Como a categoria Estado é de suma importância para a revolução, segue abaixo algumas considerações a seu respeito. Dialeticamente (usarei o termo dialeticamente ao invés de logicamente, quando se referir algo que é mais do que lógico, pois ultrapassa a lógica formal e, é, portanto, dialético, inteligível apenas para os que detém o conhecimento da lógica proletária), que a categoria Estado, como categoria ontológica do todo social, tem seus contornos pouco definidos e é de essência fugidia, complexa, contraditória e multi-facetada. Assim, a teoria que segue abaixo não exaure todo o sentido desta categoria, mas evidencia, ou melhor, traz à tona, ou ainda, joga luz a um de seus aspectos antilógico-marxista-socialistas mais fundamentais.
Como todos deveriam saber, o capitalismo inevitavelmente entrará em colapso e dará lugar ao socialismo. Entretanto, apesar da inexorável transição imanente do capitalismo para o socialismo, nós, revolucionários, somos ansiosos, e queremos que os passos nessa direção venham antes da providência histórico-dialética. Assim, antes do socialismo stricto sensu propriamente dito, haverá uma fase de transição, liderada por nós, chamada ditadura do proletariado.
A ditadura do proletariado é uma forma de Estado. Haverá ditadores, ou grupos de ditadores, que agirão em nome do proletariado utilizando a máquina estatal, composta de todos os indivíduos, para as reformas necessárias à implantação do socialismo. Entretanto, como sabemos, atualmente o Estado, que é pequeno, é muito criticado. Assim, critica-se a implementação da ditadura do proletariado, por ser assentada em um estado máximo. Ora, argumentam os neoliberais cínicos, se o Estado com pouco poder já é corrupto, imagine um Estado com poder absoluto. O poder absoluto, para eles, corromperia absolutamente. Eles argumentam: "se você, socialista, admite que o Estado é fonte de corrupção, porque advoga que a solução é mais estado!? Isso não tem lógica!".
Ora, lógica... quem precisa de lógica quando se tem a dialética? Essa crítica não passa de mera ingenuidade ou cinismo dos neoliberais (aproveito essa parte para deixar uma máxima: se alguém não é marxista ou não entende a teoria marxista, invariavelmente, ele ou é ingênuo ou é cínico ou é burro, ou uma combinação de qualquer desses três aspectos. Devemos essa ótima descoberta a Marx, que a usou primeiramente. Todos nós marxistas temos usado em nossos textos invariavelmente desde então). E isso ficará claro a seguir.
Para a argumentação da teoria dialética do desenvolvimento do estado socialista, primeiramente, temos que nos atentar para dois fatos auto-evidentes irrefutáveis:
- O Estado é o povo e, em sua essência, é bom.
- O indivíduo no capitalismo, busca sempre o lucro, e para isso corrompe o Estado
Com base nesses fatos, fica claro porque o Estado não funciona adequadamente numa sociedade capitalista. Os neoliberais falam que o Estado tende a não dar os incentivos corretos para os indivíduos, falam de rent-seeking e tudo o mais. Mas isso não é culpa do Estado! Ora, se uma empresa tenta corromper o Estado, a culpa é do Estado, a culpa é do "desenho institucional" que incentiva esse tipo de coisa? Dialético que não! A culpa é do empresário e do capital.
O indivíduo na sociedade capitalista tenta sempre, de toda forma, capturar o Estado para que atenda a seus interesses. O indivíduo no capitalismo só quer lucro. Dessa forma, os capitalistas, que tem muito dinheiro e poder, conseguem corromper o Estado para que ele atenda à perpetuação da sociedade de classes. Os neoliberais argumentarão que, por isso mesmo, temos que ter um Estado menor, com regras mais claras, que tenha menos poder, para que se evite a corrupção e se tenha uma concorrência justa.
Mas isso é um absurdo! Pois, quanto menor o Estado, mais mercado temos. Conseqüentemente, mais capitalistas temos, e mais chances de alguém corromper o Estado há!
Segue, dialeticamente, que temos que aumentar progressivamente o tamanho do Estado. E isso segue a lei dialética das mudanças quantitativas que se transformam em uma mudança qualitativa. Veja a seguir:
10% de Estado = Estado corrupto, pois 90% da nação é capitalista e tentará corromper o Estado
50% de Estado = Estado corrupto, pois 50% da nação é capitalista e tentará corromper o Estado
99% de Estado = Estado corrupto, pois 1% da nação é capitalista e tentará corromper o Estado
100% de Estado = Estado bom socialista, pois o povo e o estado são um só.
Percebe-se que única maneira de acabar com a corrupção no Estado é, justamente, acabar com qualquer indivíduo fora do Estado. Assim, o Estado máximo, em que todos os indivíduos fazem parte do Estado, não poderá ser corrompido por nenhum capitalista. Aí o neoliberal vai argumentar: "mas você não acabou com o problema. Você não vai mudar a natureza humana. O homem vai reagir aos incentivos que você dá e, numa sociedade deste tipo, os problemas apenas ficarão piores, já que não haverá nenhum espaço para o mérito, para a inovação, para o incentivo ao trabalho". Ora, o neoliberal ignorante não sabe que para nós socialistas, não existe natureza humana. O homem não é auto-interessado naturalmente, ele é assim por questões sociais, porque o Capital assim o deseja. Como diz um professor nosso, o homem come feijão no Brasil não porque o brasileiro gosta de feijão, mas porque o Capital assim o quer (isso não é mentira...). Numa sociedade verdadeiramente socialista, 100% estatal, o homem será bom, nem que seja à força. Dessa forma, a preocupação neoliberal mostra-se infundada. Isso justifica também o uso da violência, repressão e restrição às liberdades na ditadura do proletariado, pois, é preciso ensinar o povo a não ser mais da forma que era no capitalismo. O que justifica a atitude de, Stálin, Fidel, Chávez, Hitler, Mao e qualquer outro ditador do proletariado. Por isso que muitos socialistas os defendem, para a perplexidade dos neoliberais.
Mas lembrem-se, como essas experiências não deram certo, não foram socialistas.
Saudações revolucionárias.