terça-feira, 13 de maio de 2008

Política Industrial

Ontem, Lula anunciou o Plano de Desenvolvimento Produtivo, que, a grosso modo, trata-se de uma nova "política industrial" para o país.

Contudo, felizmente, apesar de alguns pecados, o teor dessa política industrial parece ser diferente das que se faziam antigamente: a desoneração tributária tem grande peso e a "substituição de importação" é meio que às avessas - ao invés de se proibir a importação para estimular o produtor nacional, estimula-se o investidor estrangeiro a colocar seu capital no país.

Veja aqui as pincipais medidas do plano.

Como devem ter notado, à direita, no blog, há vídeos da participação do Roberto Campos (diplomata, ex-ministro do planejamento) no programa Roda Viva. Não deixem de assistir. O programa conta com a participação de nomes de peso, como, além do Bob Fields, Maílson da Nóbrega (ex-ministro da fazenda) e Marco Aurélio Garcia (Petista, professor da Unicamp, atualmente assessor especial do Lula).

Segue abaixo um texto antigo (de 1997) de Roberto Campos, sobre política industrial, que parece caber bem à situação.

Será que o Brasil está começando a aprender a (não) fazer política industrial? A aprender que "a melhor política industrial é ambiental: desregulamentar monopólios, simplificar o fisco e reduzir o o custo Brasil"?



Abraços!



Comentem.



O mito da política industrial
Roberto Campos
5/1/97

"A melhor política industrial é ambiental: desregulamentar monopólios, simplificar o fisco e reduzir o 'o custo Brasil'." Embaixador Oscar Lorenzo Fernandes

Sinto frio na espinha todas as vezes que ouço falar na necessidade de termos uma "política industrial". Acredito no que dizia o velho presidente Reagan, que Nelson Rodrigues certamente definiria como um "falso idiota": "A melhor política industrial para os Estados Unidos é não ter uma política industrial". (A agudeza profética de Reagan tem sido aliás subestimada. Conta-se que, em seus dias finais de governador da Califórnia, respondeu a um jornalista que falava do "decadentismo" americano e da eventual supremacia industrial japonesa: "Não há perigo. A razão é que os Estados Unidos estão cheios de japoneses, e o Japão, vazio de americanos" (exceto os soldados que ganham soldo e não produzem nada).

Acreditar no governo "motor de desenvolvimento e benfeitor social" foi uma das minhas doenças da juventude. Tive várias. Escapei da gonorréia, só fabriquei dois poemas, superei breve ataque de socialismo romântico, mas caí na boçalidade de achar que o governo devia "planejar" a industrialização do país. Baseava-me em duas premissas, ambas falsas. A primeira é que só o governo pode pensar no depois de amanhã, pois, sob ameaças à sobrevivência, a empresa privada só se preocupa com o amanhã. A segunda é que o governo é uma bacia de acumulação de recursos investíveis, podendo correr o risco de grandes projetos.

Hoje penso exatamente o contrário. Os governos só pensam no curto prazo do mandato. Refazem ou desfazem os planos dos antecessores, preocupando-se mais com a próxima eleição do que com a próxima geração. A empresa privada, precisamente porque tem de garantir sua sobrevivência, é que planeja a longo prazo. E os governos não são bacias de acumulação de recursos; despoupam ao invés de poupar e são peneiras por onde vazam desperdícios. Peneiras e bacias só se parecem na forma circular. A falência financeira dos Estados é um fenômeno mundial. No Brasil, os governos não podem mais construir a infra-estrutura. Cabe ao leitor privado reconstruí-la.

Os que recomendam uma "política industrial" ativista laboram no equívoco de que o buro-tecnocrata e não o empresário é o grande "descobridor de oportunidades". Os liberais austríacos pensam exatamente o contrário. A essência da vida empresarial é a aceitação do risco e a busca de oportunidades. A essência da burocracia é o gozo do monopólio e a distribuição dos recursos alheios. E, não correndo risco, não é obrigada a processar a massa de informações de que o empresário necessita para sobreviver no mercado.

