* por joaobollinger@gmail.com
O curso de economia da UFES, enquanto curso de formação profissional, está falido, isto é um fato.
Em nome da formação plural, acabamos não vendo nada. É tanto pluralismo, que fica dissipado no ar.
E aí fica algo totalmente diluído. Nossa formação fica diluída, sem base e direção.
A brincadeira começa assim: você entra calouro no curso, todo animado, achando que agora vai saber porque o Banco Central não baixa os juros, mesmo com todo mundo pedindo, e um outro monte de coisinhas.
Aí vem uns caras, ditos professores, e dizem que a culpa é do capitalismo. E estes professores se apresentam bem, e você até acredita neles. Parece consistente.
E também vai ouvir que estes “economistas neoliberais” que não baixam os juros e que criaram a crise e o neoliberalismo, são todos “ortodoxos”, seguidores fundamentalistas dos “modelos matemáticos e econométricos”.
Está lançada a maldição. Você começa a ver a micro neoclássica, e eles dizem que ela não é realista. Mas você tem de estudar, porque senão o curso de Organização Industrial não tem sentido, porque lá eles vão destruir a curva de oferta e demanda. Matar o Marshall.
Ou seja, você não aprende micro neoclássica, porque psicologicamente, você escuta desde o primeiro dia que ela não tem validade para nada. Mas ela não é a única sacrificada no altar do pluralismo. Outro maldito é o modelo IS-LM. Modelo simplista e fora da realidade, incapaz de explicar a realidade e que deturpa a obra original do Keynes. E aí também não aprendemos macroeconomia.
Bem as disciplinas de matemática, estatística ou econometria são dadas, mas mesmo que alguém faça um excelente curso destas matérias, acabam ficando perdidas. Pois não há aproveitamento nem professores orientadores dispostos a trabalhar com elas.
Ou seja, é tudo perdido. Microeconomia neoclássica não vale a pena aprender, pois é irrealista. A Macroeconomia ortodoxa é sem fundamentos, não deve ser considerada. E a matemática e a econometria não é capaz de captar ou reproduzir a realidade, então temos que desconsiderá-las.
Somos levados a desconsiderar tudo aquilo que faz de um economista um profissional do mercado.
É mais fácil enfrentar os Gladiadores na Arena do Coliseu que se arriscar na prova da ANPEC.
Isto é um crime.
Os alunos são, desde o começo do curso, psicologicamente influenciados a considerar o pensamento ortodoxo como lixo. Somos traumatizados desde calouros.
Ao fazerem isto com o pensamento ortodoxo, vemos que não há pluralismo.
O pluralismo de idéias exige que todas as formas de pensamento sejam dadas e respeitadas, e facultado o aluno o direito de escolha. Não temos este direito.
Somos roubados. Roubam nosso tempo, nossa juventude, nossa inteligência e nosso entusiasmo.
E aqui entra uma segunda questão. Dizem que querem formar uma pessoa crítica. Eu não me importo em ter uma formação crítica, mas será que eu estou tendo?
Vamos a isto então. Seria o curso de economia da UFES um centro de excelência no pensamento Heterodoxo? Referência no país inteiro, atraindo alunos e pesquisadores heterodoxos de todas as partes?
A resposta é não. Trágico.
Não há pensamento ortodoxo, não há pluralismo e nem heterodoxia de qualidade.
Criticam o neoliberalismo por ele se apresentar como o “pensamento único”, mas fazem o mesmo. Escondem sobre um suposto discurso progressista uma postura autoritária.
Para combater o “pensamento único” e totalitário do neoliberalismo eles nos apresentam o que? O “pensamento único” da heterodoxia. Não podemos ver ou ouvir nada da ortodoxia (para usar uma expressão esquecida: é stalinismo!!!)
E fazem isto de uma forma absurda. Na visão destes professores , somos todos “alienados”, contaminados pela lógica do capitalismo e incapazes de saber separar o bem do mal. Não só os alunos, mas nossas famílias também...
