segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Estado e Instituições


Carl Menger não foi só participante da chamada "revolução marginalista", que estudamos em HPE. Em seu livro "Princípios de Economia", publicado em 1871, o autor foi pioneiro na proposição de uma análise sobre como evoluem as instituições. O exemplo escolhido foi a moeda.

Para Menger, a moeda é uma instituição que emergiu, involuntariamente, da comunicação e interação dos agentes individuais.


Sua análise parte de uma economia de escambo. Como sabemos, a maior dificuldade desse tipo de interação econômica é a dupla coincidência de necessidades. Logo, como meio de evitar esse problema, os negociantes buscam uma mercadoria conveniente, que seja freqüentemente trocada, para ser utilizada em suas transações. Esse costume torna-se relevante e a partir daí toma lugar um processo circular de auto-reforço de natureza institucional. A escolha e aceitação de uma mercadoria dá incentivos para que outros também passem a utilizá-la como moeda; e a cada vez que isso acontece, reforça-se sua escolha. E é este processo de realimentação circular positiva que leva à emergência da referida instituição.


Esse tipo de análise feita por Menger, que parte de indivíduos dados para a instituição emergente, inspirou um projeto teórico, comum à economia austríaca e à neo-institucionalista, que busca demonstrar a emergência espontânea de instituições a partir de interações individuais. Um outro exemplo bem ilustrativo de instituição que surge dessa maneira é a língua, que se mantém sem nenhuma interferência ou planejamento estatal.


Partindo desses exemplos, Hodgson, em seu artigo "A evolução das instituições: uma agenda para pesquisa teórica futura", levanta - dentre outros - alguns questionamentos que ainda carecem de pesquisa no que tange à emergência e evolução das instituições - que instituições (ou que tipo de instituições) surgem de forma espontânea? E quais instituições precisam do auxílio de outras instituições mais poderosas e preexistentes para serem criadas e/ou sustentadas?


Voltando a Menger. Em discussões posteriores, o autor levantou a questão sobre uma potencial variação da qualidade da moeda. Nem todos, por exemplo, são capazes de reconhecer a qualidade e quantidade do ouro nela presente. Esse problema poderia subverter a evolução da instituição monetária. Tanto que, em seu artigo "Gold", Menger reconheceu que isso poderia ser tão sério que o Estado teria que desempenhar um papel. Em suas palavras: "Só o estado tem o poder de proteger efetivamente as moedas e outros meios de troca que circulam contra a emissão de falsas moedas, reduções ilegais de peso e outras violações que obstruem o comércio". Contudo, apesar de conceder ao estado o papel de manter a integridade da moeda em economias desenvolvidas, em sua visão, ainda trata-se de uma instituição essencialmente independente do estado.


Por outro lado, Hodgson apõe um ponto de vista diverso. Segundo o autor, "enquanto Menger estava certo em enfatizar que muitas instituições sociais emergem e se desenvolvem sem um plano consciente, dá-se freqüentemente o caso de que uma instituição alcança um estágio importante de desenvolvimento quando ela é conscientemente reconhecida e legitimada por outras instituições". A moeda por si só pode ter propriedades auto-reguladoras e espontâneas, mas é também endossada por outra instituição poderosa. Apesar do fato de o Estado decretar um padrão monetário não ser suficiente para a emergência da instituição da moeda, seu poder simbólico, cerimonial e legitimador são considerados elementos necessários para o pleno desenvolvimento de uma economia monetária, sendo, portanto, parte da essência da moeda, e não "meros aspectos históricos e acidentais".


Segundo Hodgson, a diferença crucial para que instituições possam emergir ou não de forma espontânea está na presença ou ausência de mecanismos intrínsecos de correção de erros ou de autopoliciamento. Na língua, há grandes incentivos para que o indivíduo conforme-se a ela, se autopolicie e corrija seus erros, mesmo que a linguagem mude com o passar do tempo. Já com a moeda, o autor afirma que essas características não são tão presentes, e como exemplo cita a Lei de Gresham. Daí a necessidade de uma instituição maior para legitimá-la.


