segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Desculpe, não é nada pessoal!

Resolvi divulgar uma resenha, do texto contido no link acima, escrita por dois alunos, até então, graduandos em Economia pela UFES e distribuídas as demais alunos da graduação.
Comentário da Resenha : 13-06-2006

O século XXI trouxe certo saudosismo para os nossos queridos “companheiros” latino-americanos. Enjoados e cansados da monotonia do mundo moderno, buscaram em suas raízes históricas o já adormecido, mas não morto, esquerdismo revolucionário.

Essa nova onda revolucionária lançada pela eleição do excelentíssimo “companheiro” Hugo Chávez na Venezuela deu origem à mais nova frente de combate ao neoliberalismo: a super-liga antiimperialista latino-americana.
Mas de super e antiimperialista só o nome, pois, como já dizia Roberto Campos, “Na América Latina se é socialista como pessoa física e capitalista como pessoa jurídica”. Assim, Lula manteve o plano de FHC no Brasil, Kirchner voltou a pagar a dívida externa argentina (suspensa desde 2001), Michelle Bachelet no Chile segue a mesma política econômica dos tempos da ditadura de Pinochet e Chávez pode até ter seus atritos com Bush, mas continua a pagar a dívida externa e a desenvolver relações com “o imperialismo europeu”.

Esses governos de esquerda vivem da promessa de um futuro esplêndido, mas nada mudam no presente. Essa esperança distante serve apenas como um consolo para os frustrados e estímulo para os ignorantes agirem de acordo com seus instintos mais selvagens.

Mas se engana quem pensa que isso é algo distante de nós. Se prestarmos atenção, nosso meio acadêmico está cheio de intelectuais de esquerda cínicos e militantes fanáticos. Esses “pseudo-revolucionários” que jazem em nossas universidades são especialistas em discursos vazios e apelativos. Vejamos:

Abaixo o neoliberalismo! Abaixo a globalização! A lógica do capitalismo, que dissemina a desigualdade social e a exclusão social, só será combatida com a difusão da consciência crítica. Vamos promover a justiça social! Viva a Revolução!

Justiça social, desigualdade social e exclusão social não passam de pleonasmos tendenciosos, uma vez que essas palavras necessariamente pressupõem uma relação entre mais de um indivíduo. Ou seja, “social” é totalmente desnecessário. Mas seu uso constante é um golpe rasteiro, pois nos remete a fazer, inconscientemente, analogia com “Socialismo”.

Outra estratégia comum é distorcer os fatos e atribuí-los conotações negativas. A globalização, por exemplo, é um fenômeno antigo e, se considerarmos o aumento populacional dos últimos anos, veremos o quão natural é o aumento das relações entre os países. Porém, esse termo é utilizado como sinônimo de exploração, imperialismo e coisas do gênero. Só não o é quando dizem: “Trabalhadores de todo o mundo, uni-vos”. Apenas neste momento parece que eles se esquecem o que isso significa.

A mania mais recente é a de considerar o neoliberalismo o culpado por tudo de mal que acontece pelo mundo. Se alguém discordar, corre o risco de ser taxado de capitalista e de burguês, como se isso fosse extremamente degradante. E se alguém ainda ousar questionar sobre o fracasso das nações que se diziam frutos da revolução, há sempre uma forma de criar subterfúgios para explicar ou camuflar os malogros da esquerda, pois, na verdade, é doloroso ter que assumir que nos últimos tempos a única revolução que deu certo foi a Industrial.

Um “pseudo-revolucionário” que se preze ama a palavra "crítica", desde que jamais seja criticado. Somente aqueles que seguem a mesma doutrina que ele são indivíduos "conscientes" e "críticos". Isso não passa de utopia em causa própria!
A revolução que se espera para acabar com as desgraças do mundo não se faz com roupas, cartazes e discursos... se faz agindo. Se os “pseudo-revolucionários” que se dizem socialistas realmente estiverem preocupados com a desigualdade, a exclusão e a pobreza, deveriam começar a se preocupar mais em juntar algum capital em vez de apenas escrever sobre ele e, quem sabe, assim, socializá-lo.
Desculpe-nos aqueles que adotam o lema “faça o que eu digo e não o que eu faço”, não é nada pessoal, mas isso sim é que seria revolução.

C.B.C e L.Z.T

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

É a academia que influencia a política, ou seria o contrário?

Se suas idéias não batem com os dados, jogue os dados fora. Foi isso que aconteceu na Universidade de East Anglia, Inglaterra, entre alguns dos principais cientistas climáticos. Recente vazamento de milhares de emails de pesquisadores demonstram os truques utilizados para moldar o consenso científico em torno do aquecimento global.


O Diogo Costa e o Mike Hulme (professor daquela universidade) acham que o problema foi a interferência política, através do lobby ambientalista. Nesse caso até foi, mas o problema é muito maior. Praticamente não existe nas universidades área acadêmica onde não exista interferência política. Até cursos como nutrição, odontologia, direito, comunicação, etc... os alunos saem impregnados de causas politicamente corretas.

E ai de quem faça uma pesquisa que diga que gordura trans não faz tão mal, que não ir ao dentista 2 vezes por ano não traz prejuízos significativos a saúde, que o direito se acha é na lei, ou que, os meios de comunicação são desse jeito porque seus telespectadores, ouvintes e leitores assim o querem. Coitado da carreira acadêmica desse cara.


Na imprensa, nos jornais e revistas especializados, a coisa talvez seja ainda pior. Acompanhei recentemente o debate sobre a valorização do câmbio e percebi várias mentiras, uma delas foi a inversão do sentido de um editorial do Financial Times que dizia que o Brasil deveria se acostumar com câmbio forte, e o autor utilizou-o como apoio a sua tese de desvalorização do câmbio.


Quer dizer, pra conseguir acompanhar um debate desses, você já tem que conhecer previamente o assunto e verificar todas as fontes primárias citadas, porque se for se guiar pelas palavras dos articulistas você está lascado. Hoje em dia descobrir a verdade sobre qualquer tese científica não é uma questão de se manter informado, é uma questão de desafio intelectual.


Meus pais são ambos professores universitários e eu sempre idealizei muito a academia, mas a cada dia que passo dou graças a deus de não ter me dedicado a uma carreira universitária.Um ambiente impregnado pelo politicamente correto, quando não pelo marxismo, é um ambiente corruptor e não pode ser um bom ambiente para estudar, quanto mais para pesquisar e trabalhar.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

EUREKA!

Hoje pela manhã, pouco antes de começar meu expediente na Auditoria Interna da Codesa, estava estudando Estatística. Especificamente, a leitura da explicação verbal do significado da Covariância me chamou a atenção pelo simples fato de que nada em Estatística é o que parece ser quando tomamos por base as aulas da professora Martha (saudações aos companheiros de classe!). Pois bem, fiquei ainda mais intrigado quando me deparei com a fórmula da covariância. Como o autor não a desenvolve, resolvi me arriscar. Entretanto, tentei de todos os jeitos, mas não consegui postar as fórmulas aqui (elas ficavam desalinhadas). Por isso, quem quiser ver a minha resolução, mande um e-mail para mim (luismxavier@hotmail.com) que enviarei uma cópia. Se alguém também souber como anexar arquivos nas postagens, me avisem.
Um abraço.
Luís Eugênio.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE ECONOMIA INSTITUCIONAL

 

Dia 16 de Dezembro, no CCJE, UFES, ocorrerá o SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE ECONOMIA INSTITUCIONAL, com a presença de Geoffrey Hodgson, expoente da nova frente de pesquisa que busca resgatar o velho institucionalismo. Além do convidado internacional, também estarão presentes nosso professor Dr. Alexandre Ottoni Teatini Salles,  Prof. Dr. Jaques Kerstenetzky, Prof. Dr. Huáscar Pessali e Prof. Dr. Fabiano Dalto.