Somos todos burros, incapazes de escolher o próprio caminho. E eles sabem mais do que nós. É muito preconceito que estes professores sentem pelos alunos e suas famílias.
E eles querem fazer isto por nós. Escolher por nós. Mas eles não tem este direito. Isto deve ficar claro. Não podem decidir sobre nossa vida.
Quando entrei na UFES, esperava viver tudo de que ela pudesse me oferecer. Mas como vivemos no capitalismo, sei também que devo oferecer minha mão de obra para ser explorado por alguém. Mas com a formação que temos, acho que o capital não se interessa muito por nós... (e não sei se estou muito animado a lutar contra o capitalismo)
Não estamos no mundo de Matrix, onde há uma verdade escondida e um “escolhido” irá nos libertar.
Estamos num mundo real e onde alguns poucos acham que podem decidir a vida de muitos. Esta é uma postura anti-democrática.
Achar que o outro não sabe nada ou é incapaz de fazer as próprias escolhas é o pensamento que levou ao nazismo e sustentou a ditadura militar no Brasil, ironicamente combatida por alguns professores aqui.
Ou seja, vale aqui a velha piada: ditadura nos olhos dos outros é refresco...
E há um fato curioso. Marx, Keynes, Schumpeter, Kalecki, Sraffa e outros economistas sempre publicaram bastante. Artigos, livros, conferências, etc. Mas aqui cabe uma pergunta: os heterodoxos de nosso departamento publicam muito? E quando publicam conseguem ir além da SEP? Publicar na revista dos amigos é fácil...
Eu não me importaria em ter uma formação marxista ou pós keynesiana. Mas eu gostaria que ela fosse excelente. Mas isto não é possível.
E aqui entram dois argumentos sempre usados quando a discussão sobre mudanças no curso ganha força: o nível dos alunos não agüenta uma formação mais pesada e nós somos um centro periférico incapaz de atrair bons professores.
É estranho ver professores heterodoxos, tão críticos, se apoiando em argumentos tão rasteiros e que cheiram a oportunismo.
É um argumento tostines: nossos alunos não possuem um nível mais elevado: e por não terem um nível mais elevado, nossa produção não é tão boa; se nossa produção não é tão boa, nosso curso não se destaca; se nosso curso não se destaca, não atraímos bons professores e pesquisadores; se não temos bons professores não atraímos bons alunos com nível mais elevado e aí começa tudo de novo.
Keynes e Marx eram os dois bons agitadores. Conseguiram convencer muitos de suas idéias, e impactaram a história.
Os keynesianos e marxistas de nosso departamento, além de não escreverem muito, não conseguem mudar a realidade. Não são dignos de se dizerem seguidores de tão formidáveis mestres. Não conseguem mudar a realidade do departamento.
Dois fatos contra este pseudo heterodoxos: Fucape e curso de Serviço Social da UFES.
A Fucape conseguiu atrair para o ES um conjunto de professores com nível de excelência na área de negócios. (Ah! Mas lá é privado e são todos neoliberais...então dê uma olhada em alguns cursos da UFES e vejam como eles atraem recem doutores e pesquisadores permanentemente)
O curso de serviço social da UFES, seria o que podemos chamar de heterodoxo, adotam um referencial marxista. Lá a carga de leitura é maior que o nosso, os debates são melhores que o nosso e produção é melhor que a nossa. (detalhe: o departamento tb não se entende como o nosso). Mas o alunos lá são o tempo todo preparados para o espaço de trabalho. Até porque não se pode mudar o que não se sabe fazer.
Estes dois exemplos, que não são os melhores (tenho outros se precisarem), evidenciam o que o curso de economia da UFES não tem: identidade, ambiente favorável e auto estima elevada.
Um curso sem identidade não dá ao aluno segurança ou sentimento de pertencimento. E isto não permite que se crie um ambiente favorável à pesquisa, ao debate, ao conhecimento. E sem isto tudo, a auto estima vai a zero. Resultado: alunos inseguros e perdidos.
