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sábado, 16 de outubro de 2010

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Socialismo para Ricos

Por Joseph E. Stiglitz

Fonte: O Globo (02/07/09).

Com toda a conversa sobre os “brotos verdes” da recuperação econômica, os bancos americanos estão fazendo esforços para regulá-los. Políticos falam sobre seu compromisso com uma reforma regulatória para prevenir uma recorrência da crise. Esta é uma área em que o diabo realmente está nos detalhes - e os bancos vão mostrar se ainda têm músculos para continuar agindo como no passado.

O velho sistema funcionou bem para os banqueiros (não para os acionistas), então por que mudar? De fato, os esforços para salvá-los deram tão pouca atenção ao tipo de sistema financeiro que emergirá após a crise que acabaremos com um sistema bancário menos competitivo, com bancos-grandesdemaispara-falir ainda maiores.

Há muito se reconhece que essas instituições americanas são grandes demais também para serem dirigidas.

Esta é uma das razões para que o desempenho de vários deles tenha sido tão fraco. Como o governo garante os depósitos, ganha também um papel importante na reestruturação bancária (ao contrário de outros setores). Normalmente, quando um banco quebra, o governo engendra uma reestruturação financeira; se tiver que pôr dinheiro, ganha, é claro, uma participação. O governo sabe que, se esperar muito, bancoszumbis ou quase zumbis - com pouco ou nenhum capital, mas tratados como se fossem instituições viáveis - vão apostar em sua própria ressurreição.

Se apostarem alto e ganharem, levarão o lucro; se falharem, o governo assume o rombo.

Isto não é apenas na teoria; é uma lição que aprendemos, a um alto custo, durante a crise das instituições de poupança e empréstimo nos anos 80. Quando o caixa eletrônico diz “insuficiência de fundos”, o governo não quer que pareça que o banco, e não sua conta, está sem dinheiro. É aí que ele intervém, antes que a gaveta esteja vazia. Numa reestruturação financeira, os acionistas tipicamente são tirados da jogada e os detentores de títulos se tornam os novos acionistas. Algumas vezes, o governo tem que entrar com mais fundos; às vezes, procura um novo investidor para ficar com o banco falido.

Entretanto, o governo Obama introduziu um novo conceito: grande-demaispara-ser-reestruturado.

O governo alega que desataria as forças do inferno se tentasse usar as regras normais nesses grandes bancos. Os mercados entrariam em pânico.
Desta forma, não só não se pode tocar nos detentores de títulos como não se pode tocar nem mesmo nos acionistas - ainda que a maior parte do valor das ações meramente reflita uma aposta numa intervenção governamental.
Discordo desse julgamento. Penso que o governo Obama sucumbiu à pressão política e dos grandes bancos.

Como resultado, a administração tem confundido a salvação dos banqueiros e dos acionistas com a salvação dos bancos.

A reestruturação dá aos bancos a oportunidade de um novo começo: novos investidores potenciais (em ativos ou títulos da dívida) terão mais confiança, outros bancos estarão mais dispostos a emprestar-lhes, e eles próprios estarão mais propensos a emprestar a outros. Detentores de títulos sairão ganhando com uma reestruturação ordeira, e, se o valor de seus ativos for maior do que o mercado acredita, poderão eventualmente sair no lucro.

Está claro que os custos atuais e futuros da estratégia de Obama são muito altos - e até agora ela não atingiu seu objetivo limitado de restabelecer o fluxo de crédito. O contribuinte teve de desembolsar bilhões em garantias - contas que terão de ser pagas no futuro.

Reescrever as regras da economia de mercado de uma forma que beneficiou os que causaram tanto prejuízo a toda a economia global é pior do que apenas muito caro. A maioria dos americanos o considera altamente injusto, especialmente depois de verem que os bancos desviam bilhões destinados à retomada dos empréstimos ao pagamento de bônus e dividendos desproporcionais.

Mas esse novo sucedâneo do capitalismo, no qual os prejuízos são socializados e os lucros, privatizados, está destinado ao fracasso. Os incentivos estão distorcidos. Não existe disciplina no mercado. Os bancosgrandesdemais-para-serem-reestruturados sabem que podem jogar impunemente e, com o Fed (banco central americano) oferecendo dinheiro a taxas de juro próximas de zero, há ampla margem para jogar.

Alguns chamaram esse novo regime econômico de “socialismo com características americanas”. Mas socialismo se preocupa com o indivíduo comum. Em contraste, os EUA têm da do pouca ajuda aos milhões de americanos que estão perdendo suas casas.

Trabalhadores que perdem seus empregos recebem apenas 39 semanas de seguro-desemprego e depois são deixados à própria sorte. Quando perde o emprego, a maioria perde o seguro-saúde também.

Os EUA têm expandido sua rede de segurança para grandes corporações de uma forma sem precedentes, de bancos comerciais a bancos de investimento, a companhias de seguro, à indústria automobilística, sem fim à vista.

Na verdade, isto não é socialismo, mas uma extensão do velho assistencialismo corporativo. Os ricos e poderosos se voltam para o governo para obter ajuda sempre que podem, enquanto pessoas que passam necessidade recebem pouca proteção social.