Você já pode se informar e fazer sua inscrição (gratuita) no site do evento!

Abs!

 cartaz2

domingo, 1 de novembro de 2009

Framboesa de ouro dos artigos de "economia"

Você está se sentindo incapaz, burro, incompetente? Fica horas reescrevendo a mesma coisa, preocupado com erros de digitação, de concordância, com a concatenação das idéias e mesmo assim acha que não terá seus artigos publicados? Calma, seus problemas acabaram...

Da mesma forma que fizeram com os filmes, que tal elencarmos aqui bons merecedores de um possível "framboesa de ouro" dos artigos em economia? Sugiro que só possam concorrer artigos apresentados em congressos ou publicados em revistas, que estejam disponíveis on-line, para que todos possam ler. Também seria interessante limitar a autores que sejam, pelo menos, doutorandos (pois se pegarmos mestrandos e graduandos, aí o troço fica feio).

Essa relação de artigos será melhor do que qualquer livro de auto-ajuda. Quando você estiver se sentindo incapaz de escrever, achando-se um ignorante em economia, lembre-se desse tópico e veja que coisas piores e mal-revisadas já foram aceitas por aí!

Para iniciar, coloco como concorrente esse do Rubens Sawaya.

- Liberalismo Humanista: Amartya Sen e o Desenvolvemento [sic]

Entre inúmeros erros de digitação, falta de acentuação, crases a menos e crases demais, vale reproduzir aqui, além do título (acima, que já chama a atenção), o início do primeiro parágrafo da conclusão, com um erro crasso de concordância: "É indiscutível [sic] os benefícios da solução dos problemas básicos das pessoas [...]". Nem é necessário entrar no terreno movediço das discussões acerca do conteúdo. Para quem estiver se sentindo meio "down", basta ler o artigo do começo ao fim. É tiro-e-queda para melhorar a auto-estima!

Se o tópico render (o que acho difícil, mas a esperança é a última que morre) e tivermos mais concorrentes, podemos até fazer uma votação!

Abs.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Dilema do prisioneiro



Pela preguiça e pelo horário, segue a explicação do vídeo diretamente copiada do blog do Cristiano M. Costa:

"O episódio abaixo é de um programa de TV inglês. O jogo funciona da seguinte forma: dois competidores tem que escolher se vão dividir (Split) ou roubar do outro (Steal) o prêmio de 100 mil libras. Se ambos escolherem Split, cada um fica com 50 mil. Se um escolher Steal e o outro Split, quem escolheu Steal fica com tudo e o outro vai pra casa sem nada. Se os dois escolherem Steal, ambos ficam com zero."

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Reunião GATES

Sugestão do Alysson.


(clique para visualizar)


REUNIÃO DO GATES


Convidamos todos os interessados pelo assunto Bolsa de Valores, sem qualquer pré-requisito, a vir trocar experiências debatendo os temas sugeridos com o objetivo fomentar o mercado acionário no ES.



27/10 às 19h00

TEMAS:



• Nadando com os tubarões;


• Como atuam as grandes corretoras;


• Panorama do mercado de ações.




DATA: 27 de outubro de 2009 às 19h00.


LOCAL: Vitória Business School Rua Engenheiro Guilherme Varejão, 275. Enseada do Suá - Vitória, ES.


INSTRUTOR:Alex Rocha Moreira Trader profissional com larga experiência, agente autônomo de investimentos, sócio e estrategista do Departamento Técnico da Peixe Piloto Gestão de Recursos, engenheiro de Controle e Automação graduado pela PUC-MG, fundador e coordenador do Gates (Grupo de Análise Técnica do ES).


VAGAS GRATUITAS E LIMITADAS


Faça já a sua reserva pelo site www.vitoriabs.com.br


domingo, 25 de outubro de 2009

Câmbio e Doença Holandesa

"Repostando": gostaria de chamar a atenção para o debate sobre a taxa de câmbio e desindustrialização, que voltou à tona, nos jornais e na blogosfera, em âmbito nacional. O governo, inclusive, voltou com o IOF para capital estrangeiro.

Um breve e mal-organizado apanhado sobre o que está sendo dito por alguns personagens que participam do debate segue abaixo.

José Luis Oreiro, Luiz Fernando de Paula, Luiz Carlos Bresser-Pereira

http://jlcoreiro.wordpress.com/2009/10/08/artigo-no-valor-economico-de-hoje-3/

http://jlcoreiro.wordpress.com/2009/10/10/governo-estuda-criar-fundo-soberano-para-o-cambio/

http://jlcoreiro.wordpress.com/2009/10/14/desonestidade-intelectual-e-desespero-da-ortodoxia-brasileira/

http://jlcoreiro.wordpress.com/2009/10/16/existe-alguma-relacao-entre-a-taxa-real-de-cambio-efetiva-e-a-participacao-dos-salarios-na-renda/

http://jlcoreiro.wordpress.com/2009/10/17/respondendo-a-pergunta-dos-alunos-da-puc-campinas/

http://jlcoreiro.wordpress.com/2009/10/19/cai-o-ultimo-argumento-contra-a-mudanca-na-politica-cambial-cambio-valorizado-afeta-negativamente-o-investimento/

http://jlcoreiro.wordpress.com/2009/10/23/politica-cambial-e-a-quermesse-do-dr-geninho-valor-economico-23102009/

http://associacaokeynesiana.wordpress.com/2009/10/27/pateticas-criticas-ao-iof-luiz-carlos-bresser-pereira/

(novo) http://jlcoreiro.wordpress.com/2009/10/26/sobre-a-eficacia-das-intervencoes-esterelizadas-no-mercado-de-cambio/

(novo) http://jlcoreiro.wordpress.com/2009/11/01/falsas-solucoes-para-o-problema-da-apreciacao-cambial/



Alexandre Schwartsman, Irineu de Carvalho Filho, Rogério Ferreira e outros

http://maovisivel.blogspot.com/2009/08/uma-tese-com-substancias.html

http://maovisivel.blogspot.com/2009/09/muito-alem-do-jardim.html

http://maovisivel.blogspot.com/2009/10/para-fugir-do-dr-einstein.html

http://maovisivel.blogspot.com/2009/10/comentario-do-irineu-de-carvalho-filho.html

http://autovetor.wordpress.com/2009/10/18/resposta-ao-professor-oreiro/

http://autovetor.wordpress.com/2009/10/19/o-coelho-de-alice/

http://autovetor.wordpress.com/2009/10/31/cambio-real-x-formacao-bruta-capital-fixo/

http://maovisivel.blogspot.com/2009/10/acelerar-o-investimento-ou-o-aumento.html

(novo) http://maovisivel.blogspot.com/2009/10/e-so-carolina-nao-viu.html

(novo) http://maovisivel.blogspot.com/2009/11/cambio-e-politica-fiscal_9806.html

Maria Cristina Pinotti e Affonso Celso Pastore

http://www.portaldoeconomista.org.br/noticias/os-limites-para-a-valorizacao-do-real.html

Quem for acompanhando a discussão, tiver acesso ao Valor Online (onde sai a maioria dos artigos), ou souber de alguma novidade, que mantenha o blog informado. Os posts mais recentes estão em destaque, em negrito e itálico, além de um (novo) antes do link.

