exagerada a preocupação de colocar a inflação sob controle e que um pouco de inflação ajuda no crescimento. Vamos olhar melhor a questão e ver quem ganha e quem perde com a inflação (e como é frágil e injusto crescer com base na inflação)

Vamos usar um modelo simples em que os preços na economia são formados colocando uma margem de lucro (mark up) sobre os custos diretos, e vamos supor que o principal custo é o salários e que as empresas tem poder de mercado (mark up), então dentro do "mark up" estão os valores para cobrir outros custos, então será assim:

W = salários
P = preço
(1 + k) = mark up

então temos que:

P=(1 + k).W

Mas o que importa na economia são os valores reais, que são aqueles quando descontamos a inflação, e no caso dos salários, o que importa é o salário real. Dividindo a equação anterior pelos preços, temos que:

P/P = (1 + k).W/P
1 = (1+ k).W/P
1/(1 + k) = W/P

W/P = 1/(1 + k)

Quando temos inflação, quer dizer que os preços estão crescendo (P), e dada a equação acima, significa que os salários reais estão caindo e os trabalhadores perdem renda. Mas para manter a igualdade, temos que o mak up (1 + k) terá de se elevar, ou seja, o lucro dos capitalistas se eleva. É por isto que a economia cresce um tempo, pois parte da renda dos trabalhadores está indo financiar o investimento.

Assim fica fácil crescer por um tempo. Mas acontece que os trabalhadores aprendem que a inflação está fora de controle, e começam a exigir que os salários sejam reajustados com base na inflação esperada (Pe) e não na inflação passada ou atual (P), quando isto acontece, o milagre de crescer com inflação desaparece. Aliás, o crescimento vai embora e fica apenas a inflação. Isto ficou conhecido como estagflação (comum nos anos 70).

Fazer a economia crescer com inflação gera apenas concentração de renda. Não é o crescimento que cria desigualdade, mas a forma como ele é feito, principalmente quando se dá apenas via acumulação de capital (grandes indústrias) e não se prioriza os ganhos de produtividade (educação, infraestrutura, etc).

Deve ficar claro para todos que a inflação é um tipo de imposto que extrai renda dos mais pobres em favor do Governo e dos mais ricos. E por isto a renda é concentrada no Brasil, pois desde os anos 30 crescemos via ondas inflacionárias e crises. 

E uma tentativa de desvalorizar o câmbio artificialmente, como alguns querem, tem apenas o efeito de criar inflação (o que reduz a renda real dos trabalhadores) e aumentar o lucro dos capitalistas.

Mas é curioso que vemos estas medidas (reduzir a selic, elevar a meta de inflação, desvalorizar o câmbio e elevar o gasto público) sendo propostas por pessoas que dizem possuir o tal "pensamento crítico" e que se preocupam apenas com os mais pobres.

Vimos aqui que quem se beneficia são apenas os mais ricos. Este é o tal "pensamento crítico"?

Sempre deve ficar claro que o que importa não são as motivações ou intenções e sim os resultados. E vemos que, apesar das boas intenções, acabamos tendo resultados opostos àqueles previstos inicialmente.