A economia ortodoxa é um fantasma que nos ronda. Não vemos, não conhecemos, não sentimos, mas somos sempre atormentados por ela. Parece o mundo Harry Potter, lá eles não podem falar ou comentar sobre o Lord Voldemort, aqui não podemos falar sobre ortodoxia. Mas ela nos pertuba.
Para finalizar, não se trata de tornar o curso da UFES ortodoxo. Trata-se de termos um curso com qualidade e objetivo, que nos dê orgulho e não vergonha.
Fica uma pergunta: a quem interessa ter um curso tão desmotivado e desorganizado? Tem alguns que se beneficiam com isto...
R.
joaobollinger@gmail.com
Minha opinião não é crítica a todos os professores, mas sim de um grupo que tenta MANIPULAR A GRADUAÇÃO aos seus moldes e não aos moldes do mundo real e desejado pelos ALUNOS da graduação. O desejo de uma educação PLURAL em todas as áreas, de matemática, estatística, de história, de economia política, de macro e micro... Educação de QUALIDADE, que nos prepare e dê a NÓS MESMOS a opção de escolha do futuro de nossas vidas e de como queremos impactar positivamente na sociedade (seja de fazer um mestrado ou pós numa boa faculdade, ou trabalhar em empresas, terceiro setor, que seja), e não do que este tal grupo de professores pensa saber. Sei que NÃO ESTOU SOZINHO nesta opinião, e pelas conversas de corredor, acredito ser a opinião da MAIORIA dos alunos do curso. Maioria esta que já se CANSOU de demonstrar sua posição de DESACORDO COM O FUTURO QUE O CURSO ESTÁ TOMANDO, que, infelizmente, é para pior.
ResponderExcluirE, mais triste ainda, temos um GRUPO PEQUENO DE ALUNOS, uma MINORIA que, sem eles, esses professores não conseguiriam implementar suas idéias retrógradas. Se não fossem esses alunos, os demais professores seriam maioria. Eles, SEM REPRESENTAREM A VONTADE DOS ESTUDANTES, SEM AO MENOS NOS CONSULTAREM, alteram resultados de questões que irão repercutir na universidade por 20, 30 anos. O PIOR, MESMO APÓS SABEREM A OPINIÃO DOS ALUNOS, NÃO AS LEVARAM (E NEM AS LEVAM) EM CONSIDERAÇÃO! Eles estão mentindo, omitindo e manipulando as informações para imporem o que pensam. Esses alunos estão apoiando professores que acham que o curso não deve preparar para a academia nem para o mercado de trabalho, que acham que MATEMÁTICA E ESTATÍSTICA não são importantes para a ciência, que acham que nosso centro é medíocre e que temos que nos contentar com a realidade, e que por conta disso não conseguiremos contratar bons professores... é FRUSTRANTE ver ALGUNS ALUNOS APOIANDO ISSO E PREJUDICANDO OS OUTROS! Alunos se unindo a professores que não estão preocupados com a graduação, mas preocupados com FORMAÇÃO IDEOLÓGICA pura e descarada! Tive acesso à bibliografia que será utilizada no concurso e, até mesmo para TEORIA ECONÔMICA e ECONOMIA MATEMÁTICA, a bibliografia é RAZA. Já quanto à bibliografia de HISTÓRIA e DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO... sem comentários...
É interessante notar que vocês estão corretos, sobretudo o autor do último texto. Contudo, será que está direcionado para as pessoas certas? Essa é a luta de TODOS os estudantes. O alvo que tem sido diferente...
ResponderExcluirqual dos dois textos? do comentário ou do post?
ResponderExcluirOs alvos desses textos são professores do naipe do COORDENADOR do curso e quem os apóia. Se você diz que essa é a luta de TODOS os estudantes, então eles são CONTRA TODOS OS ESTUDANTES.
ResponderExcluirNada mais claro.
A luta é de todos os estudantes sim, mas todos os estudantes também devem perceber que não estão tendo uma formação que não é heterodoxa ou ortodoxa.