Precisamos acabar com os bancosgrandesdemais-para-falir. Não há evidências de que esses hipopótamos proporcionem benefícios proporcionais ao custo que impõem à sociedade. Se não conseguirmos acabar com eles, teremos de limitar severamente o que eles fazem. Eles não podem ser autorizados a fazer o que fizeram no passado - jogar com o dinheiro dos outros.

Isto levanta outro problema em relação a esses bancos dos EUA: são poderosos demais politicamente. Seu lobby funcionou bem, primeiro para desregulamentar e depois para fazer o contribuinte pagar pela limpeza do mercado. A esperança deles é que isso funcione de novo para que possam atuar da maneira que quiserem, sem preocupação com os riscos para os contribuintes e para a economia. Não podemos deixar que isso aconteça.

JOSEPH E. STIGLITZ é economista e ganhador do Nobel de Ciência Econômica.

domingo, 21 de junho de 2009

Peter Schiff de volta

Grande palestra de Peter Schiff, basicamente uma aula de economia real, pautada na inteligência e bom senso.

Antes desse, interessante ver o vídeo Peter Schiff estava certo.


terça-feira, 3 de março de 2009

A vingança do Excesso

Para começar o mês de março, segue texto do Krugman.
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Paul Krugman
Do The New York Times

Lembra dos bons tempos, quando costumávamos falar da "crise dos empréstimos subprime" e muitos ainda pensavam que esta crise poderia ser "refreada"? Ah, que nostalgia!

Hoje sabemos que os empréstimos subprime eram apenas uma pequena fração do problema. Até mesmo os maus empréstimos imobiliários representam apenas uma parcela do que deu errado. Vivemos em um mundo de tomadores de crédito perturbados, de construtoras de shopping centers a economias europeias "miraculosas". E novos tipos de problemas de crédito continuam surgindo.

Como aconteceu esta crise do crédito mundial? Por que é tão abrangente? A resposta, eu diria, pode ser encontrada em um discurso que Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve, deu há quatro anos. Na época, Bernanke estava tentando acalmar os ânimos. Mas o que ele disse na verdade foi o presságio do golpe que estava por vir.

O discurso, intitulado "O Excesso das Economias Globais e o Déficit das Contas Correntes nos Estados Unidos", ofereceu uma nova explicação para o aumento rápido do déficit do comércio norte-americano no início do século XXI. As causas, segundo Bernanke, estão não na América, mas na Ásia.

Em meados da década de 1990, ele apontou que as economias emergentes da Ásia foram os importadores de capital mais importantes, tomando empréstimos no exterior para financiar seu desenvolvimento. Mas depois da crise financeira asiática de 1997-98 (que parecia grande na época, mas em comparação com o que está acontecendo agora soa trivial), estes países começaram a se proteger acumulando grandes quantias de bens estrangeiros e, por consequência, exportando capital para o resto do mundo.

O resultado foi o mundo tomado por dinheiro barato sem ter para onde ir.

A maior parte deste dinheiro foi para os Estados Unidos - daí o déficit comercial gigante, porque o déficit comercial é a outra face da entrada de capital. Mas como Bernanke apontou muito bem, o dinheiro foi para outros países também. Em especial, várias economias europeias menores receberam uma quantidade de capital que, ainda que muito menor em dólares do que aquelas absorvidas pelos Estados Unidos, já eram bem maiores se comparadas ao tamanho de suas economias.

Ainda assim, muito do resultado desse excesso de economia foi parar na América. Por quê?

Bernanke citou "a profundidade e sofisticação dos mercados financeiros do país (os quais, dentre outras coisas, permitiram que as famílias tivessem acesso à riqueza imobiliária)". Profundidade, sim. Mas sofisticação? Bem, pode-se dizer que os banqueiros americanos, autorizados por um quarto de século de zelo desregulatório, levaram o mundo a encontrar formas sofisticadas de enriquecer, escondendo riscos e enganando investidores.

Muitos dos outros agraciados com esta enxurrada de capital foram os sistemas financeiros escancarados e com normas flexíveis. Isto pode explicar a correlação quase assustadora entre os elogios conservadores de dois ou três anos atrás e o desastre econômico de hoje. "As reformas fizeram da Islândia um Tigre Nórdico", declarou um artigo do Instituto Cato. "Como a Irlanda Tornou-se o Tigre Celta" era o título do artigo da Heritage Foundation; "O Milagre Econômico da Estônia" era o título de outro. Todas estas três nações estão em crise agora.

Por algum tempo, a entrada brusca de capital criou a ilusão de riqueza nestes países, o mesmo aconteceu com os mutuários americanos: o preço dos bens estava subindo, as moedas estavam fortes e tudo parecia bem. Mas a bolha, mais cedo ou mais tarde, estoura e as economias miraculosas de ontem tornaram-se os casos perdidos de hoje, nações cujos bens evaporaram, mas cujas dívidas continuam mais reais do que nunca. E estas dívidas são um fardo especialmente pesado porque a maioria dos empréstimos é estabelecida tendo como base a moeda de outros países.

