sábado, 24 de abril de 2010

Algumas coisas que insistem em não mudar













Vitória (ES), abril de 2010.

COORDENADORES DO CURSO DE ECONOMIA/UFES,

Abordar a micro e a macro economias de forma bem estendida e aprofundada é o que está faltando na literatura em geral da área. Quando vamos a autores como Mankiw, Vasconcelos, Blanchard, Varian, Pindick, Dornbusch, entre outros encontramos uma teoria bem inteligível, de uma maneira geral. No entanto, quando se parte para a prática da economia o curso vem a baixo.

Simplesmente não se realizam exercícios**!! Estes somente na hora da prova, e justo nesta hora quando o encadeamento da matéria na mente do aluno já deveria estar claro é que surgem as dúvidas ou a percepção que nenhum conhecimento está sólido. Esta é uma das críticas que o grupo Basta faz a este curso. Ora, o que ficou dos tempos de muito estudo e grande aprendizado herdado de Escola Técnica Federal foi a grande lição, como já diz o ditado, que a prática leva à perfeição. É o exercício que fixa o entendimento para uma vida, é ele que abre as dúvidas, que perscruta e remove a fundo o conhecimento. Encontramos dois livros somente que possuem exercícios, mas poucos resolvidos para o aprendizado do aluno (ainda que fossem em capítulos separados, para não induzir o aluno às resoluções), além de não condizerem com o ensino local.

Precisamos salvar o curso de Economia da UFES da extinção. Então BASTA!

Basta de enrolar; basta de o professor repetir o que está exatamente escrito no livro texto, sem qualquer averiguação ou prática da matéria através de exercícios ou questionários; basta de professores realmente muito bons que não transmitem o conhecimento da mesma forma; basta da vaidade de professores “showman” que se refletem em um medíocre rendimento da turma; basta de professores que usam o seu conhecimento para aprisionar os alunos e não para libertá-los tornando-os conhecedores como o mestre; basta de professores cujo livro didático está somente na mente deles; basta de professores que agem como legítimos “funcionários públicos”.

Aguardando um bom entendimento dos “front-heads” do curso e das dificuldades dos discentes, alimentamos a esperança breve de um curso de economia restaurado, criador de talentos, gerador de pesquisas, atuante, um curso exigente, atualizado e dinâmico, preparando com qualidade profissionais e cidadãos capacitados no conhecimento técnico e histórico para o futuro e aptos a atuar muito além das fronteiras capixabas. Seja esta a resposta que nos ajude em nossa caminhada intelectual e profissional.

Sinceramente,

Alunos de Economia/UFES
Grupo Basta

**Grandes ressalvas aos raros professores “salvadores-da-pátria” do curso de economia, grandes educadores que buscam elevar o aluno a um alto nível de aprendizado, além de serem professores dedicados e exigentes – ainda que inacessíveis - que buscam o aperfeiçoamento através de teoria e muitos bons exercícios. Estes bravos que não agem na linha de “verdadeiros funcionários públicos”.

12 comentários:

  1. Caro Grupo,

    Sou da opinião de que dois elementos são necessários e suficientes para a existência de uma boa educação. Invertendo a ordem lógica apenas para descrevê-los melhor teríamos:

    2º) alunos dedicados: é uma matéria-prima muito farta no curso, embora muitos não acreditem nisso. De fato, há uma grande onda de desestímulo que circunda o curso e que leva muitos a se enveredarem por outros caminhos. Há um desperdício desses talentos e um subaproveitamento daqueles que persistem.

    1º) um corpo institucional que tenha como objetivo e prática a excelência: não vou aqui questionar a capacidade acadêmica dos professores. Acredito que qualquer instituição que consiga aproveitar de maneira eficiente os recursos que tem, mesmo que limitados, pode obter excelentes resultados, inclusive para além de seus domínios geográficos.

    Acho que o grande problema se encontra no 1º aspecto. Embora seja comum encontrarmos professores que se dizem preocupados com a qualidade do curso, a maioria subestima a capacidade dos alunos. Achar que os alunos são limitados é uma enfermidade fatal para qualquer curso.

    Quando não há interação entre esses dois elementos, alunos e professores passam a agir por vontade própria e temos como resultado inevitável a desordem, o atrito constante entre as partes e o mau desempenho generalizado.