Outras instituições como a propriedade privada e os contratos podem ser postas sob o mesmo foco de análise. Enquanto autores da Nova Economia Institucional admitem a possibilidade da existência de ambas sem a presença do Estado, outros institucionalistas advogam que este melhora resultados sub-ótimos, tendo um papel na emergência e manutenção de instituições que carecem de mecanismos adequados de autopoliciamento.


Contudo, o autor não deixa de fazer a ressalva: "Se além do Estado, outra instituição forte poderia cumprir este papel necessário, é uma questão aberta".

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Nos bastidores da "Colação de Grau" da Economia Brasileira

Hoje, no auditório do hotel Bristol, houve uma palestra intitulada "IFRS no Brasil: Análise dos Principais Impactos da Migração para o Modelo Internacional", ministrada pelos professores doutores em contabilidade Fábio Moraes da Costa e Fernando Caio Galdi.

A palestra tratou do processo de convergência das normas contábeis brasileiras (e no mundo) para o padrão internacional IFRS (International Financial Reporting Standards), feito pela IASB (International Accounting Standards Board).

A "aula" dos professores foi interessante, mas, dentre várias coisas, uma me chamou a atenção: um comentário de Galdi sobre a Lei 11.638 que "direciona" o Brasil para essa convergência.

Com a chegada do Investment Grade, observamos um grande fluxo de capital estrangeiro vindo para o país, não só para os títulos públicos, mas também para a bolsa.

Contudo, apesar de o Grau de Investimento ter sido fundamental para o que alguns chamaram de "colação de grau" da economia brasileira (e que trouxe maior fluxo de capital estrangeiro para cá), a 11.638 também pode ter sido crucial.

Como?

De uma forma simples, parafraseando o professor: os investidores internacionais não entendiam os balanços brasileiros.

Em outras palavras, quem vai investir num negócio no qual você não sabe realmente o seu retorno? Para dar um exemplo, no último balanço da TAM, o Lucro contabilizado nos padrões brasileiros ficou em cerca de R$ 50 milhões, enquanto que no padrão inglês chegou à casa dos R$ 200 milhões. Isso por conta de uma diferença na contabilização das operações de leasing.

Realmente, parece que algo relevante para a "colação de grau" não teve a atenção suficiente dos comentários gerais, ficando para os bastidores.

Na palestra, também foi interessante notar que nosso padrão contábil ainda tem um foco muito específico: o fisco. Com essas mudanças, espera-se ter um foco mais geral: o investidor, aquele que urge pelas informações contábeis (não só o megainvestidor, mas inclusive você que está lendo esse texto e tem 200 reais em ações da Vale).

Off-topic: próximo post é um resumo de um texto do Hodgson sobre o debate da teoria da moeda de Menger.

Abraços!

Comentem...

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Bacen 2009

A quem interessar possa,
Notícia (ou será boato?) retirada da Central dos Concursos, no dia de hoje (18/08/2008).
"O Banco Central do Brasil planeja realizar concurso no primeiro semestre de 2009 para os cargos de técnico, nível médio, e de analista, nível superior. A informação foi dada por Delor Moreira, chefe-adjunto do setor de recursos humanos da instituição, na edição desta semana do Jornal Folha Dirigida.
Segundo Moreira, assim que o BC concluir o levantamento do número de vagas a serem abertas, encaminhará ao Ministério do Planejamento pedido para realizar o concurso. Além de São Paulo, haverá oportunidades para Brasília, Salvador, Rio de Janeiro, Belém, Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Porto Alegre, Recife e Salvador. Atualmente os salários do Banco Central variam de R$ 3.623,44 a R$ 11.398, já acrescidos de auxílio-alimentação no valor aproximado de R$ 160. "

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

A moeda má expulsa a moeda boa – ou – Uma teoria sobre a fase recente da Rua da Lama



OBS.: Esse texto saiu de uma conversa de bar desse final de semana, devendo, portanto, ser lido como tal.