Os entusiastas da política industrial têm uma qualidade em comum com os políticos e os amantes: o esquecimento das experiências passadas. Relembremos alguns desastres de política industrial, concentrados sobretudo no período Geisel, que foi o apogeu do intervencionismo industrial: o programa nuclear com a Alemanha, a política de informática e a substituição forçada de bens de equipamento pela produção local. Passados 21 anos, nenhum só quilowatt foi gerado sob o acordo nuclear de 1975. O domínio do ciclo completo do processamento de urânio foi interrompido por falta de verbas. Sobrevive o programa nuclear da Marinha, que, coitada, não só carece de verbas como ainda não encontrou inimigos credíveis para seu submarino nuclear. Num momento de paranóia, compramos a Nuclep, uma fábrica especializada em reatores nucleares, como se houvesse um mercado regular para esses perigosos monstrengos.

Num outro exemplo de política industrial, plantamos a árvore às avessas, enterrando galhos e folhas e deixando no ar as raízes. É o caso da política de informática: as raízes seriam o software, a importação maciça de hardware para criar mercado e a microeletrônica. A difusão do uso do computador era muito mais importante que a produção local de computadores. Concentramo-nos entretanto nesse último aspecto, restringindo importações e vedando o ingresso de investidores estrangeiros. O resultado foram altos custos de produção, mercado comprimido e próspero contrabando.

Vetamos os projetos de dois gigantes da microeletrônica, a Texas Instruments e a Motorola, e garantimos reserva de mercado para três empresas locais, nenhuma das quais ultrapassou a puberdade na microeletrônica. E perdemos a corrida para países que antes inexistiam na paisagem informática e que hoje têm expressão maior que nós no comércio internacional de alta tecnologia: Taiwan, Coréia, Cingapura, Tailândia, Malásia e até mesmo as Filipinas.

Como nossa memória é curta, parece que o Itamaraty e o Ministério da Indústria, Comércio e Turismo estão ocupadíssimos preparando nosso próximo erro: recusar a adesão do Brasil ao recente Acordo de Cingapura para liberalização do comércio internacional de alta tecnologia até o ano 2000. Será um segundo suicídio tecnológico. Países que representam 85% do comércio mundial desses produtos já aderiram, e o acordo entrará em vigor quando se atingir, em breve, o patamar de 90%. Se insistirmos em manter tarifas obscenas de mais de 30% sobre a importação de bens de informática, para sustentar indústrias parasitárias, ficaremos atrasados na batalha da produtividade e aumentaremos a atratividade de competidores mais liberais para os investidores em tecnologia de ponta.

O terceiro exemplo de política industrial mal direcionada foram os exagerados subsídios à indústria de máquinas e ferramentas, acopladas a restrições de importação. Racionalmente, num programa de industrialização substitutiva de importações, as máquinas e equipamentos seriam os últimos itens da agenda, simplesmente porque são indispensáveis à atualização tecnológica, além de trazer embutidos generosos financiamentos. Estimular artificialmente sua produção local é encarecer os custos de toda a indústria de transformação, com perigo de desatualização tecnológica e elevados custos financeiros para os compradores. Não mais que duas ou três empresas lograram se estruturar sólida e competitivamente, ficando as demais devedoras insolventes do BNDES.

O embaixador Lorenzo Fernandes tem toda a razão ao dizer que a melhor política industrial é a ambiental: o governo deve criar um ambiente propício à industrialização, sem ditar-lhe rumos. Isso significa essencialmente abolir monopólios e reservas de mercado, simplificar o fisco e a legislação trabalhista e aplicar os recursos da privatização na redução da dívida pública para abater os juros asfixiantes do setor privado.

