quinta-feira, 28 de abril de 2011
Agora o tatame vai tremer! O "figth" continua...
E quem quiser entender um pouco da visão austríaca da macroeconomia, vejam esta apresentação aqui do Roger Garinson.
quarta-feira, 27 de abril de 2011
Estes economistas e suas incríveis máquinas de calcular...
E vejam também o modelo de uma superfície de consumo, utilizada pelo Irving Fisher usava nas suas aulas, e ele também desenvolveu um modelo de computador hidráulico. Via Blog do Leonardo Monasterio
segunda-feira, 27 de setembro de 2010
Avaliação da Capes
Avaliação Trienal da CAPES
Participei da Comissão de Área de Economia durante a recente avaliação trienal promovida pela CAPES. Essa comissão sugeriu as notas que cada centro de pós graduação em economia deveria receber. Tais notas são importantes, pois além de serem usadas para distribuição de recursos públicos, também servem de sinalização referente a qualidade de cada centro de pós-graduação.
A EPGE e a USP receberam a nota máxima (nota 7), e a mereceram. A FGV-SP também mereceu a nota 7, mas ficou com 6. Basicamente isso ocorreu pois na avaliação anterior a FGV-SP tinha nota 5, e pulos de 2 níveis são reservados apenas a situações excepcionais. Eu não sou um grande fã da UFRJ (basicamente por divergências ideológicas), mas seguindo os critérios da CAPES eles mereceram a nota 6. Temos então que, de acordo com os critérios da CAPES, dois dos melhores centros residem em São Paulo e outros dois no Rio de Janeiro. Mais importante: dois deles são privados. Isto mostra a importância do setor privado para a pesquisa econômica de alto nível no Brasil.
Numa avaliação pessoal, eu teria colocado a PUC-RJ com nota 7. Acontece que SEGUINDO AS NORMAS da CAPES, a nota 5 para a PUC-RJ está correta. O problema da PUC-RJ reside no baixo número de doutores formados por esse centro. Não vou entrar aqui no mérito se isso está correto ou não. Mas a PUC-RJ conhecia as normas da CAPES, e optou por manter um número baixo de doutores formados. A PUC-RJ é um excelente centro, mas as regras da CAPES estão dadas, se você opta por não seguí-las, também não adianta reclamar depois. Mas ressalto que acho legítma decisão da PUC-RJ.
Quanto ao mestrado profissionalizante, temos que os únicos centros notas 5 (nota máxima para mestrados) são centros privados: FGV-RJ, FGV-SP, IBMEC-RJ e INSPER. Novamente ressaltando a importância da iniciativa privada na formação de capital humano de alto nível no Brasil.
De maneira geral, a avaliação trienal da CAPES concluiu o que alguns acadêmicos já haviam apontado: a qualidade da pesquisa em economia no Brasil tem aumentado significativamente. Para a próxima avaliação trienal resta um grande desafio: discutir e aprimorar o QUALIS (ranking de periódicos que recebem pontuação na área de economia). Desnecessário dizer que o grosso da nota de um centro depende do formato do QUALIS.
retirado de http://bdadolfo.blogspot.com/2010/09/avaliacao-trienal-da-capes.html
sábado, 10 de abril de 2010
Poupança e investimento
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE ECONOMIA INSTITUCIONAL
Dia 16 de Dezembro, no CCJE, UFES, ocorrerá o SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE ECONOMIA INSTITUCIONAL, com a presença de Geoffrey Hodgson, expoente da nova frente de pesquisa que busca resgatar o velho institucionalismo. Além do convidado internacional, também estarão presentes nosso professor Dr. Alexandre Ottoni Teatini Salles, Prof. Dr. Jaques Kerstenetzky, Prof. Dr. Huáscar Pessali e Prof. Dr. Fabiano Dalto.
Você já pode se informar e fazer sua inscrição (gratuita) no site do evento!
Abs!
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Seminário GPIDECA e Minifórum


domingo, 20 de setembro de 2009
Mais duas vagas
Podemos dividir a espinha dorsal do curso de economia da UFES em algumas grandes áreas: história, economia política, métodos quantitativos, microeconomia e macroeconomia. Há várias outras disciplinas complementares importantíssimas, mas essas formam a base. Assim, são notórias as deficiências que se tem hoje em algumas dessas áreas básicas que um curso de economia deve oferecer, principalmente em Econometria, Microeconomia e Macroeconomia. A quantidade de professores (que não são especificamente da área) que revezam para dar as matérias, muitas vezes substitutos, é evidência da situação em que se encontram. Se a primeira é crítica por não existir nenhum especialista na área no departamento, as duas últimas não ficam atrás por terem, respectivamente, 3 e 4 matérias obrigatórias na grade curricular. Isso se não contarmos Organização Industrial, Economia e Administração de Empresas e Setor Público como correlacionadas à Micro e Economia Internacional e Contabilidade Social como correlacionadas à Macro. Se contarmos, então há um total de 12 (!) matérias que requerem um bom conhecimento das áreas de Micro e Macro (sem contar a Econometria como subsidiária a elas). O currículo do curso está disponível aqui.
A justificativa para votar-se em um professor de História e Desenvolvimento Econômico foi justamente essa: não havia alguém específico da área que pudesse dar a matéria, que é obrigatória na nova grade curricular. Esse é um argumento bom, justo, ninguém discorda. Mas há muitas áreas que estão carentes. Ora, se for para manter a coerência, e de fato buscar uma boa formação do aluno, por essa mesma linha de raciocínio não resta dúvida de quais matérias devam ser contempladas agora.
Para tanto, vejamos as outras áreas.
Na parte de História há as matérias de Formação e Desenvolvimento do Capitalismo, Desenvolvimento Sócio-Econômico, FEB I, FEB II e Economia Brasileira Contemporânea. Essa área já ganhou um ótimo professor recentemente e ainda receberá mais um com o concurso recém aprovado. Além disso, no departamento há outros professores com bastante experiência que lecionam(ram) uma ou outra matéria, tais como: Saade, Neide, Maria José, Vinicius, Adriano, Balarini etc. Só para citar os que recentemente deram alguma dessas matérias. Vê-se que há mais professores do que disciplinas obrigatórias.
