quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
Feliz Natal
domingo, 14 de dezembro de 2008
“Pra que Sociologia, Psicologia, Antropologia…? Se nós temos Economia.”
O Carlos Cinelli fez um comentário tentando responder a esta pergunta, ele afirmou que as doações são decisões racionais e que maximizam uma certa função de utilidade do doador, e isso ocorre geralmente quando ele doa bens que influenciam a atitude do outro com sua doação.
A interpretação econômica das doações é perfeita, mas a dúvida que eu tenho é se a economia é capaz de explicar essas coisas. Será que o homos economicus racional, auto-interessado e egoísta é mesmo capaz de explicar as menores e maiores generosidades do ser humano?
É um tema complicado, o ‘imperialismo’ da nossa ciência favorita tem se ampliado ano a ano, existem teorias econômicas pra quase qualquer área de atuação e são, diga-se de passagem, as áreas de pesquisa mais interessantes em economia, mas a pergunta continua, como pode a generosidade, o altruísmo... serem o resultado da maximização de uma função egoísta.
A economista Deirdre Mccloskey, e eu concordo com ela, afirma que existem diferentes 7 valores que balizam o comportamento humano, e que o auto-interesse é apenas um deles.
And so by the time of St. Thomas Aquinas the standard analysis of the virtues, which persisted through Adam Smith and was revived by virtue ethicists among philosophers in the 1970s, designated the resulting seven as primary colors: prudence, temperance, justice, courage, faith, hope, and love. Prudence is a virtue, not merely an anti-virtue of self interest, as it tends to be seen in modern times. Modern economics, especially in its Max U, Samuelsonian-Beckerian form, is the science of Prudence-Only, setting the other virtues aside.
Não se deveria então analisar todos os comportamentos humanos apenas pelos olhos do auto-interesse, ele é muito útil para alguns comportamentos humanos, mas às vezes o ser humano não age apenas pelo auto-interesse, age embasado por outros valores.
Segundo ela, o agente econômico racional seria como “um gato, não seria sequer um cachorro” (“a cat, not even a dog”), pois um cachorro, assim como o ser humano, teria uma série de sentimentos e atitudes que um gato (homos economicus) não teria.
Pois bem, tudo isso foi pra dizer que apesar de estudarmos a melhor e mais aplicável das ciências sociais, (a única que tem um prêmio Nobel próprio, até porque as outras podem disputar o Nobel de literatura, hehehehe) a economia tem suas limitações, e algumas das suas aplicações (como a explicação de porque as pessoas doam bens e não dinheiro) são controversas até entre os próprios economistas.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
O Peso-Morto do Natal/ das Doações/ da Assistência Social
Nas aulinhas de microeconomia aprendemos que o máximo que uma doação/presente pode fazer é duplicar uma escolha já feita por quem a recebe, isto é, a utilidade máxima que um doador pode proporcionar com 4 reais é replicar a escolha que quem recebeu a doação faria se tivesse esse dinheiro em mãos.
Além disso, doar bens tangíveis (ao contrário de transferências bancárias) apresenta custos não desprezíveis de transporte, armazenagem, triagem e distribuição.
Pois bem, a conclusão lógica da teoria é que doando 4 reais em arroz, provavelmente estou doando as vitimas das enchentes menos do que elas receberiam em utilidade se tivesse doado 4 reais em dinheiro.
Eu cheguei a assistir numa reportagem na TV, que as doações foram tantas para SC que num certo momento as autoridades locais chegaram a pedir que as doações de alimentos fossem interrompidas, apesar de voltarem atrás logo depois. Quer dizer, a utilidade marginal das doações de alimentos estava bem abaixo do seu valor de mercado.
É claro que a eficiência não é única questão em jogo aqui, doações e presentes são muito mais processos sociais do que econômicos, compramos presentes muito mais pra sinalizar nosso apreço pela pessoa, do que para aumentar a utilidade dela, as doações também não são feitas tendo este único objetivo, eu mesmo só acabei participando desta campanha de arrecadação porque um amigo meu me pediu.
Um artigo clássico sobre o assunto é o The Deadweight Loss of Christmas (AER 93), que estuda o peso-morto dos presentes natalinos e estima em que situações é melhor dar itens ou dinheiro de presente, mas o raciocínio do artigo também é válido para as doações e para a assistência social em geral.
Essa abordagem de dar dinheiro ao invés de bens é a abordagem liberal de ajuda social. Ao invés de oferecer/subsidiar; creches, escolas, cestas básicas, transporte, casa, terra, esporte, cultura... é melhor dar dinheiro pro cara, porque afinal, ele sabe mais sobre as necessidades dele do que você, ou do que o governo.
