O compartilhamento de músicas pela internet afeta a venda dos Álbuns? Estudos empíricos devem disponibilizar suas bases de dados? São esses temas que são debatidos nesta reportagem, indicado pelo Gustibus.
A reportagem é meio longa mas vale a pena, está se discutindo qual as formas de validação de um estudo empírico/econométrico.
Este é um problema sério em economia, são diversas as controvérsias empíricas sobre vários temas que se arrastam por décadas. No Brasil algumas controvérsias são alimentadas por simples má fé, mas no mundo econômico em geral existe espaço para discussões de todos os tipos, desde se realmente o salário mínimo aumenta o desemprego, passando sobre se o aborto diminui a criminalidade, até se o cigarro deveria ser menos taxado pelo governo.
Mas pelo menos em uma coisa a ciência econômica tem melhorado, é cada vez mais comum a exigência ao autor da pesquisa empírica publicar junto com o artigo a base de dados utilizada.
If Mr.Oberholzer-Gee and Mr. Strumpf's paper were submitted today, it is not clear whether it would be accepted by the Journal of Political Economy. In 2006, partly at Mr. McCullough's urging, the journal adopted transparency rules that require authors to post their data and statistical models on the journal's Web site.
As far as Mr. McCullough is concerned, the authors' inability to share the data will forever cast a cloud over the paper. "If they are not making their data and code available, then I have to think that they have something to hide," he says. "There is a lot of nonreplicable research published in economics. We need to change the profession so that readers can expect that there actually does exist data and code that will reproduce the published results. Right now, at many journals, we cannot expect that."
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sexta-feira, 18 de julho de 2008
quarta-feira, 25 de junho de 2008
O bolsa-família ajudou significantemente na reeleição do Lula?
Esta controvérsia serve de exemplo, que acompanhei, dos problemas recentes da econometria conforme enumerados pela Deirdre McCloskey, pois a falta de uma método estabelecido para definir o vencedor de um debate acaba por esvaziá-lo sem uma conclusão, assim como acontece com tantas controvérsias econômicas.
Todos devem lembrar que a imprensa divulgou amplamente na época da eleição que o bolsa-família (BF) era um dos grande responsáveis pela liderança do Lula no nordeste. Pois bem, passadas as eleições o cientista político Jairo Nicolau apresentou um trabalho no INAE, demonstrando por mínimos quadrados ordinários (MQO) e levando em conta toda a população das cidades que o BF teve sim um impacto significantemente positivo na votação do Lula.
Então 5 economistas (entre eles, o Shikida do Gustibus e o Leonardo Monastério) fizeram um estudo mais sofisticado com econometria espacial, correção de erros autocorrelacionados espacialmente (afinal, cada município é influenciado e influência os municípios ao redor) e fez 3 regressões diferentes tendo como variável explicativa o a quantidade de beneficiário do BF pela população, pelos pobres e pelos indigentes.
O resultado foi que o BF perde sua significante influência na reeleição do Lula.
Mas poucos ficaram felizes com o trabalho, os cientistas políticos tenho certeza que não entenderam, nenhum jornal divulgou a "descoberta" e mesmo o economistas não tem muita certeza sobre a validade destes tipos de estudo. Lembro de um trabalho, no encontro da Anpec do ano passado, de uma doutoranda da UFPE que apresentou resultados preliminares divergentes, e não confiava no resultados do trabalho de Shikida e cia, pois ele utilizava a distribuição normal e não a distribuição Beta que ela achava melhor, pois só variava entre 0 e 1. Eu mesmo, se estivesse trabalhando com essa base de dados teria sugestões de diferentes regressões, como ponderar os municípios pelo número de habitantes ou número de eleitores...
Obviamente o problema metodológico, não é se o estudo econométrico corrige os erros espacialmente correlacionados ou não, se utiliza a distribuição beta ou à normal, se as observações são ponderadas pelo tamanho da população ou não, o problema é que falta um método, faltam regras claras para definir qual estimativa é melhor que a outra.