A parte de Economia Política e HPE não está menos favorecida. Há Economia Clássica, Economia Política I e II. É uma área importante que já está bem servida com: Adriano, Carcanholo, Nakatani, Sabadini, Vinicius, Malaguti, Rogério etc. Também, já há mais professores do que disciplinas obrigatórias.
Quanto às outras matérias (tanto obrigatórias, quanto optativas – ou optatórias) há professores que podem ofertar praticamente todas, como Organização Indutrial I e II, Economia Internacional, Setor Público I e II, Matemática Financeira, Análise de Projetos, Matérias de HPE e Economia Política, Economia Agrícola, Economia Capixaba, Economia Institucional, Economia e Tecnologia, Economia Planificada...
Para não se estender muito, entretanto, vejamos logo as áreas específicas de Macroeconomia e Microeconomia (as básicas, de cunho mais neoclássico). Obviamente, pode-se colocar qualquer professor para dar essas matérias, inclusive substitutos – mas isso não é o ideal, tampouco alguém deve usar isso como argumento (se quiser manter a coerência). Específicos, em macro, há Saade, Ana Carolina (que está fora) e Alain (que está como coordenador do mestrado). Assim sobra efetivamente apenas um professor que é específico da área. Já em micro e econometria não há ninguém específico da área. E mesmo se contarmos com os eventuais professores que cobrem essa lacuna, não há professores suficientes para a quantidade de matérias, muito menos se contarmos que eles também devem orientar monografias, fazer pesquisa e ofertar optativas (quem vai dar contabilidade social, Macro 1, 2, 3 e 4, OI 1 e 2, Economia e Administração de Empresas, Introdução à Micro, Micro 1 e 2 e 3 e assim por diante?).
Um levantamento feito por Marco e Glauber, sobre o currículo lattes dos professores, evidencia, na minha opinião, sem sombra de dúvidas, onde há a carência de professores (levantamento no final do post).
Vale frisar, como já foi feito por João em diversos posts (1, 2, 3) que não se trata de disputa ideológica. Na situação atual, o aluno vai sair sem conhecer os modelos de Crescimento Neoclássico e como aplicar, por exemplo, a resolução de equações diferenciais para obter a trajetória temporal das variáveis do modelo, saber se o equilíbrio é estável ou não, a diferença entre o modelo de Domar e Solow... também não saberá como estimar quanto do crescimento do PIB brasileiro do último ano foi devido ao crescimento do progresso técnico... não se aprofundará na teoria do consumidor e da firma, informação assimétrica, ou em teoria dos jogos... e mesmo que ele não concorde com a matematização da economia, com o individualismo metodológico ou qualquer outra coisa, não será capaz de entender ou formular críticas aos modelos, apenas de repetir as críticas já feitas. O aluno não precisa se aprofundar nisso em sua especialização, mestrado, doutorado, mercado de trabalho, aí é escolha dele, mas precisa ver na graduação, ainda mais com o currículo que foi discutido e formado pelos próprios alunos e professores.
Não obstante, mesmo diante de clara lacuna, é possível que alguns professores não se atentem a essa necessidade e tentem o puxar a sardinha pro seu lado (seja qual lado for). E isso é mais do que natural. Mas, não é o ideal. E é nesse sentido que, acredito, deva atuar a representação estudantil. Essa discussão, pelo menos no tempo que estive aí, nuna esteve tão forte e, principalmente, tão disseminada entre os alunos. A oportunidade é de ouro, no total serão 4 vagas que, se tudo der certo, podem contemplar Economia Matemática, História, Econometria, Macro e Microeconomia, suprindo as áreas fundamentais e carentes do curso.
Depois de aprovadas, a luta será na formação da Banca e do programa, que devem ser formados de maneira rigorosa, escolhendo os mais aptos do departamento para a área e convidando um especialista notório de fora. A bibliografia mínima tem de ser de pós-graduação, como, por exemplo, Hayashi para Econometria e Mas-Colell e Jehle & Reny para Microeconomia.
Bom, segue abaixo a relação das áreas de atuação no Lattes de alguns professores. Acho que é autoevidente.
Abs.
Alain Pierre Claude Henri Herscovici
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Law and Economics.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia da Informação.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Macroeconomia.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: História do Pensamento Econômico.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia da Cultura e da Comunicação.
Bolsista CNPQ de produtividade nivel 2
Alexandre Ottoni Teatini Salles
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Teoria Econômica.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia Institucional.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia Internacional / Especialidade: Globalizacao financeira.
Angela Maria Morandi
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia Industrial / Especialidade: Organização Industrial e Estudos Industriais.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia Regional e Urbana / Especialidade: Economia Regional.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia Industrial / Especialidade: Mudança Tecnológica.
Arlindo Villaschi Filho
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia Industrial / Especialidade: Mudança Tecnológica.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia Regional e Urbana / Especialidade: Economia Regional.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia.
José Lazaro Celin
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Teoria Econômica / Especialidade: Economia Geral.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economias Agrária e dos Recursos Naturais / Especialidade: Economia Agrária.
Luiz Jorge Vasconcellos Pessôa de Mendonça
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia.
Manoel Luiz Malaguti Barcellos Pancinha
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia Industrial.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Teoria Econômica.
Grande área: Ciências Humanas / Área: Filosofia / Subárea: Epistemologia.
Mauricio de Souza Sabadini
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Teoria Econômica / Especialidade: Economia Política.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Teoria Econômica / Especialidade: Economia do Trabalho.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia Monetária e Fiscal / Especialidade: Teoria Monetária e Financeira.
Neide Cesar Vargas
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia do Setor Pùblico.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia Regional e Urbana.
Paulo Nakatani
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia Monetária e Fiscal / Especialidade: Política Fiscal do Brasil.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia Monetária e Fiscal / Especialidade: Teoria Monetária e Financeira.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia dos Recursos Humanos / Especialidade: Trabalho Emprego e Mundo do Trabalho.
Reinaldo Antonio Carcanholo
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia Política
Ricardo Ramalhete Moreira
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Crescimento, Flutuações e Planejamento Econômico / Especialidade: Flutuações Cíclicas e Projeções Econômicas.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Teoria Econômica / Especialidade: História do Pensamento Econômico.