Abs.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Seminário GPIDECA e Minifórum

Esta semana será bastante movimentada para os corredores da Economia, além da realização do concurso de Professor de Desenvolvimento Socio-Econômico, teremos duas paletras com temas bastante relevantes:

Dia 21/10 - Minifórum: "A visão compreensiva de capitalismo em Fernand Braudel"
Prof. Pedro Geraldo Tosi (UNESP/SP)
Prof. Rogério Naques Faleiros (UFES/ES)
Sala 408 - 11hrs

Dia 22/10 - Série Seminário GPIDECA: "Os desafios do pré-sal e as definições do novo marco regulatório do petróleo no Brasil"
Prof. Ednilson Silva Felipe (UFES/ES)
Sala 408 - 11hrs

Clique nas imagens para ampliar

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Email da Economia

Galera,

Conforme deliberado em Ass. Geral, o CALECO deveria criar metódos para melhorar a comunicação dos representantes estudantis e os alunos.

Algumas já estão em praticamente, como por exemplo, a exclusividade de um moral somente para o Centro Acadêmico e a criação do Conselho Estudantil, com os representantes de turmas e os represantes estudantis do Departamento/Colegiado e Diretores de Organização e Articulação do CALECO.

Enfim, um outra maneira também foi a criação de um email para o curso.

Alguns vão perguntar se isso já não existia antes? Sim, já existia mas estava dando "Teia de Aranha" e muitos alunos sequer estavam nesta lista.

A idéia não é excluir as pessoas que estavam na outra lista, é exatamente o contrário, agregar todos e por isso esse post aqui no blog.

Se você ainda não está recebendo emails da lista (que já está ativa), existem 03 maneiras para o ingresso, é bastante simples, confira:

1. Acessar o site: www.googlegroups.com/group/economiaufes e solicitar o ingresso.
2. Enviar email para: economiaufes+subscribe@googlegroups.com
3. Procurar o representante do seu período e solicitar ao mesmo que adicione seu email na lista.

Vale ressaltar que todos os represantantes de sala (período) são moderadores do grupo, podendo adicionar novos integrantes, assim como Maria Eduarda e Rodrigo Rocha, que são da atual diretoria do CALECO.

Qualquer outra dúvida, basta nos procurar no corredor!

Abraços.

Glauber Teixeira

Prêmio Nobel 2009: Williamson e Ostrom laureados

Como passei pouco mais de seis meses em 2007 pesquisando sobre Oliver Williamson e sua Teoria dos Custos de Transação para minha monografia, não poderia deixar de destacar aqui o recente reconhecimento de sua contribuição para a teoria econômica. Confesso, contudo, que não li ainda trabalho algum da Elinor Ostrom...

Após outros autores do campo da Economia Instuticional, Ronald Coase (1991) e Douglass North (1993), terem sido premiados, chegou a vez de Williamson. Para aqueles que querem começar a pensar a economia do ponto de vista institucional, vale muito a pena ler o texto seminal desse autor, o livro "The economic institutions of capitalism", de 1985 (principalmente os que se interessam por Organização Industrial, pois o foco da análise de Williamson não é o "ambiente institucional", como o é o de Douglass North).

Caso alguém nunca tenha ouvido falar nos trabalhos do Williamson, ou na Nova Economia Institucional (NEI), ou, ainda, na Teoria dos Custos de Transação, transcrevo abaixo, para efeito de motivação, um trecho do meu projeto de monografia, em que tentei fazer um (brevíssimo) resumo sobre o tema (antes mesmo de ler no autor). Além disso, se alguém desenvolver um interesse maior,basta escrever um e-mail para nanafialho@gmail.com, que eu envio alguns artigos que tenho em pdf, ou mesmo a minha monografia completa. O artigo que apresentei na Anpec, e que o Carlos postou há alguns dias, também trata do tema.

Um abraço,

Mariana.

P.S.: O blog "De Gustibus Non Est Disputandum"  publicou um interessante apanhado geral da repercussão do prêmio na blogosfera.

Parte do referencial teórico do meu projeto:

(...) [Ronald] Coase,  em The Nature of the Firm, datado de 1937, buscou compreender as firmas a partir de uma análise de seu escopo, sua abrangência e seus limites. O autor foi o primeiro a identificar a existência de custos de outra natureza que não a produtiva, os quais inevitavelmente surgem como produto de qualquer transação econômica. Assumem eles as formas de custos de coleta de informações ou, ainda, de custos advindos de negociações que precedem acordos entre agentes, esses últimos denominados, a posteriori, custos de transação. A partir dessa primeira formulação, Coase pôde construir sua abordagem totalmente inovadora, que trata a firma como um meio alternativo ao mercado de se efetuar transações. Desse modo, será sempre a eficiência em a firma exercer essa função em relação ao mercado, reduzindo ou elevando os custos de transação, que definirá seu escopo e seus limites, e não sua destreza em transformar insumos em produtos (AZEVEDO, 1998, p. 201).  


A teoria dos custos de transação – ou Economia dos Custos de Transação (ECT) - desenvolvida de forma seminal por Oliver Williamson, dá prosseguimento ao trabalho de Coase, aprofundando a análise na medida em que procura apontar a origem dos custos transacionais e os determinantes de sua magnitude (AZEVEDO, 1998, p. 216). 


Além disso, como destaca Pondé (1994, p. 9-10), Williamson sugere uma abordagem contratual regida pela dimensão intertemporal da coordenação. Dada a imprevisibilidade do futuro, as firmas recorrem a diferentes formas institucionais como meio de prover-se de mecanismos de adaptação a novos fatos que possam porventura surgir após a fixação de um acordo. O ambiente em que as transações se realizam – ou em que os contratos são firmados - é, portanto, permeado por incerteza forte, ou keynesiana, outro avanço de Williamson em relação a Coase. Enquanto esse tem por base de suas elaborações conceituais a teoria neoclássica tradicional da escolha, ou seja, uma análise estática em que só há lugar, no limite, para a incerteza fraca, reduzível a cálculos de risco probabilístico, aquele, como veremos, faz uso do instrumental da estática comparativa, o que viabiliza o enfoque intertemporal das relações interfirmas e a introdução da noção de incerteza keynesiana. A preocupação central do estudo de Williamson revela-se, desse modo, na investigação dos meios desenvolvidos pelas instituições para possibilitar, de forma adaptativa e seqüencial, a tomada de decisões e a incorporação de novas condutas por parte dos agentes contratantes.


Os contratos são, portanto, identificados a quaisquer modalidades de promessas de condutas futuras, e não apenas a acordos formais. A coordenação, dentro dessa mesma perspectiva, somente poderá ser atingida por meio da ação de mecanismos institucionais, devido à capacidade que têm de assegurar a manutenção e adaptação das promessas ao longo do tempo (PONDÉ, 1994, p. 10).


Os custos de transação, por sua vez, aparecerão sempre que houver transferência de um bem ou serviço por interfaces tecnologicamente distintas (PESSALI; FERNÁNDEZ, 2006, p. 324), sendo, portanto, mais indicado estudá-los a partir das relações contratuais de que resultam. Dessa forma, as transações são, para a teoria das firmas e mercados de Williamson, a unidade fundamental de análise. Os custos transacionais podem ser de duas naturezas: ex ante, quando ocorre a preocupação em negociar e fixar os termos contratuais, ou ex post, dada a necessidade de se monitorar, renegociar ou adaptar o contrato às modificações ambientais ou circunstanciais. (PONDÉ, 1994, p.11).


A incerteza em relação ao futuro dos acontecimentos encontra-se na raiz da elaboração dos dois pressupostos comportamentais da ECT, quais sejam, a racionalidade restrita – ou limitada – tributada de Simon, e o oportunismo dos agentes. 