Os danos também não são exclusividade dos tomadores de empréstimos. Nos Estados Unidos, a bolha que envolvia o mercado imobiliário estava situada principalmente nas regiões costeiras, mas quando a bolha estourou, a demanda por bens de consumo, especialmente de carros, desmoronou - o que teve um efeito bastante pesado no coração industrial da América. Da mesma forma, as bolhas da Europa estavam situadas na periferia do continente, ainda que a produção industrial da Alemanha - que nunca teve uma bolha financeira, mas é coração industrial da Europa - esteja caindo rapidamente, graças à queda repentina na exportação.

Se quiser saber de onde veio a crise global, então pense da seguinte forma: estamos perante a vingança do excesso.

Todo o excesso resultante da economia de dinheiro ainda está por aí. Na verdade, está maior do que nunca, agora que os consumidores empobrecidos redescobriram repentinamente as virtudes da parcimônia e o boom imobiliário mundial, que serviu de vazão para todo o excesso, tornou-se um golpe generalizado.

Uma maneira de ver a situação internacional agora é que estamos sofrendo o paradoxo global da parcimônia: ao redor do mundo, o montante economizado excede a quantia que as empresas desejam investir. E o resultado é um colapso global que não favorece a ninguém.

E foi assim que nos metemos nesta confusão. E ainda procuramos uma saída.
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Original aqui.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Indícios pré-crise

Do ano de 2002 até meados de 2004, o governo americano manteve a taxa básica de juros da economia em um patamar nunca atingido antes por tanto tempo. Para informação, a parte rosada dos gráficos condiz com período de recessão da economia.


A manutenção das taxas de juros em um nível artificialmente baixo aqueceu o mercado de casas dos EUA mais do que qualquer outro mercado. Uns apontam a CRA (Community Reinvestment Act) como contribuinte para o fato, outros negam a contribuição da CRA, todavia, é inegável a participação das gigantes empresas do setor imobiliário apadrinhadas pelo governo americano, a Fannie Mae e a Freddie Mac. As duas gigantes são empresas privadas com propósitos públicos, de tal forma que conseguiam obter créditos a taxas vantajosas como fruto do apadrinhamento público, já que os credores acreditavam que, no menor risco de insolvência por parte das empresas, o Estado não relutaria em ajuda-las, óbvio, com o dinheiro do contribuinte. Desta forma, grande parte do crédito injetado na economia nos anos de 2002, 2003 e parte de 2004, foi direcionada para o mercado imobiliário americano, como se pode constatar pelos gráficos abaixo.





É visível, pelos gráficos acima, a mudança de comportamento do número de casas construídas e da quantidade de empréstimos hipotecários durante a após a manutenção baixa da taxa de juros. Os empréstimos hipotecários possuem um delay de aproximadamente 2 anos.

Os juros baixos e o crédito fácil com finalidade de habitação aqueceram a demanda por casas de forma mais acentuada que a sua oferta. Esse fato pode ser brevemente imaginado tomando o início de construção de casas como proxy da oferta de casas e empréstimo hipotecário como proxy da demanda de casas. A curva da segunda realiza um movimento mais íngreme que a da primeira após os efeitos dos juros baixos e crédito fácil. Relatos cotidianos de americanos, informam que era corriqueiro um cidadão comum possuir mais de três casas, visto que o aquecimento do mercado imobiliário transformou as casas em um investimento bem atrativo. Em suma, o cidadão pegava um crédito hipotecário de $100 mil para aquisição de uma casa de $100 mil, e meses depois, a casa já estava valendo $110 mil. Podia muito bem pagar a sua dívida e ainda tirar um troco. E assim por diante. Abaixo, o gráfico com o comportamento do preço médio das casas.



Era de se esperar que a) os preços das casas não subiriam ad eternum, e b) muito menos que a economia suportaria baixas taxas de juros de forma artificial. Sendo que, provavelmente, b) levaria a a). E foi o que de fato ocorreu. Do final de 2003 até a metade de 2005, a inflação nos EUA se elevou, o que levou o FED a elevar a taxa de juros para conter o avanço generalizado dos preços. Abaixo o gráfico do comportamento da inflação.



A elevação da taxa de juros interrompeu a escalada dos preços das casas, e aconteceu a velha máxima: “Os últimos que apaguem a luz”. Assim, os “investidores” de casas que pegaram o bonde já em cima, possuíam uma dívida hipotecária que era maior que o preço da própria casa. Como um ser racional, o cidadão prefere entregar a casa (digamos, valendo $100) a pagar uma dívida (digamos, valendo $110). Eis que surgem os títulos podres dos bancos, que o Governo Americano prometeu comprar, em seu bailout. Assim, os bancos passaram a ter direitos de créditos que não dariam a eles crédito algum. Tal acontecimento foi agravado pelas reservas fracionárias dos bancos.

Abaixo, seguem os gráficos dos índices de produção e capacidade industrial da economia americana, como forma de mostrar que o mercado imobiliário sugou todo o crédito dado de mão beijada pelo governo nos anos de 2001, 2002 e 2003. O comportamento dos índices nem chega perto do comportamento das variáveis do setor imobiliário após a injeção de liquidez.