Obs: Abriram outros concursos de agências reguladoras com vagas pra economia, o da Anatel e o da Antaq.
Divulgação de Resultados
Dia: 11/12/08
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Correspondências entre Keynes e Marx
DIÁLOGOS SOBRE A CRISE
Correspondência entre Keynes e Marx
Marx morreu quando Keynes nasceu (1883). Eles não se conheceram. Mas suas análises se aproximam ao ponto em que, se acreditarmos nelas, poderíamos vê-lo mais claro.
Jean-Marie Harribey*
Marx morreu quando Keynes nasceu (1883). Eles não se conheceram. Mas suas análises se aproximam ao ponto em que, se acreditarmos nelas, poderíamos vê-lo mais claro.
Cambridge, 24 de outubro de 2008
Meu Caro Marx,
Neste dia do 79º aniversário da quinta-feira negra de 1929, devo reconhecer que você me superou. Para dizer a verdade, eu não acredito numa nova crise. Eu tinha descortinado tão metodicamente a incapacidade do mercado de produzir o equilíbrio do pleno emprego que conduzi todos os governos a mais sabedoria: ninguém teria se deixado infectar por uma crise sem reagir. Eu estava com minha consciência tranqüila e não estava preocupado se você tinha ou não esquecido a Estátua do Comandante buscando arrastar o capitalismo no fogo do inferno.
Contudo, os seres animosos que eu descrevi na minha teoria geral retomaram o poder; banqueiros e rentistas, esses mesmos a quem prometi a eutanásia, se refestelaram durante anos. E, quando chegou o inverno, como diria o fabulista francês (1), eles estavam gravemente desprovidos e se deram conta de que não poderiam reencontrar sua liquidez simultaneamente. E aqueles que ainda a detinham preferiram-na a endossar títulos desvalorizados, verdadeiros lixos tóxicos.
Desde o tempo de minha juventude o setor automobilístico começou a inundar o mercado americano de automóveis reluzentes mas, não tendo a demanda lhes seguido o passo, a depressão não tardou quando um endividamento colossal fez a bolha financeira explodir. Desde 2001 os norte-americanos recorrem a um endividamento também perigoso. Preste atenção: tomando a si como um guru infalível e assim reputado por uma boa parte dos que pretendiam reclamar de mim, o Senhor Alan Greenspan verteu crédito sem contabilizar, esquecendo que a criação monetária deve antecipar a produção real. E seu sucessor, considerado o melhor conhecedor da crise de 1929, Senhor Bern Bernanke continuou a fazer-lhe as honras. Nesse período, os salários perderam seu valor. Com a abolição das fronteiras e a integração financeira, a crise só podia mesmo ganhar o mundo inteiro.
Meu querido Marx, com muito atraso reconheço o ceticismo de minha perspectiva, agravado pelo gosto pelas classes cultivadas, aos seus olhos. Ah! Se você tivesse conhecido as delícias de nossas trocas, de todas as ordens, no Bloomsbury Group (2), no seio do qual brilhava Virginia Woolf, tenho certeza que esqueceria da furunculose deles. Mas, longe de mim a idéia de entreter-lhe com essas mundaneidades que foram, é verdade, a essência de minha vida depois que entendi as futilidades da Bolsa. Eu tenho é de lhe perguntar, meu caro Marx. Eu concedo que você tinha razão: o capitalismo parece irreparável. Mas, como você vê uma saída definitiva dos excessos desse sistema, tendo em vista a calamitosa experiência soviética? Pois, você há de concordar, eu espero, que seus epígonos não conseguiram segui-lo.
Meu querido Marx, o destino nos separou; sem dúvida Londres estava longe demais de Cambridge, a menos que seus furúnculos e meu gosto pela literatura nos tivessem posto a cada um próximos da fronteira, como você diz, de classe, não é? Isso não importa. Nós somos os únicos a saber o essencial, e isso deveria nos aproximar sobre o próximo período. Permita-me acrescentar a esta carta minhas perspectivas econômicas para os meus netos, que deverão agradar-se de você.
À sua leitura, querido Marx,
seu John Maynard Keynes
A resposta de Marx
Meu caro Keynes,
Tenho de dizer que meu primeiro movimento, ao descobrir sua carta, foi o de saborear a revanche. Você, que sub-utilizou uma parte importante de minha imensa obra, fingindo não tê-la jamais lido, agora toma o Caminho de Canossa (3). Pois, onde você encontrou, senão no meu Capital, a acumulação, o trabalho como único fator produtivo, a possibilidade das crises, a inanidade da lei de que a oferta cria sua própria demanda, desse imbecil do Say (4), o papel da poupança que você rebatizou preferência pela liquidez, e mesmo o papel da moeda que os ignorantes lhe atribuem a paternidade? Vamos, mais um esforço, querido Keynes, a moeda transformada em capital em virtude da exploração da força de trabalho! Eu rio com os eufemismos modernos sobre “a distribuição do valor agregado”.