Há toda uma mitologia sobre o milagre dirigista de tecnocratas japoneses e coreanos, como heróis da industrialização. Trocadas as coisas em miúdo, como o fez recentemente o Banco Mundial, verifica-se que o MITI japonês errou mais do que acertou em seu dirigismo, e que as indústrias bem-sucedidas não foram as privilegiadas pelos tecnocratas, e sim as mais adequadas aos recursos humanos e materiais dos respectivos países. A explicação do sucesso se encontra muito mais na educação básica, no direcionamento adequado de crédito barato e na ênfase sobre exportações do que na descoberta de oportunidades por tecnocratas iluminados.

11 comentários:

  1. Parabéns, Carlos & cia pelo blog.

    já o adicionei aos meus favoritos.

    Como estudante de economia da Ufes, embora do mestrado, achei muito legal a iniciativa, e tomo a liberdade de sugerir a articulação com outros blogs de economia como os:
    http://gustibusgustibus.wordpress.com/
    http://bdadolfo.blogspot.com/
    http://essametamorfose.blogspot.com/

    é isso, abração,
    André Greve

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  2. "[...] as indústrias bem-sucedidas não foram as privilegiadas pelos tecnocratas, e sim as mais adequadas aos recursos humanos e materiais dos respectivos países. A explicação do sucesso se encontra muito mais na educação básica, no direcionamento adequado de crédito barato e na ênfase sobre exportações do que na descoberta de oportunidades por tecnocratas iluminados."

    Exato! Infelizmente, política industrial no Brasil ainda é por demais vertical. Acertaram por um lado, ao focar em aumento de exportações (o mínimo, por sinal), mas continuam batendo na mesma tecla de eleger setores "estratégicos" e estabelecer para eles metas e benefícios específicos. Ao menos dessa vez são 24 e não meia dúzia como da última... quem sabe na próxima isso não exista mais.

    A respeito dos setores mais beneficiados:
    www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u401122.shtml

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  3. A melhor, mais simples, e eficaz política industrial seria uma reforma microeconômica que, por sinal (e graças a Deus), já vem acontecendo a passos de formiga: desburocratizar a vida do empresário, simplificar e, quem sabe, reduzir impostos e manter um ambiente institucional favorável ao investidor.

    E, para complementar, manter a estabilidade macro.

    Nada mais.

    Com isso, haveria até espaço para o governo fazer algumas de suas discricionariedades iluminadas; só para não dizer que roubamos todo o doce da criança.

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  4. Ah!

    André, valeu!
    Saiba que, se quiser, está convidado para ser colaborador do blog!

    Vamos criar uma lista de links interessantes e adicionar suas sugestões!

    Seria muito legal se os alunos do mestrado colaborassem. Pode ser com textos, partes das dissertações de mestrado, imagens, vídeos... o que for!

    Abração!
    Até mais!

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  5. Fico até acanhado em comentar depois de um artigo desses do saudoso "Bobby Fields", he he.

    No meu ponto de vista, o Campos disse tudo.

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  6. Excelente iniciativa Cinelli. Percebo pelo Blog que a perspectiva heterodoxa de economia está mesmo em baixa entre os mais novos. Na minha visão talvez os modelos antigos de política industrial não sejam mais adequados às condições atuais. Não obstante, me parece menos razoável(apesar de estar na moda) a visão de Estado do século 19, traduzida na idéia de que a ação do Estado no campo do desenvolvimento deve se restringir a "desregulamentar monopólios, simplificar o fisco e reduzir o 'o custo Brasil'." O que seria desregulamentar monopólios? Grande parte dos monopólios hoje no Brasil são privados, o que demandaria regulamentação e não desregulamentação. No caso dos monopólios públicos, requerem mecanismos de controle social, novamente regulamentação. Simplificar o fisco é sempre importante, mas é importante preservar as condições para que o Estado, no caso brasileiro as três esferas,honre com dívidas passadas e ao mesmo tempo garanta gastos em esferas essenciais (infra-estrutura, saúde educação).Normalmente os defensores de simplificação fiscal entendem isso como redução da carga tributária, desonerando-se da responsabilidade coletiva que todos temos com o que foi feito pelo Estado no Brasil dos últimos anos. Eu substituiria simplificar o fisco (quem o faria????) por fiscalizar duramente a ação do Estado, exigindo prestações de contas e melhor uso do recurso público.Por fim, reduzir o custo Brasil, medida estritamente econômica do ambiente de um país, parece-me muito pouco. Esse ambiente depende de melhor infra estrutura básica, educação e condições sociais mínimas, aspectos que a lógica do mercado tem sido incapaz de prover. Pergunto a mim mesma, quais seriam as institucionalidades básicas para se prover o desenvolvimento sócio-econômico no Brasil, nele embutida a esfera industrial? Qual papel caberia ao Estado,ao mercado, a sociedade?
    Neide

