Podemos dividir a espinha dorsal do curso de economia da UFES em algumas grandes áreas: história, economia política, métodos quantitativos, microeconomia e macroeconomia. Há várias outras disciplinas complementares importantíssimas, mas essas formam a base. Assim, são notórias as deficiências que se tem hoje em algumas dessas áreas básicas que um curso de economia deve oferecer, principalmente em Econometria, Microeconomia e Macroeconomia. A quantidade de professores (que não são especificamente da área) que revezam para dar as matérias, muitas vezes substitutos, é evidência da situação em que se encontram. Se a primeira é crítica por não existir nenhum especialista na área no departamento, as duas últimas não ficam atrás por terem, respectivamente, 3 e 4 matérias obrigatórias na grade curricular. Isso se não contarmos Organização Industrial, Economia e Administração de Empresas e Setor Público como correlacionadas à Micro e Economia Internacional e Contabilidade Social como correlacionadas à Macro. Se contarmos, então há um total de 12 (!) matérias que requerem um bom conhecimento das áreas de Micro e Macro (sem contar a Econometria como subsidiária a elas). O currículo do curso está disponível aqui.
A justificativa para votar-se em um professor de História e Desenvolvimento Econômico foi justamente essa: não havia alguém específico da área que pudesse dar a matéria, que é obrigatória na nova grade curricular. Esse é um argumento bom, justo, ninguém discorda. Mas há muitas áreas que estão carentes. Ora, se for para manter a coerência, e de fato buscar uma boa formação do aluno, por essa mesma linha de raciocínio não resta dúvida de quais matérias devam ser contempladas agora.
Para tanto, vejamos as outras áreas.
Na parte de História há as matérias de Formação e Desenvolvimento do Capitalismo, Desenvolvimento Sócio-Econômico, FEB I, FEB II e Economia Brasileira Contemporânea. Essa área já ganhou um ótimo professor recentemente e ainda receberá mais um com o concurso recém aprovado. Além disso, no departamento há outros professores com bastante experiência que lecionam(ram) uma ou outra matéria, tais como: Saade, Neide, Maria José, Vinicius, Adriano, Balarini etc. Só para citar os que recentemente deram alguma dessas matérias. Vê-se que há mais professores do que disciplinas obrigatórias.
A parte de Economia Política e HPE não está menos favorecida. Há Economia Clássica, Economia Política I e II. É uma área importante que já está bem servida com: Adriano, Carcanholo, Nakatani, Sabadini, Vinicius, Malaguti, Rogério etc. Também, já há mais professores do que disciplinas obrigatórias.
Quanto às outras matérias (tanto obrigatórias, quanto optativas – ou optatórias) há professores que podem ofertar praticamente todas, como Organização Indutrial I e II, Economia Internacional, Setor Público I e II, Matemática Financeira, Análise de Projetos, Matérias de HPE e Economia Política, Economia Agrícola, Economia Capixaba, Economia Institucional, Economia e Tecnologia, Economia Planificada...
Para não se estender muito, entretanto, vejamos logo as áreas específicas de Macroeconomia e Microeconomia (as básicas, de cunho mais neoclássico). Obviamente, pode-se colocar qualquer professor para dar essas matérias, inclusive substitutos – mas isso não é o ideal, tampouco alguém deve usar isso como argumento (se quiser manter a coerência). Específicos, em macro, há Saade, Ana Carolina (que está fora) e Alain (que está como coordenador do mestrado). Assim sobra efetivamente apenas um professor que é específico da área. Já em micro e econometria não há ninguém específico da área. E mesmo se contarmos com os eventuais professores que cobrem essa lacuna, não há professores suficientes para a quantidade de matérias, muito menos se contarmos que eles também devem orientar monografias, fazer pesquisa e ofertar optativas (quem vai dar contabilidade social, Macro 1, 2, 3 e 4, OI 1 e 2, Economia e Administração de Empresas, Introdução à Micro, Micro 1 e 2 e 3 e assim por diante?).
Um levantamento feito por Marco e Glauber, sobre o currículo lattes dos professores, evidencia, na minha opinião, sem sombra de dúvidas, onde há a carência de professores (levantamento no final do post).
Vale frisar, como já foi feito por João em diversos posts (1, 2, 3) que não se trata de disputa ideológica. Na situação atual, o aluno vai sair sem conhecer os modelos de Crescimento Neoclássico e como aplicar, por exemplo, a resolução de equações diferenciais para obter a trajetória temporal das variáveis do modelo, saber se o equilíbrio é estável ou não, a diferença entre o modelo de Domar e Solow... também não saberá como estimar quanto do crescimento do PIB brasileiro do último ano foi devido ao crescimento do progresso técnico... não se aprofundará na teoria do consumidor e da firma, informação assimétrica, ou em teoria dos jogos... e mesmo que ele não concorde com a matematização da economia, com o individualismo metodológico ou qualquer outra coisa, não será capaz de entender ou formular críticas aos modelos, apenas de repetir as críticas já feitas. O aluno não precisa se aprofundar nisso em sua especialização, mestrado, doutorado, mercado de trabalho, aí é escolha dele, mas precisa ver na graduação, ainda mais com o currículo que foi discutido e formado pelos próprios alunos e professores.