Quem estudou alguma coisa sobre a moeda já deve ter se deparado com a famosa lei de Gresham, de que a moeda má expulsa a moeda boa. A lei diz que, quando há duas moedas circulando numa economia, e uma delas tem um valor comercial mais alto, as pessoas tendem a reter a moeda boa e circular somente a moeda má. Um exemplo disso seria retirar o ouro das moedas e passar adiante aquelas mais deterioradas. Outro exemplo interessante seria o cigarro em acampamentos de prisioneiros de guerra. Por suas características (valioso, divisível e durável), o cigarro torna-se a moeda local. Contudo, por ser um produto bem estimado, os bons cigarros são retidos para consumo e, no final das contas, apenas os maus cigarros tomam a função de moeda.


Utilizando esse fato econômico como analogia, podemos fazer um paralelo com o que tem acontecido na Rua da Lama nos últimos três a quatro anos: os maus clientes têm expulsado os bons, que agora começam a retornar.

O que aconteceu na Lama nos últimos três, quatro anos?
1. Os fatos

Vimos que a Rua da Lama passou por algumas mudanças nesse período. Quem entrou na UFES em 2004 ou 2005 muito provavelmente vivenciou junto essas mudanças.

Em 2004, a rua tinha seu público definido, porém disputava um público universitário considerável com o mãozinha e outros bares da rua paralela. Em 2005, começou a haver um aumento progressivo de pessoas freqüentando o local e, já no final desse mesmo ano, o mãozinha começou a decair. Isso foi acontecendo aos poucos, e a Lama foi ficando mais movimentada.

Vale a pena fazer uma digressão sobre o público da rua da lama. Esse sempre foi variado, abrangendo desde universitários até GLS. Contudo, de alguma forma havia um estranho equilíbrio entre os diferentes grupos, sendo que um não chegava a incomodar suficientemente os outros, a ponto de expulsá-los do local.

Voltando à descrição dos fatos. Em 2006, com o fim derradeiro do mãozinha (briga com seu irmão, que não soube sustentar o bar) esse aumento de pessoas na Rua da Lama começou a se tornar mais aparente, chegando a seu ápice em 2007, em que, em alguns momentos, o Abertura, o Adega, o Sinucar e até o Kokeshi – que, por sinal, deixou de ser restaurante e virou uma “mini-boate” – ficavam lotados, e ainda havia muitas pessoas em pé no meio da rua, junto a vários carrinhos de cerveja, cachorro-quente, churrasquinhos e carros de som. Parecia até Carnaval em cidade de interior. Houve superlotação

Ainda assim, com o passar do tempo, reduziu-se o fluxo de pessoas na Rua da Lama. E, além disso, o público estava diferente. Aqueles clientes, dos variados grupos que freqüentavam o local, deixaram de ir ou passaram a ir com menos freqüência. Além disso, o Adega fechou (por motivos ainda indeterminados – muito provavelmente por conta da vigilância sanitária!), reduzindo ainda mais o movimento. Não havia mais pessoas em pé na rua e houve finais de semana em que o Abertura não ficou completamente lotado, como era de praxe. Seria a decadência da Rua da Lama? Onde estavam os clientes todos?

Agora, mais recentemente, abriram novos bares para complementar a famosa rua, querida pelos alunos da UFES. E, junto com os novos bares, o antigo público da Lama voltou a freqüentá-la. Já há vestígios de que haverá pessoas em pé novamente, no meio da rua. Os clientes voltaram...

Ok. Descrevemos os fatos. Mas por que isso aconteceu? Segue a teoria.

2. A teoria

Primeiramente cabe explicar por que houve um aumento absurdo da demanda na Rua da Lama.

Quem acompanhou o cenário externo no referido período observou um crescimento enorme nos preços das commodities no mercado internacional, que favoreceu muito economias como a brasileira.

O nosso estado, como todos sabem, está bem atrelado ao comércio exterior, tanto por conta das exportações como por conta das importações. Em relação a um, temos o Petróleo, Minério de Ferro, Aço, Celulose, Rochas Ornamentais etc. Já em relação ao outro, possuímos incentivos fiscais que tornam o estado porta de entrada dos produtos importados para vários outros do país.

