Para buscar respostas, resolvi remodelá-la, num modelo mais simples e análogo. Vejamos:
Suponha uma empresa (S.A de capital aberto) de carros “Alpha”, que acabou de lançar uma nova frota e está fazendo muito sucesso. Assim, conseqüentemente, os preços de suas ações estão subindo, devido à previsão de maiores lucros futuros.
Suponha, igualmente, que você é um consumidor do carro “Alpha” e aficionado pelo automóvel. Dada sua paixão pelo carro, você o estuda, analisa, testa e observa, a ponto de conhecê-lo por inteiro, até mais do que a própria fabricante. No entanto, em uma de suas análises, descobre que o carro possui uma falha técnica que, eventualmente, vai levá-lo à explosão. Você sabe exatamente em que circunstâncias o carro pode explodir, mas não sabe quando alguém, dirigindo o carro, pode alcançar estas circunstâncias, pois alguns fatores que o levam a explodir não dependem somente do motorista - são aleatórios.
Surge então uma questão. Você possui uma informação privilegiada. E também há oportunidade de lucrar com isso. Como? Assumindo uma posição contrária ao mercado agora e, quando o mercado adotar sua posição, desfazer-se dela. Percebe-se que sua estratégia só dará resultado caso o mercado adote sua posição no futuro, isto é, caso as previsões de lucro para a empresa de carros “Alpha” se revertam.
Isso pode acontecer por, pelo menos, três vias:
1) Algum carro explode;
2) Você informa à sociedade a falha encontrada e todos acreditam em você, o que reverte as expectativas de lucro com relação à empresa e com relação ao preço da ação;
3) Outra pessoa descobre a falha e informa à sociedade, levando ao mesmo resultado da opção 2.
Moral e, mesmo, gananciosamente, é improvável que uma pessoa escolha a primeira opção, pois além de arriscar a vida de outros, ela simplesmente se sujeitaria à previsão estatística, pois não se sabe exatamente quando algum carro vai explodir. Até lá, você poderá estar assumindo posições que não seriam confirmadas pelo mercado e perdendo dinheiro. De maneira análoga, a terceira opção sofre das mesmas restrições.
Portanto, analisemos a opção dois, qual seja, revelar à sociedade sua “informação privilegiada”. A sociedade poderá reagir, pelo menos, de duas maneiras:
1) Acreditar, ocasionando a queda das ações;
2) Não acreditar até que alguns carros explodam e a falha se mostre evidente.
Remetendo-se à teoria dos jogos, percebe-se que o maior pay-off é “revelar à sociedade a informação privilegiada”, pois de duas, uma: ou você realiza seus lucros logo após convencer a sociedade de que está certo, ou você volta à situação anterior. Em suma, revelando a informação privilegiada você não tem nada a perder, só aumenta suas chances de ganhar!
Além de ser moralmente a melhor opção (levando à confluência dos interesses sociais e econômicos).
Abs.
Para um bem econônico comum, uma informação privilegiada (por exemplo, saber que há um mercado inexplorado em tal localidade) continua sendo valiosa mantida em segredo.