Roberto Amadeu Fassarella
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economias Agrária e dos Recursos Naturais / Especialidade: Economia Agrária.
Robson Antonio Grassi
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia Regional e Urbana.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Organização Industrial e Estudos Industriais.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Organização Industrial e Estudos Industriais / Especialidade: Mudança Tecnológica.
Rogerio Arthmar
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Teoria Econômica / Especialidade: História Econômica.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Teoria Econômica / Especialidade: História do Pensamento Econômico.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Teoria Econômica / Especialidade: Teoria Geral da Economia.
Rogerio Naques Faleiros
Grande área: Ciências Humanas / Área: História / Subárea: HISTÓRIA ECONÔMICA.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia.
Grande área: Ciências Humanas / Área: História / Subárea: História do Brasil.
Vinícius Vieira Pereira
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia do Bem-Estar Social / Especialidade: Economia dos Programas de Bem-Estar Social.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Crescimento, Flutuações e Planejamento Econômico / Especialidade: Teoria e Política de Planejamento Econômico.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia Monetária e Fiscal / Especialidade: Política Fiscal do Brasil.
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Entre propostas e refutações
Por João Bollinger
Pessoal, este blog é aberto à discussão. Não estamos sempre certos aqui, e nem temos esta pretensão.
Mas aqui sustentamos nossa posição com argumentos, evidência e experiência. Se estivermos errados é só mostrar onde está o erro e reconsideraremos nossa opinião.
Podem opinar livremente, e não se intimidem. Mas lembre-se que num espaço democrático, quem fala também tem que saber ouvir.
Depois que você fala, tem que permitir ao outro o direito de discordar de você. A verdade não tem um dono ou um lado só.
E não adianta ficar dizendo que aqui o espaço não é democrático, ou que só escuta um lado. Aqui é um espaço de opinião. Se os seus argumentos são melhores que os nossos, as pessoas irão te seguir e respeitar.
Queremos ser convencidos, e não ficar ouvindo lamentações e resmungos.
Nosso objetivo é garantir a melhor formação para o aluno de economia da UFES. Só isto. E lutaremos por isto sem pedir nada em troca. Não pedimos vaga em mestrado, bolsa de pesquisa nem de PET. Queremos apenas boa formação.
E por falar em formação, cliquem aqui para vocês verem a ementa da disciplina de “Introdução à Economia”, dada no primeiro período da graduação em economia da FGV/RJ.
Desde o primeiro período eles já recebem treinamento matemático, com o objetivo de disciplinar o raciocínio lógico no estudante e motivá-los a entenderem as aplicações do calculo e da álgebra linear na Economia.
Na UFES, alguns professores dizem que não valeria à pena ter um excelente professor de Econometria. Segundo estes professores, os alunos chegam à UFES sem uma boa base matemática do ensino médio, e as disciplinas de Matemática A e B não seriam bem dadas ou aproveitadas na graduação.
Quanta ironia! Porque você não aprendeu antes, também não vai aprender depois. É colocar o aluno para sofrer duas vezes. Não adianta ter um bom professor da área quantitativa porque o aluno não sabe nada da área quantitativa. Eu não sabia que eu tinha que nascer sabendo tudo!
Em nome da má formação que o próprio curso dá, não se pode contratar mais um professor da área quantitativa? Este fraco argumento dado por alguns professores é prova da necessidade de mudar a dinâmica do curso.
E o que estes mesmos professores que afirmam isto fazem para mudar a situação? Nada. Só tiram proveito. Identificam um problema e não fazem nada para superá-lo. E isto porque são críticos...
Eu tenho uma sugestão. Adotemos um modelo que vários cursos usam, inclusive aqui na UFES e até mesmo a FGV/RJ. É o nivelamento de matemática, que em alguns lugares é conhecido como “Pré Calculo” ou “Matemática Básica”.
A minha proposta é a seguinte: ao invés de dar Matemática A no primeiro período, ela deve ser dada no segundo período. Assim você faria Matemática A no segundo período e Matemática B no terceiro período.
E também colocaria Formação e Desenvolvimento do Capitalismo para o segundo período.
Isto não compromete em nada a duração do curso.
E aqui entra o centro da minha proposta. O que colocar no lugar destas duas disciplinas? Colocar duas matérias de preparação para o calculo diferencial e álgebra linear.
O objetivo seria revisar toda a matemática do ensino médio, indo de conjuntos numéricos e funções até geometria analítica, passando por trigonometria e matrizes/determinantes.
Isto prepararia melhor o aluno para as disciplinas de calculo e álgebra linear, permitindo também que tire mais proveito de Econometria. Além de dar mais segurança ao aluno na sua base matemática.
Eu dou até a sugestão de alguns materiais, como estes que foram utilizados no ciclo de matemática básica da UFF:
Conjuntos Numéricos Curvas Planas Polinômios Reais Funções Reais
Esta proposta permite nivelar conhecimento em matemática, preparar o aluno e dar a ele mais segurança. E os professores continuarão sendo do departamento de matemática.
A boa formação em matemática deve começar já no primeiro período. Porque geralmente no inicio do curso o aluno tem mais tempo livre e, à medida que os semestres passam, o tempo livre diminui tanto porque o conteúdo das matérias aumentam quanto pela necessidade de trabalhar ou estagiar.
E, neste mesmo curso de nivelamento podem ser dados princípios básicos de regras de diferenciação e integração, encontrada em alguns livros do ensino médio (a coleção “Matemática Elementar” do Gelson Iezzi, por exemplo)
Dar formação suplementar de matemática dentro do próprio curso ao aluno só fortalece o próprio curso.
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Ainda considerando alguns outros argumentos, além deste de que a má formação em matemática invalida a contratação de professores, há algumas afirmações curiosas que andam pelo ED IV.
Uma dela é a descobrimento da existência de dois cursos diferentes: “Economia” e “Ciências Econômicas”.
Segundo os autores da descoberta, a diferença entre um e outro está que, na UFES, o curso é de “Ciências Econômicas”, e por isto deveria estudar mais “teoria econômica”.
Aqui surgem alguns comentários.
Sobre o caso da USP, como o Thiago já mostrou, a pessoa que afirmou isto não pesquisou direito para saber.