Se de um lado o aumento do preço das commodities acarretou um crescimento de 70% das exportações capixabas (em dólares), por outro, a queda do dólar permitiu um aumento de 120% das importações. Como conseqüência disso e também de um crescimento interno constante do País nos últimos quatro anos, o emprego formal no estado cresceu mais de 30%, a receita no comércio mais de 72%, o volume de vendas mais de 52%, a produção industrial mais de 22%, a folha de pagamentos na indústria mais de 36%... Em suma: a renda cresceu – e muito.

Logo, também cresceu a demanda. Mas e a oferta, como ficou?

A oferta no mercado de Bares de Vitória cresceu pouco, principalmente em Jardim da Penha. É certo que abriram alguns bares em Jardim da Penha e Praia do Canto, tais como: Petiscaria, Concentração, Escritório, Bar do Gago, Bliss entre outros. No entanto, alguns apenas substituíram bares que tinham sido fechados antes.

No caso do Triângulo, a nova oferta de bares, bem como o aumento de preços, aparentemente conseguiu equilibrar o mercado. Mas tal não parece ter sido o caso na Rua da Lama.

A incapacidade de se expandir o atendimento no Abertura (quem não se lembra das mesas que foram colocadas do outro lado da rua, várias vezes?) e a completa incompetência do Adega em atender seu público deixaram claro o descompasso entre oferta e demanda, que foi culminar em 2007. Até que houve aumento de preços, mas que parece apenas ter acompanhado o mercado, e não foi suficiente para chegar a um equilíbrio.

E aí começou a haver a superlotação da Rua da Lama e a substituição da clientela "boa" (ou tradicional) pela "má". Essa superlotação da Lama acabou com o equilíbrio que havia entre os diversos grupos que freqüentavam o local, que não conseguiam mais achar um lugar para sentar. Sendo que, tanto os universitários, os trabalhadores que iam para Happy Hour, e o público GLS acharam que tinha muita gente “estranha” no local. E assim, pouco a pouco pararam de freqüentar.

Foi então que chegou uma época aparentemente decadente na Rua da Lama, quando comparado ao seu auge, mesmo existindo excesso de demanda! Talvez pudesse ser o fim, mas o Abertura, mesmo com o público “estranho”, sustentou bravamente o local, provavelmente com seu Kieber.

Agora, surgiram novos bares na rua, e a clientela latente, em potencial, com sede de beber mas sem lugar para ir, voltou a freqüentá-la. Ainda assim, houve um novo aumento de preços e parece que o mercado ainda não está em equilíbrio. Argumenta-se que o sucesso dos recém chegados é “moda”, mas as evidências apontam que é simplesmente por suboferta de bares no mercado de Vitória.

Alguns podem alegar que a Rua da Lama não estava em decadência, apenas passando por um ajuste até a entrada dos novos bares. Mas para evidenciar o perigo pelo qual a famosa rua passou, basta lembrar o caso da Swingers, que na incapacidade de manter seu público, decaiu e teve que se reestruturar completamente para voltar a ser “bem” freqüentada. Assim, podemos concluir que a rua da lama poderia ter ficado mais estigmatizada do que ficou, expulsando todas as tribos que a freqüentam, de A a Z.

3. O Abertura, estrutura de mercado e o futuro da Lama

É interessante notar que, apesar de todas as mudanças, o Abertura manteve-se intacto (pelo menos economicamente) na Rua da Lama. Ainda hoje é ele o “price-leader” do mercado. Também ainda é a âncora do local, o empreendimento que mais traz e mantém o público. Travando uma pequena conversa com os donos dos novos bares, ver-se-á que o Abertura é a principal referência da Lama.