PS1: Onde está o livre mercado que gerou a crise?

PS2: Os gráficos em escala normal e logarítmica chegam à mesma conclusão.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

“Se você é tão inteligente, por que ainda não está milionário?”

Desculpem-me a deselegância de comentar um post com outro post e não no lugar reservado para tal, mas é que o comentário é apenas o meio para se chegar a outro assunto que pretendo tratar neste e em próximos posts.

Eu queria comentar o post no qual Peter Schiff teria previsto a crise, eu não acredito nisso, acho que isso é balela por dois motivos.
Primeiro, porque ele era uma assessor de um político, e os políticos (assim como os macro-economistas) costumam prever ‘corretamente 8 das ultimas 3 recessões’ hehehe, até o Barack Obama virou a eleição norte-americana na semana da crise porque tinha enviado umas cartinhas, acho que ao Secretário de Tesouro, criticando a política econômica e “prevendo a crise”. Quero dizer que eu fico com um pé atrás sempre que uma mensagem econômica é utilizada politicamente.
Segundo, e mais importante, é porque eu estou de acordo com a teoria que diz que os mercados são eficientes, isto é, a previsão média quanto ao comportamento futuro dos ativos econômicos está contida no preço presente dos mesmos. Isso permite uma oportunidade de lucro incrível para os que realmente tivessem a capacidade de prever essas coisas. Então como Peter Schiff sabia que uma recessão estava vindo ele podia ter pegado 100mil, 1mi ou até 1 bi emprestado no banco e apostado em derivativos, ou alugado ações, ou comprado Dólar se fosse Brasileiro, ou sei lá oq, e seria hoje um milionário ou até bilionário.
Mas dentre as poucas pessoas que lucraram com a crise não me recordo de nenhuma que apostou pra valer nela, em outras palavras, nem ele apostou na previsão dele.

O cara que tem uma ante-visão de um cenário desses, sabe o valor econômico de uma informação privilegiada dessas e resolve não ganhar nem uns milhõeszinhos com isso, uma vergonha... pra mim, um cara desses, ou é um burro, um débil mental ímpar, daqueles de rasgar dinheiro ou é apenas mais um charlatão que vive por ai arrotando previsões.
Resumindo, acho que o critério para se definir quem previu a crise, é quanto o cara lucrou com isso.

Por fim, pretendo nos próximos posts elucidar algumas implicações desta teoria do mercado eficiente, que pode ser resumida num simples pergunta; “se você é tão inteligente, por que ainda não está milionário?” ou num corolário; de que apenas informações privilegiadas podem obter lucro econômico, e que por serem privilegiadas ninguém fica por ai ansioso para dar entrevistas e contar suas informações privilegiadas, ou mesmo dando palestras de como obtê-las a partir de gráficos plotados... mas isso já é tema para outro post.


Obs: Ah, pra quem gosta de concursos, como eu, ano que vem tem vai ter o do Banco Central. Fiquem de olho.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

PETER SCHIFF ESTAVA CERTO! 2006-2007

Para quem ainda não viu, é imperdível! Está sem legenda, mas como ninguém se habilitou a postar uma versão legendada no youtube (e eu não vou fazer isso também), segue a original. O mais engraçado é ver todo mundo em volta rindo e o ridicularizando, como se ele fosse o maior lunático!

Peter Schiff foi consultor econômico na campanha de Ron Paul durante as primárias do Partido Republicano. Ele segue os princípios da Escola Austríaca e do Instituto Ludwig von Mises.

Maio de 2006: durante um debate na Fox News, Schiff corretamente previu que o mercado imobiliário dos EUA era uma bolha que em pouco tempo explodiria.

Agosto de 2006: "A economia dos Estados Unidos é como o Titanic, e eu estou aqui com o bote salva-vidas tentando convencer as pessoas a abandonar o navio... Eu vejo uma verdadeira crise financeira chegando aos Estados Unidos."

Dezembro de 2007: em entrevista na Bloomberg, Schiff afirmou que a crise poderia se estender para o mercado de cartão de crédito.

Schiff declarou em inúmeras ocasiões que a crise econômica atual não é o problema; é a solução. De acordo com ele, a transição de uma posição de gastos e de contração de empréstimos para outra de poupança e produção não pode ser realizada sem uma severa recessão, dado o corrente desequilíbrio da economia norte-americana. No entanto, afirmou que essa transição necessariamente precisa acontecer.

Schiff defende fortemente a redução da regulação governamental na economia, e teme que o governo de Barack Obama a eleve.

(tradução livre de: http://en.wikipedia.org/wiki/Peter_Schiff)

(vídeo no youtube: http://br.youtube.com/watch?v=2I0QN-FYkpw)


segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Mais crise - outra perspectiva

O que acontece quando quem explica a crise é alguém do meio que não tem medo de ser um pouco... hm, cáustico:

In the end, it was taking no risk that created the greatest risk of all -- giving stupid people free money
Não dá pra ser mais direto e ácido que isso, né? hahaha

Esquire Magazine, aquela que já teve Hemingway escrevendo.

sábado, 27 de setembro de 2008

Democratas, Republicanos e Subprime

Passado o entusiasmo que Barack Obama é capaz de causar em qualquer um, dada sua oratória fantástica, alguns de seus recentes discursos estão causando incômodo a quem tem observado os desenlaces da crise financeira americana.