Se você consultar o site do catálogo de graduação da USP, verá que há na USP dois cursos de “Economia” e um de “Ciências Econômicas”.
A USP oferece o curso de “Ciências Econômicas” na Esalq/USP, que fica em Piracicaba. É um curso bem ortodoxo e com boa carga matemática.
Mas a USP também oferece o curso de “Economia” no campus de São Paulo e no campus de Ribeirão Preto. Mas ao ler a descrição dos três cursos vemos que todos são de “bacharelado em ciências econômicas”.
Mas foi dito que o curso da UFES é de “Ciências Econômicas” e deveria ver mais “teoria econômica” por causa disto. Aqui a situação se complica ainda mais para os descobridores. Como o Hugo já mostrou , estudar teoria econômica implica também em estudar matemática. O que foi dito que o curso de “ciências econômicas” deveria estudar, é justamente o que não é visto na UFES.
O curso de “Ciências Econômicas” da UFES não tem um terço da carga matemática e quantitativista que o curso de “Ciências Econômicas” da Esalq/USP tem.
E a Esalq tem o programa de mestrado e doutorado em Economia Aplicada com a mais alta avaliação do país (Capes). E os trabalhos são todos com modelos matemáticos e estatísticos. Cliquem aqui para lerem.
Tentando defender o “status quo”, criaram uma enorme armadilha para si mesmo. Além de afirmarem sem pesquisar direito, dizem que o nosso curso é diferente dos cursos de economia do país, e que deve ser igual ao tal curso de “Ciências Econômicas” da USP. Seria ótimo estudar num centro conceito 6 na CAPES e melhor avaliado que a Unicamp, a UFRJ e a PUC/RJ.
E o curso da UFES irá se tornar ortodoxo? É este o desejo dos que acreditam que nosso curso é de “Ciências Econômicas” como o da Esalq/USP?
Os autores de tão surpreendente descoberta não perceberam que seu argumento afirma o que eles querem negar, que é a necessidade de modificar o curso.
No Brasil existe apenas uma coisa: bacharelado em ciências econômicas, basta ver a lei 1411/51. E no MEC há as diretrizes curriculares apenas para o curso de “ciências econômicas” (Resolução CNE/CES nº 4, de 13 de julho de 2007). Mas a instituição de ensino coloca o nome que quiser no vestibular, mas no diploma de todos vem escrito “bacharel em ciências econômicas”.
E vejam o que dito sobre o que se espera de um economista nas diretrizes curriculares:
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Art. 4º Os cursos de graduação em Ciências Econômicas devem possibilitar a
formação profissional que revele, pelo menos, as seguintes competências e habilidades:
I - desenvolver raciocínios logicamente consistentes;
II - ler e compreender textos econômicos;
III - elaborar pareceres, relatórios, trabalhos e textos na área econômica;
IV - utilizar adequadamente conceitos teóricos fundamentais da ciência econômica;
V - utilizar o instrumental econômico para analisar situações históricas concretas;
VI - utilizar formulações matemáticas e estatísticas na análise dos fenômenos
socioeconômicos; e
VII - diferenciar correntes teóricas a partir de distintas políticas econômicas.
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Aqui na UFES alguns seriam reprovados já no primeiro critério...
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Continuando no caminho das idéias exóticas, uma delas é que não adianta reclamar da dificuldade em conseguir emprego que os formados em economia pela UFES estão tendo, porque está difícil para os outros cursos também.
Isto é engraçado. Primeiro não adianta ter bons professores de métodos quantitativos porque a formação em matemática que o curso dá é precária. Agora não se pode questionar a situação do curso porque está ruim para todos?
O critério é nivelar por baixo agora? Quanto pior, melhor?
Justamente pela própria situação econômica do país, os alunos devem ser melhor formados. Hoje o aluno de economia da UFES não é cobiçado por nenhuma empresa ou centro de pos graduação, seja ele ortodoxo ou heterodoxo.
A solução apontada é sempre esta: se você quer aprender matemática, estude sozinho, pegue optativas de Calculo ou Álgebra Linear ou monte um grupo de estudos. Quando você questiona sobre a dificuldade de conseguir emprego, dizem que tudo depende do seu esforço.
Quando eu escuto isto me pergunto: o curso da UFES é à distância ou é presencial? O aluno tem que fazer tudo sozinho quando quer ter uma melhor formação. Parece curso de ensino à distância. Onde você faz tudo sozinho em casa.
Para quem se diz “crítico do individualismo”, é acreditar muito na “força” do individuo. Como diria o Robin: “Santa Contradição, Batman”.
Se os outros cursos estão com dificuldades, pode ser um problema só deles ou um problema da economia. Isto não importa para a nossa discussão. Para o curso de economia, o que importa é formar melhor.
Se está difícil mesmo para todos, aí que curso deva dar uma boa preparação e uma boa formação.
Nenhum dos argumentos apresentados anula a necessidade de fortalecer a área quantitativa do curso e garantir a pluralidade.
No curso de economia alguns professores temem muito a matemática e à econometria. Será que eles temem que, ao aprenderem lógica com a matemática e analisar dados na econometria, os alunos descubram que as idéias destes mesmos professores não têm lógica e nem se sustentam na realidade? Só pode ser isto.
A matemática não aliena ninguém. Ela não torna você de direita ou de esquerda. Entre os profissionais que mais ajudam o desenvolvimento do país estão os engenheiros, os físicos, os químicos, os biólogos, entre outros. E eles estudam muita matemática. Mas estes profissionais desenvolvem tecnologias, produtos e técnicas que são usadas tanto por grandes empresas quanto pela população carente do país. Desenvolvimentos que tanto aumentam a produtividade da economia, o conforto das pessoas e amenizam o sofrimento da miséria.
O que importa não é o conhecimento em si, mas o que você faz com ele.
Quanto melhor for o economista que a UFES formar, melhor será a contribuição dele para o pais.
Mas na UFES é diferente. Quando você entra em economia na UFES, acontece uma coisa fantástica. Tudo aquilo que você viu ou ouviu falar sobre economia está errado. É errado querer trabalhar no mercado, é errado tentar saber lidar com números, é errado você querer que as coisas sejam eficientes. O mundo inteiro entende economia do jeito errado, até mesmo os outros centros heterodoxos do país.