Contudo, os novos empreendimentos apresentam um visual mais novo e limpo, que, arrisca-se dizer, no longo prazo trará mudanças na estrutura do mercado de bares de Jardim Penha. Outra indeterminação sobre qual será o ponto de equilíbrio da Lama está nos vários empreendimentos imobiliários que estão sendo concluídos, abrindo margem para novos concorrentes entrarem. Também entra no rol das mudanças a Lei Seca, que, por incrível que pareça, é capaz de aumentar o público local, que antes descia para o triângulo!

Agora só nos resta sentar, beber, e esperar para ver qual será o futuro do famoso point!

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Petrobras para Economistas

Para o pessoal que está se formando, preparando-se para a ANPEC e demais interessados: concurso público para formação de cadastro de reserva na Petrobras Distribuidora.

Salário: R$ 4.798,65
Inscrição: 06/08/2008 a 31/08/2008
Prova: 28/09/2008

OBS: Acredito que, para economia, somente haja vagas para o Rio de Janeiro. O concurso é válido por 6 meses prorrogáveis por mais 6.

Veja o edital.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Erros idiotas que você comete!


É... já são três mil visitantes e quatro meses ininterruptos de Blog! Não achei que conseguiríamos. E se cada um contribuir com um pouco teremos o blog do curso perdurando durante vários outros semestres!


Bom, para começar o quinto mês consecutivo de postagem selecionei o texto a seguir, que trata de "propensões" que nosso cerébro tem.


O texto aborda vários erros de pensamento cometidos diariamente por todo mundo. Para nós, cientistas econômicos, acho que é de suma importância. Após a leitura, vocês verão que em todas as escolas e situações econômicas esses erros aparecem a todo momento!


Entre parênteses coloquei áreas da economia onde exemplos dos erros acontecem! Dêem mais sugestões.


Até mais.


Ps.: É uma tradução livre e não me lembro a fonte do original (em inglês). Quando encontrar posto aqui.


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O cérebro não é uma máquina sem defeitos. Embora seja poderoso, e venha numa embalagem fácil de carregar, ele possui suas falhas. Há um campo na Psicologia que estuda essas falhas, conhecidas como “propensões” (biases). Apesar de você não poder fazer um “upgrade” no seu “hardware” mental, perceber essas propensões pode te dar dicas de possíveis erros que anda cometendo.


Como a propensão te prejudica


Se você estivesse em uma canoa, você provavelmente gostaria de saber sobre qualquer buraco que haja nela antes de sair remando. As propensões são buracos na sua razão e podem impedir o pensamento correto.


Contudo, o fato de saber que os buracos existem não é o suficiente; a canoa encher-se-á de água independentemente de se saber da existência deles. Mas, saber que existem permite a você consertá-los. Todo o domínio do método científico tem buscado superar essa inclinação natural à razão tendenciosa.


Propensões te prejudicam em várias áreas


Tomada de Decisão: Várias propensões podem distorcer o processo de tomada de decisão. A “propensão à confirmação” pode te levar a desconsiderar informações que contrariam sua teoria. A “ancoragem” pode fazê-lo jogar fora negociações por forçá-lo a ficar em torno de um número arbitrário.


Resolução de Problemas: Propensões podem impedir sua criatividade para solucionar problemas. Uma propensão ao enquadramento pode fazê-lo observar um problema de maneira muito estrita. Já a ilusão de controle pode fazê-lo superestimar a influência de seus atos nos resultados obtidos.


Aprendizagem: Erros de pensamento também podem afetar em como você aprende. O efeito Von Restorff pode fazê-lo sobre-enfatizar alguma informação em relação ao todo. "Ilusões de padrão" podem fazê-lo achar que aprendeu mais do que realmente o fez.


Eis aqui alguns erros de pensamento muito comuns:


1) Propensão à confirmação


A propensão à confirmação é a tendência de buscar apenas informações para provar, e não para invalidar nossas teorias. O problema surge porque, freqüentemente, uma pequena evidência falsa invalida completamente todas as conclusões subseqüentes.