Esquecer a história e recontá-la a sua maneira sempre fez parte da política e até da ciência, por isso é preciso tomar cuidado com algumas observações acerca da crise. A insistência em culpar o partido republicano e a falta de regulação pela bagunça que vigora no sistema financeiro está cada vez mais patente no discurso de Obama. Mas isso pode acabar saindo como um tiro no próprio pé.

O "financiamento" estatal das empresas em questão, bem como sua desregulamentação, foram promovidos pelos democratas visando a um objetivo "social" - o aumento dos fundos para aquisição da casa própria por parte da população de baixa renda.

Não obstante, a população americana parece ser, diferentemente de outros países, um pouquinho menos suscetível à manipulação por meio de discursos populistas.

Segue abaixo a análise republicana da crise, na voz de Mankiw, conselheiro econômico da adminstração Bush.

Quem tiver tempo leia os originais em inglês.

Distorcendo a História
Por Greg Mankiw
Tradução: Carlos Cinelli

No debate de ontem à noite, Barack Obama faz uma boa pergunta sobre a presente crise financeira, mas dá uma resposta, no mínimo, incompleta:

“A pergunta, eu acho, que devemos fazer a nós mesmos, é como fomos parar nessa situação? Há dois anos, eu avisei que, por causa da bagunça dos empréstimos subprime, por causa da regulação frouxa, teríamos potencialmente um problema, e eu tentei parar com algum dos abusos das hipotecas que estavam acontecendo à época... nós também temos que nos perguntar: como foi que destruímos tantas regulações? Nós não construímos um quadro regulatório do século XXI para lidar com esses problemas. E isso tem a ver com a filosofia econômica que diz que regulação é sempre ruim.”


A partir do discurso de Obama, somos levados a acreditar que o principal problema foi uma filosofia republicana de “livre capitalismo” que levou a uma regulação estatal insuficiente no sistema financeiro.

O senador Obama talvez queira ler esse artigo do NY Times de 1999!

“Num movimento que pode ajudar a aumentar o número de casas próprias entre as minorias e as pessoas de baixa renda, a Corporação Fannie Mae está afrouxando os requisitos necessários para a compra de empréstimos de bancos e outros emprestadores... Fannie Mae, a maior subscritora de hipotecas da nação, tem sido posta sob pressão no governo Clinton para expandir as hipotecas entre as pessoas de baixa renda.”

Eu não estou sugerindo que o problema de toda a crise deva ser colocado no colo do time de Clinton. Há muita culpa a se botar em várias pessoas. De certo, o problema vai até, pelo menos, a administração de Johnson, que ajudou a erguer um sistema de financiamento imobiliário fundamentalmente problemático.

Se o senador Obama realmente quer transcender a política partidária, como às vezes nos faz crer, talvez ele queira nos dar uma visão ligeiramente mais balanceada da história de como isso tudo começou. Ele também deveria notar que a administração Bush avisou sobre esses problemas há cinco anos, e que teve suas tentativas de reforma embargadas por destacados políticos do partido de Barack Obama.

O que deu errado na crise?

Diagnóstico de Larry:

“O que deu errado? A ilusão de que as companhias estavam fazendo um trabalho virtuoso tornou impossível construir uma agenda política para criar uma séria regulação. Quando havia falhas sociais as companhias sempre culpavam a necessidade de obter resultados para os acionistas. Quando havia falhas de negócios as empresas sempre diziam ser resultado de suas obrigações sociais. O questionamento da disciplina no orçamento do governo não era válido porque as empresas eram “privadas”. Contudo, a disciplina de mercado era inexistente porque havia uma percepção generalizada – e agora validada – de que suas dívidas eram asseguradas pelo governo. Não é de se espantar que, com ganhos privatizados e perdas socializadas, as empresas apostaram como num cassino até chegarem à catástrofe financeira.”


Mantendo Fannie Mae e Freddie Mac em ordem

(Artigo do Greg Mankiw no Financial Times, sobre as empresas do financiamento imobiliário americano, em 24 de fevereiro de 2004)


O congresso americano caminha na direção de aumentar a supervisão do mercado de hipotecas americano. Alan Greenspan, presidente do FED, está convocado hoje para testemunhar ante o comitê bancário do senado sobre a regulação de Fannie Mae, Freddie Mac, e o Sistema Federal de Empréstimo Bancário Imobiliário, os Empreendimentos Patrocinados pelo Governo (EPG) que sustentam o mercado. Audições adicionais serão feitas amanhã.

O problema dos EPG vai bem mais além do que o papel da habitação na economia. Ele tem alcançado implicações para todo o sistema financeiro americano.

Os EPG foram criados há uma década para assegurar uma oferta adequada de fundos para hipotecas. Embora criado para fins públicos, tratam-se de empresas privadas. Fannie e Freddie são propriedade de seus acionistas, e os Bancos Federais de Empréstimo Imobiliários são propriedade de seus membros, em sua maioria, instituições financeiras. Desde sua criação, suas atividades têm expandido enormemente.

