A Capes divulgou recentemente a avaliação dos programas de pós graduação no Brasil. O Adolfo Sachida, que fez parte da comissão da Capes que avaliou os programas de economia, fez o seguinte comentários sobre os resultados da avaliação de alguns cursos:
Avaliação Trienal da CAPES
Participei da Comissão de Área de Economia durante a recente avaliação trienal promovida pela CAPES. Essa comissão sugeriu as notas que cada centro de pós graduação em economia deveria receber. Tais notas são importantes, pois além de serem usadas para distribuição de recursos públicos, também servem de sinalização referente a qualidade de cada centro de pós-graduação.
A EPGE e a USP receberam a nota máxima (nota 7), e a mereceram. A FGV-SP também mereceu a nota 7, mas ficou com 6. Basicamente isso ocorreu pois na avaliação anterior a FGV-SP tinha nota 5, e pulos de 2 níveis são reservados apenas a situações excepcionais. Eu não sou um grande fã da UFRJ (basicamente por divergências ideológicas), mas seguindo os critérios da CAPES eles mereceram a nota 6. Temos então que, de acordo com os critérios da CAPES, dois dos melhores centros residem em São Paulo e outros dois no Rio de Janeiro. Mais importante: dois deles são privados. Isto mostra a importância do setor privado para a pesquisa econômica de alto nível no Brasil.
Numa avaliação pessoal, eu teria colocado a PUC-RJ com nota 7. Acontece que SEGUINDO AS NORMAS da CAPES, a nota 5 para a PUC-RJ está correta. O problema da PUC-RJ reside no baixo número de doutores formados por esse centro. Não vou entrar aqui no mérito se isso está correto ou não. Mas a PUC-RJ conhecia as normas da CAPES, e optou por manter um número baixo de doutores formados. A PUC-RJ é um excelente centro, mas as regras da CAPES estão dadas, se você opta por não seguí-las, também não adianta reclamar depois. Mas ressalto que acho legítma decisão da PUC-RJ.
Quanto ao mestrado profissionalizante, temos que os únicos centros notas 5 (nota máxima para mestrados) são centros privados: FGV-RJ, FGV-SP, IBMEC-RJ e INSPER. Novamente ressaltando a importância da iniciativa privada na formação de capital humano de alto nível no Brasil.
De maneira geral, a avaliação trienal da CAPES concluiu o que alguns acadêmicos já haviam apontado: a qualidade da pesquisa em economia no Brasil tem aumentado significativamente. Para a próxima avaliação trienal resta um grande desafio: discutir e aprimorar o QUALIS (ranking de periódicos que recebem pontuação na área de economia). Desnecessário dizer que o grosso da nota de um centro depende do formato do QUALIS.
retirado de http://bdadolfo.blogspot.com/2010/09/avaliacao-trienal-da-capes.html
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Avaliação da Capes
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sexta-feira, 24 de setembro de 2010
O desmembramento do departamento de economia da UFES
Segundo comentários, cogita-se a possibilidade de desmembramento do departamento de economia.
Eu preferi usar o termo desmembramento para não utilizar outros que possam ter conotação negativa como divisão ou cisão.
Não é totalmente descabido professores se agruparem por proximidade em linhas de pesquisa e docência. Talvez seja um fator até de aumento de produtividade.
E como já foi dito, os departamentos apenas fornecem disciplinas para os cursos de graduação. A existência de um curso qualquer independe do números de departamentos que ofertem as disciplinas da grade do curso em questão.
Mas a pergunta significativa é se este novo departamento não seria apenas mais um engodo.
E deve ser debatido a questão central, que é a forma como o curso da UFES entende o pluralismo, que não é no sentido de permitir a abertura da formação e contato com as diferentes linhas da economia, mas apenas uma forma de cada um garantir o seu feudo.
É um absurdo ver alunos de graduação apenas repetindo o preconceito dos professores idolatrados. Alunos que repetem que não estudam por manuais de micro ou macro pois eles não servem para nada, e na verdade apenas reproduzem discursos ou artigos que lêem por aí.
São alunos que ficam dependentes de análises de outros, e podemos confirmar isto verificando o tipo de produção que muitos alunos e alguns professores fazem na UFES. São pesquisas ou textos que não estão na fronteira do debate, mas apenas repetindo ou ressonando debates já superados. Mas fazem isto com uma tal postura, como se estivesse produzido algo novo, quando apenas arrotam uma leitura mal digerida.