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  7. Seguem as primeiras impressões acerca da nova política industrial, com destaque para as críticas ao câmbio e a escolha de apenas alguns setores.


    Economistas vêem 'descasamento' com macroeconomia
    Cibelle Bouças
    13/05/2008

    À primeira vista, a nova política industrial anunciada pelo governo recebeu elogios de economistas, que apontaram a redução da carga tributária sobre empresas exportadoras e a facilitação do acesso ao crédito como medidas que deverão estimular as exportações e melhorar a competitividade das indústrias brasileiras no mercado internacional. O descasamento com a política macroeconômica, no entanto, ainda é visto como desafio à expansão industrial no longo prazo.


    O ex-ministro Luiz Carlos Bresser Pereira elogiou a preocupação do governo em estabelecer uma política de longo prazo para estimular o desenvolvimento industrial e observou que outros países no mundo já realizaram políticas semelhantes e com sucesso. Mas, para ele, o efeito no caso brasileiro será pequeno, por conta do câmbio "superapreciado". "É uma política em que se dá um real para a indústria com desoneração, se tiram outros R$ 4 pelo câmbio. Se em lugar disso a indústria tivesse uma taxa de câmbio competitiva, o ganho das indústrias seria muito superior aos R$ 21,4 bilhões que o governo espera economizar com a desoneração fiscal", avalia.


    A recorrente crítica ao câmbio também foi suscitada por José Augusto de Castro, vice-presidente da Associação Brasileira de Comércio Exterior (AEB). Ele ponderou que, atualmente, 65% da receita com exportações é gerada pela venda externa de commodities. "A política industrial foi feita exclusivamente para os 35%, que são os manufaturados. E para esses, a taxa de câmbio é fundamental para garantir competitividade", afirmou. Para ele, a política industrial traçada tem como objetivos a redução do custo industrial com a desoneração tributária e a atração de mais investimentos, o que garante a expansão do setor no longo prazo, mas não é suficiente para compensar a "defasagem cambial".


    O economista Marco Aurélio Cabral, professor do Ibmec-Rj, avaliou de modo mais otimista. Ele lembrou que é o primeiro esforço coordenado em mais de 30 anos para estimular o crescimento de longo prazo. Para ele, há limitações macroeconômicas, mas a proposta é a melhor possível neste momento. "Há isenção de impostos, redução de juros e outras medidas que vão beneficiar, sobretudo, setores que estão frágeis por causa da queda do dólar como a indústria calçadista e moveleira."


    Para Eduardo Yuki, economista do BNP Paribas Asset Management, a proposta é bem-vinda, mas chegou com atraso, dado o cenário internacional de desaceleração econômica. "Essa política devia ter sido feita há dois anos, mas as medidas devem beneficiar a indústria no longo prazo", disse. O sucesso da política industrial dependerá de uma participação mais efetiva das indústrias no processo de acompanhamento e em possíveis mudanças de direção, de acordo com Juan Quirós, vice-presidente da Fiesp e ex-presidente da Apex. Ele também defendeu que os bancos assumam mais os riscos do crédito e que as empresas que exportam serviços de engenharia também recebam alguma redução de carga tributária.