Por lei, os EPG de habitação gozam de privilégios como isenção de impostos e de registro na SEC (CVM americana), bem como alguns requerimentos de divulgação de resultados. O Tesouro Americano tem a autorização de estender o crédito a eles e alguns de seus diretores são indicados pelo Presidente. O benefício monetário direto desses privilégios é modesto, contudo, seu valor simbólico é muito significante.

Os privilégios alimentam uma crença no mercado de que as dívidas dos EPG são garantidas pelo governo americano. Dada essa percepção, investidores estão dispostos a aceitar um menor rendimento das dívidas dos EPG’s do que de outras companhias privadas. Um estudo recente do FED estimou que as taxas de juros sobre a dívida de Fanni e Freddie ficaram 40 pontos- base abaixo de ativos comparáveis. No mercado financeiro, tal vantagem, provinda desse subsídio de financiamento, é enorme!

A maioria dos analistas acredita que os EPG’s passam alguns de seus subsídios implícitos para a população de baixa renda, através de menores taxas de juros hipotecárias. Todavia, o estudo estima que o subsídio reduza as taxas hipotecárias por 7 pontos-base, sendo todo o resto embolsado pelos executivos e acionistas.

Essa situação levanta o problema da justiça de tal ato, pois o subsídio deixa outras instituições financeiras em desvantagem. MAS O PRINCIPAL PROBLEMA É QUE ESSE SUBSÍDIO DO GOVERNO GERA UMA FONTE DE RISCO SITÊMICO PARA O SISTEMA FINANCEIRO AMERICANO. Desde 1996, a dívida gerada para as EPG’s de habitação mais que triplicaram. (...)

Porque as EPG’s de habitação são muito grandes, o risco que eles enfrentam são importantes para todo o sistema financeiro. A dívida dos EPG é dividida por várias outras instituições. Até um pequeno erro de gerenciamento de risco dos EPG’s poderia causar efeitos danosos em toda a economia.

Embora não exista meio de eliminar todo o risco, é possível reduzi-lo assegurando que essas companhias estejam sob a supervisão de um órgão regulador. Este órgão deveria ter a autoridade de impor padrões de risco e de capital mínimo para os EPG’s; de revisar e negar novas atividades dos EPG’s (...)”

Proposta da Administração Bush para regulação do sistema financeiro
11 de setembro de 2003

“A administração de Bush recomendou hoje a mais significativa revisão geral na regulação do financiamento imobiliário desde a crise de poupança e empréstimo de uma década atrás. (...) uma nova agência seria criada dentro do Departamento do Tesouro para supervisionar Fannie Mae e Freddie Mac, as companhias patrocinadas pelo governo que são as maiores do mercado de hipotecas”