ResponderExcluirLer alguns capítulos de um livro não te tornam nada. Estamos aqui para aprender economia e não estudar religião.
Não quero ser fundamentalista em nada, e ficar defendendo se um autor continua atual ou não.
Quantos aqui conseguem pegar um livro, como o do Kalecki e entender? (Kalecki é um autor heterodoxo, usado por Keynesianos, Schumpeterianos e Marxisitas, onde ela usa diversas equações diferencias e econometria).
É disto que estamos falando. O alunoda UFES não sai da graduação cobiçado por centros heterodoxos como a UNICAMP ou UFRJ.
Para entrar lá, temos tb que fazer ANPEC. Ou seja, o curso de economia da UFES não nos prepara nem para tentar num mestrado em centros heterodoxos...
entendi sua opinião, e concordo com ela. São professores encastelados em seus feudos, acham que o curso de graduação se resume a uma ou outra disciplina que eles oferecem. O resto é besteira.
ResponderExcluirAcham que o curso e a vida acadêmica dos alunos devem orbitar em torno de suas disciplinas.
CLARO QUE NAO PREPARA, VC NAO OUVIU O COORDENADOR? NAO EH PRA PREPARAR!
ResponderExcluirMas quanto à UNICAMP, aí você está parcialmente errado, porque lá tem dois mestrados.No mestrado de desenvolvimento econômico é facin facin de entrar, QUALQUER UM entra, até quem não consegue passar no mestrado da UFES!
É triste você ver os professores usando esses argumentos tostines (hauhau muito bom esse seu termo) e os alunos do PET repetindo que nem papagaio.
F.
Falou tudo:
ResponderExcluir"acham que o curso de graduação se resume a uma ou outra disciplina que eles oferecem. O resto é besteira"
Você já viu algum cientista sério menosprezar Matemática e Estatística?
heueuhehu
Eu to rindo para não chorar.... ainda vou ter que aguentar essa merda por 1 ano e meio.
E passa fácil mesmo, aí vc faz mestrado e doutorado na UNICAMP e vai para o IPEA fazer os absurdos que o Marcio Pochman está fazendo lá.
ResponderExcluirAliás, lá no IPEA a heterodoxia dá claras provas de como ela é plural e democrática...
Vou te contar uma, mas não espalha.
ResponderExcluirO Karl Marx, no fim da vida, fez pesquisas e estudos sobre o cálculo infinitesimal, com o objetivo de demonstrar melhor uma das 3 leis da dilética...
Aliás, O Capital é recheado de citações e dados estatísticos...
Fora Keynes e Schumpeter.
joao
só sei que a assembléia de hoje foi uma PIADA! convenientemente fácil essa votação por "cabeça" ... aliás... em termos de discussão a coisa foi bem equilibrada, não fosse pelo fato dos calouros que estão no curso há 1 mês!!! (UM MÊS!!!!) pegarem o microfone pra falar a merda do ano... patético... contanto com cabeças sem cérebro até eu ganho... ¬¬
ResponderExcluirJoao, vc eh um cara mto sensato. Ainda esta estudando com a gente?
ResponderExcluirEsse pessoal é hipócrita, são parasitas públicos que dizem lutar pelos outros, mas não fazem nada além de atropelar a opinião alheia com dinheiro fácil.
Um caso clássico é o de uma pessoa do nosso curso muito engajada que CRITICAVA tudo, enchia a boca para falar mal dos POLÍTICOS, de como ROUBAVAM etc. Mas no fim das contas só participava do PSEUDO MOVIMENTO ESTUDANTIL para conseguir se destacar politicamente e conseguir CARGO FANTASMA. Ganhava dinheiro como MOTORISTA público sem exercer a atividade. Ou seja ROUBAVA.
Os outros que agora fazem papel de idiotas latino-americanos, são PLAYBOYS da praia da costa, que só andam de carrão, nunca trabalharam na vida... estão se encaminhando (se já não se encaminharam) para o mesmo rumo do rapaz citado acima. Que, aliás, anda direto com eles.