A existência da racionalidade restrita se deve a limitações da capacidade cognitiva humana em identificar fatos e relações causais, interpretar e integrar informações, e em decidir e prever (PESSALI; FERNÁNDEZ, 2006, p. 324). Ainda que subsista o empenho por parte dos agentes em maximizar seus ganhos, há limites ou custos para se obter as informações necessárias ou para processá-las adequadamente em um reduzido espaço de tempo – informação imperfeita. Dessa forma, os agentes se contentarão com decisões satisfatórias, ou subótimas, possivelmente diferentes das que tomariam se possuíssem racionalidade irrestrita (AZEVEDO, 1998, p. 217).


O oportunismo, em seu turno, corresponde a toda espécie de comportamento em que ocorre, tal como propõe Pondé (1994, p. 14), “[...] manipulação ou ocultamento de informações e/ou intenções frente a outra parte da transação”, estando, portanto, intrinsecamente relacionado à desconfiança que rege as negociações entre agentes, advinda do conhecimento imperfeito a respeito conduta que cada um assumirá. Como veremos em seguida, a incerteza se configura como um fator de elevação dos custos transacionais exatamente por existir espaço para o comportamento auto-interessado dos agentes, que não relutarão em, se necessário for, “mentir, trapacear, ou quebrar promessas” (AZEVEDO, 1998, p. 217). 


Explicitadas as características psicológicas dos agentes econômicos, assim incorporadas pela ECT, partiremos para o entendimento de Williamson no que concerne aos determinantes da magnitude dos custos de transação. São três os atributos que influenciam, cada um a seu modo, no tamanho desses custos: a freqüência, a incerteza e a especificidade dos ativos, três faces distintas das transações econômicas. 


A freqüência com que as transações ocorrem é inversamente proporcional à magnitude dos custos transacionais, na medida em que rebaixa os custos fixos médios de se obter informações ou de se elaborar salvaguardas contratuais que restrinjam o oportunismo dos agentes, ao mesmo tempo em que inibe essa prática. Dessa forma, “em transações recorrentes, as partes podem desenvolver reputação, o que limita seu interesse em agir de modo oportunista para obter ganhos de curto prazo” (AZEVEDO, 1998, p. 217). A Teoria dos Jogos, conforme mostraremos, soma-se à ECT ao prover um arcabouço teórico robusto exatamente nesse sentido.


A incerteza aparece como uma variável expectacional no modelo de Williamson (PONDÉ, 1994, p. 16), diretamente proporcional ao tamanho dos custos de transação esperados, incitando os agentes a lançar mão de mecanismos institucionais que se adaptem a possíveis alterações no “pano de fundo” das transações de que participam. O montante de custos com que os indivíduos terão de arcar será, portanto, influenciado pela insegurança que sentirem ao prever o comportamento futuro da economia como um todo ou dos agentes com os quais transacionam, ou, em outras palavras, ao grau de incerteza vigente.


Por fim, temos a especificidade dos ativos, ou seja, “o grau em que um ativo envolvido pode ser realocado para usos alternativos sem perda de sua capacidade ou valor produtivo” (PESSALI; FERNÁNDEZ, 2006, p. 324). Williamson, citado por Pondé (1994, p. 16), identifica quatro fatores geradores de ativos específicos:

• a aquisição de equipamentos dedicados para ofertar ou consumir os bens ou serviços transacionados, ou seja, unidades de capital fixo que são especializadas e atendem a requerimentos particulares da outra parte envolvida na relação;
• a expansão de capacidade produtiva direcionada e dimensionada unicamente para atender à demanda de um conjunto de transações, implicando uma inevitável ociosidade no caso de interrupção da relação;
• exigência de uma proximidade geográfica entre as partes que transacionam, combinada com custos de transferir unidade produtivas caso haja troca de demandante ou ofertante;
• diferentes formas de aprendizado, que fazem com que demandantes e ofertantes de determinados produtos acabem se servindo mutuamente com maior eficiência do que poderiam fazer com novos parceiros.


Quanto mais intensiva for a utilização de ativos específicos, portanto, maiores serão as perdas decorrentes de uma quebra contratual. Será preciso, como proteção, revestir as transações de salvaguardas que estabeleçam punições a qualquer tipo de comportamento oportunista, inibindo-o. Assim, o emprego de ativos específicos pressupõe um maior dispêndio com instrumentos institucionais, contribuindo, dessa forma, para a elevação dos custos de transação. 


As instituições devem ser, por tudo isso, concebidas como “as regras do jogo, que têm a função de restringir o comportamento oportunista, atenuando os custos de transação” (AZEVEDO, 1998, p. 218). 


Williamson citado por Grassi (2004a, p. 102) sugere ainda a existência de três estruturas de governança, nas quais as transações podem ocorrer: o mercado, as formas híbridas e as hierarquias:

Assim, quando comparada com o mercado, a forma híbrida sacrifica incentivos em favor de uma coordenação superior entre as partes. E quando comparada com a hierarquia, sacrifica a cooperatividade em favor de maior intensidade de incentivos [...] Isto equivaleria a um intervalo intermediário de especificidade de ativos, não tão elevado como no caso da hierarquia, e nem tão baixo como no caso dos mercados puros.


domingo, 4 de outubro de 2009

Hitler descobre sua nota da ANPEC

Impossível não chorar de tanto rir! Identificação total!!!

Aproveito para desejar que a noite de hoje seja curta para aqueles que ansiosamente aguardam a divulgação do gabarito, marcada* para amanhã. Que todos vocês tenham mais sorte do que o Hitler! rs

* e que a Dona Lízia tenha aprendido com os erros do ano passado, que quase resultaram na morte prematura de muitos candidatos por infarto agudo do miocárdio.

domingo, 27 de setembro de 2009

Charges, a série

Pra entrar no clima do seminário A Perspectiva Libertária.

(humor, minha gente, humor!)





















[libertarianismo: anarquia pros ricos]

domingo, 20 de setembro de 2009

Mais duas vagas

Mais uma vez haverá a oportunidade de o curso de economia da UFES suprir lacunas que ainda permanecem na formação do graduando. Parece que nessa semana serão votadas mais duas vagas para concurso de professores e essa oportunidade talvez não se repita por um bom tempo – por isso não pode ser desperdiçada.

Podemos dividir a espinha dorsal do curso de economia da UFES em algumas grandes áreas: história, economia política, métodos quantitativos, microeconomia e macroeconomia. Há várias outras disciplinas complementares importantíssimas, mas essas formam a base. Assim, são notórias as deficiências que se tem hoje em algumas dessas áreas básicas que um curso de economia deve oferecer, principalmente em Econometria, Microeconomia e Macroeconomia. A quantidade de professores (que não são especificamente da área) que revezam para dar as matérias, muitas vezes substitutos, é evidência da situação em que se encontram. Se a primeira é crítica por não existir nenhum especialista na área no departamento, as duas últimas não ficam atrás por terem, respectivamente, 3 e 4 matérias obrigatórias na grade curricular. Isso se não contarmos Organização Industrial, Economia e Administração de Empresas e Setor Público como correlacionadas à Micro e Economia Internacional e Contabilidade Social como correlacionadas à Macro. Se contarmos, então há um total de 12 (!) matérias que requerem um bom conhecimento das áreas de Micro e Macro (sem contar a Econometria como subsidiária a elas). O currículo do curso está disponível aqui.

A justificativa para votar-se em um professor de História e Desenvolvimento Econômico foi justamente essa: não havia alguém específico da área que pudesse dar a matéria, que é obrigatória na nova grade curricular. Esse é um argumento bom, justo, ninguém discorda. Mas há muitas áreas que estão carentes. Ora, se for para manter a coerência, e de fato buscar uma boa formação do aluno, por essa mesma linha de raciocínio não resta dúvida de quais matérias devam ser contempladas agora.

Para tanto, vejamos as outras áreas.

