quarta-feira, 25 de junho de 2008

O bolsa-família ajudou significantemente na reeleição do Lula?

Esta controvérsia serve de exemplo, que acompanhei, dos problemas recentes da econometria conforme enumerados pela Deirdre McCloskey, pois a falta de uma método estabelecido para definir o vencedor de um debate acaba por esvaziá-lo sem uma conclusão, assim como acontece com tantas controvérsias econômicas.

Todos devem lembrar que a imprensa divulgou amplamente na época da eleição que o bolsa-família (BF) era um dos grande responsáveis pela liderança do Lula no nordeste. Pois bem, passadas as eleições o cientista político Jairo Nicolau apresentou um trabalho no INAE, demonstrando por mínimos quadrados ordinários (MQO) e levando em conta toda a população das cidades que o BF teve sim um impacto significantemente positivo na votação do Lula.

Então 5 economistas (entre eles, o Shikida do Gustibus e o Leonardo Monastério) fizeram um estudo mais sofisticado com econometria espacial, correção de erros autocorrelacionados espacialmente (afinal, cada município é influenciado e influência os municípios ao redor) e fez 3 regressões diferentes tendo como variável explicativa o a quantidade de beneficiário do BF pela população, pelos pobres e pelos indigentes.
O resultado foi que o BF perde sua significante influência na reeleição do Lula.

Mas poucos ficaram felizes com o trabalho, os cientistas políticos tenho certeza que não entenderam, nenhum jornal divulgou a "descoberta" e mesmo o economistas não tem muita certeza sobre a validade destes tipos de estudo. Lembro de um trabalho, no encontro da Anpec do ano passado, de uma doutoranda da UFPE que apresentou resultados preliminares divergentes, e não confiava no resultados do trabalho de Shikida e cia, pois ele utilizava a distribuição normal e não a distribuição Beta que ela achava melhor, pois só variava entre 0 e 1. Eu mesmo, se estivesse trabalhando com essa base de dados teria sugestões de diferentes regressões, como ponderar os municípios pelo número de habitantes ou número de eleitores...

Obviamente o problema metodológico, não é se o estudo econométrico corrige os erros espacialmente correlacionados ou não, se utiliza a distribuição beta ou à normal, se as observações são ponderadas pelo tamanho da população ou não, o problema é que falta um método, faltam regras claras para definir qual estimativa é melhor que a outra.

5 comentários:

  1. por Erú, haha, quanto mais leio, menos entendo...

    Mas então, tá é faltando Popper aos dois lados.

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  2. e pô, se dois modelos (teorias) explicam a realidade do mesmo modo, a escolha entre eles passa a ser puramente estética, e não racional.

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  3. O problema é que a regressão linear acusa qualquer tipo de correlação. Você não sabe que tipo é somente pelo modelo econométrico, mas sim pela teoria por trás do modelo.

    Além disso, para estimar que função utilizar para a regressão (quadrática, logarítimca, cúbica etc) você também só depende da teoria. Por exemplo, se curvas de indiferença têm que ser convexas, isso é porque a teoria nos diz, e é a partir daí que estimamos funções que têm essa aparência.

    E mais importante ainda, só a teoria no diz que variáveis são relevantes. Adicionar variáveis não relevantes no modelo vai distorcê-lo.

    Daí dá pra perceber que torturando os números, formas das funções, amostras, variáveis relevantes você não prova nada. O que prova alguma coisa é uma teoria consistente e coerente, que, aí sim, pode ser amparada por estudos quantitativos.

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  4. Também acho que tá faltando Popper na história!

    hehe para falar a verdade, devia ter uma matéria só sobre o método científico (claro que não "técnicas de pesquisa em economia").

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  5. até parece... se tinha professor nosso que já achava Ética totalmente dispensável do nosso currículo...

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