O professor COORDENADOR não consegue fazer um cálculo de cabeça e acha que só porque é limitado os demais também devem ser. Entrou por liminar na UFES sem ter sido aprovado dentro do número de vagas para seu concurso (ora, deve ser por isso que fica babando o ovo dos outros professores da mesma área, ou é fé ideológica mesmo).
Mas ninguém fala essas coisas, todo mundo faz de conta que não vê e tolera. Estamos pagando o preço da tolerância.
Por falar em calouros, eles leram isso que está aqui? Eles têm conhecimento desses fatos?
Engraçado que criticaram o abaixo-assinado que eu assinei, falaram que fui manipulado.
Mas quando MENTEM e OMITEM para os calouros, fazem de conta que estão do lado deles... é legítimo, muito legítimo.
Não estou falando que os calouros não sabem votar. Longe de mim. Mas eles não sabem como é o curso ainda, disso eu sei pq fui calouro. O joao descreveu exatamente como eh o processo.
Descartes é autor da frase "Penso, logo existo".
ResponderExcluirMas uma outra versão da frase, também correta, seria "Dubito, ergo cogito, ergo sum", traduzindo seria "Eu duvido, logo penso, logo existo".
É o método da dúvida permanente.
Aí vem a pergunta: estes alunos, que circulam em torno destes professores, tem tanta certeza assim do que querem do curso e da sua vida fora da UFES?
Considerando que a expectativa de vida do brasileiro é de 72 anos, será que eles tem tanta certeza assim do que será da vida deles de hoje até os 72 anos(considerando que vivam até lá)?
Não é possível ter tanta certeza.
Agora, este argumento da alienação e manipulação serve para qualquer coisa.
Eles dizem que você foi manipulado por não fulano? Você também pode dizer que eles foram manipulados por cicrano...
É um argumento que se anula.
Eu sou tão manipulado quanto você.
Para quem é se diz seguidor da dialética, não admitir mudanças, relatividade, provisoriedade é algo estranho.
Precisam ler mais Hegel...
Ou como dizem os ortodoxos, toda a verdade, é sempre uma verdade provisória...
Muito bem! reforço o apoio e acredito muito que todo indivíduo é sujeito do seu ambiente, ou seja vamos a luta....nossas armas estão calibradas....a internet é uma das mais fortes....
ResponderExcluirO exemplo o curso de Serviço Social é bom exemplo, mas conversando com uma amiga do mestrado, é fácil perceber que nem lá essas pessoas são bem vindas e bem vistas...a única coisa que resta é a "boquinha" do Dpto. de Economia.
Fantástico!
ResponderExcluirpena que os calouros não estejam lendo isto
Carlos De Vecchi
Falou tudo! e os comentarios acima complementou o que faltava
ResponderExcluirDenovo acredito eu condenavel a atitude.Acho que amanha novamente senhores concluintes levarao mais uma derrota , pois graças , os professores q voces tanto criticam ensinaram e ensinam a muitos calouros o que e pensar num todo ( o curso ) e nao para si proprio.
ResponderExcluirderrota? o que é isso? um jogo? uma guerra declarada? e o que é pensar no curso e não em si próprio? o curso é para quem? para quê? estamos tomando algo extremamente concreto (um curso superior) e transformando em um ideal político? em uma seita? o que exatamente é este "todo" que deve vir acima das aspirações individuais? teremos algum mártir? o que exatamente é "senso-crítico"? que bagunça é essa? quando foi que tudo saiu de controle dessa forma?
ResponderExcluirEstou sem tempo para comentar,então vou fazer uso do trecho de uma música do Cazuza:
ResponderExcluirO tempo não para
"...
