segunda-feira, 5 de maio de 2008

O valor da fórmula secreta da Coca-Cola

O texto é de julho de 2006, mas vale a pena a leitura, principalmente para aqueles que não vêem tanta ligação entre os manuais de microeconomia e a "vida real".
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Do freakonomics.com: o valor da fórmula secreta da Coca-Cola

Stephen J. Dubner e Steven D. Levitt

Quanto a Pepsi pagaria para obter a fórmula secreta da Coca-Cola?

Alguns funcionários pusilânimes da Coca-Cola foram pegos recentemente
tentando vender segredos corporativos da sua companhia para a Pepsi. A Pepsi entregou os vilões, e cooperou na operação para prendê-los.

Teriam os executivos da Pepsi desperdiçado a chance de obter grandes lucros a fim de "fazer a coisa certa"?

Eu almocei com o meu amigo Kevin Murphy um dia desses, e ele fez uma
observação interessante: conhecer a fórmula secreta da Coca é algo que
provavelmente não teria o menor valor para a Pepsi. Eis aqui a lógica desse raciocínio: digamos que a Pepsi conhecesse a fórmula secreta da Coca e fosse capaz de publicá-la, de forma que todo mundo fosse capaz de fabricar uma bebida que tivesse o mesmo sabor da Coca-Cola. Isso seria algo muito parecido com o que ocorre com os medicamentos vendidos sob prescrição médica quando as suas patentes expiram, e as companhias de medicamentos genéricos entram em cena. O impacto seria a queda acentuada do preço da Coca real (provavelmente o preço não chegaria ao nível daqueles das "cocas genéricas"). Isso seria obviamente terrível para a Coca. E provavelmente também seria ruim para a Pepsi. Com a Coca bem mais barata, as pessoas trocariam a Pepsi pela Coca. Os lucros da Pepsi provavelmente diminuiriam.

Assim, se a Pepsi obtivesse a fórmula secreta da Coca, a empresa não
desejaria fornecê-la a ninguém mais. E se eles guardassem o segredo para si e fizessem a sua própria bebida com o sabor exato da Coca? Se eles fossem realmente capazes de convencer a população de que a sua bebida fosse idêntica à Coca, a nova versão da Coca feita pela Pepsi e a Coca-Cola real seriam aquilo que os economistas chamam de "substitutos perfeitos". Quando dois produtos são perfeitamente intercambiáveis nas mentes dos consumidores, isso tende a gerar uma acirrada competição por preços, resultando em lucros muito baixos.

Como conseqüência, nem o produto da Coca nem o da Pepsi seriam muito
lucrativos. Assim que a Coca-Cola se tornasse mais barata, os consumidores se afastariam da Pepsi original e passariam a consumir ou a Coca-Cola, ou a Coca fabricada pela Pepsi, que, de qualquer forma, seriam menos lucrativas do que a Pepsi original.

No final das contas, tanto a Coca quanto a Pepsi provavelmente estariam em pior situação caso a Pepsi obtivesse a fórmula secreta da Coca e tentasse tirar proveito disso.

Assim, talvez os executivos da Pepsi tenham agido de forma moralmente
louvável ao entregarem os criminosos que roubaram os segredos da Coca.

Ou talvez eles sejam apenas bons economistas.

Steven D. Levitt

11 comentários:

  1. Ótimo de Pareto rlz!
    \o/ E viva a Micro!!! \o/

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  2. Esse texto é uma aula de micro, OI e posicionamento de produto!

    Muito foda!

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  3. Muito bom o texto, pena que fassarela não é o mais inspirador dos professores...

    :\

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  4. Somente para complementar. ..

    A teoria microeconomica diz que em duopólio as empresas podem tanto agir competitivamente como também podem cooperar, gerando assim lucros iguais ao de monopólio. Elas teriam motivos para cooperar, a partir de jogos repetidos, pois assim teriam maiores lucros.

    Isto implica que poderia interessar a Pepsi saber a fórmula da Coca Cola.

    abs

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  5. A galera não entende micro porque, realmente, não temos um professor que vista a camisa da microeconomia!

    Robson até que o faz bem, mas como ele mesmo disse, não é a praia dele.

    A necessidade de alguém especialista na área (de neoclássica mesmo), para ensinar micro, é fundamental para um curso que quer ser chamado de plural.

    Do contrário teremos uma leva de alunos que se acham críticos de tudo, inclusive do que sequer entendem.

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  6. hehehe, to rindo até agora, a imagem das latinhas lutando é irada demais!

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  7. opa, mas esqueci de comentar uhahua, a imagem é irada e o texto mais irado ainda

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  8. Daniel, concordo com o complemento teórico, mas discordo da conclusão. Na minha interpretação, a própria decisão da Pepsi de entregar os “traidores” da Coca, e ajudar a prendê-los, como o texto coloca, por si só já é um ato claro de cooperação (entendendo aqui que agentes cooperam por auto-interesse, e não porque são altruístas e camaradas ou, no caso do texto, moralmente abastados).
    A cooperação pode ser um jogo de soma positiva, ou seja, os agentes que cooperam podem todos ficar em melhor situação do que estariam caso não cooperassem. Isso significa que por meio dessa estratégia é possível atingir o tal do Ótimo de Pareto, mas se, e somente se, a interação não tiver data pré-determinada para terminar (ou seja, por meio dos jogos infinitamente repetidos). E os autores dão uma pista de que isso ocorre nesta interação específica entre as duas empresas: “No final das contas, tanto a Coca quanto a Pepsi provavelmente estariam em pior situação caso a Pepsi obtivesse a fórmula secreta da Coca e tentasse tirar proveito disso”. Mas, por que isso ocorre?
    Analisando os três diferentes cenários que potencialmente vigorariam após a tentativa de venda da “fórmula secreta da Coca-Cola” - quais sejam, abrir mão da informação; comprá-la e então disponibilizá-la para concorrentes; ou, ainda, comprá-la e alterar sua fórmula, tornando-se substituto perfeito da Coca - a Pepsi entendeu que a única forma de manter seus lucros correntes seria cooperando com a Coca-Cola, e, dessa forma, negou-se a ter acesso ao segredo coorporativo. Isso porque qualquer uma das alternativas cujo ponto de partida fosse a compra da fórmula provavelmente acarretaria uma guerra de preços na indústria, e o nível de lucro seria inevitavelmente rebaixado (no segundo caso, atingindo o nível competitivo, ou seja, lucro econômico zero).
    De tudo isso, podemos concluir que de bobos, os estrategistas da Pepsi não têm nada... além de o tiro não sair pela culatra, a empresa ainda sinalizou para a Coca-Cola – e para a indústria de forma geral – que prefere manter a diferenciação e a cooperação como estratégias competitivas, ou seja, que não está disposta, por exemplo, a iniciar uma competição por preços, interpretada aqui como maléfica aos envolvidos. Desse modo, cooperando com seu opositor, as empresas finalizam mais um subjogo, mais uma etapa da interação, reforçando as expectativas de boa-fé, confiança recíproca e racionalidade.

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  9. E se a pepsi abrisse uma empresa laranja para concorrer com a fórmula secreta da coca-cola? Ela poderia concorrer por preço com a marca laranja, e manter a diferenciação da Pepsi.

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  10. BLOG de economia: trazendo o lado Cool da micro para você!

    (Já que o curso não ajuda!)

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  11. eis o site q o celin não conhecia! freakonomics.com

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