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

No exterior, o socorro é visto como um desvio do capitalismo

18/09/2008

Nelson D. Schwartz
Em Paris

Os Estados Unidos deixaram de ser o farol mundial do capitalismo de livre mercado, irrestrito?Ao oferecer um empréstimo de último minuto de US$ 85 bilhões ao American International Group (AIG), a seguradora em dificuldades, Washington não apenas deu as costas a décadas de retórica sobre as virtudes do livre mercado e os riscos de intervenção do governo, mas também provavelmente minou futuros esforços americanos para promover essas políticas no exterior."Eu temo que o governo tenha passado ao ponto sem retorno", disse Ron Chernow, um importante historiador financeiro americano. "Nós temos a ironia de um governo de livre mercado fazendo coisas que o governo democrata mais liberal nunca faria nem mesmo nos seus sonhos mais insanos."O pacote de socorro ao AIG, além do apoio anterior do governo ao Bear Stearns, Fannie Mae e Freddie Mac, espantou até mesmo os autores de políticas europeus, acostumados a intervenções do governo - apesar de reconhecerem o choque do colapso do Lehman Brothers, onde Washington optou por não intervir."Para os oponentes do livre mercado na Europa e em outros lugares, esta é uma oportunidade maravilhosa de citar um exemplo americano", disse Mario Monti, o ex-chefe antitruste da Comissão Européia. "Eles dirão que até mesmo o porta-estandarte da economia de mercado, os Estados Unidos, nega seus princípios fundamentais em seu comportamento."Monti disse que crises financeiras anteriores na Ásia, Rússia e México obrigaram governos a intervir, "mas esta é a primeira vez no coração do capitalismo, o que é enormemente mais prejudicial em termos de credibilidade da economia de mercado".Na França, onde o governo há muito apóia a criação de "campeões nacionais" e trabalha ativamente para proteger empresas seletas da ameaça de tomada estrangeira, os políticos foram rápidos em apontar o paradoxo daquela que é basicamente a nacionalização da maior seguradora americana."Hoje, as ações dos autores de políticas americanos ilustram a necessidade de patriotismo econômico", disse Bernard Carayon, um legislador do partido de centro-direita UMP, do presidente Nicolas Sarkozy. "Eu os parabenizo."Para os "pregadores do mercado esta é uma lição dolorosa", ele acrescentou.As economias nacionais estão entrando em "uma era de maior regulação e de maior mistura entre o setor público e privado".Em partes da Ásia, os socorros trouxeram lembranças amargas da abordagem diferente adotada pelos Estados Unidos e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) durante a crise econômica ocorrida lá, há uma década.Quando o FMI ofereceu US$ 20 bilhões para ajudar a Coréia do Sul a sobreviver à crise financeira asiática no final dos anos 90, uma das condições impostas foi a de que o governo sul-coreano deixasse os bancos e empresas em dificuldades falirem em vez de socorrê-los, lembrou Yung-chul Park, professor de economia da Universidade da Coréia, em Seul, que esteve profundamente envolvido nas negociações com o FMI.Apesar de Park dizer que a atual crise é diferente - é global em vez de restrita a uma região como a Ásia - "Washington está seguindo um roteiro diferente desta vez"."Eu entendo por que o fizeram", ele acrescentou. "Mas eles perderam uma certa credibilidade para pressionar pela abertura de mercados no exterior para a concorrência estrangeira e pela liberalização das economias."As ramificações do socorro ao AIG também serão sentidas por anos dentro dos Estados Unidos.O AIG era um tipo diferente de empresa que a Fannie Mae ou Freddie Mac, que contavam com uma linha de crédito garantida pelo governo, na condição de fornecedores de financiamento hipotecário, ou o Bear Stearns, que era regulado pelo governo federal."Esta era uma seguradora que não contava com regulação federal", disse Gary Gensler, que serviu como alto funcionário do Departamento do Tesouro durante o governo Clinton. Nem o AIG contava com acesso aos fundos do Federal Reserve (o banco central americano) ou ao seguro de depósitos, como um banco comercial."Nós estamos em um novo território", acrescentou Gensler. "Esta é uma mudança de paradigma."O AIG também está em uma liga diferente por causa da amplitude de seus negócios e suas extensas operações no exterior, especialmente na Ásia.Além disso, ele caiu em uma espécie de lacuna regulatória sob as regras atuais.Apesar da empresa, com sede em Nova York, ser mais conhecida pela venda de produtos convencionais como apólices de seguro e planos de previdência privada supervisionados pelos reguladores nos Estados Unidos, ela também está profundamente envolvida no mercado opaco e de risco de derivativos e outros instrumentos financeiros complicados, que operam em grande parte fora da regulação.Além da ameaça às apólices de milhões de consumidores comuns, foi a ameaça representada por estes instrumentos financeiros arcanos que levou Washington a socorrer o AIG.Até agora, o resgate não fortaleceu os mercados. "É pura gestão de crise", disse Chernow. "São o Tesouro e o Federal Reserve avançando de uma crise a outra sem uma declaração clara sobre como os fracassos financeiros serão tratados no futuro. Eles têm medo de articular uma política dessas. A rede de segurança que estão abrindo parece crescer a cada dia, sem um fim à vista."

Tradução: George El Khouri Andolfato
Visite o site do The New York Times

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Fim do neoliberalismo?

O assunto volta à mídia! Seguem abaixo um ponto e um contra-ponto.
E você, acha que o "neoliberalismo" acabou?
Ainda não tem opinião? Ora, já teve até debate no curso sobre isso!

Comentem!
Abraços.

Ajuda dos EUA é fim do neoliberalismo, dizem analistas (ponto)
Viviane Monteiro
Jornal do Brasil
9/9/2008

Intervenção americana em bancos é sintomática, acham brasileiros

A intervenção do governo dos Estados Unidos às empresas de hipotecas Freddie Mac e Fannie Mae marca o fim do sistema neoliberal, conhecido como Estado mínimo na economia. Essa é a visão de ministros e ex-ministros brasileiros que participaram ontem do seminário 200 anos do Ministério da Fazenda. A ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, é até mais contundente na afirmação. Para ela, a idéia de que o Estado deveria intervir menos na economia nunca foi aplicada em economias desenvolvidas, principalmente nos Estados Unidos, onde o sistema surgiu.

– Em momento algum os Estados nacionais de países desenvolvidos foram enfraquecidos. A história do neoliberalismo só valia para nós. No mundo capitalista desenvolvido jamais houve liberalismo – disse a ministra, que participou do seminário 200 anos do Ministério da Fazenda, em Brasília.

Para o ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser Pereira, a crise que se apresenta nos países desenvolvidos é semelhante a dos anos 1930, iniciada em 1929 com a queda da Bolsa de Nova.

– Ela seria mais profunda se o governo não viesse intervindo – disse. – Essa crise marca o fim da onda neoliberal e marca a necessidade que a sociedade está encontrando de renovar o papel do Estado. O socorro é a demonstração dos fracassos de um mecanismo puramente do setor financeiro; o setor financeiro, que virou o arauto do neoliberalismo, é quem está precisando de socorro do Estado.

Bresser defendeu uma complementação entre a intervenção do mercado financeiro e do Estado na economia. Disse também que a situação seria pior caso não houvesse uma intervenção mais forte do banco central dos EUA na economia do país nesse momento.

Brasil elogia decisão

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que a intervenção do governo americano às empresas é positivo porque evita que a crise se expanda para empresas e bancos estrangeiros que investiram nessas companhias que movimentam US$ 13 trilhões.