Todos devem lembrar que a imprensa divulgou amplamente na época da eleição que o bolsa-família (BF) era um dos grande responsáveis pela liderança do Lula no nordeste. Pois bem, passadas as eleições o cientista político Jairo Nicolau apresentou um trabalho no INAE, demonstrando por mínimos quadrados ordinários (MQO) e levando em conta toda a população das cidades que o BF teve sim um impacto significantemente positivo na votação do Lula.
Então 5 economistas (entre eles, o Shikida do Gustibus e o Leonardo Monastério) fizeram um estudo mais sofisticado com econometria espacial, correção de erros autocorrelacionados espacialmente (afinal, cada município é influenciado e influência os municípios ao redor) e fez 3 regressões diferentes tendo como variável explicativa o a quantidade de beneficiário do BF pela população, pelos pobres e pelos indigentes.
O resultado foi que o BF perde sua significante influência na reeleição do Lula.
Mas poucos ficaram felizes com o trabalho, os cientistas políticos tenho certeza que não entenderam, nenhum jornal divulgou a "descoberta" e mesmo o economistas não tem muita certeza sobre a validade destes tipos de estudo. Lembro de um trabalho, no encontro da Anpec do ano passado, de uma doutoranda da UFPE que apresentou resultados preliminares divergentes, e não confiava no resultados do trabalho de Shikida e cia, pois ele utilizava a distribuição normal e não a distribuição Beta que ela achava melhor, pois só variava entre 0 e 1. Eu mesmo, se estivesse trabalhando com essa base de dados teria sugestões de diferentes regressões, como ponderar os municípios pelo número de habitantes ou número de eleitores...
Obviamente o problema metodológico, não é se o estudo econométrico corrige os erros espacialmente correlacionados ou não, se utiliza a distribuição beta ou à normal, se as observações são ponderadas pelo tamanho da população ou não, o problema é que falta um método, faltam regras claras para definir qual estimativa é melhor que a outra.
Retórica Econômica
Segundo Deirdre McCloskey's , a principal autora desta área, a modelização, as provas matemáticas e as provas de equilíbrio, em geral não ajudam na evolução da ciência econômica, assim como muitos dos testes econométricos, que deveriam se importar mais com a importância econômica das variáveis e não com sua significância estatística. Em seu livro “The secret sins os economics” ela deixa claro que matemática e estatística são excelente ferramentas, e que a economia deve sim utilizá-las. Mas a economia sofre de um excesso de modelagem na qual diferentes modelos são criados modificando apenas algumas premissas básicas, ai fica uma espécie de joguinho com cada modelo ressaltando um aspecto especifico e nenhum deles consegue convencer os outros autores que o seu modelo é melhor.
A econometria sofre de um problema similar, são tantas as formas de se estimar um modelo, de testar uma causalidade que isso gera muita controvérsia, os resultados quanto mais sofisticados se tornam, menos confiança passam.
Economics in its most prestigious and academically published versions engages in two activities, qualitative theorems and statistical significance, which look like theorizing and observing, and have (apparently) the same tough math and tough statistics that actual theorizing and actual observing would have. But neither of them is what it claims to be. Qualitative theorems are not theorizing in a sense that would have to do with a double-virtued inquiry into the world. In the same sense, statistical significance is not observing.
E o pior, é que esse excesso de formalismo acaba por ampliar as controvérsias e os abismos que separam os ortodoxos e heterodoxos, gerando debates e controvérsias que duram séculos, pela falta de uma retórica oficial persuasiva a respeito do que os economistas consideram persuasivo.
The mathematical and statistical tolls that gave promise in bright dawn of the 1930 and 1940 of ending economic dispute have not succeeded, because too much has been asked of them. Believing mistakenly that operationalism is enough to end all dispute, the economist assumes his opponent is dishonest when he does not concede the point
Segundo McCloskey a base para se aceitar ou rejeitar uma teoria econômica deveria ser sua capacidade de persuadir, convencer os outros com base na plausibilidade de suas idéias ou não.
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