sábado, 11 de junho de 2011

Namorados...





Nunca diga não pra mim
eu não vou poder trabalhar, conversar, descansar sem o teu sim

seja sempre assim
por favor me dê um sinal
um cartão postal, um aval dizendo assim

‘não, não é o fim, dure o tempo que você gostar de mim
entre o não e o sim, só me deixe quando o lado bom for menor do que o ruim’

Nunca se esconda assim
eu não vou saber te falar, te explicar que eu também me assusto muito
você nunca vê que eu sou só um menino destes tais
que pensam demais
logo mais, vou correr atrás de ti.

‘não, não é o fim, dure o tempo que você gostar de mim
entre o não e o sim, só me deixe quando o lado bom for menor do que o ruim’



terça-feira, 7 de junho de 2011

Resistir até cair!

E o que caiu?

A única coisa que caiu até agora foi a reivindicação do passe livre! Cadê ela?

Não há batalha ganha sem vitória parcial, e não há vitória parcial sem que pontos da pauta de reivindicação sejam parcialmente atendidos. E qual foi até agora? Nenhum.

A única coisa feita foi retirar da pauta um ponto que talvez fosse o mais emblemático. E aquele que talvez desse mais dor de cabeça ao governo. E olhem que estamos falando de um governo da "Esquerda", de uma aliança entre o Partido Socialista Brasileiro e o Partido dos Trabalhadores.

Mas vamos aguardar...

Hoje você tira uma reivindicação, amanhã você tira outra, e daqui a pouco não tem nenhuma reivindicação. E no final, quando não tiver mais nenhuma, e que nenhuma também for atendida. Bingo! Alcançamos a vitória! E derrotamos o governo! Não pedimos nada, e não conseguimos nada!

É sempre curioso ver que quando entra em ação o movimento organizado sai de cena o movimento espontâneo...

Alguns acabam olhando para trás e se perguntando por que os anos 60, 70 ou 80 não voltam mais. Aquelas grandes mobilizações e enfrentamentos. As grandes greves, assembléias, o Fora Collor de 1992, ou a mobilização pela passagem de 2005 em Vitória.

Não há nada genético nas pessoas que tenham feito elas mudarem. A questão relevante está nas circunstâncias. Por exemplo, a grande mobilização de sexta, foi reflexo dos acontecimentos de quinta-feira. A repressão de quinta serviu como catalisador para a sexta-feira. Mas não dá para ficar procurando enfrentamento com a polícia sempre.

Se você olhar até o Fora Collor, um elemento importante que mobilizava e criava uma identidade importante era a inflação. Não é à toa que aconteceu uma greve geral importante em Vitória em 1989. A cidade ficou sitiada praticamente, com a segunda ponte fechada e o acesso da Serra.

Você não consegue artificializar um movimento. Os trabalhadores, em sua maoria, utilizam vale transporte. O reajuste não afeta o bolso deles, pois só pode ser descontado até 6% no salário. E quanto aos pais das crianças pobres, entre perder um dia de serviço e lutar pela redução do passe escolar dos filhos delas, não há dúvida que ele irá ao trabalho. Sem trabalho ele não compra passe.

Por isto que a população no ônibus aplaude, apóia, sorri, mas ela mesma não vai para a rua. Estão ocupadas demais pensando em como sobreviver. "Ah! Então temos de lutar contra o sistema!". Vai lá! Lute! Mas se você não entende porque as pessoas não lutam pela redução da passagem e prefere chamá-los de alienados, quero ver convencer alguém a lutar contra algo intangível como o "Sistema"!

As mobilização de rua são importantes, a história passada e atual mostra isto. Basta olhar os conflitos atuais, seja na Europa ou no mundo árabe. Mas isto não quer dizer que qualquer um que coloque o pé na rua esteja revestido de um manto sagrado ou imune a críticas.

sábado, 4 de junho de 2011

Personagens esquecidos



Cenas de um filme: confronto entre estudantes e policiais.

Quem são os mocinhos? Os estudantes e a sua causa nobre do passe livre e redução da passagem.

Quem são os vilões? A polícia, que usa da repressão para garantir os interesses do Estado e dos grandes empresários.

E é muito nobre lutar por interesses que beneficiam a coletividade. Não há interesse pessoal ou lucro nesta causa nobre. Malvados são os policiais e os grandes empresários.

Mas nesta história há personagens esquecidos. São aqueles que pagam a conta. Aqueles que ficaram presos no trânsito ou pagam seus impostos para subsidiar a causa nobre dos estudantes.

Mas não devemos nos preocupar com estes, pois a luta é para garantir o melhor para eles, mesmo que eles não saibam disto. Pois esta luta, feita em nome deles, sabe melhor do que eles o que é melhor para eles.

E como se chamam os regimes onde uma parte decide em nome de todos o que é melhor para todos? Com certeza não é democracia...

"Mas protestar é melhor do ficar em casa". "Passividade não traz mudança". "Quem critica a luta é alienado".

E aqui é uma tentativa de colocar quem discorda contra a parede. Se você não faz nada, é porque concorda com tudo o que aí está! E agora? Que sinuca de bico!

Mas aqui vemos que a contradição não é de quem critica o protesto, mas sim de quem faz. E sabem por que?

Peguem aquelas três mil pessoas que estavam na terceira ponte e convidem para um protesto em um bairro pobre qualquer da Grande Vitória para exigir saúde, segurança, educação e saneamento nestes mesmos bairros. E depois contem para mim quantas pessoas foram.

E aí veremos quem são os alienados ou os passivos. Pois eu acho que dos três mil não irão quarenta.

Ah! Mas cada um com os seus problemas! Os moradores do bairro que lutem por seus problemas. Mas a questão não é qual é a luta de quem. Vejam, quem não é alienado, é porque tem a visão do todo e sabe que todas a lutas são importantes. Mas se ele só luta pelo passe livre, é porque ainda não tem a visão da totalidade da realidade, e se ele não tem a visão da totalidade da realidade ele ainda não deixou de ser alienado...

É o típico movimento pequeno burguês, que acha que entende melhor que a sociedade os problemas da própria sociedade. Então é tarefa deste movimento dar consciência às pessoas. Apesar de todo o discurso da dialética e relatividade, o que importa é que a verdade deles prevaleça. É como aquele cara que dá uma esmola no sinal ou faz uma doação para o Criança Esperança e fica meses falando da boa ação que fez e acha que isto mudou o mundo.

Mas esta luta é pelo que?

Passe livre para os estudantes e redução do preço da passagem para reduzir o lucro dos empresários que exploram o serviço público.

Mas já mostramos que, independente do valor da passagem pago na roleta, os empresários tem sua receita garantida. Então o que você vai decidir é quantos reais o Estado vai gastar para subsidiar o transporte público na Grande Vitória. Só isto.

Estamos discutindo subsídio e não o efetivo valor da tarifa. Hoje a tarifa técnica recebida pelas empresas de ônibus é de R$ 2,46. Se a passagem custar R$ 1,00 ou R$ 2,00 para elas não faz diferença, pois quem paga a diferença é o cidadão comum através dos seus impostos.

Então o que está em debate é o quanto que quem não usa ônibus e não mora na Grande Vitória irá pagar para quem mora na Grande Vitória poder pagar menos na sua passagem. Só isto.

E depois disto me pergunto quem é o alienado.