Não obstante, mesmo diante de clara lacuna, é possível que alguns professores não se atentem a essa necessidade e tentem o puxar a sardinha pro seu lado (seja qual lado for). E isso é mais do que natural. Mas, não é o ideal. E é nesse sentido que, acredito, deva atuar a representação estudantil. Essa discussão, pelo menos no tempo que estive aí, nuna esteve tão forte e, principalmente, tão disseminada entre os alunos. A oportunidade é de ouro, no total serão 4 vagas que, se tudo der certo, podem contemplar Economia Matemática, História, Econometria, Macro e Microeconomia, suprindo as áreas fundamentais e carentes do curso.
Depois de aprovadas, a luta será na formação da Banca e do programa, que devem ser formados de maneira rigorosa, escolhendo os mais aptos do departamento para a área e convidando um especialista notório de fora. A bibliografia mínima tem de ser de pós-graduação, como, por exemplo, Hayashi para Econometria e Mas-Colell e Jehle & Reny para Microeconomia.
Bom, segue abaixo a relação das áreas de atuação no Lattes de alguns professores. Acho que é autoevidente.
Abs.
Alain Pierre Claude Henri Herscovici
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Law and Economics.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia da Informação.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Macroeconomia.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: História do Pensamento Econômico.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia da Cultura e da Comunicação.
Bolsista CNPQ de produtividade nivel 2
Alexandre Ottoni Teatini Salles
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Teoria Econômica.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia Institucional.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia Internacional / Especialidade: Globalizacao financeira.
Angela Maria Morandi
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia Industrial / Especialidade: Organização Industrial e Estudos Industriais.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia Regional e Urbana / Especialidade: Economia Regional.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia Industrial / Especialidade: Mudança Tecnológica.
Arlindo Villaschi Filho
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia Industrial / Especialidade: Mudança Tecnológica.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia Regional e Urbana / Especialidade: Economia Regional.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia.
José Lazaro Celin
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Teoria Econômica / Especialidade: Economia Geral.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economias Agrária e dos Recursos Naturais / Especialidade: Economia Agrária.
Luiz Jorge Vasconcellos Pessôa de Mendonça
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia.
Manoel Luiz Malaguti Barcellos Pancinha
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia Industrial.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Teoria Econômica.
Grande área: Ciências Humanas / Área: Filosofia / Subárea: Epistemologia.
Mauricio de Souza Sabadini
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Teoria Econômica / Especialidade: Economia Política.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Teoria Econômica / Especialidade: Economia do Trabalho.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia Monetária e Fiscal / Especialidade: Teoria Monetária e Financeira.
Neide Cesar Vargas
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia do Setor Pùblico.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia Regional e Urbana.
Paulo Nakatani
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia Monetária e Fiscal / Especialidade: Política Fiscal do Brasil.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia Monetária e Fiscal / Especialidade: Teoria Monetária e Financeira.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia dos Recursos Humanos / Especialidade: Trabalho Emprego e Mundo do Trabalho.
Reinaldo Antonio Carcanholo
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia Política
Ricardo Ramalhete Moreira
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Crescimento, Flutuações e Planejamento Econômico / Especialidade: Flutuações Cíclicas e Projeções Econômicas.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Teoria Econômica / Especialidade: História do Pensamento Econômico.
Roberto Amadeu Fassarella
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economias Agrária e dos Recursos Naturais / Especialidade: Economia Agrária.
Robson Antonio Grassi
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia Regional e Urbana.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Organização Industrial e Estudos Industriais.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Organização Industrial e Estudos Industriais / Especialidade: Mudança Tecnológica.
Rogerio Arthmar
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Teoria Econômica / Especialidade: História Econômica.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Teoria Econômica / Especialidade: História do Pensamento Econômico.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Teoria Econômica / Especialidade: Teoria Geral da Economia.
Rogerio Naques Faleiros
Grande área: Ciências Humanas / Área: História / Subárea: HISTÓRIA ECONÔMICA.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia.
Grande área: Ciências Humanas / Área: História / Subárea: História do Brasil.
Vinícius Vieira Pereira
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia do Bem-Estar Social / Especialidade: Economia dos Programas de Bem-Estar Social.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Crescimento, Flutuações e Planejamento Econômico / Especialidade: Teoria e Política de Planejamento Econômico.
Grande área: Ciências Sociais Aplicadas / Área: Economia / Subárea: Economia Monetária e Fiscal / Especialidade: Política Fiscal do Brasil.