– O apoio procurou evitar um problema sistêmico, de que a crise seja de cinco graus na escala de richter e evite a ir a sete graus da escala de richter – comparou.

Delfim Neto, também ex-ministro da Fazenda, afirmou que não existe desenvolvimento econômico sem a intervenção do Estado.

– O Estado indutor é um instrumento que mobiliza o setor privado – declarou.

"Enterro do liberalismo"

Defensora da intervenção do Estado máximo na economia, a ministra Dilma afirmou, durante a palestra no seminário, que a criação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) é um programa que permite resgatar o planejamento do Estado.

– O PAC é o primeiro degrau para os próximos anos que pode garantir o crescimento sustentável do país – declarou.

A economista Maria da Conceição Tavares foi na mesma linha. Disse que a intervenção do governo dos EUA representa o "enterro do neoliberalismo".

– É fantástico o país mais liberal do mundo ter de estatizar. É o enterro do neoliberalismo de uma maneira trágica – afirmou Maria da Conceição.

A economista comparou a operação ao Proer, programa de socorro a instituições financeiras realizado no primeiro governo do presidente Fernando Henrique Cardoso.

– Custou uma fortuna – afirmou, em relação à intervenção dos EUA. – O nosso Proer foi mais baratinho.


O "FIM DO NEOLIBERALISMO" E A HORA DOS PICARETAS (contra-ponto)
Reinaldo Azevedo

Escrevi ontem sobre a tal fim do neoliberalismo, que teria sido decretado com a intervenção do governo dos Estados Unidos em dois fundos imobiliários. A quantidade de besteira que se disse nesta segunda poderia ter sido avaliada em quilos. É uma coisa espantosa. E a tarefa foi facilitada porque há em Brasília o seminário “Desenvolvimento Econômico: crescimento e distribuição de renda”. Assim, a chance que os jornalistas tinham de sujar os sapatos em bobagens era enorme.

Vejam esta da economista Maria da Conceição Tavares, presente ao evento: “Enterraram o neoliberalismo de maneira trágica. O nosso Proer foi mais baratinho. E o nosso sistema bancário não está comprometido (com a crise), o que é uma boa”. Se você não entendeu, leitor, ela esta sendo irônica com o programa de reestruturação de bancos havido no Brasil no governo FHC. Ela e todo o PT se opuseram às medidas. Acusavam-nas de ser leite de pata pra banqueiros. Ela também foi contra o Plano Real — que conduziria o país à bancarrota, jurava com todos os gritos.

Uma nota: quando FHC chegou à Presidência, seus netos eram herdeiros do Banco Nacional. Quando ele saiu, seus descendentes eram uns sem-banco. O Nacional quebrou. Como quebrou o Bamerindus, que pertencia a um de seus ministros. E outras tantas instituições dançaram antes e depois da eestruturação — feita, isto sim, para proteger os correntistas e evitar o caos financeiro no país. Como se vê, FHC foi mais severo com a própria descendência e com seus aliados do que Lula com o seu “Ronaldinho” e a sua turma. Adiante.

Só Maria da Conceição destrambelhou? Ah, não!

Com a elegância teórica habitual, o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) disse às gargalhadas, informa O Globo: “Um dia negro para nós, neoliberais do planeta”. Do que será que ele estava rindo? Também para o tucano Luiz Carlos Bresser-Pereira, a intervenção nos dois fundos imobiliários decreta “o fim do neoliberalismo”. Dilma foi na mesma linha, conforme se lê no post abaixo.

Fico aqui pensado: “O que será que essa gente chama de neoliberalismo?” O que se notava ontem em figuras tão ilustres era uma espécie de incontida satisfação: “Tá vendo? Tá vendo? Neoliberalismo não funciona”. E a grande tentação, em muitos casos, era dizer que o próprio capitalismo não é lá essas coisas. A questão é de história e de lógica. Se o ordenamento jurídico permite essa intervenção, então esse tal “neoliberalismo” como sistema nunca chegou a existir.

Alguns dos ilustres que saudaram ontem “o fim do neoliberalismo” opuseram-se ao Real, ao Proer, às privatizações, à Lei de Responsabilidade Fiscal, à privatização dos bancos estaduais, à quebra dos monopólios porque, bem..., chamavam essas medidas de “neoliberais”. Se o país pode, hoje, enfrentar a crise internacional com razoável estabilidade é porque os então chamados “neoliberais” venceram o debate naquele período.

Não? Estou errado? ENTÃO ME DIGAM UMA SÓ MEDIDA ESTRUTURAL – OU ESTRUTURANTE, COMO ELES GOSTAM DE DIZER – que seja da lavra de Lula. Digam-me uma só coisa que ele tenha feito de fundamental que não tenha sido aprofundar ações que herdou dos “neoliberais”.

A picaretagem intelectual dessa gente é assombrosa.

domingo, 13 de julho de 2008

Crise americana - corrida aos bancos

Correntistas correm ao banco Indymac e sacam mais de US$ 1 bilhão! A coisa tá ficando preta.

Retirado do G1.