    Leonardo Miceni, da consultoria Tendências, criticou a restrição da política a poucos setores. E avaliou que as medidas não serão suficientes para garantir melhora do superávit primário até 2010. "Só com corte de gastos o governo vai garantir superávit." (Com Agência O Globo)

    www.valoronline.com.br

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  8. Poxa!

    Primeiramente queria dizer que estou feliz com a participação de alunos do mestrado e agora também dos professores!! Todos estão convidadíssimos a participar!

    Espero que assim a gente possa evoluir o nível de discussão e até entrar em debates que, normalmente, não teríamos a oportunidade! Os professores e alunos do mestrado podem trazer textos com os quais não teríamos contato!

    Neide, acredito que não seja a heterodoxia em si que esteja em baixa entre os alunos.É algo mais pragmático - há um descrédito em relação aos políticos e instituições políticas atuais.

    A idéia é que ele não volte a ter surtos cegos (ou escusos) de dirigismo como a lei da informática ou o programa nuclear. Dando privilégios a uns em detrimento de vários... ou simplesmente desperdiçando dinheiro público.

    Quanto a desregulamentar monopólios, seria fazer, por exemplo, o que o governo fez a pouco tempo atrás, como acabar com o monopólio da Petrobras. Acredito que o que ele quis dizer foi acabar com monopólios e não deixar os monopólios sem regulamentação.


    Quanto ao resto que você falou, assino embaixo. Melhorar a gestão pública é essencial e até acredito que somos nós economistas que temos que estudar mecanismo que criem uma estrutura de incentivos para que a gestão pública seja eficiente!

    Abraços!

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  9. Sobre outra estratégia de política industrial em curso, acompanhem as discusões nos jornais e revistas acerca da criação pelo governo de um fundo soberano para estimular a internacionalização de empresas nacionais e ampliar a exportação. Uma chuva de críticas tem ocorrido, com a medida sendo chamada até de mula sem cabeça. Acho que cabe uma análise mais aprofundada dessa proposta, que também compensa em parte a valorização cambial e estimula a ampliação do superavit comercial.
    Quanto às instituições políticas no Brasil elas nunca foram democráticas e transparentes. A diferença é que atualmente as coisas são mais divulgadas e estamos livres de governos ditatoriais. Falta na tradição política brasileira algo que depende dos cidadãos e não do governo - uma mínima fiscalização e acompanhamento das coisas.
    Quanto aos monopólios discordo da visão romântica anglo saxã que busca penalizar oligopólios e monopólios como se o modelo de concorrência atomizado fosse a ordem natural das coisas. Talvez ela só tenha alguma aplicabilidade nos EUA, em alguns setores. Uma boa regulamentação, com controle social pode minimizar os efeitos danosos dessas estruturas oligopolizadas, cuja existência é intrínseca à ordem capitalista.

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  10. Acredito que monopólios ou oligopólios tenham que surgir naturalmente. E, no momento que surgem, tem que ser fiscalizados para não permitir abuso de poder econômico, defendendo os direitos do consumidor (propaganda enganosa etc). Mas daí defender que o estado crie monopólios, só mesmo com uma posição muito bem fundamentada (acho que poucos casos se justificam).

    Como justificar um monopólio, por exemplo, cedido às empresas de transporte na grande vitória?

    Os consumidores pagam muito mais caro por um serviço muito ineficiente.

    Provavelmente,se liberado, o setor de transportes tenderia a uma oligopolização. Mas, sem a intervenção direta estatal - apenas com uma fiscalização (para fiscalizar quesitos como segurança entre outros) - esse serviço teria mais estímulos para ser melhor e mais barato do que agora.

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  11. Saiu uma reportagem sobre isso na gazeta.

    Mostraram o transporte alternativo clandestino e questionaram por que este não é legalizado e regulamentado... a secretaria de transporte simplesmente afirmou que não pretende regularizar o transporte alternativo.

    Será que não tem lobby por trás disso?

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