A questão que novamente volta é que tipo de formação a UFES pretende dar aos seus alunos de economia. Que tipo de profissionais ela pretende formar para atuar no mercado de trabalho.
Não há redução de desigualdade sociais sem aumento de produtividade. Não adianta só distribuir sem que se tenha aumento de produção, e para isto precisa-se de boa formação e preparação.
Não adianta formar pessoas que apenas repetem que o capitalismo é mal. O país precisa de profissionais que sejam capazes de atuar no mercado ou na academia.
Ser heterodoxo e ir estudar na Unicamp ou UFRJ é fácil, o mérito mesmo seria se este heterodoxo fosse aprovado na ANPEC para a PUC RJ ou FGV RJ e, mesmo estudando lá, se mantivesse heterodoxo.
Uma coisa importante a se aprender é a quantificar as coisas, estabelecer metas para avaliar resultados e desempenho. E a UFES faria mais por seus alunos se estabelecesse como meta tentar aprovar alunos para ficar pelo menos entre os 80 primeiros colocados na ANPEC. Seria mais importante para a vida destes alunos ou para o país dar esta preparação ou obter estes resultados do que ensinar o tal de "pensamento crítico" que não percebe o tamanho do precipício para onde o curso pode cair.
Quer avaliar o curso? Vamos estabelecer média de resultado na ANPEC. E dar uma boa formação para a ANPEC (objetivando os 80 primeiros lugares) não impede ninguém de ser heterodoxo.
Um curso que pretende "formar" pesssoas críticas e não consegue fazer ou admitir a autocrítica está com sérios problemas.
Eu preferi usar o termo desmembramento para não utilizar outros que possam ter conotação negativa como divisão ou cisão.
Não é totalmente descabido professores se agruparem por proximidade em linhas de pesquisa e docência. Talvez seja um fator até de aumento de produtividade.
E como já foi dito, os departamentos apenas fornecem disciplinas para os cursos de graduação. A existência de um curso qualquer independe do números de departamentos que ofertem as disciplinas da grade do curso em questão.
Mas a pergunta significativa é se este novo departamento não seria apenas mais um engodo.
E deve ser debatido a questão central, que é a forma como o curso da UFES entende o pluralismo, que não é no sentido de permitir a abertura da formação e contato com as diferentes linhas da economia, mas apenas uma forma de cada um garantir o seu feudo.
É um absurdo ver alunos de graduação apenas repetindo o preconceito dos professores idolatrados. Alunos que repetem que não estudam por manuais de micro ou macro pois eles não servem para nada, e na verdade apenas reproduzem discursos ou artigos que lêem por aí.
São alunos que ficam dependentes de análises de outros, e podemos confirmar isto verificando o tipo de produção que muitos alunos e alguns professores fazem na UFES. São pesquisas ou textos que não estão na fronteira do debate, mas apenas repetindo ou ressonando debates já superados. Mas fazem isto com uma tal postura, como se estivesse produzido algo novo, quando apenas arrotam uma leitura mal digerida.
A questão que novamente volta é que tipo de formação a UFES pretende dar aos seus alunos de economia. Que tipo de profissionais ela pretende formar para atuar no mercado de trabalho.
Não há redução de desigualdade sociais sem aumento de produtividade. Não adianta só distribuir sem que se tenha aumento de produção, e para isto precisa-se de boa formação e preparação.
Não adianta formar pessoas que apenas repetem que o capitalismo é mal. O país precisa de profissionais que sejam capazes de atuar no mercado ou na academia.
Ser heterodoxo e ir estudar na Unicamp ou UFRJ é fácil, o mérito mesmo seria se este heterodoxo fosse aprovado na ANPEC para a PUC RJ ou FGV RJ e, mesmo estudando lá, se mantivesse heterodoxo.
Uma coisa importante a se aprender é a quantificar as coisas, estabelecer metas para avaliar resultados e desempenho. E a UFES faria mais por seus alunos se estabelecesse como meta tentar aprovar alunos para ficar pelo menos entre os 80 primeiros colocados na ANPEC. Seria mais importante para a vida destes alunos ou para o país dar esta preparação ou obter estes resultados do que ensinar o tal de "pensamento crítico" que não percebe o tamanho do precipício para onde o curso pode cair.
Quer avaliar o curso? Vamos estabelecer média de resultado na ANPEC. E dar uma boa formação para a ANPEC (objetivando os 80 primeiros lugares) não impede ninguém de ser heterodoxo.
Um curso que pretende "formar" pesssoas críticas e não consegue fazer ou admitir a autocrítica está com sérios problemas.
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