Mas voltemos a sua questão. Eu lhe concedo ter levantado um problema crucial, o da transição do capitalismo para uma organização social favorável à emancipação humana. E os brutos do Kremlin pegaram muito pesado.
Convém, inicialmente, que levemos em conta a medida da mundialização do capitalismo, que eu, com meu amigo Engels, analisamos perfeitamente no meu Manifesto. Essa mundialização, cuja crise não é outra coisa que seu completamento. A impossibilidade radical de que todos os capitalistas liquidem ao mesmo tempo o seu patrimônio financeiro, que você notou bem, remete ao caráter fictício da excrescência do capital financeiro. O que os jovens da ATTAC chamam de financeirização é a exacerbação da exploração dos trabalhadores que permite a liberdade total de circulação de capital. O capitalismo não é o mercado, é a relação capital-trabalho.
Eu já escuto você praguejar em favor da regulação. Falemos com clareza e sinceramente. Eu concedo quanto à palavra, com a condição que tomemos às coisas pela raiz. Senão as sirenes tocarão, dizendo que há um bom capitalismo opaco por trás da voracidade da finança. Ora, lembre você sempre que o sistema mergulha a humanidade nas águas geladas do cálculo egoísta.
"O que fazer, então" diz você?
Em primeiro lugar, suprima-se a liberdade do capital e garanta-se todas as liberdades democráticas, só para melar todas as burocracias. Em segundo, que se limite os altos lucros e se tome os superávits para financiar os investimentos públicos (a esse respeito, eu adoro o seu multiplicador de investimento e não lamento senão uma coisa: não ter pensado nisso). Terceiro, se instaure a propriedade social dos bens essenciais à vida e à gestão coletiva do crédito, e se reflita seriamente sobre a reorientação da produção em direção ao útil e não aos desperdícios. Eis uma coisa que eu não inventei, a palavra “ecologia”, bem que eu tinha escrito que o trabalho era o pai da riqueza e que a terra era a sua mãe.
Meu caro Keynes, eu li suas Perspectivas econômicas para os nossos netos e isso me fez bem. Certa noite de bebedeira numa taberna londrina eu poderia tê-lo afirmado. Mas seria preciso deixar-lhe alguma coisa. Bom, é certo que na City e em Wall Street, onde se lê a mim regularmente – sim, eu lhe asseguro –, os serventes do capital tremem. Eles tremem antes mesmo de saber aonde queremos conduzi-los: à rendição.
Eu lhe prometo, meu querido Keynes, não fazer mais pouco dos seus modos reguladores. Mas lembre-se: regular sem transformar não é regular. Fale disso no seu Bloomsbury Group. Um círculo, ainda, que fracassei de propósito em me ocupar da quadratura.
Seu Karl Marx.
Jean-Marie Harribey é Professor de Ciências Econômicas e Sociais, mestre de conferências em ciências econômicas na Universidade Montesquieu – Bordeaux IV, membro do Grupo de Pesquisa em Economia Téorica e Aplicada (GRETHA, UMR CNRS 5113. Doutor habilitado a orientar pesquisas em ciências econômicas, membro do conselho científico da ATTAC, Co-presidente da ATTAC e membro da Fundação Copérnico.
Publicado originalmente no Libération, em 24 de outubro de 2008
Tradução: Katarina Peixoto
(1) O fabulista francês é Jean de La Fontaine, e a fábula em que ocorre a expressão “quando la bise fût venue” é a célebre A Cigarra e a Formiga. Bise significa tanto o vento norte que é frio e seco, como o inverno. N.deT.
(2) Quase tudo sobre o Bloomsbury parece controverso, inclusive seus membros e nome. Hoje em dia é largamente aceito, contudo, que o grupo inicialmente consistia dos novelistas e ensaístas Virgínia Woolf, E.M.Forster e Mary (Molly) McCarthy, o biógrafo e ensaísta Lytton Strachey, o economista John Maynard Keynes, os pintores Duncan Grant, Vanessa Bell e Roger Fry, e os críticos de literatura, arte e política, Strachey, Fry, Desmond MacCarthy, Clive Bell e Leonard Woolf. /Vanessa Bell e Virginia Woolf eram irmãs, e seus irmãos, o mais velho Thoby e o mais novo Adrian, também eram membros do grupo original, assim como outras figuras de Cambridge tais como o enigmático saxão Sydney-Turner. Lytton Strachey e Duncan Grant – que veio a ser companheiro de Vanessa – eram primos.