Porque aqui tudo é ao contrário.
Na UFES, se você quer aprender economia para ir trabalhar no mercado, é dito que você deve procurar uma faculdade particular. Mas onde está escrito que o curso de economia da UFES não pode formar para o mercado?
A Sociedade, que mantém a Universidade através dos seus impostos, foi avisada disto? Sua família foi? Há alguma lei que impeça? A revolução já começou?
O curso de economia pertence a quem? É curioso, mas algumas pessoas acham que sabem mais do que a Sociedade o que é bom para ela mesma. E onde está a procuração que a Sociedade deu para estes professores fazerem o que bem entendem com o curso?
A Universidade tem uma função social. E dentro do tripé de ensino, pesquisa e extensão, uma das obrigações da Universidade é formar profissionais capazes.
É correto demonstrar ao aluno a necessidade dele dar um retorno à sociedade, devido ao investimento que ela fez nele, e que vivemos num país com distorções sociais.
Mas se o aluno vai usar a capacidade dele para construir projetos de economia solidária ou para a gestão de risco num grande banco, é uma escolha do aluno e um risco que a sociedade corre de não ver o aluno financiado por ela dando sua contribuição para a sociedade (ele talvez faça isto através de algum trabalho voluntário ou doações). Mas isto acontece porque vivemos numa democracia. E democracia não é só votar. É apresentar e garantir oportunidade de escolha. Não podemos coagir.
E não é à toa que os professores também são servidores públicos. No mundo das escolhas democráticas, eles optaram por serem servidores públicos. Eles devem servir à sociedade, e não tirar proveito dela.
Não adianta afirmar que a sociedade não entende sua própria situação de desigualdade e contradições, que ela não superou a lógica individual e não percebeu que a Sociedade é vitima dela mesma. A Sociedade não espera que sejam formados militantes revolucionários, só bons profissionais. Mas parecem que alguns acham que devem fazer mais do que foi pedido, porque eles entendem a sociedade mais do que ela mesmo.
Se o objetivo é formar profissionais comprometidos com a democracia e a liberdade, que isto comece pelo curso, garantindo o direito de escolha.
Mas se o aluno vai fazer alguma coisa ou não pela sociedade, a escolha é do aluno ou do economista formado. Nenhum professor pode fazer isto por ele. Até porque os professores efetivos têm salário e aposentadoria garantida, quem se forma não tem esta garantia.
Se ele vai ser militante socialista, hippie, trabalhar com economia solidaria, gerente de multinacional ou banco, é uma escolha dele.
É correto o professor ter espaço para divulgar suas idéias sobre o mundo e debatê-las com os alunos. Mas faça isto respeitando os alunos e o que eles querem.
Na UFES alguns professores sentem calafrios ao ouvirem algumas palavras: mercado, matemática, econometria, eficiência.
Mas é isto, não adiante fugir. Quando os alunos se formam ou mesmo durante a graduação, eles precisam trabalhar.
O mercado está aí, quer você queira ou não. Se você não gosta dele, ou acha ele mal, você tem duas opções: entrar numa ONG ou uma comunidade alternativa ou vá virar um revolucionário, se organizar num partido e construir a revolução e lutar pelo socialismo.
Mas mesmo numa ONG ou numa comunidade alternativa, você precisa de dinheiro. E aí você vai pegar com quem? O Estado ou as empresas e contribuições voluntárias. Num partido, você vai ter de viver da contribuição dos "companheiros", que trabalham de verdade. Ou seja, você sempre vai viver do trabalho de alguém.
Respeito qualquer uma das opções. O capitalismo é selvagem mesmo, é cruel, principalmente para quem não está preparado para ele.
Mas não é sujo ou vergonhoso você ter de trabalhar. Não se sinta mal por isto. Você tem direito a escolher ter uma carreira promissora e lutar por ela. Talvez consiga, talvez não.
Não é vergonhoso você querer trabalhar numa multinacional.
E também não é um absurdo você querer estudar na FGV/RJ, na PUC/RJ ou na USP. Isto não te torna uma pessoa má.
Não é crime no Brasil você ser ortodoxo. Aqui no Brasil sempre se associa ortodoxia com a direita por causa da ditadura militar. Mas é possível ser ortodoxo e de “esquerda”.
Quer fazer a diferença no mundo, torná-lo melhor? Seja o melhor economista que você possa ser. Dê o melhor de si, cobre da Universidade tudo o que ela puder te dar e mais um pouco. Faça um bom trabalho e seja um economista influente. Publique livros, escreva para jornais, denuncie. Não são palavras vazias ou citações de trechos de livros que irão mudar o mundo.
O mundo é feito por atitudes e não por intenções.
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E para terminar, não estamos aqui para discutir sobre quem está certo ou quem está errado. É sobre quem quer e quem não quer melhorar o curso, torná-lo mais plural.
E aqui no blog pode opinar à vontade, nós não fazemos patrulhamento ideológico.
Mas por trás do discurso de “não podemos achar que estamos sempre certos” ou “não adianta discutir se não vamos mudar nossa opinião”, está escondido o interesse em manter tudo como está.
É apenas isto. Não há argumentos, apenas divagações.
Aqui no blog não estamos sempre certos, mas até agora nesta discussão não nos mostraram onde estamos errados. É uma pena.
Quem teme estas mudanças? No fim das contas, quem está com medo das mudanças é justamente quem tem medo de perder o controle.
E há aqueles que tentam tirar proveito para colher alguma migalha, apoiando o lado reacionário. Cada um faz o que quer da sua vida. Mas não podemos fazer isto abrindo mão da coerência.
Mas agora que os argumentos caíram todos, surge a coisa mais fantástica e absurda de todas.
Nós aqui do blog viramos pessoas más. Como os argumentos caíram todos, e não há justificativas para continuar defendendo o que defendem e apoiando quem apóiam, somos chamados de arrogantes, presunçosos e mal educados.
Mais uma vez é a tentativa de ridicularização. Não conseguem argumentar e aí inventam rótulos: “eles são pessoas más e arrogantes”.
É o cumulo do absurdo, na falta de argumentos se fazerem de vítimas. E nós do blog é que somos acusados de fazer artes cênicas. Quanto drama...
Aqui nós não atacamos ninguém, as pessoas é que são vitimas das próprias palavras ou atitudes.
