terça-feira, 17 de junho de 2008

Por que as Críticas Heterodoxas não são Levadas a Sério?

Em geral, as críticas heterodoxas são baseadas num raciocínio lógico-indutivista no qual a validade das conclusões depende da validade das hipóteses.

Não são poucos os pressupostos ortodoxos que foram colocados em xeque por críticas deste tipo; o processo de maximização dos agentes foi questionado por Herbert Simom, a validade das funções de produção pela controvérsia de Cambridge, o individualismo metodológico pela falácia da composição, a utilização de modelos ergódicos pelos pós-keneysianos, entre outras diversas críticas...

Em geral elas advogam pela utilização de uma base não falsa, e de premissas não equivocadas para a construção de uma ‘teoria economica séria’, eles estão aqui discutindo como uma teoria econômica deveria ser (“ought to be”), fazendo uma analise normativa da teoria econômica.

Contudo atualmente a maioria dos economistas ortodoxos não busca a ‘séria’ ou a verdadeira teoria econômica, a maioria deles está em busca da teoria econômica útil.

O ensaio de Milton Friedman, “The metodology of positive economics” em 1953, encaminhou os economistas ortodoxos para uma abordagem positivista. A idéia é que a as premissas passam a ter caráter meramente instrumental de acordo com sua capacidade de auxiliar na previsão de eventos futuros. Neste raciocínio as premissas econômicas não devem ser avaliadas pela sua validade empírica, mas pela sua utilidade instrumental.

(…) The formula s = ½ gt2 is valid for bodies falling in a vacuum and can be derived by analyzing the behavior of such bodies. It can therefore be stated: under a wide range of circumstances, bodies that fall in the actual atmosphere behave as if they were falling in a vacuum. In the language so common in economics this would be rapidly translated into: the formula assumes a vacuum. (…) The formula is accepted because it works, not because we live in an approximate vacuum - whatever that means. (Friedman, 1953)

Such a theory cannot be tested by comparing its “assumptions” directly with “reality.” Indeed, there is no meaningful way in which this can be done. Complete “realism” is clearly unattainable, and the question whether a theory is realistic “enough” can be settled only by seeing whether it yields predictions that are good enough for the purpose in hand or that are better than predictions from alternative theories. (Friedman, 1953)

Não importa se os agentes seguem literalmente o que está suposto nas premissas do modelo, mas se seus comportamentos são compatíveis com as previsões do modelo, isto é, se os agentes agem ‘como se’ (“as if”) estivessem seguindo as hipóteses do modelo. Não importaria, por exemplo, se um consumidor ou produtor sabem fazer derivadas diferenciais para calcular a maximização da sua função de utilidade ou função de produção, importa sim que eles ajam ‘como se’ estivessem maximizando-as.

Off-Topic: Seria legal ter uma manifestação como essa no ES também.

4 comentários:

  1. Todo mundo critica sem saber o que está criticando.

    É engraçado. Um monte de professor e aluno fala que a mídia só passa idéias da ortodoxia e todo mundo só repete.

    Mas acho o contrário. Na maior parte das universidade brasileiras, todo mundo critica a ortodoxia, mas não entende nem o mínimo da teoria para fazê-lo.

    Só repetem os chavões feitos por outros que também não entederam a teoria: o agente não tem racionalidade substantiva, o modelo não contempla a incerteza, a economia é um sistema não ergódico e blablablablablabla

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  2. Li faz pouco tempo dois artigos, um da conceição tavares e outro da lurdinha, que pelo amor de deus...

    Às vezes me pergunto se elas realmente se dão ao trabalho de estudar as teorias sobre as quais tentam formar uma opinião crítica a respeito. Um aluno de graduação que ler aquilo vai ter uma opinião completamente desvirtuada sobre o assunto.

    Vou procurar o link dos artigos e colocar aqui.

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  3. Discordo do Ricardo!

    Acho que os ortodoxos é que não entendem a base da ciência econômica que formulam. Desde o Paretto até o Lucas, a intenção dos neo-clássicos (e novos-clássicos) é fazer um modelo de economia independente da realidade, mas que desse parâmetros para descobrir como a realidade desvia do ponto ótimo. A análise posterior é tentar descobrir em que pontos a realidade desvia das previsões. As críticas heterodoxas servem justamente para descobrir onde os modelos vão errar e em que pontos ignorar as previsões dos modelos.

    Na verdade, os ortodoxos, ao não entenderem a verdadeira função dos modelos não é fazer previsões (e aí discordaria com veemência do Friedman, pq acho que a verdadeira motivação dos agentes é importante, mesmo que seja ignorada pelas previsões de um modelo econométrico), mas para ajudar o analista a dar "chutes" (pq em se falando de economia sempre vai haver chute) melhores.

    Acho que os modelos econométricos (principalmente os macroeconômicos) devem ser usados com muita cautela, pq são muito propensos a representarem truísmos (como as expectativas racionais que afirmam que agentes racionais podem prever tudo, menos o que não é previsível, como um choque). Em geral, esses modelos apresentam excelente ajuste estatístico, mas muito pouca utilidade prática.

    Em resumo, tendo a concordar com o Keynes que disse que: "esses (os clássicos) são economistas que preferem estar precisamente errados a estarem aproximadamente certos".

    Mas a discussão é interessante

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  4. O bom das crítica é que depois os ortodoxos as implementam nos modelos.

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