Nos primeiros anos da história do grupo houve vários affaires entre os membros. A maior parte dos membros moravam por períodos consideráveis de tempo no distrito 1 Central Oeste d Londres, conhecido como Bloomsbury, e “grupo” parece ser o melhor termo geral para descrever a natureza da associação deles, que não era meramente social, como os termos “círculo” ou “set” parecem implicar.
Uma característica histórica notável desses amigos e relações é que seu relacionamento próximo antecipou completamente sua fama como escritores, artistas e pensadores. Ainda que amigos próximos, irmãos, irmãs e às vezes companheiros de amigos não eram necessariamente membros do Bloomsbury. A pintora Dora Carrington, companheira de Lytton Strachey, nunca foi membro. A esposa de Keynes, Lydia Lopokova, só relutantemente foi aceita no grupo. (...) Suas convicções quanto à natureza da consciência e de suas relações com a natureza externa, quanto à separação fundamental entre indivíduos, que envolve tanto o isolamento como o amor, quanto à natureza humana e não-humana do tempo e da morte, e aos bens ideais do amor verdadeiro e da beleza – tudo isso com base na insatisfação do grupo com o capitalismo e com a guerra imperialista.
Essas perspectivas do Bloomsbury também dizem respeito à sua crítica ao realismo materialista na pintura e na ficção, bem como ao ataque que faziam às práticas sociais repressivas de desigualdade sexual, e visavam a estabelecer uma nova ordem social baseada na libertação das normas da sociedade estabelecida. (...) Todos os membros masculinos do grupo foram educados nos Cambridge Colleges de Trinity College ou King's College. (...)
Todos os membros masculinos de Cambridge, exceto Clive Bell e os irmãos Stephen também eram membros da sociedade secreta de estudantes de graduação conhecida como Apóstolos de Cambridge; eles se juntaram a membros mais velhos como Desmond MacCarthy e Roger Fry, bem como a E. M. Forster e J. M. Keynes, todos oriundo do King's College. Através dos Apóstolos, os membros do Bloomsbury também se encontraram com os filósofos analíticos G.E.Moore e Bertrand Russell, que estavam revolucionarando a filosofia britânica na virada do século. O Principia Ethica (1903) de Moore alimentou o Bloomsbury com uma filosofia moral que fundamentalmente diferenciava valores intrínsecos de instrumentais.
Distinguir fins éticos e meios era um lugar-comum na ética, mas o que tornou Principia Ethica tão importante para o Bloomsbury foi a concepção de Moore do que valia por si só. Para Moore valores intrínsecos dependem de uma intuição inanalizável do bem e um conceito de estado mental complexo que valem como um todo e não é proporcional à soma de suas partes. Os maiores bens para Moore e o Bloomsbury eram ideais de relações pessoais e apreciação estética. Mas, mais importante para os valores do grupo era o questionamento recorrente do comportamento humano em termos de meios instrumentais e fins intrínsecos. N.deT. Com Wikipedia.
Para Raymond Williams, o Bloomsbury group era uma fração das classes altas inglesas, empenhada em sustentar os valores clássicos da burguesia iluminista. Eram contra superstições, hipocrisia, ignorância, pobreza, discriminação racial e sexual, militarismo e imperialismo. Suas posições não incluíam uma idéia do todo da sociedade, de modo que o maior valor que defendiam era a do indivíduo civilizado, cuja pluralização, com mais e mais indivíduos civilizados era a única direção social aceitável pelo grupo. (Williams, Raymond. (1982), "The “Bloomsbury fraction". Problems in materialism and culture. Londres, Verso Editions. / Conforme anota Heloísa Pontes, “A procura sistemática por reformas no nível das classes dirigentes, aliada ao trabalho de educação e conscientização que os membros do “Bloomsbury group” fizeram, nos primeiros decênios deste século, junto aos setores desprivilegiados da sociedade inglesa, não foram suficientes, como mostra Williams, para romper com o sentimento de classe do grupo. Um persistente e nítido senso de fronteira entre as classes convivia com um sentimento muito forte de simpatia pelas classes baixas, vistas antes de tudo como vítimas do sistema.” Apud Heloísa Pontes In: http://www.anpocs.org.br/portal/publicacoes/rbcs_00_34/rbcs34_04.htm N.deT.