    As questões levantadas por vocês (e tantas outras já apresentadas neste blog e mesmo durante os anos que passei por aquele corredor) são absolutamente fundamentadas. Elas devem ser alvos de um intenso debate formal, principalmente se vocês pudessem convencer os integrantes do departamento e do colegiado de que precisam de um planejamento.

    Embora costume evitar a prática de dar conselhos em demasia, eu acredito que o sucesso dessa empreitada na qual vocês se encontram depende, sobretudo, de que a liderança discente consiga convencer a todos de que há uma necessidade crítica de planejamento do curso (que vai além da grade curricular...) e de que haja de fato uma liderança docente competente para persuadir os demais professores (inclusive de fora do departamento) para que se empenhem.

    E que o nome basta faça referência a indignação e não se transforme em desistência (como foi o meu caso).

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  2. O foda eh que os atuais representantes discentes nao querem mudar nada, eles querem continuar na picaretagem...

    E os que poderiam ser bons representantes nao querem ser, pois consideram o curso ridiculo e buscam outras oportunidades.

    Ai esses bons alunos procuram fazer outras coisas, para aproveitar seu pontencial, e, em sua maioria (nao todos), ficam no PET e na representacao estudantil os mais retardados.

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  3. Aproveitando o ensejo, a prova didatica do concurso de econometria deve ser amanha, quarta feira. Devemos acompanhá-la e torcer para que entre um bom professor de econometria, que o curso está precisando.

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  4. Vamos torcer mesmo para aprovar um bom professor.

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  5. Felizmente no concurso de econometria entrou o Zambom, que é bom professor e tem publicaçoes em boas revistas de nível nacional. Porém, nao foi fácil. Faltou muito pouco para entrar um candidato para nos ensinar "Econometria Crítica" ... um tal de "Maracujá".

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  6. hahaha será que o outro candidato nao ia ensinar "econometria política"!?

    tem um texto hilário no blog, nao lembro de quando, chamado manifesto de econometria política, ou algo do tipo!

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  7. achei o link!

    http://ecoufes.blogspot.com/2010/02/manifesto-de-econometria-politica.html

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  8. parabéns Grupo basta!!!!
    bela iniciativa, não faço economia na UFES, mas sei que o curso sofre sérias carências devido ao desleixo que o coordenadores, orientadores e professores do curso têm. A iniciativa individual é algo maravilhoso e todos que vêem uma oportunidade para melhorar o ambiente em que vive deve ser agente da mudança. A FUCAPE, conta agora com um blog para a manifestação das idéias, www.debatefucape.blogspot.com, e em nome do blog, ofereço todo o apoio e ajuda que precisarem. Posso afirmar que a grade daqui esta bem atualizada, qualquer coisa, pode ser um parâmetro. Podemos também, caso vocês tenham interesse, trocar idéias com intuito de integrar e dividir informações e situações do meio econômico entre as faculdades. O resultado pode ser magnífico. Caso queiram me contactar, o meu email é fernandoakcinelli@hotmail.com

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  9. Sem querer ser pessimista... Mas... Déjà vu?

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  10. De toda forma, desejo sucesso a vocês. Da turma que bancou um movimento similar na minha época (ainda que sem slogan), que eu saiba, não sobrou ninguém.

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  11. Todo mundo é livre para manifestar suas ideias, mas acho esse movimento sem sentido! Discordo quando dizem que os alunos do curso de economia da Ufes são dedicados; no máximo entre 3 e 5 alunos numa turma de 45 estudantes, o que é muito pouco. Acho que muitos alunos e professores fazem um pacto da mediocridade: professores fingem que ensinam e alunos fingem que aprendem! No caso específico dos meus colegas, acho que muitos deveriam parar de reclamar e estudar mais. Afinal, existem livros de Micro e Macro com bons exercícios disponíveis para todos! Por que muitos de nós não tomamos a iniciativa de fazer exercícios e procurar os professores com dúvidas? Por que deixamos sempre para estudar as vésperas das provas? Acho que os alunos de economia da Ufes são muito "críticos" (com muito trocadilho, por favor), mas não são auto-críticos!

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  12. Sem sentido? Qual o papel da universidade então?

    Pode acreditar, quando nego se fode em cálculo, se fode em micro, se fode em macro, porque professor dá aula de verdade e exige conhecimento e perícia no assunto, a auto-crítica vem... agora quando você vive num mundo de faz de conta, em que só se contam historinhas de mentira, aí a auto-crítica pode até vir, mas tarde demais.

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