E agora fica transparente que algumas pessoas se apoiaram em argumentos frágeis.
O blog ganhou força porque através dele foi feito um debate que não foi permitido no curso e nem se permite. E agora que vários alunos estão consultando o blog diariamente, querem ridicularizar. O blog virou o “covil dos lobos”.
Pode ser que aqui a maioria pense do mesmo jeito. Mas todos vieram parar aqui porque no curso não houve espaço para esta discussão, e nem há. O blog deu vazão ao desejo de mudar o curso.
A situação ideal é que esta discussão ocorresse dentro do curso, e não no blog. Porque o mais importante não é o blog, mas a solução da realidade do curso com a participação de todos.
O blog hoje é um espaço importante, porque quem tentar discutir a necessidade de ter mais matérias quantitativas em sala de aula é ridicularizado por muitos professores e alunos.
A força do blog não vem da arrogância ou da presunção de quem escreve aqui, vem da falta de democracia, respeito e pluralidade que alguns professores tratam a formação e a vida futura do aluno em economia da UFES.
O tamanho do post é proporcional ao tamanho das afirmações contraditórias que temos que comentar.
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Versões e fatos
Hoje a solução dos problemas do curso de economia está na exigência de maior dedicação e esforço dos professores já atuantes no departamento, para obtermos mais qualidade e pluralismo na graduação.
Agora, toda vez que um debate fica mais sério, certas coisas nem sempre são esclarecidas e fica um pouco de confusão no ar.
Não se trata de achar que a matemática é o caminho da salvação, muito menos este próximo concurso.
Mas o debate se fortaleceu justamente em torno da questão do concurso. E ao se definir as vagas, ficou evidente uma lacuna enorme no curso.
Não é saber se teremos mais ou menos matemática, ou se irão tornar o curso ortodoxo (nem há professores ortodoxos no departamento para isto).
A questão central é a reestruturação e reorientação do curso de economia. Dar mais qualidade e substância a ele, com os professores que já existem e os novos que virão, garantindo pluralidade e o direito de escolha ao aluno.
Colocando os professores a serviço do curso, e não o contrário.
A salvação não é a matemática, mas ela faz parte da salvação, assim como estatística e econometria, e outras matérias, que devem servir ao curso. E este núcleo quantitativo deve ser bem dado e utilizado como suporte instrumental às disciplinas de Micro, Macro, Economia Brasileira e Capixaba, Desenvolvimento Econômico, etc.
É um absurdo que um aluno de economia da UFES forme no curso sem saber identificar se uma série temporal, como o PIB ou a Inflação, é estacionária ou não, saber diferenciá-la e analisar os seus gráficos de autocorrelação, fazendo os ajustes necessários e modelar a previsão. Muito menos testar relações de causalidade num vetor auto-regressivos (VAR).
Mas o economista da UFES sai sem saber.
O aluno não consegue avaliar qual seria o melhor modelo de exploração dos campos do Pré Sal, nem a forma de distribuição dos royalties do petróleo, e como estas decisões afetariam as finanças do governo estadual ou a economia do ES. O Governo do Estado tem que contratar consultoria de economistas de fora do ES, pois os formados na UFES não conhecem modelos de opções reais ou de otimização intertemporal.
Pergunto: você consegue avaliar o impacto da política econômica do governo, para dizer se é boa ou ruim, sem saber tratar, estimar ou prever dados econômicos?
Qual é a relação entre cambio e investimento? O recente barateamento do dólar prejudica a economia e a indústria nacional, por diminuir o ganho do exportador e facilitar importações, com preços mais baixos, de mercadorias produzidas aqui, causando a desindustrialização? Ou este mesmo dólar barato facilita o investimento, barateando a compra de maquinas e equipamentos baratos lá fora, permitindo à industria nacional melhorar sua eficiência e competitividade e manter seu espaço no mercado, podendo exportar mais? O barateamento do dólar é permanente?
Para responder a isto, teremos de montar algumas equações, definir variáveis, selecionar e tratar dados de séries temporais, estimar e analisar os resultados.
Para fazer isto, vão conhecimentos de calculo diferencial e otimização, álgebra linear e econometria. E conhecer história econômica. Nada se exclui, e tudo se complementa.
Hoje este tema do cambio é uma das grandes discussões que dividem os economistas, empresários e movimentos sociais, basta ler jornais como Folha de São Paulo, Valor Econômico, Estadão, Jornal do Brasil, O Globo, etc.
E como você vai opinar? Sendo papagaio de pirata repetindo dados dos outros? Vai ficar sempre dependente da análise de outros economistas? Vai ficar esperando o pessoal da Unicamp ou da UFRJ escrever alguma coisa? Mas você também é economista, e pode fazer isto.
Não existe matemática do bem ou do mal, nem econometria ortodoxa ou heterodoxa ou estatística de esquerda ou de direita. É apenas matemática.
Como você vai ser um economista crítico, se não sabe analisar os dados?
A análise critica, a sua capacidade critica, é maior quanto mais instrumentos você souber trabalhar, para colocar a serviço da sua analise critica. E um bom crítico, não deve só criticar, tem que saber propor alternativas. Como você irá propor alternativas, se não sabe prever e estimar impactos?
Hoje as técnicas matemáticas e estatísticas estão mais acessíveis, os softwares também. E há uma exigência maior também do profissional e do acadêmico.
Hoje, os maiores e melhores economistas heterodoxos críticos da política econômica ortodoxa do governo, dominam técnicas estatísticas e matemáticas avançadas, basta procurar os artigos na internet.
E os economistas que são referências para o curso de economia da UFES, Marx, Schumpeter e Keynes, eram estudiosos e conhecedores de matemática ou estatística.
Marx usava dados estatísticos em seus livros, e fez estudos com cálculo diferencial para tentar demonstrar uma das leis da dialética, Ele dizia até que o cálculo diferencial servia de terapia para ele. Cliquem aqui para ler sobre isto.
Keynes teve uma excelente formação matemática e estatística, que é visível em quase toda a sua obra. Escreveu um tratado sobre probabilidade, assunto base de processos estocásticos, que pode ser vista clicando aqui.