Na parte de História há as matérias de Formação e Desenvolvimento do Capitalismo, Desenvolvimento Sócio-Econômico, FEB I, FEB II e Economia Brasileira Contemporânea. Essa área já ganhou um ótimo professor recentemente e ainda receberá mais um com o concurso recém aprovado. Além disso, no departamento há outros professores com bastante experiência que lecionam(ram) uma ou outra matéria, tais como: Saade, Neide, Maria José, Vinicius, Adriano, Balarini etc. Só para citar os que recentemente deram alguma dessas matérias. Vê-se que há mais professores do que disciplinas obrigatórias.

A parte de Economia Política e HPE não está menos favorecida. Há Economia Clássica, Economia Política I e II. É uma área importante que já está bem servida com: Adriano, Carcanholo, Nakatani, Sabadini, Vinicius, Malaguti, Rogério etc. Também, já há mais professores do que disciplinas obrigatórias.

Quanto às outras matérias (tanto obrigatórias, quanto optativas – ou optatórias) há professores que podem ofertar praticamente todas, como Organização Indutrial I e II, Economia Internacional, Setor Público I e II, Matemática Financeira, Análise de Projetos, Matérias de HPE e Economia Política, Economia Agrícola, Economia Capixaba, Economia Institucional, Economia e Tecnologia, Economia Planificada...

Para não se estender muito, entretanto, vejamos logo as áreas específicas de Macroeconomia e Microeconomia (as básicas, de cunho mais neoclássico). Obviamente, pode-se colocar qualquer professor para dar essas matérias, inclusive substitutos – mas isso não é o ideal, tampouco alguém deve usar isso como argumento (se quiser manter a coerência). Específicos, em macro, há Saade, Ana Carolina (que está fora) e Alain (que está como coordenador do mestrado). Assim sobra efetivamente apenas um professor que é específico da área. Já em micro e econometria não há ninguém específico da área. E mesmo se contarmos com os eventuais professores que cobrem essa lacuna, não há professores suficientes para a quantidade de matérias, muito menos se contarmos que eles também devem orientar monografias, fazer pesquisa e ofertar optativas (quem vai dar contabilidade social, Macro 1, 2, 3 e 4, OI 1 e 2, Economia e Administração de Empresas, Introdução à Micro, Micro 1 e 2 e 3 e assim por diante?).

Um levantamento feito por Marco e Glauber, sobre o currículo lattes dos professores, evidencia, na minha opinião, sem sombra de dúvidas, onde há a carência de professores (levantamento no final do post).


Vale frisar, como já foi feito por João em diversos posts (1, 2, 3) que não se trata de disputa ideológica. Na situação atual, o aluno vai sair sem conhecer os modelos de Crescimento Neoclássico e como aplicar, por exemplo, a resolução de equações diferenciais para obter a trajetória temporal das variáveis do modelo, saber se o equilíbrio é estável ou não, a diferença entre o modelo de Domar e Solow... também não saberá como estimar quanto do crescimento do PIB brasileiro do último ano foi devido ao crescimento do progresso técnico... não se aprofundará na teoria do consumidor e da firma, informação assimétrica, ou em teoria dos jogos... e mesmo que ele não concorde com a matematização da economia, com o individualismo metodológico ou qualquer outra coisa, não será capaz de entender ou formular críticas aos modelos, apenas de repetir as críticas já feitas. O aluno não precisa se aprofundar nisso em sua especialização, mestrado, doutorado, mercado de trabalho, aí é escolha dele, mas precisa ver na graduação, ainda mais com o currículo que foi discutido e formado pelos próprios alunos e professores.


Não obstante, mesmo diante de clara lacuna, é possível que alguns professores não se atentem a essa necessidade e tentem o puxar a sardinha pro seu lado (seja qual lado for). E isso é mais do que natural. Mas, não é o ideal. E é nesse sentido que, acredito, deva atuar a representação estudantil. Essa discussão, pelo menos no tempo que estive aí, nuna esteve tão forte e, principalmente, tão disseminada entre os alunos. A oportunidade é de ouro, no total serão 4 vagas que, se tudo der certo, podem contemplar Economia Matemática, História, Econometria, Macro e Microeconomia, suprindo as áreas fundamentais e carentes do curso.

Depois de aprovadas, a luta será na formação da Banca e do programa, que devem ser formados de maneira rigorosa, escolhendo os mais aptos do departamento para a área e convidando um especialista notório de fora. A bibliografia mínima tem de ser de pós-graduação, como, por exemplo, Hayashi para Econometria e Mas-Colell e Jehle & Reny para Microeconomia.


Bom, segue abaixo a relação das áreas de atuação no Lattes de alguns professores. Acho que é autoevidente.

Abs.

Alain Pierre Claude Henri Herscovici

Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Law and Economics.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia da Informação.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Macroeconomia.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: História do Pensamento Econômico.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia da Cultura e da Comunicação.
Bolsista CNPQ de produtividade nivel 2

Alexandre Ottoni Teatini Salles

Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Teoria Econômica.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia Institucional.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia Internacional / Especialidade: Globalizacao financeira.

Angela Maria Morandi

Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia Industrial / Especialidade: Organização Industrial e Estudos Industriais.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia Regional e Urbana / Especialidade: Economia Regional.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia Industrial / Especialidade: Mudança Tecnológica.

Arlindo Villaschi Filho

Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia Industrial / Especialidade: Mudança Tecnológica.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia Regional e Urbana / Especialidade: Economia Regional.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia.

José Lazaro Celin

Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Teoria Econômica / Especialidade: Economia Geral.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economias Agrária e dos Recursos Naturais / Especialidade: Economia Agrária.

Luiz Jorge Vasconcellos Pessôa de Mendonça

Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia.

Manoel Luiz Malaguti Barcellos Pancinha

Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia Industrial.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Teoria Econômica.
Grande área: Ciências Humanas / Área: Filosofia / Subárea: Epistemologia.

Mauricio de Souza Sabadini

Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Teoria Econômica / Especialidade: Economia Política.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Teoria Econômica / Especialidade: Economia do Trabalho.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia Monetária e Fiscal / Especialidade: Teoria Monetária e Financeira.

Neide Cesar Vargas

Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia do Setor Pùblico.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia Regional e Urbana.

Paulo Nakatani

Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia Monetária e Fiscal / Especialidade: Política Fiscal do Brasil.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia Monetária e Fiscal / Especialidade: Teoria Monetária e Financeira.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia dos Recursos Humanos / Especialidade: Trabalho Emprego e Mundo do Trabalho.

Reinaldo Antonio Carcanholo

Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia Política

Ricardo Ramalhete Moreira

Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Crescimento, Flutuações e Planejamento Econômico / Especialidade: Flutuações Cíclicas e Projeções Econômicas.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Teoria Econômica / Especialidade: História do Pensamento Econômico.

Roberto Amadeu Fassarella

Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economias Agrária e dos Recursos Naturais / Especialidade: Economia Agrária.

Robson Antonio Grassi


Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia Regional e Urbana.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Organização Industrial e Estudos Industriais.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Organização Industrial e Estudos Industriais / Especialidade: Mudança Tecnológica.

Rogerio Arthmar

Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Teoria Econômica / Especialidade: História Econômica.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Teoria Econômica / Especialidade: História do Pensamento Econômico.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Teoria Econômica / Especialidade: Teoria Geral da Economia.

Rogerio Naques Faleiros

Grande área: Ciências Humanas / Área: História / Subárea: HISTÓRIA ECONÔMICA.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia.
Grande área: Ciências Humanas / Área: História / Subárea: História do Brasil.