(3) Consta que a Condessa Matilde de Canossa pediu ao Papa para readmitir o Rei Henrique IX, que havia sido excomungado por ter negado a confissão católica. Em função de sua relação com o papa, a Condessa connseguiu realizar seu desejo. O trajeto que Henrique IX percorreu em direção ao Papa, para pedir perdão, ficou conhecido como Caminho de Canossa. N.deT.
(4) Lei de Say: Relação econômica que exprime a teoria macroeconômica da Economia clássica e que Batiste Say defendeu em 1803, segundo a qual a oferta cria a sua própria procura. Segundo Say, como o poder de compra era igual ao rendimento e produção totais, era impossível existir excesso de procura ou de oferta. De uma forma simples afirmava-se que uma unidade monetária adicional de rendimentos era totalmente gasta (a propensão marginal a consumir era de 1). Sustenta que os preços e os salários eliminam qualquer excesso de oferta e de procura e restabelecem o pleno emprego. Keynes criticou essa teoria, com base no fato de que a economia pode experimentar longos períodos de desemprego, decorrentes da ausência de mecanismos corretores clássicos (preços e salários). Seriam as políticas fiscais e monetárias que conduziriam ao pleno emprego, estimulando a economia nas depressões ou combatendo a inflação. In:: http://www.esfgabinete.com/dicionario/?completo=1&conceito=LEI_DE_SAY. N.deT.
sábado, 6 de dezembro de 2008
Restrospectiva 2007: O Brasil e o Espírito Santo
Portanto, as observações que seguem podem já não ser mais tão interessantes quanto a análise de dados mais recentes que mostrem o início das repercussões da crise nos indicadores da economia capixaba.
Não obstante, antes tarde do que nunca! Quem quiser o exemplar impresso, este está disponível com o professor Rogério e alguns alunos do curso (eu, por exemplo). Ano que vem sairão mais cadernos e, acredito, sem atrasos. O grupo está aberto para a participação de mais alunos.
Restrospectiva 2007: O Brasil e o Espírito Santo
Por Carlos Cinelli e Julyana Covre

Discorrendo brevemente sobre o crescimento brasileiro do ano anterior, nota-se que, pela ótica da demanda, ele foi decorrente, sobretudo, do aumento do consumo das famílias e da forte retomada do investimento. Este último item, por exemplo, registrou o maior crescimento dos últimos onze anos. Já a despesa de consumo das famílias apresentou alta pelo quarto ano seguido, tanto por conta da elevação da massa salarial dos trabalhadores, quanto pelo aumento das operações de crédito para as pessoas físicas. Observando-se o resultado pela ótica alternativa do produto, vê-se que o bom desempenho foi devido, principalmente, ao desempenho da agropecuária, que obteve crescimento de 5,3%, seguida pela indústria, com expansão de 4,9% e, por fim, os serviços, com alta de 4,7% na produção.
Fica evidente que o país cresceu. E, caso não se realizem as previsões mais pessimistas sobre o cenário internacional, não mais tão improváveis em virtude da recente crise financeira norte-americana, é possível que o Brasil entre numa trajetória de crescimento a passos mais largos. Para este caderno, contudo, a pergunta que interessa responder é: qual o papel do Estado do Espírito Santo nesse processo?
Por exemplo, há três anos atrás, último ano para o qual temos dados do IBGE para as contas regionais, o PIB do Brasil cresceu 3,2% enquanto o do estado avançou 4,3%, contribuindo com aproximadamente 3,0% do crescimento brasileiro. O desempenho do Espírito Santo, sendo acima da média, fez com que passasse de 2,1% de representatividade do PIB nacional, em 2004, para 2,2% no ano seguinte (pode parecer pouco, mas apenas São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais produzem mais da metade da riqueza nacional – todos demais estados têm participação relativa no PIB abaixo de 7,0%). Tendo-se em conta o PIB per capita, é possível obter uma melhor noção do que isso representou: houve crescimento de 15,4%, o que fez o estado sair do oitavo para o quinto lugar no ranking do PIB per capita (entre as UF’s) em 2005. Mas, retomando a questão: no ano passado, o Espírito Santo obteve desempenho melhor, igual ou pior do que a média? Qual sua contribuição para o crescimento do país?
Infelizmente, as contas regionais do IBGE para o ano passado ainda estão longe de serem publicadas. É possível, porém, termos uma noção aproximada da participação relativa do Espírito Santo no desempenho brasileiro por meio de uma análise comparativa dos resultados de diferentes setores da economia capixaba com a média nacional. Faremos isso nas áreas de comércio exterior, indústria, comércio varejista e emprego, áreas essas para as quais já temos dados consolidados para o referido ano. Comecemos pelo emprego.