Schumpeter também se destacou por seu conhecimento matemático e econométrico (foi um dos fundadores da Econometric Society), e por seu domínio dos modelos de equilíbrio geral. E podemos ver um artigo seu sobre econometria clicando aqui.
E econometria não é de esquerda ou de direita. Oskar Lange foi um grande econometrista e era marxista, Kalecki também (há outros vários, mas são menos conhecidos).
Você será melhor reconhecido, quanto melhor forem suas previsões, mais próximas da realidade elas forem. Sejam previsões de novos projetos e decisões de investimentos, revisão de estratégias, pesquisas, etc. Ou mesmo sua capacidade de rever o passado.
E este aprendizado deve acontecer na graduação de economia, e não em você montando grupos de estudos ou indo se enveredar em disciplinas nas Engenharias ou no CCE sozinho.
Você pode até não querer trabalhar com modelos matemáticos ou econometria. Mas que você escolha isto após conhecê-los e saber trabalhar bem com eles. Não podemos condenar nada á priori e retirar do aluno o direito de escolha.
Não adianta se achar o super poderoso, pensando que tem a força e a capacidade de estudar o que quiser e a hora que quiser. É verdade que o bom profissional é feito por ele mesmo, mas um ambiente favorável amplia nossas capacidades, pois com o mesmo esforço produziremos mais. O ambiente coletivo acelera mais o aprendizado.
O curso de economia deve criar um ambiente favorável a este aprendizado. Um ambiente favorável ao desenvolvimento do aluno, que crie uma sinergia entre professores e alunos. Deve existir um espaço plural de debate, aprendizado e pesquisa nos corredores, nas salas de aula, cantina, biblioteca. Ou seja, tornar a universidade aquilo que ela é por essência, um espaço universal, plural de debate, produção e formação.
O curso de economia, através do departamento e do colegiado, deve se organizar com outros cursos que ofertam disciplina aqui, e reestruturar a dinâmica da graduação.
E o que faz a disciplina não é o nome dela. Você pode ter Macro I, II, III, IV E V, se ela não tiver qualidade e um ambiente propício ao desenvolvimento, será invalidada.
Não estamos discutindo a forma ou o nome das disciplinas. Mas o conteúdo delas. O nome pode ser qualquer um, desde que atenda ao conteúdo, e este conteúdo mude a atual forma e a formação do curso.
É curioso vermos universidades que também estão em regiões “periféricas” possuem melhores cursos de graduação e pós graduação que o nosso. Basta olhar o site da Capes. (Estes cursos todos tem doutorado: Viçosa, Uberlândia, Piracicaba, Lavras, Curitiba, Recife e outros mais).
E é sinal de falta de inteligência usar como único argumento contra este desejo de mudança o reducionismo e a ridicularização. Todos que querem melhorar o curso são reduzidos a “neoliberal” ou “ortodoxo”, querem apenas desestruturar o curso.
Será este o melhor argumento que os “críticos” do departamento de economia da UFES conseguem fazer? Não conseguem argumentar, então ridicularizam o debate, como se ele não fosse real nem válido.
E um detalhe, o que criou a atual crise não foram os ortodoxos nem os modelos econométricos, crise é algo recorrente no capitalismo. Smith, Ricardo, Marx, Schumpeter, Keynes, Novos Clássicos e Novos Keynesianos, Pos Keynesianos, todos estes reconhecem que há a possibilidade de crises e instabilidade no capitalismo. Mas cada um explica e soluciona do seu jeito.
O capitalismo é cíclico, e suas crises são recorrentes.
Crise é uma possibilidade teórica e uma realidade e evidência histórica. Mas nenhum deles, nem mesmo Marx, ousaria dizer que a culpa é da econometria ou da matemática. A crise advêm das contradições do próprio capitalismo.
É uma tarefa de todos os alunos exigirem e construírem a melhoria da graduação. É uma obrigação dos professores permitirem que isto aconteça!
domingo, 30 de agosto de 2009
Pluralidade, heterodoxia, stalinismo e nazismo
* por joaobollinger@gmail.com
O curso de economia da UFES, enquanto curso de formação profissional, está falido, isto é um fato.
Em nome da formação plural, acabamos não vendo nada. É tanto pluralismo, que fica dissipado no ar.
E aí fica algo totalmente diluído. Nossa formação fica diluída, sem base e direção.
A brincadeira começa assim: você entra calouro no curso, todo animado, achando que agora vai saber porque o Banco Central não baixa os juros, mesmo com todo mundo pedindo, e um outro monte de coisinhas.
Aí vem uns caras, ditos professores, e dizem que a culpa é do capitalismo. E estes professores se apresentam bem, e você até acredita neles. Parece consistente.
E também vai ouvir que estes “economistas neoliberais” que não baixam os juros e que criaram a crise e o neoliberalismo, são todos “ortodoxos”, seguidores fundamentalistas dos “modelos matemáticos e econométricos”.
Está lançada a maldição. Você começa a ver a micro neoclássica, e eles dizem que ela não é realista. Mas você tem de estudar, porque senão o curso de Organização Industrial não tem sentido, porque lá eles vão destruir a curva de oferta e demanda. Matar o Marshall.
Ou seja, você não aprende micro neoclássica, porque psicologicamente, você escuta desde o primeiro dia que ela não tem validade para nada. Mas ela não é a única sacrificada no altar do pluralismo. Outro maldito é o modelo IS-LM. Modelo simplista e fora da realidade, incapaz de explicar a realidade e que deturpa a obra original do Keynes. E aí também não aprendemos macroeconomia.
Bem as disciplinas de matemática, estatística ou econometria são dadas, mas mesmo que alguém faça um excelente curso destas matérias, acabam ficando perdidas. Pois não há aproveitamento nem professores orientadores dispostos a trabalhar com elas.
Ou seja, é tudo perdido. Microeconomia neoclássica não vale a pena aprender, pois é irrealista. A Macroeconomia ortodoxa é sem fundamentos, não deve ser considerada. E a matemática e a econometria não é capaz de captar ou reproduzir a realidade, então temos que desconsiderá-las.
Somos levados a desconsiderar tudo aquilo que faz de um economista um profissional do mercado.
É mais fácil enfrentar os Gladiadores na Arena do Coliseu que se arriscar na prova da ANPEC.
Isto é um crime.