Vinícius Vieira Pereira

Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia do Bem-Estar Social / Especialidade: Economia dos Programas de Bem-Estar Social.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Crescimento, Flutuações e Planejamento Econômico / Especialidade: Teoria e Política de Planejamento Econômico.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia Monetária e Fiscal / Especialidade: Política Fiscal do Brasil.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Seminário A PERSPECTIVA LIBERTÁRIA


Pessoas,

Aproveitando a vibe de contestação e discussão que ronda nosso curso nos últimos tempos, venho aqui divulgar o seminário A Perspectiva Libertária. Abaixo, um resumo do projeto.


A perspectiva libertária
Data: 16 de outubro de 2009 (sexta-feira)
Horário: 08h a 12h
Local: Salão Rosa, no Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas (CCJE) da UFES (a priori, depois haverá confirmação de fato)


Descrição:

Seminário: A Perspectiva Libertária

A academia brasileira está prestes a testemunhar uma empreitada intelectual inédita no país. De Porto Alegre a Fortaleza, um grupo de jovens intelectuais percorrerá 16 cidades durante três semanas de outubro com um propósito: apresentar aos estudantes brasileiros as idéias fundamentais de liberdade individual que unem pensadores como José Bonifácio e Joaquim Nabuco a Ludwig von Mises e Friedrich Hayek.

O projeto consiste na realização de seminários com cinco conferências versando sobre temas ancorados na idéia de liberdade: sociedade, justiça, economia, política e cultura. Nosso objetivo é promover o debate entre diferentes correntes filosóficas para que a Universidade, com U maiúsculo, esteja livre das ortodoxias do pensamento e avance com a universalidade do conhecimento.

A proposta de difundir o pensamento libertário é uma iniciativa do OrdemLivre.org, projeto da Atlas Economic Research Foundation em cooperação com o Cato Institute. Somos parte de uma organização independente, sem vínculos partidários, e não aceitamos qualquer patrocínio estatal. Todo o nosso financiamento vem de contribuições voluntárias e da venda de publicações.


Cronograma:

A Prespectiva Libertária: Uma discussão sobre as novas correntes do pensamento liberal

Apresentação: Bruno Garschagen

O socialismo do século XXI: Gabriela Calderón (30 min)

Uma causa para a nossa geração: Diogo Costa (30 min)

Perguntas e respostas (20 min)

Coffee break (30 min)

Capitalismo em crise?: Rodrigo Constantino (30 min)

Princípios de Justiça: Lucas Mafaldo (30 min)

A cultura da liberdade: Pedro Sette Câmara (30 min)

Perguntas e respostas (20 min)

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ps.: É pra ir ao encontro de um curso mais plural e que valoriza o debate que o seminário está sendo trazido pra cá. Mas é essencial a presença de todos! Compareçam, mas venham com a mente aberta e o coração tranquilo!

pstu.: Alguns links com material FARTO para quem quiser entender um pouco mais da ótica libertária

institutos e centros de estudos
http://www.ordemlivre.org/
http://www.il-rs.org.br/index.php
http://www.mises.org.br/
http://www.libertarianismo.com/

blogs
http://precodosistema.blogspot.com/
http://brasillibertario.blogspot.com/

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

O primeiro encontro da ANPEC


Hoje o professor Rogério me atentou para uma boa notícia: nosso artigo "Quando o liberal e o socialista se defrontam: Bastiat, Proudhon e a renda do capital" foi aprovado para o encontro desse ano!

Olhando a relação de artigos aprovados, também não pude deixar de notar que Sávio, junto com Robson, estarão lá, com o "A evolução recente da economia do Espírito Santo: um estado desenvolvido e periférico?"

Abs!

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Seminário + ou - 40 Anos de Industrialização Retardatária do ES

Caso não consiga visualizar a mensagem, clique aqui.

Objetivo

Colocar em perspectiva estudos sistematizados (monografias, dissertações, teses, relatórios de pesquisa) elaborados sobre aspectos de mudanças estruturais na economia capixaba nos últimos mais ou menos quarenta anos. Mais do que apresentar os estudos conforme elaborados em suas respectivas datas, será o olhar crítico sobre o objeto analisado desde então e como ele pode ser visto hoje em termos de caminhos para o futuro.

Promoção

Grupo de Pesquisa Inovação e Desenvolvimento

Capixaba - GPIDECA

UFES | CCJE | Departamento de Economia

Coordenação Geral

Prof. Arlindo Villaschi

Inscrições e mais informações

www.majestic.org.br/gpideca/ufes

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Entre propostas e refutações

Por João Bollinger

Pessoal, este blog é aberto à discussão. Não estamos sempre certos aqui, e nem temos esta pretensão.

Mas aqui sustentamos nossa posição com argumentos, evidência e experiência. Se estivermos errados é só mostrar onde está o erro e reconsideraremos nossa opinião.

Podem opinar livremente, e não se intimidem. Mas lembre-se que num espaço democrático, quem fala também tem que saber ouvir.

Depois que você fala, tem que permitir ao outro o direito de discordar de você. A verdade não tem um dono ou um lado só.

E não adianta ficar dizendo que aqui o espaço não é democrático, ou que só escuta um lado. Aqui é um espaço de opinião. Se os seus argumentos são melhores que os nossos, as pessoas irão te seguir e respeitar.

Queremos ser convencidos, e não ficar ouvindo lamentações e resmungos.

Nosso objetivo é garantir a melhor formação para o aluno de economia da UFES. Só isto. E lutaremos por isto sem pedir nada em troca. Não pedimos vaga em mestrado, bolsa de pesquisa nem de PET. Queremos apenas boa formação.

E por falar em formação, cliquem aqui para vocês verem a ementa da disciplina de “Introdução à Economia”, dada no primeiro período da graduação em economia da FGV/RJ.

Desde o primeiro período eles já recebem treinamento matemático, com o objetivo de disciplinar o raciocínio lógico no estudante e motivá-los a entenderem as aplicações do calculo e da álgebra linear na Economia.

Na UFES, alguns professores dizem que não valeria à pena ter um excelente professor de Econometria. Segundo estes professores, os alunos chegam à UFES sem uma boa base matemática do ensino médio, e as disciplinas de Matemática A e B não seriam bem dadas ou aproveitadas na graduação.

Quanta ironia! Porque você não aprendeu antes, também não vai aprender depois. É colocar o aluno para sofrer duas vezes. Não adianta ter um bom professor da área quantitativa porque o aluno não sabe nada da área quantitativa. Eu não sabia que eu tinha que nascer sabendo tudo!

Em nome da má formação que o próprio curso dá, não se pode contratar mais um professor da área quantitativa? Este fraco argumento dado por alguns professores é prova da necessidade de mudar a dinâmica do curso.

E o que estes mesmos professores que afirmam isto fazem para mudar a situação? Nada. Só tiram proveito. Identificam um problema e não fazem nada para superá-lo. E isto porque são críticos...

Eu tenho uma sugestão. Adotemos um modelo que vários cursos usam, inclusive aqui na UFES e até mesmo a FGV/RJ. É o nivelamento de matemática, que em alguns lugares é conhecido como “Pré Calculo” ou “Matemática Básica”.

A minha proposta é a seguinte: ao invés de dar Matemática A no primeiro período, ela deve ser dada no segundo período. Assim você faria Matemática A no segundo período e Matemática B no terceiro período.

E também colocaria Formação e Desenvolvimento do Capitalismo para o segundo período.

Isto não compromete em nada a duração do curso.

E aqui entra o centro da minha proposta. O que colocar no lugar destas duas disciplinas? Colocar duas matérias de preparação para o calculo diferencial e álgebra linear.

O objetivo seria revisar toda a matemática do ensino médio, indo de conjuntos numéricos e funções até geometria analítica, passando por trigonometria e matrizes/determinantes.