Tomemos como exemplo um estudo conduzido por Peter Cathcart Wason. Em seu estudo, Wason deu aos participante três números (2, 4 e 6) e pediu a eles que adivinhassem qual regra definia o padrão da seqüência numérica. Para tanto, os participantes poderiam fazer novas seqüências numéricas para saber se sua regra se mantinha.


A partir daí, a maioria dos participantes tomou regras específicas como “de dois em dois” ou “1x, 2x, 3x” e, por somente testarem seqüências que se encaixavam em sua regra, não perceberam que esta, de fato, era “quaisquer três números crescentes”. Um simples teste de números tais como “3, 15, 317” teria invalidado suas teorias e lhes permitido escapar do erro.


(um bom exemplo disso na teoria econômica é o primeiro capítulo d'O capital e boa parte do trabalho de Ricardo)


2) Propensão a olhar para trás


Mais conhecido como, “olhando para trás, as chances eram de 100%”, essa propensão faz com que as pessoas observem resultados passados como se fossem mais prováveis do que eram inicialmente. Isso foi demonstrado por um estudo de Paul Lazarsfeld, no qual os participantes receberam afirmações que pareciam senso comum, mas que, na realidade, eram o completo oposto do que tinha realmente acontecido.


(quem não está pensando hoje: "Putz! Devia ter vendido minhas ações da Petrobrás, sabia que ia cair!". Pois é, você não sabia. Outro exemplo são alguns livros de história econômica, que demonstram como cada fato levou inevitavelmente a outro, como se não pudesse ter levado ao seu exato oposto.)


3) Ilusões de padrão


Essa é a tendência de enxergar padrões onde não existe um sequer. Um estudo conduzido por Thomas Gilovich demonstrou que as pessoas vêem facilmente padrões onde existem seqüências aleatórias. Embora seja uma habilidade necessária para detectar padrões, isso nos cria muitos problemas.


A ilusão de padrão resulta em superstições e em pseudociências onde padrões surgem de eventos completamente aleatórios.


(Novamente os livros de história econômica! Esquecem-se de que muitas vezes a história é simplesmente absurda.)


4) “Efeito recente”


O “efeito recente” é a tendência de dar mais peso aos dados recentes. Estudos têm demonstrado que pessoas lembram-se mais facilmente de informações no final de uma lista do que em seu meio. A existência dessa propensão faz importante coletar dados de longo prazo, para que os dados iniciais ou finais não nos levem a falsas conclusões.


(Curva de Phillips e suas modificações... e outras teorias gerais que depois viu-se que não eram gerais)


5) Ancoragem


A ancoragem é um problema bem conhecido nas negociações. A primeira pessoa a estabelecer um número irá, comumente, forçar a outra pessoa a dar um número baseado no primeiro. A ancoragem acontece até mesmo quando o número é completamente aleatório. Em um estudo, os participantes giraram uma roda que ou apontava para o número 15, ou para o número 65.


Depois perguntava-se quantos países na África pertenciam às nações unidas. Apesar dos números serem arbitrários, as respostas ficavam em torno de 15 ou 65.


(SELIC! A TAXA DE JUROS É ANCORAGEM, OU SEJA, É A QUE É HOJE PORQUE FOI A QUE FOI ONTEM!)


6) Efeito da Superconfiança


E você estava preocupado com baixa autoestima? Estudos mostram que as pessoas tendem a superestimar, grosseiramente, suas habilidades. Mais de 80% dos motoristas se colocam entre os 30% mais habilidosos.


(Como existem milhões de escolas e todas estão certas?)


O que fazer?


Os estudos têm mostrado que é difícil superar esses problemas cognitivos. Mesmo quando os participantes de diferentes estudos são avisados sobre as propensões, isso não tem quase nenhum impacto na habilidade de superar esses erros.


O que o entendimento de tais falhas do pensamento lhe permite fazer é criar métodos e procedimentos para que as propensões sejam evitadas. Fazer ajustes no seu processo de tomadas de decisão, resolução de problemas e aprendizagem pode ajudá-lo a reduzir os efeitos desses erros.

(Por isso nunca deixe de estudar sobre o método na teoria econômica!)