Gráfico 2
No ano passado, foram criados mais de vinte e cinco mil empregos formais no Espírito Santo, o que representou aumento de 4,5% frente a 2006. O Brasil, contudo, no mesmo período, obteve um aumento de 5,9%, o que, em termos absolutos, representou mais de um milhão e seiscentos mil novos postos de trabalho com carteira assinada.
Já os setores nos quais o Espírito Santo obteve aumento de emprego maior do que o Brasil foram o de Serviços e o de Comércio – 6,1% contra 5,3% para o primeiro e 7,2% contra 6,5% para o segundo – e o de Serviços Industriais de utilidade pública. É interessante observar que a participação do setor de Serviços no crescimento do emprego formal capixaba foi crucial, tendo ele respondido por mais da metade do crescimento total do estado, enquanto que para o Brasil essa participação foi um pouco mais moderada, atingindo 36,3%.
Assim, temos, de um lado, o setor de serviços como aquele com maior peso na produção nacional, com o desempenho do Espírito Santo nessa área traz indícios positivos sobre a participação relativa do estado no crescimento brasileiro. Por outro lado, a indústria de transformação, além de gerar maior valor agregado, é mais intensa em mão-de-obra. Logo, com uma criação de emprego neste setor bem abaixo da média brasileira, criam-se expectativas quanto à redução da participação do PIB capixaba no PIB nacional. Isso, junto com o resultado geral menor do que a média, faz-nos tender a acreditar que o resto do país pode ter crescido mais do que o Espírito Santo no ano de 2007. Pelo menos é isso que parece sugerir os dados relativos ao emprego. Vejamos agora a indústria.
Olhando a indústria como um todo, o cenário apresenta-se mais promissor para o Espírito santo. Enquanto a produção industrial no Brasil cresceu 6,0%, em 2007, a parcela referente ao estado cresceu 7,5%, segundo maior resultado dentre os todos os estados abrangidos pela PIM-PF. No país, a expansão de 2007 ultrapassa bastante os resultados dos dois anos precedentes, ficando abaixo apenas do crescimento de 2004. Essa progresso encontrou fundamentos no revigoramento da demanda interna ( com aumento do crédito, da ocupação e da renda), nas perspectivas positivas para o investimento, na recuperação do setor agrícola e cenário internacional favorável para as indústrias de exportação. Os segmentos com maior influência sobre a média global da indústria foram os de veículos automotores (15,2%) e máquinas e equipamentos (17,7%). No Espírito Santo, por sua vez, os destaques ficaram para a indústria extrativa (15,2%), sobretudo extração de petróleo e, dentro da indústria de transformação, para o setor de metalurgia básica (9,4%).
Gráfico 3
É interessante observar que essa tendência de a indústria capixaba crescer mais do que a brasileira tem lugar a partir de 2006, pois nos dois anos anteriores o estado ficou abaixo da média nacional. Além disso, observando-se a renda gerada pela indústria, a folha de pagamentos real espírito-santense obteve crescimento de 5,6%, enquanto a brasileira ficou ligeiramente abaixo, com 5,4%. Em linha com os dados relativos ao emprego mencionados na seção anterior, a indústria capixaba obteve resultado inferior à média brasileira, acusando crescimento de 0,2% em 2007 frente aos 2,2% alcançados pelo Brasil.

COMÉRCIO EXTERIOR
Diferentemente dos dois anos que o precederam, 2007 foi o ano das importações, e não das exportações, tanto para o Espírito Santo quanto para o país. Observando-se o gráfico 4, representativo dos dados do Espírito Santo, pode-se perceber o ocorrido no setor externo do estado.
Gráfico 4

Aentando-se, primeiramente, às exportações, nota-se que as vendas externas do Espírito Santo vinham crescendo em ritmo superior ao brasileiro até o ano de 2007. Por que então, no ano passado, o crescimento foi menos robusto? Observemos a tabela 5 abaixo:

Percebe-se que o aumento verificado recentemente nas exportações capixabas tem sido decorrente de variações positivas nos preços internacionais de commodities. Assim, apesar da queda do dólar observada nesse período, a alta dos preços sustentou os resultados apresentados pelas exportações. Porém, pelo menos para o ano passado, a inflexibilidade da oferta não nos permitiu atingir resultado melhor que o brasileiro.
COMÉRCIO VAREJISTA E VENDA DE VEÍCULOS

No Brasil o volume de vendas no comércio varejista cresceu 9,6% em 2007, ao passo que o crescimento do Espírito Santo foi de 9,1%. Mais especificamente, dos dez segmentos do comércio varejista abrangidos pela PMC, somente quatro superaram a variação brasileira. Já quanto à receita nominal, o estado obteve aumento de 11,7% enquanto o Brasil registrou avanço de 11,8%.