Isto prepararia melhor o aluno para as disciplinas de calculo e álgebra linear, permitindo também que tire mais proveito de Econometria. Além de dar mais segurança ao aluno na sua base matemática.

Eu dou até a sugestão de alguns materiais, como estes que foram utilizados no ciclo de matemática básica da UFF:

Conjuntos Numéricos Curvas Planas Polinômios Reais Funções Reais

Esta proposta permite nivelar conhecimento em matemática, preparar o aluno e dar a ele mais segurança. E os professores continuarão sendo do departamento de matemática.

A boa formação em matemática deve começar já no primeiro período. Porque geralmente no inicio do curso o aluno tem mais tempo livre e, à medida que os semestres passam, o tempo livre diminui tanto porque o conteúdo das matérias aumentam quanto pela necessidade de trabalhar ou estagiar.

E, neste mesmo curso de nivelamento podem ser dados princípios básicos de regras de diferenciação e integração, encontrada em alguns livros do ensino médio (a coleção “Matemática Elementar” do Gelson Iezzi, por exemplo)

Dar formação suplementar de matemática dentro do próprio curso ao aluno só fortalece o próprio curso.

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Ainda considerando alguns outros argumentos, além deste de que a má formação em matemática invalida a contratação de professores, há algumas afirmações curiosas que andam pelo ED IV.

Uma dela é a descobrimento da existência de dois cursos diferentes: “Economia” e “Ciências Econômicas”.

Segundo os autores da descoberta, a diferença entre um e outro está que, na UFES, o curso é de “Ciências Econômicas”, e por isto deveria estudar mais “teoria econômica”.

Aqui surgem alguns comentários.

Sobre o caso da USP, como o Thiago já mostrou, a pessoa que afirmou isto não pesquisou direito para saber.

Se você consultar o site do catálogo de graduação da USP, verá que há na USP dois cursos de “Economia” e um de “Ciências Econômicas”.

A USP oferece o curso de “Ciências Econômicas” na Esalq/USP, que fica em Piracicaba. É um curso bem ortodoxo e com boa carga matemática.

Mas a USP também oferece o curso de “Economia” no campus de São Paulo e no campus de Ribeirão Preto. Mas ao ler a descrição dos três cursos vemos que todos são de “bacharelado em ciências econômicas”.

Mas foi dito que o curso da UFES é de “Ciências Econômicas” e deveria ver mais “teoria econômica” por causa disto. Aqui a situação se complica ainda mais para os descobridores. Como o Hugo já mostrou , estudar teoria econômica implica também em estudar matemática. O que foi dito que o curso de “ciências econômicas” deveria estudar, é justamente o que não é visto na UFES.

O curso de “Ciências Econômicas” da UFES não tem um terço da carga matemática e quantitativista que o curso de “Ciências Econômicas” da Esalq/USP tem.

E a Esalq tem o programa de mestrado e doutorado em Economia Aplicada com a mais alta avaliação do país (Capes). E os trabalhos são todos com modelos matemáticos e estatísticos. Cliquem aqui para lerem.

Tentando defender o “status quo”, criaram uma enorme armadilha para si mesmo. Além de afirmarem sem pesquisar direito, dizem que o nosso curso é diferente dos cursos de economia do país, e que deve ser igual ao tal curso de “Ciências Econômicas” da USP. Seria ótimo estudar num centro conceito 6 na CAPES e melhor avaliado que a Unicamp, a UFRJ e a PUC/RJ.

E o curso da UFES irá se tornar ortodoxo? É este o desejo dos que acreditam que nosso curso é de “Ciências Econômicas” como o da Esalq/USP?

Os autores de tão surpreendente descoberta não perceberam que seu argumento afirma o que eles querem negar, que é a necessidade de modificar o curso.

No Brasil existe apenas uma coisa: bacharelado em ciências econômicas, basta ver a lei 1411/51. E no MEC há as diretrizes curriculares apenas para o curso de “ciências econômicas” (Resolução CNE/CES nº 4, de 13 de julho de 2007). Mas a instituição de ensino coloca o nome que quiser no vestibular, mas no diploma de todos vem escrito “bacharel em ciências econômicas”.

E vejam o que dito sobre o que se espera de um economista nas diretrizes curriculares:

________________________________________________

Art. 4º Os cursos de graduação em Ciências Econômicas devem possibilitar a

formação profissional que revele, pelo menos, as seguintes competências e habilidades:

I - desenvolver raciocínios logicamente consistentes;

II - ler e compreender textos econômicos;

III - elaborar pareceres, relatórios, trabalhos e textos na área econômica;

IV - utilizar adequadamente conceitos teóricos fundamentais da ciência econômica;

V - utilizar o instrumental econômico para analisar situações históricas concretas;

VI - utilizar formulações matemáticas e estatísticas na análise dos fenômenos

socioeconômicos; e

VII - diferenciar correntes teóricas a partir de distintas políticas econômicas.

________________________________________________

Aqui na UFES alguns seriam reprovados já no primeiro critério...

________________________________________________

Continuando no caminho das idéias exóticas, uma delas é que não adianta reclamar da dificuldade em conseguir emprego que os formados em economia pela UFES estão tendo, porque está difícil para os outros cursos também.

Isto é engraçado. Primeiro não adianta ter bons professores de métodos quantitativos porque a formação em matemática que o curso dá é precária. Agora não se pode questionar a situação do curso porque está ruim para todos?

O critério é nivelar por baixo agora? Quanto pior, melhor?

Justamente pela própria situação econômica do país, os alunos devem ser melhor formados. Hoje o aluno de economia da UFES não é cobiçado por nenhuma empresa ou centro de pos graduação, seja ele ortodoxo ou heterodoxo.

A solução apontada é sempre esta: se você quer aprender matemática, estude sozinho, pegue optativas de Calculo ou Álgebra Linear ou monte um grupo de estudos. Quando você questiona sobre a dificuldade de conseguir emprego, dizem que tudo depende do seu esforço.

Quando eu escuto isto me pergunto: o curso da UFES é à distância ou é presencial? O aluno tem que fazer tudo sozinho quando quer ter uma melhor formação. Parece curso de ensino à distância. Onde você faz tudo sozinho em casa.

Para quem se diz “crítico do individualismo”, é acreditar muito na “força” do individuo. Como diria o Robin: “Santa Contradição, Batman”.

Se os outros cursos estão com dificuldades, pode ser um problema só deles ou um problema da economia. Isto não importa para a nossa discussão. Para o curso de economia, o que importa é formar melhor.

Se está difícil mesmo para todos, aí que curso deva dar uma boa preparação e uma boa formação.

Nenhum dos argumentos apresentados anula a necessidade de fortalecer a área quantitativa do curso e garantir a pluralidade.

No curso de economia alguns professores temem muito a matemática e à econometria. Será que eles temem que, ao aprenderem lógica com a matemática e analisar dados na econometria, os alunos descubram que as idéias destes mesmos professores não têm lógica e nem se sustentam na realidade? Só pode ser isto.

A matemática não aliena ninguém. Ela não torna você de direita ou de esquerda. Entre os profissionais que mais ajudam o desenvolvimento do país estão os engenheiros, os físicos, os químicos, os biólogos, entre outros. E eles estudam muita matemática. Mas estes profissionais desenvolvem tecnologias, produtos e técnicas que são usadas tanto por grandes empresas quanto pela população carente do país. Desenvolvimentos que tanto aumentam a produtividade da economia, o conforto das pessoas e amenizam o sofrimento da miséria.

O que importa não é o conhecimento em si, mas o que você faz com ele.

Quanto melhor for o economista que a UFES formar, melhor será a contribuição dele para o pais.