Mas se você achar
Que eu tô derrotado
Saiba que ainda estão rolando os dados
Porque o tempo, o tempo não pára
Dias sim, dias não
Eu vou sobrevivendo sem um arranhão
Da caridade de quem me detesta
A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas idéias não correspondem aos fatos
O tempo não pára
Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não pára
Não pára, não, não pára"
Pensa nisto:
"A tua piscina tá cheia de ratos
Tuas idéias não correspondem aos fatos
O tempo não pára
Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não pára"
Mas não se trata mesmo de fazer guerra ou fogueira da inquisação. É apenas uma tentativa de mudar e melhorar. Será que existe algo tão perfeito que não possa ser melhorado, que não possa receber uma crítica? E será que a verdade e a razão pertencem a tão poucas pessoas assim? Voltamos à idade média, onde só uns poucos eram "esclarecidos"? Acho que stalinismo não desapareceu junto com o leste europeu...
Não acredito nisto.
Usando um termo da dialética hegeliana, é uma esforço de "superação" (aufhebung).
Agora me impressiona mesmo, ver marxistas negando o princípio da contradição. A realidade não é um movimento permanente de luta de contrários?
Onde foram parar as leis da dialética?
"A dialética mistificada tornou-se moda na Alemanha, porque parecia sublimar a situação existente. Mas, na sua forma racional, causa escândalo e horror à burguesia e aos porta-vozes de sua doutrina, porque sua concepção do existente, afirmando-o, encerra, ao mesmo tempo, o reconhecimento da negação e da necessária destruição dele; porque apreende, de acordo com seu caráter transitório, as formas em que se configura o devir; porque enfim, por nada se deixa impor, e é na sua essência, crítica e revolucionária." (O Capital - Prefácio da 1ª Edição (1867))
Alguns senhores estão mistificando a dialética... (sugestão: troquem "Alemanha" por "Departamento de Economia" e "burguesia" por professores e vocês verão como Marx está atual...)
Talvez este comentário tenha ficado pesado demais, mas faz parte do debate...
E O NÚMERO DE VISITAS NO BLOG SÓ AUMENTA
ResponderExcluirHAHAHAHAHA
Alguém podia colocar o link do blog na comunidade dos calouros e do pessoal de 2009/1. Vejo esse o melhor jeito deles entrarem em contato com essas informações
ResponderExcluirolá gostaria que vc respondesse essas perguntas é uma entrevista, sou estudande de Adm/EAD metodista meu email é: deliapereira@bol.com.br
ResponderExcluirObrigada!
a) Caso a Rodada de Doha, da Organização Mundial do Comércio (OMC) seja
concluída com sucesso, as tarifas de muitos produtos serão reduzidas
significativamente na grande maioria dos países do mundo, incluindo o Brasil. Qual
é a posição do entrevistado a respeito de tais reduções?
b) O Brasil perdeu ou ganhou com o fracasso da Rodada de Doha na última
negociação, em julho de 2008?
c) O que poderia ser feito para aumentar o superávit comercial brasileiro no futuro?
O entrevistado seria capaz de citar três ações capazes de gerar tal resultado? Quais
são elas?
d) Qual seria o preço ideal do dólar no Brasil hoje? (Para a economia brasileira
Bota a cara ae seu anônimo que se esconde atrás de uma barba. Mais uma vez vcs ganharam... vcs sempre ganham.... mas um dia isso vai acabar. Vcs tão igual o vasco nos tempos de eurico miranda, td mundo sabia q era uma merdaaaa, td mundo era contra, mas incrivelmente tinha manobras de ganhar nas votações. Um dia isso ai vai acabar...
ResponderExcluirDelia, me desculpe mas nosso curso não está nos preparando para responder essas questões interessantes. Pergunte o que Marx fez no chá das 5 no século retrasado que eles sabem.
ResponderExcluirPor isso que eu gostava de ver Malaguti falando desses alunos marxistas (leia-se alunos do PET). Falta opinião própria.
ResponderExcluirJoao esse texto é muito bom. Fantastico.
ResponderExcluirTodo mundo deveria lê-lo. Eu estou passando para todos os meus amigos e não há ninguém que não concorde com ele.
Sabe, duvido que alguém discorde!!!