Gráfico 6
O resultado apresenta-se mais animador, entretanto, ao se analisar receita nominal do comércio varejista ampliado, composto pelos oito segmentos do comércio varejista mais os grupos (i) Material de Construção e (ii) Veículos e motos, partes e peças. Nesse quesito, tem-se que no Brasil houve acréscimo de 15,1%, sendo que os grupos Veículos e motos, partes e peças e Outros artigos de uso pessoal e doméstico e Material de Construção foram os principais responsáveis por este aumento. Já no Espírito Santo esta variação foi maior, de 19,2%, representada, primordialmente, pelos segmentos listados: (i) Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos, (ii) Veículos e motos, partes e peças, (iii) Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo e (iv) Móveis e eletrodomésticos.
Assim, ao compararem-se os índices de receita nominal e volume de vendas do comércio varejista do ano passado em relação ao ano de 2006, o estado obteve um crescimento inferior à média nacional. Quando comparamos, no entanto, esses dados em relação ao comércio varejista ampliado, o Espírito Santo obteve o maior crescimento dentre todos os estados brasileiros.
A posição de primeiro lugar obtida pelo Espírito Santo foi conseqüência, principalmente, do acréscimo de 31,5% nas receitas do segmento Veículos e motos, partes e peças e do acréscimo de 11,4% nas receitas do segmento Material de Construção. Dados da FENABRAVE corroboram esse fato; nota-se que as vendas de veículos no varejo – bom indicador de poder aquisitivo – cresceram 37,4% nas terras capixabas, enquanto que no Brasil esse crescimento foi de 30,4%.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nos últimos anos, a economia do Estado do Espírito Santo vinha crescendo bem acima da média brasileira, pois o crescimento econômico do país vinha apresentando resultados pouco satisfatórios. Para o ano de 2007, ainda se vê um bom desempenho da economia capixaba, embora os dados mostrem que o país também vem alcançando um ritmo de crescimento superior aos anos anteriores. Assim, apesar dos resultados favoráveis obtidos pelo Espírito Santo, é bem provável que, no ano passado, o Brasil e o estado tenham obtidos resultados semelhantes. E trata-se de algo positivo, visto que isso não foi fruto de um esmorecimento da economia capixaba, mas sim, como apontam os dados, de um revigoramento do crescimento brasileiro.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
Chages - a série III e IV
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Como Ganhar Dinheiro e Prever Crises
A palestra do cara seguiu a seguinte linha de raciocínio: 1- A bolsa é o investimento com a maior rentabilidade que existe. 2- Existe uma técnica para se investir ações e ganhar dinheiro 3- As ações que caíram devem subir em breve e se quiserem aproveitar a oportunidade a minha empresa é a ....
Vamos analisá-la por partes;
1- Como se sabe, a rentabilidade de um investimento é precificado a partir de um trade-off com o risco embutido nele, de forma que a bolsa só é o investimento com a maior rentabilidade que existe porque é também o mais arriscado que existe.
3- O cara só estava vendendo o peixe dele, e assim como os analistas que o Vinicius ressaltou, esses caras só sabem recomendar que você compre, nunca que você venda, até porque afinal eles vivem disso.
2- Mas o ponto 2 que é o mais importante, a técnica da qual ele falava era a tal da “análise técnica” na qual é só plotar o valor do ativo num gráfico e ver se a média móvel está acima ou abaixo do seu preço, que isto diria a ele se está na hora de comprar ou vender o tal do ativo.
Este instrumento serviria inclusive para prever as crises e, pasmem, quem utilizou esta técnica percebeu que a média móvel ficou abaixo do valor das ações em maio e, portanto vendeu-as nessa época.
Em outras palavras; o cara, e todos que sabem usar a análise técnica, previram a crise.
Só rindo né, parece brincadeira, mas é sério, eu juro que o cara falou isso, tenho até testemunha, o Alysson meu coleguinha de mestrado presenciou tudo.
Eu fiquei com uma vontade de perguntar pro cara se ele vendeu as ações dele em maio... hehehehe, mas imaginei o constrangimento que pergunta ia causar e deixei pra lá. Eu bem me lembro que nessa mesma época (maio), aqui na Ufes, pessoas como ele estavam dando cursos sobre técnicas como estas, ensinando como investir (ao invés de tirar) dinheiro da Bolsa.
