quinta-feira, 28 de abril de 2011

Por que as expectativas importam?

Alguns questionam se a melhor forma de reduzir o desemprego é através do regime de metas de inflação.

Com a crise, muitos dizem que a macroeconomia mudou. Mas estes mesmos esquecem de contextualizar cada cenário. Não há uma política macroeconômica geral, mas cada cenário exige uma política econômica diferente. Tentar repetir no Brasil políticas utilizadas em países que estão com elevado desemprego não trará outra coisa que mais inflação e desemprego no futuro.

A economia brasileira hoje está crescendo e não se prepara para um cenário de reversão, onde o hoje favorável fluxo de capitais pode deixar de existir e sermos pegos numa situação muito frágil.

Mas pensemos porque é mais eficiente para reduzir o desemprego termos uma meta de redução de inflação e não de redução do desemprego.

Consideremos uma curva de Phillips na seguinte forma:



onde  é a inflação,  a inflação esperada,  a taxa de desemprego e  a taxa de desemprego natural.


Se em cada momento o Banco Central consegue fazer com que a inflação  seja igual à inflação esperada, ou seja, que a meta de inflação  seja alcançada sempre, teremos que:



Então a curva de Phillips pode ser reescrita como:



Resolvendo, temos que






O resultado é que teremos a taxa de desemprego igual à taxa de desemprego natural. Ou seja, quanto mais eficiente o regime de metas de inflação, menor o nível de desemprego.

Mas o que acontece quando o Banco Central não prioriza alinhar as expectativas de inflação do agentes econômicos no mercado? Se o Banco Central não tenta alinhar as expectativas, o mercado acaba definindo e o Banco Central perde o controle sobre elas.


E podemos pensar um pouco sobre isto utilizando o modelo abaixo:

Seja   a taxa de desemprego,  a taxa de desemprego natural,  a inflação atual,  a inflação esperada e  a meta de inflação.

Utilizando uma curva de Phillips como esta abaixo:



E considerando a seguinte função de perda social:



Observem que neste modelo, o objetivo é ter uma taxa de desemprego menor que a taxa natural, ou seja, a prioridade é o combate ao desemprego e não o controle da inflação.

Considerando que o Banco Central toma a inflação depois que o mercado define suas expectativas (), o problema consiste em:

Minimizar



sujeito a


Substituindo a restrição, temos que minimizar:




O que resulta na condição de primeira ordem:




Se no ótimo, o governo trabalha com a inflação esperada dada pelas expectativas já formadas pelos agentes, podemos fazer  . Então temos que:



Mas aplicando o valor esperado, encontramos que:






E substituindo na curva de Philips, temos que



Ou seja, a economia está com o nível de desemprego igual à taxa natural, mas a inflação esperada será superior à meta de inflação.

Não teremos ganho na redução do desemprego, mas terminaremos com um nível mais elevado de inflação.



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