Portanto, as observações que seguem podem já não ser mais tão interessantes quanto a análise de dados mais recentes que mostrem o início das repercussões da crise nos indicadores da economia capixaba.
Não obstante, antes tarde do que nunca! Quem quiser o exemplar impresso, este está disponível com o professor Rogério e alguns alunos do curso (eu, por exemplo). Ano que vem sairão mais cadernos e, acredito, sem atrasos. O grupo está aberto para a participação de mais alunos.
Restrospectiva 2007: O Brasil e o Espírito Santo
Por Carlos Cinelli e Julyana Covre

Discorrendo brevemente sobre o crescimento brasileiro do ano anterior, nota-se que, pela ótica da demanda, ele foi decorrente, sobretudo, do aumento do consumo das famílias e da forte retomada do investimento. Este último item, por exemplo, registrou o maior crescimento dos últimos onze anos. Já a despesa de consumo das famílias apresentou alta pelo quarto ano seguido, tanto por conta da elevação da massa salarial dos trabalhadores, quanto pelo aumento das operações de crédito para as pessoas físicas. Observando-se o resultado pela ótica alternativa do produto, vê-se que o bom desempenho foi devido, principalmente, ao desempenho da agropecuária, que obteve crescimento de 5,3%, seguida pela indústria, com expansão de 4,9% e, por fim, os serviços, com alta de 4,7% na produção.
Fica evidente que o país cresceu. E, caso não se realizem as previsões mais pessimistas sobre o cenário internacional, não mais tão improváveis em virtude da recente crise financeira norte-americana, é possível que o Brasil entre numa trajetória de crescimento a passos mais largos. Para este caderno, contudo, a pergunta que interessa responder é: qual o papel do Estado do Espírito Santo nesse processo?
Por exemplo, há três anos atrás, último ano para o qual temos dados do IBGE para as contas regionais, o PIB do Brasil cresceu 3,2% enquanto o do estado avançou 4,3%, contribuindo com aproximadamente 3,0% do crescimento brasileiro. O desempenho do Espírito Santo, sendo acima da média, fez com que passasse de 2,1% de representatividade do PIB nacional, em 2004, para 2,2% no ano seguinte (pode parecer pouco, mas apenas São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais produzem mais da metade da riqueza nacional – todos demais estados têm participação relativa no PIB abaixo de 7,0%). Tendo-se em conta o PIB per capita, é possível obter uma melhor noção do que isso representou: houve crescimento de 15,4%, o que fez o estado sair do oitavo para o quinto lugar no ranking do PIB per capita (entre as UF’s) em 2005. Mas, retomando a questão: no ano passado, o Espírito Santo obteve desempenho melhor, igual ou pior do que a média? Qual sua contribuição para o crescimento do país?
Infelizmente, as contas regionais do IBGE para o ano passado ainda estão longe de serem publicadas. É possível, porém, termos uma noção aproximada da participação relativa do Espírito Santo no desempenho brasileiro por meio de uma análise comparativa dos resultados de diferentes setores da economia capixaba com a média nacional. Faremos isso nas áreas de comércio exterior, indústria, comércio varejista e emprego, áreas essas para as quais já temos dados consolidados para o referido ano. Comecemos pelo emprego.
Gráfico 2
No ano passado, foram criados mais de vinte e cinco mil empregos formais no Espírito Santo, o que representou aumento de 4,5% frente a 2006. O Brasil, contudo, no mesmo período, obteve um aumento de 5,9%, o que, em termos absolutos, representou mais de um milhão e seiscentos mil novos postos de trabalho com carteira assinada.
Já os setores nos quais o Espírito Santo obteve aumento de emprego maior do que o Brasil foram o de Serviços e o de Comércio – 6,1% contra 5,3% para o primeiro e 7,2% contra 6,5% para o segundo – e o de Serviços Industriais de utilidade pública. É interessante observar que a participação do setor de Serviços no crescimento do emprego formal capixaba foi crucial, tendo ele respondido por mais da metade do crescimento total do estado, enquanto que para o Brasil essa participação foi um pouco mais moderada, atingindo 36,3%.
Assim, temos, de um lado, o setor de serviços como aquele com maior peso na produção nacional, com o desempenho do Espírito Santo nessa área traz indícios positivos sobre a participação relativa do estado no crescimento brasileiro. Por outro lado, a indústria de transformação, além de gerar maior valor agregado, é mais intensa em mão-de-obra. Logo, com uma criação de emprego neste setor bem abaixo da média brasileira, criam-se expectativas quanto à redução da participação do PIB capixaba no PIB nacional. Isso, junto com o resultado geral menor do que a média, faz-nos tender a acreditar que o resto do país pode ter crescido mais do que o Espírito Santo no ano de 2007. Pelo menos é isso que parece sugerir os dados relativos ao emprego. Vejamos agora a indústria.
Olhando a indústria como um todo, o cenário apresenta-se mais promissor para o Espírito santo. Enquanto a produção industrial no Brasil cresceu 6,0%, em 2007, a parcela referente ao estado cresceu 7,5%, segundo maior resultado dentre os todos os estados abrangidos pela PIM-PF. No país, a expansão de 2007 ultrapassa bastante os resultados dos dois anos precedentes, ficando abaixo apenas do crescimento de 2004. Essa progresso encontrou fundamentos no revigoramento da demanda interna ( com aumento do crédito, da ocupação e da renda), nas perspectivas positivas para o investimento, na recuperação do setor agrícola e cenário internacional favorável para as indústrias de exportação. Os segmentos com maior influência sobre a média global da indústria foram os de veículos automotores (15,2%) e máquinas e equipamentos (17,7%). No Espírito Santo, por sua vez, os destaques ficaram para a indústria extrativa (15,2%), sobretudo extração de petróleo e, dentro da indústria de transformação, para o setor de metalurgia básica (9,4%).
Gráfico 3
É interessante observar que essa tendência de a indústria capixaba crescer mais do que a brasileira tem lugar a partir de 2006, pois nos dois anos anteriores o estado ficou abaixo da média nacional. Além disso, observando-se a renda gerada pela indústria, a folha de pagamentos real espírito-santense obteve crescimento de 5,6%, enquanto a brasileira ficou ligeiramente abaixo, com 5,4%. Em linha com os dados relativos ao emprego mencionados na seção anterior, a indústria capixaba obteve resultado inferior à média brasileira, acusando crescimento de 0,2% em 2007 frente aos 2,2% alcançados pelo Brasil.