Este tipo de ferramenta é charlatanismo, pois qualquer comportamento previsível do preço das ações é logo incorporado no próprio preço das ações. Pensem comigo, se o preço das ações subisse sempre após três pregões de queda, logo, não haveriam mais três pregões de queda, pois as pessoas comprariam as ações no terceiro dia após dois pregões de queda, e logo depois não haveria mais nem dois pregões de queda...
Portanto, é impossível existir uma técnica estabelecida ou mesmo um curso de ganhar dinheiro na Bolsa, de como vencer o Mercado.
O que quero dizer é que esta tal da análise técnica é uma das muitas pseudo-teorias que existem na economia e que devem ser extirpadas, que ela está para teoria econômica, assim ‘como a alquimia está para a química ou como astrologia está para a astronomia’.
Após a palestra do cara da corretora, foi a vez do professor titular de estatística da USP, Pedro Alberto Morettin, que estava lançando seu livro Econometria Financeira, falar sobre o assunto. Ele iniciou sua palestra com a seguinte frase, “Não me perguntem como ganhar dinheiro na Bolsa”, da qual deduzi que ou ele não sabe ganhar dinheiro na Bolsa, ou se sabe, pelo menos não quer contar pra ninguém.
Obs: Hoje existem três concursos pra economia abertos, dois aqui no ES com inscrição até sexta(Seger e Sefaz) e uma agência reguladora (ANA).
Site do Diogo Costa
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Indícios pré-crise
A manutenção das taxas de juros em um nível artificialmente baixo aqueceu o mercado de casas dos EUA mais do que qualquer outro mercado. Uns apontam a CRA (Community Reinvestment Act) como contribuinte para o fato, outros negam a contribuição da CRA, todavia, é inegável a participação das gigantes empresas do setor imobiliário apadrinhadas pelo governo americano, a Fannie Mae e a Freddie Mac. As duas gigantes são empresas privadas com propósitos públicos, de tal forma que conseguiam obter créditos a taxas vantajosas como fruto do apadrinhamento público, já que os credores acreditavam que, no menor risco de insolvência por parte das empresas, o Estado não relutaria em ajuda-las, óbvio, com o dinheiro do contribuinte. Desta forma, grande parte do crédito injetado na economia nos anos de 2002, 2003 e parte de 2004, foi direcionada para o mercado imobiliário americano, como se pode constatar pelos gráficos abaixo.

É visível, pelos gráficos acima, a mudança de comportamento do número de casas construídas e da quantidade de empréstimos hipotecários durante a após a manutenção baixa da taxa de juros. Os empréstimos hipotecários possuem um delay de aproximadamente 2 anos.
Os juros baixos e o crédito fácil com finalidade de habitação aqueceram a demanda por casas de forma mais acentuada que a sua oferta. Esse fato pode ser brevemente imaginado tomando o início de construção de casas como proxy da oferta de casas e empréstimo hipotecário como proxy da demanda de casas. A curva da segunda realiza um movimento mais íngreme que a da primeira após os efeitos dos juros baixos e crédito fácil. Relatos cotidianos de americanos, informam que era corriqueiro um cidadão comum possuir mais de três casas, visto que o aquecimento do mercado imobiliário transformou as casas em um investimento bem atrativo. Em suma, o cidadão pegava um crédito hipotecário de $100 mil para aquisição de uma casa de $100 mil, e meses depois, a casa já estava valendo $110 mil. Podia muito bem pagar a sua dívida e ainda tirar um troco. E assim por diante. Abaixo, o gráfico com o comportamento do preço médio das casas.
Era de se esperar que a) os preços das casas não subiriam ad eternum, e b) muito menos que a economia suportaria baixas taxas de juros de forma artificial. Sendo que, provavelmente, b) levaria a a). E foi o que de fato ocorreu. Do final de 2003 até a metade de
A elevação da taxa de juros interrompeu a escalada dos preços das casas, e aconteceu a velha máxima: “Os últimos que apaguem a luz”. Assim, os “investidores” de casas que pegaram o bonde já em cima, possuíam uma dívida hipotecária que era maior que o preço da própria casa. Como um ser racional, o cidadão prefere entregar a casa (digamos, valendo $100) a pagar uma dívida (digamos, valendo $110). Eis que surgem os títulos podres dos bancos, que o Governo Americano prometeu comprar, em seu bailout. Assim, os bancos passaram a ter direitos de créditos que não dariam a eles crédito algum. Tal acontecimento foi agravado pelas reservas fracionárias dos bancos.
PS1: Onde está o livre mercado que gerou a crise?
PS2: Os gráficos em escala normal e logarítmica chegam à mesma conclusão.