Mas na UFES é diferente. Quando você entra em economia na UFES, acontece uma coisa fantástica. Tudo aquilo que você viu ou ouviu falar sobre economia está errado. É errado querer trabalhar no mercado, é errado tentar saber lidar com números, é errado você querer que as coisas sejam eficientes. O mundo inteiro entende economia do jeito errado, até mesmo os outros centros heterodoxos do país.

Porque aqui tudo é ao contrário.

Na UFES, se você quer aprender economia para ir trabalhar no mercado, é dito que você deve procurar uma faculdade particular. Mas onde está escrito que o curso de economia da UFES não pode formar para o mercado?

A Sociedade, que mantém a Universidade através dos seus impostos, foi avisada disto? Sua família foi? Há alguma lei que impeça? A revolução já começou?

O curso de economia pertence a quem? É curioso, mas algumas pessoas acham que sabem mais do que a Sociedade o que é bom para ela mesma. E onde está a procuração que a Sociedade deu para estes professores fazerem o que bem entendem com o curso?

A Universidade tem uma função social. E dentro do tripé de ensino, pesquisa e extensão, uma das obrigações da Universidade é formar profissionais capazes.

É correto demonstrar ao aluno a necessidade dele dar um retorno à sociedade, devido ao investimento que ela fez nele, e que vivemos num país com distorções sociais.

Mas se o aluno vai usar a capacidade dele para construir projetos de economia solidária ou para a gestão de risco num grande banco, é uma escolha do aluno e um risco que a sociedade corre de não ver o aluno financiado por ela dando sua contribuição para a sociedade (ele talvez faça isto através de algum trabalho voluntário ou doações). Mas isto acontece porque vivemos numa democracia. E democracia não é só votar. É apresentar e garantir oportunidade de escolha. Não podemos coagir.

E não é à toa que os professores também são servidores públicos. No mundo das escolhas democráticas, eles optaram por serem servidores públicos. Eles devem servir à sociedade, e não tirar proveito dela.

Não adianta afirmar que a sociedade não entende sua própria situação de desigualdade e contradições, que ela não superou a lógica individual e não percebeu que a Sociedade é vitima dela mesma. A Sociedade não espera que sejam formados militantes revolucionários, só bons profissionais. Mas parecem que alguns acham que devem fazer mais do que foi pedido, porque eles entendem a sociedade mais do que ela mesmo.

Se o objetivo é formar profissionais comprometidos com a democracia e a liberdade, que isto comece pelo curso, garantindo o direito de escolha.

Mas se o aluno vai fazer alguma coisa ou não pela sociedade, a escolha é do aluno ou do economista formado. Nenhum professor pode fazer isto por ele. Até porque os professores efetivos têm salário e aposentadoria garantida, quem se forma não tem esta garantia.

Se ele vai ser militante socialista, hippie, trabalhar com economia solidaria, gerente de multinacional ou banco, é uma escolha dele.

É correto o professor ter espaço para divulgar suas idéias sobre o mundo e debatê-las com os alunos. Mas faça isto respeitando os alunos e o que eles querem.

Na UFES alguns professores sentem calafrios ao ouvirem algumas palavras: mercado, matemática, econometria, eficiência.

Mas é isto, não adiante fugir. Quando os alunos se formam ou mesmo durante a graduação, eles precisam trabalhar.

O mercado está aí, quer você queira ou não. Se você não gosta dele, ou acha ele mal, você tem duas opções: entrar numa ONG ou uma comunidade alternativa ou vá virar um revolucionário, se organizar num partido e construir a revolução e lutar pelo socialismo.

Mas mesmo numa ONG ou numa comunidade alternativa, você precisa de dinheiro. E aí você vai pegar com quem? O Estado ou as empresas e contribuições voluntárias. Num partido, você vai ter de viver da contribuição dos "companheiros", que trabalham de verdade. Ou seja, você sempre vai viver do trabalho de alguém.

Respeito qualquer uma das opções. O capitalismo é selvagem mesmo, é cruel, principalmente para quem não está preparado para ele.

Mas não é sujo ou vergonhoso você ter de trabalhar. Não se sinta mal por isto. Você tem direito a escolher ter uma carreira promissora e lutar por ela. Talvez consiga, talvez não.

Não é vergonhoso você querer trabalhar numa multinacional.

E também não é um absurdo você querer estudar na FGV/RJ, na PUC/RJ ou na USP. Isto não te torna uma pessoa má.

Não é crime no Brasil você ser ortodoxo. Aqui no Brasil sempre se associa ortodoxia com a direita por causa da ditadura militar. Mas é possível ser ortodoxo e de “esquerda”.

Quer fazer a diferença no mundo, torná-lo melhor? Seja o melhor economista que você possa ser. Dê o melhor de si, cobre da Universidade tudo o que ela puder te dar e mais um pouco. Faça um bom trabalho e seja um economista influente. Publique livros, escreva para jornais, denuncie. Não são palavras vazias ou citações de trechos de livros que irão mudar o mundo.

O mundo é feito por atitudes e não por intenções.

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E para terminar, não estamos aqui para discutir sobre quem está certo ou quem está errado. É sobre quem quer e quem não quer melhorar o curso, torná-lo mais plural.

E aqui no blog pode opinar à vontade, nós não fazemos patrulhamento ideológico.

Mas por trás do discurso de “não podemos achar que estamos sempre certos” ou “não adianta discutir se não vamos mudar nossa opinião”, está escondido o interesse em manter tudo como está.

É apenas isto. Não há argumentos, apenas divagações.

Aqui no blog não estamos sempre certos, mas até agora nesta discussão não nos mostraram onde estamos errados. É uma pena.

Quem teme estas mudanças? No fim das contas, quem está com medo das mudanças é justamente quem tem medo de perder o controle.

E há aqueles que tentam tirar proveito para colher alguma migalha, apoiando o lado reacionário. Cada um faz o que quer da sua vida. Mas não podemos fazer isto abrindo mão da coerência.

Mas agora que os argumentos caíram todos, surge a coisa mais fantástica e absurda de todas.

Nós aqui do blog viramos pessoas más. Como os argumentos caíram todos, e não há justificativas para continuar defendendo o que defendem e apoiando quem apóiam, somos chamados de arrogantes, presunçosos e mal educados.

Mais uma vez é a tentativa de ridicularização. Não conseguem argumentar e aí inventam rótulos: “eles são pessoas más e arrogantes”.

É o cumulo do absurdo, na falta de argumentos se fazerem de vítimas. E nós do blog é que somos acusados de fazer artes cênicas. Quanto drama...

Aqui nós não atacamos ninguém, as pessoas é que são vitimas das próprias palavras ou atitudes.

E agora fica transparente que algumas pessoas se apoiaram em argumentos frágeis.

O blog ganhou força porque através dele foi feito um debate que não foi permitido no curso e nem se permite. E agora que vários alunos estão consultando o blog diariamente, querem ridicularizar. O blog virou o “covil dos lobos”.

Pode ser que aqui a maioria pense do mesmo jeito. Mas todos vieram parar aqui porque no curso não houve espaço para esta discussão, e nem há. O blog deu vazão ao desejo de mudar o curso.

A situação ideal é que esta discussão ocorresse dentro do curso, e não no blog. Porque o mais importante não é o blog, mas a solução da realidade do curso com a participação de todos.

O blog hoje é um espaço importante, porque quem tentar discutir a necessidade de ter mais matérias quantitativas em sala de aula é ridicularizado por muitos professores e alunos.

A força do blog não vem da arrogância ou da presunção de quem escreve aqui, vem da falta de democracia, respeito e pluralidade que alguns professores tratam a formação e a vida futura do aluno em economia da UFES.

O tamanho do post é proporcional ao tamanho das afirmações contraditórias que temos que comentar.