COMÉRCIO EXTERIOR
Diferentemente dos dois anos que o precederam, 2007 foi o ano das importações, e não das exportações, tanto para o Espírito Santo quanto para o país. Observando-se o gráfico 4, representativo dos dados do Espírito Santo, pode-se perceber o ocorrido no setor externo do estado.
Gráfico 4

Aentando-se, primeiramente, às exportações, nota-se que as vendas externas do Espírito Santo vinham crescendo em ritmo superior ao brasileiro até o ano de 2007. Por que então, no ano passado, o crescimento foi menos robusto? Observemos a tabela 5 abaixo:

Percebe-se que o aumento verificado recentemente nas exportações capixabas tem sido decorrente de variações positivas nos preços internacionais de commodities. Assim, apesar da queda do dólar observada nesse período, a alta dos preços sustentou os resultados apresentados pelas exportações. Porém, pelo menos para o ano passado, a inflexibilidade da oferta não nos permitiu atingir resultado melhor que o brasileiro.
COMÉRCIO VAREJISTA E VENDA DE VEÍCULOS

No Brasil o volume de vendas no comércio varejista cresceu 9,6% em 2007, ao passo que o crescimento do Espírito Santo foi de 9,1%. Mais especificamente, dos dez segmentos do comércio varejista abrangidos pela PMC, somente quatro superaram a variação brasileira. Já quanto à receita nominal, o estado obteve aumento de 11,7% enquanto o Brasil registrou avanço de 11,8%.
Gráfico 6
O resultado apresenta-se mais animador, entretanto, ao se analisar receita nominal do comércio varejista ampliado, composto pelos oito segmentos do comércio varejista mais os grupos (i) Material de Construção e (ii) Veículos e motos, partes e peças. Nesse quesito, tem-se que no Brasil houve acréscimo de 15,1%, sendo que os grupos Veículos e motos, partes e peças e Outros artigos de uso pessoal e doméstico e Material de Construção foram os principais responsáveis por este aumento. Já no Espírito Santo esta variação foi maior, de 19,2%, representada, primordialmente, pelos segmentos listados: (i) Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos, (ii) Veículos e motos, partes e peças, (iii) Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo e (iv) Móveis e eletrodomésticos.
Assim, ao compararem-se os índices de receita nominal e volume de vendas do comércio varejista do ano passado em relação ao ano de 2006, o estado obteve um crescimento inferior à média nacional. Quando comparamos, no entanto, esses dados em relação ao comércio varejista ampliado, o Espírito Santo obteve o maior crescimento dentre todos os estados brasileiros.
A posição de primeiro lugar obtida pelo Espírito Santo foi conseqüência, principalmente, do acréscimo de 31,5% nas receitas do segmento Veículos e motos, partes e peças e do acréscimo de 11,4% nas receitas do segmento Material de Construção. Dados da FENABRAVE corroboram esse fato; nota-se que as vendas de veículos no varejo – bom indicador de poder aquisitivo – cresceram 37,4% nas terras capixabas, enquanto que no Brasil esse crescimento foi de 30,4%.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nos últimos anos, a economia do Estado do Espírito Santo vinha crescendo bem acima da média brasileira, pois o crescimento econômico do país vinha apresentando resultados pouco satisfatórios. Para o ano de 2007, ainda se vê um bom desempenho da economia capixaba, embora os dados mostrem que o país também vem alcançando um ritmo de crescimento superior aos anos anteriores. Assim, apesar dos resultados favoráveis obtidos pelo Espírito Santo, é bem provável que, no ano passado, o Brasil e o estado tenham obtidos resultados semelhantes. E trata-se de algo positivo, visto que isso não foi fruto de um esmorecimento da economia capixaba, mas sim, como apontam os dados, de um revigoramento do crescimento brasileiro.
Relevem erros de digitação e formatação (dá muito trabalho formatar direito no blog).
ResponderExcluirPercebi que as fontes não sairam. São elas: caged, Alice, IBGE (PMC, PIM, PIA, Contas Nacionais, Contas Regionais), IPEADATA e FENABRAVE.
Belo trabalho, Jeremias.
ResponderExcluirEu li o impresso, que vc me deu, hehe...
heheh valeu.
ResponderExcluirAqui, bem que a gente podia fazer uma publicação do blog. Tem vários blogs que fazem, a gente edita em pdf e disponibiliza para download!
E se bobear, até imprime e distribui alguns.
Abs.