Os alunos são, desde o começo do curso, psicologicamente influenciados a considerar o pensamento ortodoxo como lixo. Somos traumatizados desde calouros.
Ao fazerem isto com o pensamento ortodoxo, vemos que não há pluralismo.
O pluralismo de idéias exige que todas as formas de pensamento sejam dadas e respeitadas, e facultado o aluno o direito de escolha. Não temos este direito.
Somos roubados. Roubam nosso tempo, nossa juventude, nossa inteligência e nosso entusiasmo.
E aqui entra uma segunda questão. Dizem que querem formar uma pessoa crítica. Eu não me importo em ter uma formação crítica, mas será que eu estou tendo?
Vamos a isto então. Seria o curso de economia da UFES um centro de excelência no pensamento Heterodoxo? Referência no país inteiro, atraindo alunos e pesquisadores heterodoxos de todas as partes?
A resposta é não. Trágico.
Não há pensamento ortodoxo, não há pluralismo e nem heterodoxia de qualidade.
Criticam o neoliberalismo por ele se apresentar como o “pensamento único”, mas fazem o mesmo. Escondem sobre um suposto discurso progressista uma postura autoritária.
Para combater o “pensamento único” e totalitário do neoliberalismo eles nos apresentam o que? O “pensamento único” da heterodoxia. Não podemos ver ou ouvir nada da ortodoxia (para usar uma expressão esquecida: é stalinismo!!!)
E fazem isto de uma forma absurda. Na visão destes professores , somos todos “alienados”, contaminados pela lógica do capitalismo e incapazes de saber separar o bem do mal. Não só os alunos, mas nossas famílias também...
Somos todos burros, incapazes de escolher o próprio caminho. E eles sabem mais do que nós. É muito preconceito que estes professores sentem pelos alunos e suas famílias.
E eles querem fazer isto por nós. Escolher por nós. Mas eles não tem este direito. Isto deve ficar claro. Não podem decidir sobre nossa vida.
Quando entrei na UFES, esperava viver tudo de que ela pudesse me oferecer. Mas como vivemos no capitalismo, sei também que devo oferecer minha mão de obra para ser explorado por alguém. Mas com a formação que temos, acho que o capital não se interessa muito por nós... (e não sei se estou muito animado a lutar contra o capitalismo)
Não estamos no mundo de Matrix, onde há uma verdade escondida e um “escolhido” irá nos libertar.
Estamos num mundo real e onde alguns poucos acham que podem decidir a vida de muitos. Esta é uma postura anti-democrática.
Achar que o outro não sabe nada ou é incapaz de fazer as próprias escolhas é o pensamento que levou ao nazismo e sustentou a ditadura militar no Brasil, ironicamente combatida por alguns professores aqui.
Ou seja, vale aqui a velha piada: ditadura nos olhos dos outros é refresco...
E há um fato curioso. Marx, Keynes, Schumpeter, Kalecki, Sraffa e outros economistas sempre publicaram bastante. Artigos, livros, conferências, etc. Mas aqui cabe uma pergunta: os heterodoxos de nosso departamento publicam muito? E quando publicam conseguem ir além da SEP? Publicar na revista dos amigos é fácil...
Eu não me importaria em ter uma formação marxista ou pós keynesiana. Mas eu gostaria que ela fosse excelente. Mas isto não é possível.
E aqui entram dois argumentos sempre usados quando a discussão sobre mudanças no curso ganha força: o nível dos alunos não agüenta uma formação mais pesada e nós somos um centro periférico incapaz de atrair bons professores.
É estranho ver professores heterodoxos, tão críticos, se apoiando em argumentos tão rasteiros e que cheiram a oportunismo.
É um argumento tostines: nossos alunos não possuem um nível mais elevado: e por não terem um nível mais elevado, nossa produção não é tão boa; se nossa produção não é tão boa, nosso curso não se destaca; se nosso curso não se destaca, não atraímos bons professores e pesquisadores; se não temos bons professores não atraímos bons alunos com nível mais elevado e aí começa tudo de novo.
Keynes e Marx eram os dois bons agitadores. Conseguiram convencer muitos de suas idéias, e impactaram a história.
Os keynesianos e marxistas de nosso departamento, além de não escreverem muito, não conseguem mudar a realidade. Não são dignos de se dizerem seguidores de tão formidáveis mestres. Não conseguem mudar a realidade do departamento.
Dois fatos contra este pseudo heterodoxos: Fucape e curso de Serviço Social da UFES.
A Fucape conseguiu atrair para o ES um conjunto de professores com nível de excelência na área de negócios. (Ah! Mas lá é privado e são todos neoliberais...então dê uma olhada em alguns cursos da UFES e vejam como eles atraem recem doutores e pesquisadores permanentemente)
O curso de serviço social da UFES, seria o que podemos chamar de heterodoxo, adotam um referencial marxista. Lá a carga de leitura é maior que o nosso, os debates são melhores que o nosso e produção é melhor que a nossa. (detalhe: o departamento tb não se entende como o nosso). Mas o alunos lá são o tempo todo preparados para o espaço de trabalho. Até porque não se pode mudar o que não se sabe fazer.
Estes dois exemplos, que não são os melhores (tenho outros se precisarem), evidenciam o que o curso de economia da UFES não tem: identidade, ambiente favorável e auto estima elevada.
Um curso sem identidade não dá ao aluno segurança ou sentimento de pertencimento. E isto não permite que se crie um ambiente favorável à pesquisa, ao debate, ao conhecimento. E sem isto tudo, a auto estima vai a zero. Resultado: alunos inseguros e perdidos.
A economia ortodoxa é um fantasma que nos ronda. Não vemos, não conhecemos, não sentimos, mas somos sempre atormentados por ela. Parece o mundo Harry Potter, lá eles não podem falar ou comentar sobre o Lord Voldemort, aqui não podemos falar sobre ortodoxia. Mas ela nos pertuba.
Para finalizar, não se trata de tornar o curso da UFES ortodoxo. Trata-se de termos um curso com qualidade e objetivo, que nos dê orgulho e não vergonha.
Fica uma pergunta: a quem interessa ter um curso tão desmotivado e desorganizado? Tem alguns que se beneficiam com isto...
R.
joaobollinger@gmail.com