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirOi,
ResponderExcluira Delia ofereceu para todos uma oportunidade de ouro no comentário acima.
As duas últimas questões são centrais(c e d), porque refletem o tipo de política econômica que devemos ter. A resposta a elas diz se você é ortodoxo ou heterodoxo.
Quando você discute sobre o "preço ideal" do dolar no Brasil, você divide águas na economia. O câmbio deve ser flutuante, refletindo os fundamentos da economia, ou devemos ter controle de capitais?
Este "preço ideal", é ideal para quem? Exportadores ou importadores?
Devemos ter politica industrial para manter o superavit comercial? Há falhas de mercado que justifiquem a adoção de políticas industriais? O Brasil não deveria importar mais?
Devemos temer a redução de tarifas comerciais?
Estas duas últimas questões, em última instância, são respondidas determinando o grau de intervenção do Estado na Economia, o tipo de política fiscal, monetaria, cambial e de rendas que devemos ter.
São questões interessante para debater e tentar responder.
Mas lembremos sempre que artificialismos em economia nunca nos levaram a bons resultados...
E por final, ninguém aqui é apostolo do Apocalipse. Ninguém quer acabar com o curso de economia, criar intrigas e dividir o departamento, até porque dividido ele sempre foi. Não é de hoje que se discute mudanças na graduação e que o departamento se desentende por isto.
Mas apesar disto parecer recorrente, o Departamento nunca esteve tão frágil como hoje.
Não se discute individualmente se um professor é excelente ou não. Não se trata de méritos pessoais, se ele é legal ou não no corredor, se tira as dúvidas ou não.
O que se discute é se a atuação dele, no conjunto, ajuda ou não a construção de um curso melhor. Se ele apoia medidas que ajudam ou não o curso.
Não podemos confundir isto. A pergunta é esta: a postura deste professor, independente dos méritos dele, ajudam a melhorar o nível da graduação?
Não tem sentido o professor dar uma disciplina espetacular, ser muito bom, mas se aquilo não está a serviço de nada. Não tem propósito ou conexão com o resto do curso.
E não adianta ele ser excelente, tem que ajudar a melhorar o curso, criar um ambiente favorável ao desenvolvimento do aluno. Permitindo a ele ter oportunidades e escolhas. Os professores também são orientadores, e que tipo de orientação estão dando?
Não podemos ficar presos á aparência ou a fatos isolados, devemos ir na essência da questão e ver a totalidade. (aula de economia politica: aparência e essência | ponto de vista individual e isolado e o ponto de vista da totalidade)
Quando olhamos a totalidade do curso, vemos que ele está fragmentado. Uma formação inconsistente. O curso é um mosaico mal montado.
Para alguns professores, as provas são mais testes de vocabulário, basta escrever umas palavrinhas chaves e sua nota está garantida. Não são provas, são testes de vocabulário, basta ficar repetindo as palavrinhas mágicas e você se dá bem.
Cada disciplina deve estar a serviço da formação do aluno, mas alguns professores esquecem isto e colocam o curso inteiro a serviço da sua disciplina.
E aí vem aqueles, que entram na Universidade agora, só tem entusiamo e disposição, e confundem o curso inteiro com um outro professor.
Acham que o curso se resume a poucos professores. E esquecem até o motivo de porque entraram na UFES. Esquecem o que queriam.
É dificil mudar isto.
Mas não podemos ir atrás de qualquer argumento. Debater não é proibido, e não faz mal. Onde está o direito à contradição. E não adianta ridicularizar o debate ou o debatedor, tem que responder o debate com bons argumentos, e não com ridicularizações, terrorismo ou teorias conspiratórias de que alguns querem acabar com o curso.
Não estamos tentanto dividir o curso ou exterminar um ou outro professor. Não se quer acabar com curso de economia nem com os professores, pelo contrário, trata-se de fazer ressurgir das cinzas um curso melhor.
A questão é simples: o professor deve servir ao curso, e não o curso ao professor.