sexta-feira, 2 de maio de 2008

Standard & Poor`s eleva Brasil a categoria de grau de investimento

Já não é mais novidade para ninguém: somos investment grade! Seguem três notas interessantes a respeito da inclusão do Brasil no grupo de países com baixo risco, extraídas do site Valor Econômico.
Abs,
Mariana.

Standard & Poor`s eleva Brasil a categoria de grau de investimento

Valor Online
30/04/2008 15:55


SÃO PAULO - A agência de classificação de risco Standard & Poor`s elevou há pouco a nota de crédito (rating) da dívida externa e de longo prazo do Brasil de BB+ para BBB-. Com a elevação, o país entra para o grupo de países considerados de baixo risco, chamado de grau de investimento, ou investment grade.

Aguardada há alguns anos pelo governo e por agentes do mercado financeiro, a notícia foi vista com surpresa pelo mercado, já que não era esperada ainda neste primeiro semestre.

O principal benefício de o país se tornar investment grade é atrair grandes investidores institucionais de países desenvolvidos que, por regras dos seus estatutos, só podem investir em ativos considerados de baixo risco.

(Valor Online)

Amadurecimento de instituições, pragmatismo e endividamento menor garantiram investment grade

Valor Online
30/04/2008 17:04


SÃO PAULO - A tão esperada inclusão do Brasil no grupo dos países com baixo risco de crédito pela agência de classificação de risco Standard & Poor´s ocorreu devido ao amadurecimento das instituições e das políticas públicas, que resultou na diminuição da carga da dívida externa e interna e melhorou a tendência de crescimento econômico. A S & P elevou a nota soberana dos títulos de longo prazo em moeda estrangeira de "BB+" para "BBB-" e, em moeda local, de "BBB" para "BBB+". Também melhorou o rating de curto prazo em moeda estrangeira de "B" para "A-3" e o de moeda local de "A-3" para "A-2".

A perspectiva para as notas, que representam a concessão de investment grade para o Brasil, é estável. Segundo a agência, essa perspectiva reflete a existência de um elevado endividamento público, mas também a expectativa de crescimento econômico e uma menor dívida externa.

De acordo com a analista Lisa Schineller, a política econômica pragmática adotada pelo Brasil sustenta um crescimento do PIB de 4% a 4,5% ao ano. Outros fatores citados pela S & P para justificar a melhora na nota de crédito são o amplo mercado consumidor, o crescimento do mercado de capitais e boas perspectivas de investimento. A agência lembra que, apesar das condições mais apertadas de crédito global, o Brasil continua a atrair investimentos diretos diversificados. A S & P estima que o fluxo desses investimentos seja suficiente para compensar o déficit nas transações correntes, estimado em US$ 20 bilhões neste ano. Já a dívida externa líquida do Brasil, diz a S & P, caiu "dramaticamente" e pode ter um aumento apenas "modesto" com a piora dos resultados nas contas externas. O governo promoveu uma recompra de títulos da dívida e um alongamento de prazos que permitiu essa redução no endividamento.

A analista comenta que a inflação subiu no país, para uma taxa anualizada de 4,7% em março, em decorrência de pressões de custos de alimentos e petróleo, mas também por causa da demanda aquecida. "O banco central do Brasil iniciou um ciclo prospectivo de aperto monetário em abril, para assegurar que os benefícios duramente conseguidos associados com a inflação baixa sejam mantidos", acrescentou.

O panorama fiscal é a principal fraqueza no perfil de crédito do Brasil na análise da agência. No fim de 2007, a dívida líquida do setor público somou 47% do PIB (incluindo 7% do PIB de operações compromissadas do Banco Central), taxa maior do que a média de 20% dos demais países classificados com a nota BBB. Ainda assim, a S & P diz que o governo está preparado para absorver a perda da CPMF e atingir a meta de superávit primário de 3,8% do PIB neste ano. "A dívida líquida permanece maior do que em muitos BBB, mas os registros corretamente previsíveis das políticas fiscal e de administração da dívida diminuem esses riscos", afirma Lisa Schineller em nota.

"Ações para reduzir o nível e a rigidez dos gastos públicos fortaleceriam a posição fiscal do Brasil e facilitariam o declínio nas taxas de juros reais, com implicações positivas para o investimento e o crescimento e um declínio mais rápido da dívida pública", resumiu Lisa. Ela também notou que a aprovação de reformas tributária e previdenciária ("o que a S & P não espera dentro do horizonte do rating") seria positivo para a análise de crédito. "Se o compromisso deste ou de um futuro governo com o pragmatismo da política fiscal e monetária enfraquecer, se as políticas criarem empecilhos para o clima de investimento, ou se o governo falhar em responder adequadamente a choques imprevistos, a nota de crédito pode ficar sob pressão de queda", concluiu a analista.

(Valor Online)

Para economistas, lado fiscal e independência do BC foram fundamentais para o grau de investimento

Valor Online
30/04/2008 20:32


SÃO PAULO - O grau de investimento atribuído ao Brasil hoje pela agência de classificação de risco Standard & Poor´s surpreendeu os analistas brasileiros. Boa parte deles esperava essa classificação para o próximo trimestre ou mesmo para o começo do ano que vem.

A avaliação de muitos deles agora, depois da decisão, é que a independência demonstrada pelo Banco Central na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), quando elevou a Selic em 0,50 ponto percentual, e o resultado do superávit fiscal divulgado hoje foram determinantes para a conquista da avaliação.

Alexandre Póvoa, diretor da Modal Asset, projetava o grau do investimento para o Brasil na segunda metade do ano, mas acredita que já havia razões suficientes para elevar a nota do país. "Do ponto de vista de solvência o Brasil já é um país bastante confiável e solvência é um item essencial para obter essa classificação", diz.

O aumento das reservas internacionais e o conservadorismo do Banco Central em relação à política monetária também foram elementos determinantes para a notícia de hoje. "Embora o BC não tenha independência de direito, tem de fato", lembrou, acrescentando que o superávit fiscal e a redução da relação entre dívida pública e PIB foram importantes também para obter o grau de investimento.

Newton Rosa, economista-chefe da Sul América Investimentos, concorda com a avaliação e acredita que a decisão da S & P veio em boa hora. A crise americana havia instaurado a idéia entre os agentes de que o grau de investimento seria postergado em função da instabilidade global.

"Mas os últimos números de superávit nominal e da relação dívida/PIB foram muito expressivos", diz. As contas públicas consolidadas apresentaram superávit nominal (contando juros) de R$ 3,99 bilhões em março, como resultado de superávit primário (receitas menos despesas) de R$ 15,403 bilhões. A dívida líquida total do setor público recuou para R$ 1,141 trilhão no final de março, correspondente a 41,2% do Produto Interno Bruto (PIB).

Para Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da Gradual Corretora, a elevação da nota brasileira se deve principalmente ao comportamento do Banco Central. Silveira esperava que a decisão viesse apenas no primeiro trimestre de 2009. "Ficou clara (na última reunião) a independência e a visão de que as instituições brasileiras estão consolidadas."

(Bianca Ribeiro Valor Online)

7 comentários:

  1. Pena que o resultado fiscal animador é alcançado via aumento de arrecadação, ao invés de redução de gastos.

    ResponderExcluir
  2. O capital externo já estava vindo para o Brasil a torto e a direito, a despeito da crise. Agora com o investment grade é capaz de o Brasil virar refúgio para quem quer se distanciar da "área de influência" do subprime norte-americano.

    Além disso, os EUA cresceram 0,6% a.a no primeiro trimestre, dando novo ânimo para os investidores.

    Será que no final das contas a gente está mesmo protegido, em algum grau, à crise americana?

    Tudo bem que é função do Meirelles falar que estamos protegidos, mas começo a achar que talvez realmente estejamos.

    PS.: quem ganhou $$ na bovespa nessa quarta levanta a mão! \o/

    ResponderExcluir
  3. Hehehe olha esse comentário do Sardenberg

    http://colunas.g1.com.br/sardenberg/

    ResponderExcluir
  4. Bateu 70 mil pontos hoje!

    ResponderExcluir
  5. Vídeos sobre o grau de investimento!

    http://video.globo.com/Videos/Busca/0,,7959,00.html?b=grau%20de%20investimento

    (copie e cole a barra de endereços do seu navegador)

    Tem entrevista com o Henrique Meirelles entre outros.

    ResponderExcluir

Participe!